sábado, 8 de julho de 2017

Exército saharaui aborta operação de narcotráfico em que estavam implicados membros do Exército marroquino




O Exército de Libertação Popular Saharaui (ELPS) abortou uma operação de narcotráfico e contrabando de haxixe no sul do Sahara Ocidental perto da fronteira com a Mauritânia, em que estavam implicados membros do Exército de Marrocos, informou uma fonte do ministério da Defesa saharaui.

Segundo a mesma fonte, duas pessoas foram detidas e foi montado um dispositivo de busca para localizar os outros dois veículos participantes na operação, que segundo foi apurado, conseguiram fugir em direção à Mauritânia.

As autoridades saharauis não especificaram se os detidos são marroquinos ou de outra nacionalidade estrangeira.

Os militares saharauis detetaram os três veículos dos traficantes na tarde do dia 6 de julho a 40 quilómetros a nordeste de Gnifa, no setor da 1.ª região militar saharaui.

Tanto o governo da RASD como várias ONG internacionais e instituições regionais têm chamado a atenção para a implicação de Marrocos em atividades de tráfico, contrabando e crime organizado, advertindo para os riscos da situação.

Segundo a mesma fonte militar saharaui, os traficantes dirigiam-se ao Mali passando pela Mauritânia e formavam parte de uma rede de tráfico de droga e de armas entre Marrocos e a África subsahariana.


Fonte: El Confidencial Saharaui

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Pai do Secretário-Geral da Frente Polisario morre aos 95 anos




Sidi Moustafa Sidi Mohamed Sidi Abderrahman, pai de Brahaim Ghali - SG da Frente Polisario e Presidente da República Saharaui – morreu aos 95 anos após uma longa vida dedicada à luta pela autodeterminação do povo saharaui.
O ancião morreu nos acampamento de refugiados saharauis, na wilaya de El Aaiún.

A notícia foi veiculada pela publicação El Condidencial Saharaui.

Brahim Ghali em entrevista à “Relaciones Internacionales”




O presidente da República Árabe Saharaui Democrática (RASD), Brahim Ghali, deu uma importante entrevista à prestigiada revista “Relaciones Internacionales” que, desde há 26 anos, é editada ininterruptamente pelo Instituto de Relaciones Internacionales de la Universidad Nacional de La Plata (IRI-UNLP). No mesmo número, o povo saharaui também está presente na secção “Lecturas”, através da resenha do livro de Luz Marina Mateo “México y la RASD. 35 años de relaciones diplomáticas y lazos culturales”, da autoria da advogada Celina Manso.

Leia toda a entrevista em:


terça-feira, 4 de julho de 2017

Duas ativistas espanholas dos DDHH expulsas do Sahara Occidental




Fonte: El Diario / EFE - Duas ativistas espanholas pro saharauis foram expulsas ontem à noite do território do Sahara Ocidental sem que a polícia marroquina lhes tivesse  permitido sair do avião em que haviam chegado a El Aaiún procedentes de Las Palmas.

Segundo denunciou hoje a Associação Saharaui de Vítimas de Violações dos Direitos Humanos (ASVVDH), as duas ativistas, identificadas como Laura Moreno Torregrosa e Andrea Sáez de Eguílez, foram obrigadas a abandonar o território no mesmo avião, cujo destino seguinte era a cidade de Casablanca.

Nenhuma fonte marroquina confirmou a notícia, embora geralmente nunca o façam, apesar de serem habituais os casos de expulsão de ativistas estrangeiros próximos do independentismo.

A ASVVDH refere em comunicado que as duas espanholas tinham em agenda uma série de entrevistas de carácter com vários interlocutores “políticos, mediáticos e de direitos humanos” para estudar a situação dos direitos humanos na zona.

Foram expulsas “pela força sem que lhes dessem quaisquer justificação”, acrescentou aquela fonte.


Na semana passada, dois jornalistas norte-americanos também foram expulsos de El Aaiún, segundo revelaram meios marroquinos e saharauis, sem que também as autoridades quisessem comentar o facto.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Centenas de saharauis saíram à rua em El Aaiún, exigindo a independência e a saída de Marrocos do território




Esta sexta-feira, 30 de Junho, centenas de saharauis sairam à rua no bairro de Casa Piedra em El Aaiún, territórios ocupados do Sahara Ocidental, exigindo a independência e saída de Marrocos que ocupa ilegalmente este território desde 1975.

As forças de ocupação marroquinas investiram contra os manifestantes tendo provocado dezenas de feridos.
As manifestações da população saharaui pela autodeterminação são constantes desde o início da intifada pacífica em 2010.

A comunidade internacional continua a não querer ouvir o clamor dos saharauis que utilizam todas as formas de resistência não violenta desde, 1991, data da assinatura do cessar-fogo.

Marrocos desrespeita o acordo assinado e continua a impedir a realização do referendo da autodeterminação e, ao mesmo tempo, inunda o território com colonos e forças militares, paramilitares, policiais e agentes dos serviços de inteligência, reprimindo a população saharaui e recorrendo aos métodos do apartheid para marginalizar, empobrecer e controlar.

