terça-feira, 29 de agosto de 2017

Moçambique condena ação de Marrocos contra delegação da República Saharaui


O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) de Moçambique condenou hoje, em comunicado, a atuação de uma comitiva de Marrocos contra uma delegação da República Árabe Saharaui Democrática, durante uma conferência em Maputo.

O Governo moçambicano classificou como “deplorável” o comportamento da delegação marroquina, “que revela uma chocante falta de compostura e de respeito”, lê-se no documento.

Em causa, confrontos verbais e físicos entre membros das comitivas dos dois países ocorridos na tarde de quinta-feira durante a abertura da reunião ministerial da Conferência de Tóquio para o Desenvolvimento de África (TICAD, sigla inglesa) no Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano.

A República Saharaui reivindica soberania sobre o território do Sahara Ocidental, antiga colónia espanhola que, por sua vez, Marrocos reclama como parte do seu reino.

Como membro da União Africana, cujos membros tiveram assento na reunião de Maputo, a República Saharaui também teve o seu lugar.

“Não obstante este facto, lamentavelmente, a delegação do Reino do Marrocos, completamente fora do seu mandato, usurpou as competências dos coorganizadores e do país anfitrião ao outorgar-se o direito de controlar os acessos (…) tendo mesmo recorrido a atos de violência”, refere o comunicado do MNE moçambicano.

“Face a esta situação, o Governo de Moçambique viu-se forçado a manter a ordem de modo a garantir a segurança dos demais participantes e assegurar a realização do evento, com destaque para a cerimónia de abertura, com a presença do Chefe de Estado de Moçambique”, acrescentou.

Sendo Marrocos membro da União Africana, Moçambique manifestou ainda “estranheza e repugnância por este comportamento contra um outro membro da organização, uma violação inaceitável dos princípios que regem o relacionamento são entre os Estados”, lê-se no comunicado do MNE.


Os trabalhos da TICAD decorreram entre quarta e sexta-feira da última semana, em Maputo.

Terrorismo extremista ou serviços secretos?




Os ataques terroristas de Barcelona trazem-nos à lembrança os atentados na estação de caminhos-de-ferro de Madrid (Atocha) na primavera de 2004. Temos que colocar aquela que é a pergunta fundamental: Qual o ponto de cooperação entre Espanha e Marrocos no âmbito da segurança e inteligência, à luz da descoberta dos autores dos ataques que, na sua maioria, são de nacionalidade ou origem marroquina?

Em Marrocos, mais de quarenta ano depois da independência, a esquerda constituia um verdadeiro desafio para o sistema e para o trabalho realizado por Hassan II o qual, com o objetivo de a erradicar, fez grandes esforços utilizando todos os métodos ao seu alcance, até ao ponto de estabelecer alianças com dirigentes takfiris «extremistas».

Quando Mohammed VI tomou as rédeas do poder, confrontou-se diretamente com grupos do islamismo político, como o movimento islâmico ‘Justiça e Caridade’, que oferece um programa alternativo à monarquia marroquina, como anunciou o seu fundador, que vaticinou o desaparecimento da mesma.

Num novo capítulo da confrontação, a 16 de maio de 2013 produziu-se o atentado em Casablanca, o qual foi considerado como o mais sangrento na história do país. Sobre o mesmo geraram-se muitas dúvidas, suspeitando-se que que por detrás do mesmo esteve o próprio regime, para dar o máximo poder ao rei e à sua “entourage”.

Estes acontecimentos coincidiram com os progressos da proposta do ex-enviado pessoal do SG das Nações Unidas para o Sahara Ocidental, James Baker, com o objetivo de resolver o conflito entre Marrocos e a Polisario. A mesma fracassou devido à pressão franco-espanhola, esgrimindo a recusa de que qualquer solução que não favorecesse Marrocos poria em perigo a segurança e a estabilidade da margem norte do Mediterrâneo.

Com os últimos acontecimentos, Rabat exerce uma tripla pressão sobre os seus parceiros europeus: seja congelando os convénios de cooperação em termos de segurança e inteligência ou abrindo os pontos fronteiriços com Espanha a vagas de emigrantes procedentes da África subsahariana ou, também, através das redes de tráfico de cannabis marroquino, que é a fonte financeira dos grupos terroristas.

