Marrocos está a preparar até 500 militares para integrar uma força internacional de estabilização na Faixa de Gaza, promovida pelos Estados Unidos, numa iniciativa que reforça a cooperação entre Rabat e Israel e suscita críticas na sociedade marroquina.
Segundo o jornal espanhol El Independiente, que cita informações divulgadas pelo israelita The Times of Israel, o treino começou no final de agosto, em território marroquino, sob orientação da força multinacional liderada pelos Estados Unidos. A formação envolveu inicialmente oficiais e instrutores, sendo posteriormente alargada ao restante contingente. Não está confirmado que o programa tenha sido concluído.
Marrocos foi o primeiro país árabe a comprometer-se publicamente com o envio de militares e polícias para Gaza. A força internacional deverá contar também com contribuições da Indonésia, Cazaquistão, Kosovo e Albânia, embora o seu destacamento continue condicionado por atrasos na execução do plano norte-americano.
A missão prevê a proteção de civis, a segurança dos corredores humanitários e a desmilitarização de Gaza, incluindo o desarmamento de grupos armados. O mandato admite o recurso à força, dentro dos limites do direito internacional, uma possibilidade que suscita preocupações quanto a eventuais confrontos com palestinianos.
A participação marroquina foi formalizada em julho, num acordo assinado em Rabat. Segundo informações divulgadas pelo jornal marroquino Le Desk, a contribuição inclui oficiais das Forças Armadas Reais, elementos da Gendarmaria e da polícia, além da instalação de um hospital militar de campanha. Ainda não foi anunciada uma data para o destacamento.
A iniciativa ocorre num contexto de aprofundamento das relações entre Marrocos e Israel, normalizadas em dezembro de 2020, no âmbito de um acordo acompanhado pelo reconhecimento norte-americano da reivindicação marroquina de soberania sobre o Sahara Ocidental.
Em setembro, os dois países acordaram elevar o nível das relações diplomáticas através da nomeação de embaixadores, numa decisão que provocou novas manifestações de solidariedade com a Palestina em Marrocos.
Ao El Independiente, Karim Hassoun, político belga de origem marroquina e cofundador da Hind Rajab Foundation, criticou a participação de Rabat na missão, considerando que poderá envolver militares marroquinos em operações controversas e expô-los a responsabilidades jurídicas por eventuais violações do direito internacional.
O ativista acusou ainda as autoridades marroquinas de aprofundarem a cooperação com Israel contra a vontade de uma parte significativa da população, que continua a manifestar-se contra a normalização diplomática e em defesa dos direitos dos palestinianos.
Apesar dos preparativos, o envio dos militares marroquinos para Gaza ainda não tem data confirmada, dependendo de decisões políticas, autorizações israelitas e condições de segurança no terreno.

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