domingo, 16 de junho de 2013

III Conferência Internacional de Apoio às Mulheres Saharauis constituiu um êxito apesar do forte dispositivo de segurança marroquina (UNMS)


El Aaiún (Territórios Ocupados),16/06/13 - Fátima Mehdi, membro do Secretariado Nacional da Frente Polisario e Secretária-Geral da União Nacional de Mulheres Saharauis, afirmou que a III Conferência Internacional de Apoio à Resistência das Mulheres Saharauis na sua terceira edição constituiu um êxito apesar do forte dispositivo de segurança marroquino e o bloqueio imposto à cidade ocupada de el Aaiún, local onde se realizou esta conferência internacional .

Em consonância com a recomendação da primeira fase organizada pela União Nacional de Mulheres Saharauis nos acampamentos de refugiados saharauis, a III Conferência Internacional de Apoio à Resistência das Mulheres Saharauis decorreu entre 15 e 16 deste mês sob o título ”a resistência das mulheres saharauis nos territórios ocupados” na cidade ocupada de Aaiún, capital do Sahara Ocidental.

A SG da UNMS referiu à SPS que esta III Conferência de “Apoio à Resistência das Mulheres Saharauis”, contou com a participação de mulheres da Europa, em particular de França e Espanha, representando parlamentos e associações de amizade e solidariedade com o povo saharaui.

Esta conferência teve o propósito de dar a conhecer a resistência pacífica da mulher saharaui e a sua contribuição na luta nacional pela liberdade e a independência. De registrar uma participação significativa das mulheres saharauis nos territórios ocupados.

Segundo Fátima Mehdi, a conferência abordou a questão dos assassinatos, ameaças, torturas, violação, sequestro e detenção, tendo sido também abordadas e discutidas as políticas de marginalização, fome, ignorância e alienação praticada pela ocupação marroquina de maneira deliberada e sistemática contra os cidadãos saharauis.

O evento também abordou o papel que joga a mulher saharaui na luta pela libertação do seu país, e a difícil situação das mulheres saharauis que vivem atualmente nos territórios ocupados, uma realidade caracterizada pela perseguição, a opressão e a privação de todos os direitos e liberdades.


A cidade del Aaiún vive um estado de sítio com uma forte presença de dispositivo militar e de segurança marroquina na sequência da realização desta terceira edição da III Conferência de Apoio às mulheres saharauis.

SPS

Forte dispositivo policial em Aaiún devido à realização da III fase da Conferência Internacional de Apoio à Resistência das Mulheres Saharauis


Redes de mulheres unem pontes entre as saharauis dos dois lados do Muro da Vergonha

Os bairros de Maatala e Smara são cenário de manifestações pacíficas de acolhimento à terceira fase da III Conferência de Apoio às mulheres saharauis realizado em el Aaiún. A polícia marroquina, como forma de provocação às mulheres saharauis, colocou colonos vestidos de saharauis empunhando bandeiras de Marrocos.


A Conferência Internacional de Apoio à Resistência das Mulheres Saharauis, realizado nos dias 19, 20, 21 de abril de 2013, sob o lema “Os Direitos das Mulheres à Resistência” a situação das mulheres saharauis”, (direito reconhecido pela resolução 3743 da Assembleia Geral das Nações Unidas, em particular nos seus artigos 2 e 3 ), celebrou-se no âmbito da comemoração do 40 º aniversário da fundação da Frente Popular para a Libertação de Saguia el-Hamra e Río de Oro e o desencadeamento da  luta armada pela liberdade e independência da República Árabe Saharaui Democrática.

Visita da relatora da ONU sobre o tráfico humano




Genebra (Suíça), 14 de Junho de 2013 - A Relatora Especial da ONU sobre o tráfico de pessoas, especialmente mulheres e crianças, Joy Ngozi Ezeilo, vai visitar Marrocos de 17 a 21 de junho 2013 para examinar o fenómeno do tráfico e avaliar as respostas tomadas para combater o tráfico de seres humanos. [A Relatora Especial também visitará Dakhla, Sahara Ocidental, a 20 de junho de 2013]

"Durante a minha visita a Marrocos, espero identificar desafios relativamente a boas práticas no combate e prevenção do tráfico de seres humanos, bem como proteger os direitos humanos das vítimas de tráfico. A minha visita é também uma oportunidade para engajar construtivamente com as autoridades competentes e os intervenientes-chave sobre estas questões e desafios, disse Ezeilo, que visita o país a convite do Governo.