Os peritos em segurança e terrorismo começaram a suspeitar de Marrocos e dos seus serviços secretos depois dos atentados de Madrid de 2004. No entanto, todos os esforços por conseguir mais segurança na Europa viram-se frustrados pela penetração de Rabat nas instâncias decisórias de França e Espanha, a que se soma o benefício que obtêm os grupos de lobby por parte dos serviços secretos marroquinos.

Há uns meses, a revista ‘Foreign Policy’ publicou uma investigação intitulada “Marrocos, bastião do terrorismo global”, que revela as condições que que abriu o caminho à participação de um grande número de marroquinos nas fileiras dos grupos terroristas. A publicação defende que o desprezo do Estado marroquino pela população do Rif, deu lugar a que grupos salafistas aproveitassem o vazio estatal para mobilizar discursos extremistas entre os jovens, criando mecanismos para os implementar mais tarde em Paris e Molenbeek (na região de Bruxelas). Importa recordar que a região do Rif leva mais de cem anos exigindo os seus direitos fundamentais. Mas essas reivindicações e exigências foram tratadas com indiferença e marginalização, já que o regime marroquina continua a contar com o apoio absoluto dos seus aliados europeus e os países do Golfo.

Surpreendentemente, o rei de Marrocos, dois dias depois dos acontecimentos terroristas em Barcelona, indultou um grupo de terroristas (uum deles considerado muito perigoso, segundo a imprensa marroquina), ao mesmo tempo que oprime e aprisiona ativistas pacíficos no Rif e em Marrocos.

A inteligência marroquina tem um historial que confirma a sua participação na cooperação com as redes de tráfico de drogas, o crime organizado e o terrorismo na região do Sahel e Europa, como o demonstraram os documentos que Chris Coleman revelou (http://www.arso.org/ColemanPaper.htm). O ano passado, coincidindo com o conflito de Marrocos com as Nações Unidas e a sua missão no Sahara – a MINURSO –, e em linha com a posição oficial de Marrocos, o porta-voz da organização terrorista Al Mourabiton ameaçou atacar a missão da ONU.

Há pouco tempo, nos Estados Unidos, foi apresentado um projeto de lei denominado «Jasta» (https://en.wikipedia.org/wiki/Justice_Against_Sponsors_of_Terrorism_Act), em que se acusa responsáveis sauditas pelas suas relações com os seus cidadãos que participaram nos ataques terroristas do 11 de setembro de 2001. O então presidente dos EUA (Barack Obama) afirmou que a luta contra o terrorismo baseia-se na eliminação das bases da organização que se encontram na Arábia Saudita e nos países do Golfo. Será que os investigadores dos atentados de Barcelona detetarão a relação entre os serviços secretos marroquinos e os executores das operações e porão a nu o terrorismo marroquino; ou a cumplicidade e os interesses dos políticos europeus com Rabat serão um obstáculo a que isso possa vir a ocorrer?

Por Ahmed Ettanji, jornalista saharaui

Fonte: Naiz

Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil reafirma o seu apoio à luta do povo saharaui




São Salvador da Bahia, 29/08/2017 (SPS) - A Central dos Trabalhadores e das Trabalhadoras do Brasil (C.T.B.), no seu IV Congresso reunido na cidade de S. Salvador da Bahia nos dias 24 a 27 de agosto de 2017, aprovou uma moção de apoio à luta do povo saharaui pela autodeterminação e a independência.

A central sindical saúda o povo saharaui pela sua heróica luta de mais de quatro décadas e condena a violação sistemática dos direitos humanos nas zonas ocupadas do Sahara Ocidental, como se manifestam nas brutais sentenças proferidas pelo tribunal marroquino contra ativistas saharauis dos direitos humanos condenados a penas que vão desde a cadeia perpétua a, 30, 25, e 20 anos de prisão, sem nenhuma prova concreta como o testemunharam os observadores internacionais presentes no julgamento.

