domingo, 27 de setembro de 2026

Relatório oficial marroquino alerta Mohamed VI para desemprego de 40% e 3 milhões de jovens "Sem Estudar, Sem Emprego e Sem Formação"...


Cartoon gerado por IA

Um relatório oficial elaborado por instituições do Estado marroquino terá alertado o rei Mohamed VI para a gravidade da situação do emprego no país, segundo notícia avançada pelo jornal espanhol El Mundo. De acordo com o diário, o documento revela que quase 40% da população ativa marroquina não tem emprego, e que existem cerca de 3 milhões de "SemSem" — jovens que não estudam nem trabalham, nem recebem formação — no país. 


A dimensão do problema 

Dados corroborados por diversas fontes internacionais confirmam a gravidade do quadro descrito. Segundo números amplamente citados, um em cada três jovens marroquinos entre os 15 e os 29 anos está nesta situação de "NemNem", totalizando cerca de 2,9 milhões de pessoas — das quais 70% são mulheres. Esta é uma parte da população particularmente vulnerável, sem acesso a formação, emprego ou perspetivas de futuro. 

Já os dados oficiais da taxa de desemprego geral em Marrocos — segundo o Alto Comissariado do Plano marroquino — situam-se atualmente em torno dos 13%, um valor claramente inferior aos "quase 40%" da população ativa sem emprego mencionados na notícia do El Mundo. Esta discrepância sugere que o relatório oficial referido pelo jornal espanhol utiliza uma métrica mais ampla do que a taxa de desemprego tradicional — possivelmente incluindo subemprego, inatividade forçada, economia informal não contabilizada, ou uma definição mais lata de população ativa sem ocupação regular, à semelhança do indicador de "SemSem". 


Uma crise que já saiu à rua 

Este cenário de desemprego estrutural surge associado, segundo relatos jornalísticos recentes, a uma vaga de descontentamento social que culminou numa crise migratória sem precedentes. Ainda recentemente cerca de 80 mil jovens marroquinos atravessaram a nado e por terra a fronteira com Ceuta, um êxodo que terá provocado cerca de 150 mortes. A Associação Marroquina dos Direitos Humanos interpretou este fenómeno como uma manifestação de rejeição face à desigualdade, à corrupção, ao autoritarismo e ao abuso de poder no país. 

Testemunhos recolhidos junto de jovens marroquinos que tentaram esta travessia resumem o sentimento de desespero: "Não há trabalho, não há futuro, não há direitos, como saúde, educação. Melhor tentar tudo. Não há espaço para os jovens." Embora se saiba que a ação de invasão foi organizada e manipulada pelos serviços secretos e  autoridades marroquinas (alguns preferem ignorar e assobiar para o lado, ou mesmo branquear o crime...), o facto de ter sido possível e em tão larga escala demonstra o amplo campo de mobilização que existe entre esta juventude desesperada... 


Um problema antigo, ainda por resolver 

A questão do desemprego jovem e dos "SemSem" não é nova em Marrocos — já os protestos de 2011-2012, no contexto da Primavera Árabe, tinham como uma das principais causas o desemprego elevado, juntamente com a corrupção generalizada  e a falta de reformas políticas. Mais de uma década depois, segundo o relatório agora citado pelo El Mundo, o problema não só persiste como se agravou, atingindo uma dimensão que levou as próprias instituições do Estado a alertar diretamente o monarca para a urgência da situação. 

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