A Relatora Especial reunirá com funcionários competentes, autoridades, elementos do corpo judicial, instituições nacionais envolvidas na luta contra o tráfico de pessoas, bem como representantes de agências da ONU, organizações internacionais, sociedade civil, indivíduos e vítimas de tráfico e / ou seus representantes. Em Marrocos, a Relatora Especial planeia visitar Rabat, Casablanca e Tânger.


A senhora Ezeilo irá compartilhar suas observações e recomendações preliminares numa conferência de imprensa em Rabat, A 21 de junho de 2013, às 14:00 horas, no Hotel Golden Tulip Farah (Praça Sidi Makhlouf, Rabat). As conclusões e recomendações da Relatora Especial serão transmitidas no seu relatório ao Conselho de Direitos Humanos em 2014.

ONU denuncia: Marrocos persegue os saharauis que usam o seu traje tradicional


 


A Perita independente do Conselho de Direitos Humanos da ONU denuncia o assédio e perseguição do ocupante marroquino contra as tradições saharauis. O regime marroquino, desde a ocupação do Sahara Ocidental, empreendeu uma política de aculturação sistemática que começou por trocar os nomes das cidades do Sahara Ocidental (substituindo, por exemplo, “El Aaiun” por “Laaiun”. No âmbito dessa política de aculturação, o regime de ocupação ameaça e persegue os saharauis que envergam o seu traje tradicional, distinto do marroquino.

No relatório apresentado ao Conselho de Direitos Humanos da ONU afirma-se:

“A Perita independente assinalou uma inquietante tendência: alguns saharauis deixam de envergar o seu traje tradicional distintivo ou hesitam em fazê-lo porque se sentem ameaçados ou perseguidos. A Perita independente recorda que as autoridades locais têm a obrigação de proteger a realização dos direitos culturais contra as ingerências de terceiros e que, como o explicou o Comité dos direitos económicos, sociais e culturais, a obrigação de respeitar e de proteger o direito de cada um a exercer as suas próprias práticas culturais deveria ser considerada como uma obrigação fundamental em virtude del parágrafo 1 a) do artigo 15 do Pacto internacional relativo aos direitos económicos e sociais e culturais 37. Pede insistentemente às autoridades locais que se ocupem deste problema e que se tomem medidas para promover uma cultura de tolerância e de diversidade cultural”.

A Perita independente da ONU constatou esta falta de tolerância e de respeito pela diversidade cultural depois de ter sido aprovada a nova “Constituição” marroquina de 2011 que dez respeitar a cultura hassania.


Fonte: wshrw.org

sexta-feira, 14 de junho de 2013

MINURSO prepara-se para despedir metade dos seus empregados marroquinos


Várias fontes informativas da cidade ocupada de El Aaiún, asseguram que a gestão da missão da ONU no Sahara, a MINURSO, estaria a destituir dos seus postos, cerca de metade do pessoal marroquino. A fonte também acrescenta que alguns dos efetivos despedidos, estavam há mais de 15 anos ao serviço da MINURSO.

A mesma fonte informa que Wolfgang Weisbrod-Weber, Representante Especial e Chefe da Missão das Nações Unidas para o Referendo do Sahara Ocidental (MINURSO), já teria anunciado esta expulsão aos trabalhadores de nacionalidade marroquina, que desenvolviam atividades nas cidades do Sahara Ocupado.

Wolfgang Weisbrod-Weber com o SG da ONU, Ban Ki-moon

Recorde-se que, em julho de 2012, o mesmo aconteceu a vários efetivos marroquinos “tendo por base relatórios internos que asseguram que algumas pessoas efetuam trabalhos de espionagem sobre todos os movimentos dos membros da MINURSO e que o fazem há mais de duas décadas”. Esta situação já fora denunciada anteriormente pelo próprio Christopher Ross que imputou às autoridades marroquinas a “escuta de comunicações” entre a sede da Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental em El Aaiún e a sede da ONU, em Nova Iorque.