Os jornalistas saharauis que trabalham na clandestinidade têm cada vez mais dificuldades de realizar o seu trabalho sendo sequestrados, torturados e presos

Fonte: Por um Sahara Livre

domingo, 2 de julho de 2017

Marrocos destrói a cultura e a memória saharaui. Intervenção de Bahia Awah sobre o “culturicídio” da ocupação marroquina no Sahara Ocidental



Marrocos leva a cabo no Sahara Ocidental, desde 1976, quando invadiu o território, um processo de destruição da cultura e da memória saharaui, denunciou o antropólogo e escritor Bahia MH Awah no curso de verão “Miradas saharauis”, da Universidade Rei Juan Carlos, em Madrid.

O escritor saharaui afirmou que nos encontramos ante um “culturicídio”, um genocidio cultural com o qual se pretende eliminar o património material e imaterial saharaui: “Desde que Marruecos ocupou a ex-colónia espanhola cometeram-se barbaridades contra a cultura saharaui”, para que desapareça a identidad de um povo, os seus valores e elementos históricos, transmitidos por gerações de saharauis.

O orador, explicou que a cultura saharaui não é marroquina, mas afro-árabe fortemente influenciada por um século de convivência com a cultura espanhola. Os trajes, salvo o turbante, são de origem africana: “A darrá dos homens e a melfa das mulheres não são árabes, mas africanas; assim como acontece com a nossa música, a dança, o tambor, os contos, a narrativa; estes ingredientes culturais antropológicos definem a nossa cultura, são a identidade de uma sociedade hassani”.

No alvo deste ataque à cultura saharaui encontra-se o Hassania – uma língua resultantes das africanas zenaga ou senhaya, wólof e o árabe- “totalmente diferente da marroquina, que é imposta às crianças nas escolas, onde se obriga a cantar o hino nacional marroquino e dizer palavras que em hassania têm outro significado, ao ponto de não poderem ser pronunciadas diante de pais padres ou de pessoas mais velhhas”. O hassania  é falado no Shara Ocidental e na Mauritânia.
Na sua luta contra o Hassania, as autoridades marroquinas, na opinião da Bahia Awah, não construiram universidades no Sahara Ocidental e, assim, os jovens saharauis têm que ir para o norte do Marrocos, onde estão "numa selva", no qual domina a língua marroquina e onde há drogas, para os dissociar e desfazer a sua cultura.

Outros aspectos sujeitos a esse "estupro cultural" são as tradições e costumes da sociedade saharaui, antre as quais o Professor Awah citou o batismo, com seus protocolos particulares ou a forma como se constroem os nomes: "Não se podem usar certos nomes, como Lala, que para os marroquinos é uma princesa ou uma mulher, Mulay, príncipe ou Sidi, meu mestre, enquanto no Sahara Ocidental este nome é tão comum como Antonio em Espanha".

Marrocos, disse o orador, destruiu "a nomenclatura de construção dos sobrenomes saharauis": "Nós dizemos Mohamed Ould Brahim e eles eliminal a ligação Ould e impêm um apelido que pode ser o nome de um barril, uma pedra, uma região...". Citou o caso de Sukeina Mint Ould Yedehlu esid, uma presa desaparecida durante 13 anos,  que agora se chama Sukeina El Idrisi, com um sobrenome sem nenhuma ligação à sua família.

Um exemplo significativo de ataque aos símbolos da identidade nacional Saharaui foi a proibição, em março de 2013, de instalar jaimas (tendas tradicionais) nas cidades, subúrbios ou praias, ou a campanha de eliminação dos santuários ou pontos de culto saharauis conhecidos como "lemsid", uma pequena extensão de areia cercada por pedras onde os Saharauis vêm rezar e debater, que também é usado como lugar onde as crianças aprendem a ler, escrever e recitar os versículos do Corão", uma humilde mesquita ao ar livre, aberta a todos".



Bahia MH Awah disse que a perseguição cultural atingiu também o espanhol, mas que passados 42 anos Marrocos começou a mudar de estratégia para se apoderar daquela que é a segunda língua dos saharauis. Por isso abriram uma biblioteca em El Aaiún, e como disse na televisão local Sidi Mohamed Falah, um "traidor" Saharaui que trabalha para Marrocos, assinaram um acordo com o Instituto Cervantes de forma o conseguirem o reconhecimento da marroquinidade do Sahara Ocidental.

Na mesma linha de mudança de estratégia se inclui a recente tradução para o Hassania de "O Pequeno Príncipe", de Antoine de Saint-Exupery, edição considerada pelos saharauis como uma obra de sabotagem cultural ao tentar apresentar o Hassania como língua marroquina, tal como vêm fazendo com os contos saharauis, a sua narrativa oral, dizendo que fazem parte do "grande mosaico cultural de Marrocos".

Como casos relevantes de destruição do Património material histórico saharaui, Bahia Awah citou os restos da mesquita de Smara, onde não se investe na sua reabilitação e que vai caindo pedra a pedra, ou os edifícios do período colonial espanhol: o forte de Dakhla, um símbolo histórico colonial, que foi demolido em 2009, apesar de uma campanha internacional para o impedir.

Tentaram fazer o mesmo com a igreja de Nossa Senhora del Carmen, também em Dakhla (ex-Villa Cisneros), de que chegaram a demolir uma parte pequena, mas Mohamed Fadel Semlali, (deficiente que dela toma conta) com a sua cadeira de rodas deteve-os: "Agora, este ativista protege esse património, mas não através de organizações espanholas ou do Governo espanhol, mas com a intervenção do Vaticano". Também delinearam a destruição e pilhagem de rochas com gravuras do Paleolítico e do Neolítico, e a eliminação da acácia saharaui.


Fonte e foto: EIC Poemario por un Sahara Libre / Contramutis