Um conjunto de 47 organizações portuguesas dirigiu uma carta aberta ao primeiro-ministro e ao ministro dos Negócios Estrangeiros, apelando a uma intervenção diplomática em defesa do direito à autodeterminação do povo saharaui, nas vésperas da votação do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a renovação do mandato da MINURSO.
Na carta, as organizações manifestam preocupação com a primeira versão do projeto de resolução apresentado pelos Estados Unidos, por considerarem que procura estabelecer o plano de autonomia de Marrocos como única base para as negociações sobre o futuro do Sahara Ocidental
Os signatários contestam igualmente a possibilidade de alteração do mandato original da Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental (MINURSO), criada em 1991 para organizar um referendo de autodeterminação que continua por realizar.
As organizações defendem que Portugal deve assumir uma posição pública e diplomática que salvaguarde o direito do povo saharaui a decidir livremente o seu futuro, preserve as competências da MINURSO e rejeite a imposição de uma solução política pré-determinada.
Entre as 47 entidades subscritoras encontram-se a CGTP-IN, a Fundação José Saramago, a Federação Nacional dos Professores (FENPROF), o Conselho Português para a Paz e Cooperação, a Associação Portuguesa de Juristas Democratas, a Associação ILGA e a Voz do Operário, além de diversas organizações sindicais, culturais e de defesa dos direitos humanos.
A iniciativa surge na véspera da votação, prevista para 30 de outubro, sobre o prolongamento do mandato da MINURSO. Os subscritores sublinham que o Sahara Ocidental continua a ser considerado pelas Nações Unidas um território não autónomo e por descolonizar, defendendo uma solução assente na Carta da ONU e no direito internacional.

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