Fontes: FuturoSahara.net + WSHRW

“Espanha passou de primeiro para último na lista de doadores do Sahara Ocidental”



Entrevista do InfoLivre ao primeiro-ministro da República Saharaui, Abdelkader Taleb Oumar, após os mais recentes acontecimentos no Sahara Ocidental

Do seu ponto de vista, a ONU deveria reformar-se para fazer frente aos problemas atuais. Não compreende por que razão alguns países têm direito de veto no Conselho de Segurança. 
Segundo o diplomata, o Governo de Mariano Rajoy não avançou nada em relação ao assunto saharaui, tal como os seus antecessores.

Na celebração do 40.º aniversário da fundação da Frente Polisario e após o anúncio de que a missão da ONU para o referendo saharaui (MINURSO) é renovada um ano mais sem incluir entre as suas competências o supervisionamento dos direitos humanos, a ex-colónia espanhola aproxima-se de uma situação de abismo que muitos peritos vêm como um precedente que poderá desembocar num conflito de alta intensidade.

O primeiro-ministro da República Saharaui, Abdelkader Taleb Oumar, analisa o contexto atual do Sahara, o papel que joga a comunidade internacional através das Nações Unidas e os vínculos afetivos que ambos os países – Sahara e Espanha. O dirigente saharaui visitou durante estes dias Espanha por motivo da participação nas jornadas organizadas pela Universidade Autónoma de Madrid acerca do conflito e sua história.


Tras cuarenta años de lucha, el conflicto saharaui continúa estancado. Tras los últimos acontecimientos, ¿hacia dónde se dirige?

Respuesta: En estos momentos estamos pendientes de la mediación que pueda hacer Naciones Unidas. Próximamente vendrá a visitar la zona un enviado especial. Este organizará actos bilaterales con las dos partes del conflicto para preparar la próxima ronda de negociaciones. Paulatinamente esperamos que el diálogo avance, ya que la propuesta de Marruecos de crear una autonomía no convence a nadie y está caduca. Hay que buscar otros caminos adaptados al nuevo contexto que se está fraguando en la zona.

También es necesario apuntar que cada vez son más las voces que consideran necesaria la creación un mecanismo que amplíe la misión de la ONU para el referéndum saharaui (MINURSO) con el fin de que este pueda controlar el cumplimiento de los derechos humanos. Marruecos rechaza esto pero la convicción del pueblo saharaui es cada vez mayor con respecto a sus propios derechos.

En los últimos meses se ha producido un aumento de la violencia. ¿Esto puede desembocar en la vuelta a las armas del Frente Polisario?

R.: La gente está impaciente y la comunidad internacional debe dar signos claros con el objetivo de mantener la esperanza de los saharauis. Si la población pierde la confianza en la vía pacífica y se concluye que no es el camino más eficaz se puede dar una vuelta a las armas por parte del Frente Polisario.

¿Cuál es la línea que se debe superar para que eso suceda?

R.: En la comunidad internacional deben ser conscientes de que la paciencia de la población saharaui se está agotando. No se puede decir una fecha determinada para que algo así suceda porque todo depende de las circunstancias concretas de cada momento. Pero, insisto, es absolutamente necesario que haya avances en el campo de derechos humanos.



¿Qué espera de la renovación de la MINURSO al año que viene, en el 2014?

R.: Esperemos que durante este año se produzcan los avances deseados y que al fin la ONU cumpla sus propias resoluciones.

¿Cree que es factible que determinados países intervengan directamente en el conflicto al margen de la ONU?

R.: Hasta ahora la intervención la hacen a través de Naciones Unidas y respetan las resoluciones del Consejo de Seguridad. Estos países apoyan los esfuerzos del secretario general y del enviado personal. No creo que eso cambie mucho en un futuro.
  
¿Cuál cree que es el problema principal de la ONU? ¿Por qué este organismo se ha visto deslegitimado en los últimos años?

R.: Desde el punto de vista jurídico, teórico o moral las cosas parecen estar claras. Pero lo cierto es que no es así. A la hora de tomar posiciones, los intereses de cada país prevalecen sobre los derechos humanos. Esto es un auténtico drama. Muchos expertos dicen que Naciones Unidas ha fracasado y exigen reformas para cambiar los mecanismos de intervención. Por ejemplo, en el caso saharaui, Francia siempre ha obstaculizado la aplicación de las resoluciones de Naciones Unidas por sus intereses económicos en la zona.

¿Cómo se puede resolver este gran problema de la ONU? ¿En qué sentido se debería reformar?

