terça-feira, 25 de agosto de 2026

Muro marroquino no Sahara Ocidental: quatro décadas depois, continua a dividir território e famílias

O muro em 2002. Imagem AFP PHOTO / PATRICK HERTZOG

Um artigo publicado pelo  Gizmodo em espanhol - publicação digital internacional dedicada à tecnologia, ciência e atualidade -, da autoria de Martín Nicolás Parolari, revisita o chamado muro marroquino do Sahara Ocidental, uma infraestrutura militar erguida por Marrocos entre 1981 e 1987 com apoio e aconselhamento de peritos de várias nacionalidades, nomeadamente israelitas. Essa infraestrutura divide o território ocupado por Marrocos e que o reino alauita designou por «sahara útil» e o território controlado pela Frente Polisario. Mais de 40 anos depois da sua construção, ele continua a funcionar como uma fronteira militar e um símbolo da ocupação.


Uma estrutura à escala da fronteira EUA-México

Segundo o artigo, somando as suas diferentes linhas e prolongamentos, a estrutura atinge aproximadamente 2.700 quilómetros de extensão — uma dimensão próxima da fronteira completa entre os Estados Unidos e o México, que ronda os 3.200 quilómetros segundo o Departamento de Estado norte-americano.


O texto descreve o muro não apenas como uma linha visível do ar sobre a areia, mas como uma sucessão de montículos, valas, arame farpado, posições militares e campos onde sair do trajeto conhecido pode ser fatal — uma referência direta aos extensos campos minados que acompanham toda a extensão da estrutura.


Mais do que uma linha defensiva

O foco central do artigo é mostrar que o muro deixou de ser apenas uma obra de defesa militar erigida durante a guerra entre Marrocos e a Frente Polisario para se tornar, décadas depois, uma fronteira de facto que separa território, população e famílias saharauis — perpetuando uma divisão humana e territorial que persiste sem resolução política à vista.

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