R.: La comunidad internacional lo está negociando desde hace bastantes años y muchos hablan de que la estructura de hoy de Naciones Unidas no corresponde a los nuevos cambios mundiales, sino a la etapa de la Guerra Fría. Yo no soy alguien que pueda resolver estas cuestiones.

Además del problema político también existe una crisis humanitaria. ¿La crisis que se vive en Europa es una excusa para rebajar las ayudas humanitarias?

R.: Todo el mundo sabe que hay una crisis en Europa, especialmente en los países mediterráneos, y se están acometiendo duros programas de ajuste. Esto ha tenido un impacto importantísimo en el día a día de los saharauis. Las ayudas para el desarrollo de proyectos, el dinero destinado a emergencias de todo tipo, las subvenciones de iniciativas solidarias. Todo eso se ha reducido notablemente y en los campamentos tiene repercusiones directas. En el caso de España, la reducción de ayudas es especialmente apreciable, ya que ha pasado de ser el primero en la lista de donantes a ser el último. Estos países tienen que entender que defendemos una causa justa. El deber de la comunidad internacional, ya que no resuelve el conflicto, es crear las condiciones pertinentes para que la sociedad no desespere.

Expertos en cooperación han recomendado a los países desarrollados que destinen un porcentaje fijo anual de su PIB a ayuda humanitaria. ¿Es esa la solución para que un país como el Sáhara Occidental salga de la pobreza?

R.: Efectivamente eso sería una medida excepcional. Algunos incluso invitaban a donar un 0,7% de la riqueza nacional de estos países. Pero con la crisis todo esto se ha esfumado. No obstante, hay que persistir y seguir exigiendo la solidaridad entre los pueblos. La ayuda mutua es vital para el desarrollo de la humanidad.

Y en este contexto, ¿cómo valora la posición adoptada por España durante las últimas décadas?

R.: Esta es otra dificultad realmente grave. España, que es la expotencia colonizadora, y que lo sigue siendo aún hoy en día, no ha jugado el papel que debería. De hecho, fue quién creó gran parte del problema al entregar el territorio saharaui a Marruecos y Mauritania en 1976. Desde Madrid siempre se alega que lo que se entregó fue la administración, no la soberanía. También se posicionan con el derecho a la autodeterminación pero ellos se quedan aquí sin hacer ningún esfuerzo. Ahora mismo la sociedad civil española es la que está haciendo este esfuerzo. La posición de los gobiernos españoles siempre ha estado muy alejada de las impresiones de sus ciudadanos. En muchas ocasiones, los políticos españoles incluso se han situado mucho más cerca de las pretensiones marroquís.


¿Ha hablado durante estos días de visita a España con algún representante de Cooperación de España? ¿En qué dirección se están moviendo los vínculos entre ambos países?

R.: No, no he mantenido conversaciones con nadie cercano al Gobierno. Por nuestra parte seguimos colaborando con diversos movimientos solidarios e instituciones que organizan actos y ponen el debate en la calle. Con el Gobierno mantenemos el contacto. Sin embargo, no escondemos que es triste ver que este Ejecutivo no está haciendo nada diferente al Gobierno socialista de Rodríguez Zapatero. Todo sigue en la misma línea.

¿Es factible el reconocimiento en el medio plazo por parte de España?

R.: Bueno, esto vendrá. No se cuándo pero seguramente llegará. Evidentemente, nosotros queremos que llegue lo antes posible.

¿Cómo ven los ciudadanos del Sáhara a España?

R.: Los ciudadanos saharauis tienen un gran aprecio por la ciudadanía española. Especialmente fuertes son los vínculos que se han creado gracias a los programas que envían niños saharauis a España durante los meses de verano. Estas iniciativas hacen que haya un gran sentimiento de amistad y cariño. También hay mucha afinidad con ciertos ayuntamientos y comunidades autónomas. Las críticas son exclusivamente para los sucesivos Gobiernos españoles de las últimas décadas.

¿Hay esperanza? ¿Hay futuro para el Sáhara?


R.: Estamos celebrando el cuarenta aniversario del Frente Polisario. Antes no teníamos experiencia ni medios técnicos pero, en la actualidad, la mayoría de los ciudadanos aceptan al Polisario como la organización política que representa al pueblo saharaui. Hoy en día existen las condiciones para sacar un mayor provecho de los medios humanos y materiales. Y debemos seguir en esa línea. Tenemos todas las esperanzas puestas en que vamos a alcanzar nuestros objetivos.