A moção aprovada por unanimidade no plenário, apoia as reivindicações saharauis à autodeterminação e independência, e exige o respeito pelos direitos humanos, a libertação de todos os presos políticos, o fim da exploração dos recursos naturais do Sahara Ocidental.


O embaixador saharaui Emboirik Ahmed, convidado para o Congresso teve oportunidade de manter reuniões de trabalho  com delegações provenientes de diferentes países.

domingo, 27 de agosto de 2017

Autoridades marroquinas agridem membros da delegação de ativistas que participaram na Universidade de Verão de Quadros saharauis




El Aaiún (capital ocupada do Sahara Ocidental), 27 de agosto de 2017 (SPS)- As autoridades de ocupação marroquinas agrediram este sábado a delegação de ativistas saharauis representantes das Zonas Ocupadas.

A delegação regressava a El Aaiún após ter participado nos trabalhos da oitava edição da Universidade de Verão de Quadros saharauis que decorreu na cidade de Boumèrdes, na Argélia, onde puderam dar testemunho da repressão brutal exercida pelo ocupante marroquino contra a população saharaui que vive nas zonas ocupadas do Sahara Ocidental.

 Alguns dos integrantes da delegação receberam maus tratos. O ocorrido teve lugar no aeroporto da cidade de el Aaiún.

Said Had-dád, Abdal-laheAsbaee, Amaina Abaali, Ajyarhum Aalia, Dakala Zaidán, Raguilla Hauasi, Maaluma Abadal-lahe, Sultana Jaya y Salha Btenguiza receberam cacetadas e insultos por parte da polícia marroquina.

A delegação saharaui de direitos humanos já havia sido retida no aeroporto de Casablanca em Marrocos. Foi isolada do resto dos passageiros e os seus membros foram inspecionados de maneira provocatória e humilhante tendo-lhes sido confiscados os seus pertences.


Preso político saharaui Embarek Daoudi em greve fome em protesto pela agressão à sua família



Bouzakarn, 27 de agosto de 2017 (SPS)- O preso político saharaui Embarek Daoudi viu-se obrigado a realizar uma greve de fome de 48 horas a partir de 26 de agosto de 2017 na sua cela da prisão local de Bouzakarn, Marrocos, em protesto pela agressão física de que foi alvo a sua família.
O preso político saharaui de 62 anos, realiza esta greve apesar do seu deteriorado estado de saúde. Daoudi já foi transferido por diversas ocasiões para centros de saúde em razão do seu estado físico.
Os membros da família do preso político saharaui foram agredidos física e verbalmente a 25 de agosto de 2017 quando protestavam diante da sede de Delegação de Subsistência na sequência da suspensão pelas autoridades marroquinas dos seus subsídios mensais.
Esses montantes, segundo a nossa fonte, não são mais do que uma ajuda social a que a família tem direito desde 2011 sem que lhe fosse retirada.
Esta “ajuda” foi negada aos seus filhos Omar e Muhammad e a sua esposa Jadija.
O preso político saharaui Embarek Daoudi foi detido a 29 de setembro de 2013 pelo seu ativismo político.

sábado, 26 de agosto de 2017

Marrocos utiliza a confrontação e o caos na tentativa de dividir a União Africana





Maputo, 25 de agosto de 2017 (SPS)- A diplomacia marroquina utilizou uma nova política nos seus esforços permanentes para romper a unidade dos africanos, utilizando a violência e o caos durante a reunião em Maputo, capital de Moçambique, à margem da 6ª reunião ministerial da Conferência Internacional de Tóquio sobre o Desenvolvimento de África
A altercação diplomática entre as delegações saharaui e marroquina provocada por Marrocos desde o primeiro dia da Conferência não teve êxitoantes pelo contrario, a atitude marroquina teve que enfrentar uma África decidida a defender  as decisões e princípios da União Africana.

A delegação marroquina, que era chefiada por Nasser Bourita, recorreu ao uso da violência e provocou o caos os elementos da segurança moçambicanos, depois da União Africana ter convencido o seu parceiro japonês a respeitar o direito de todos os países membros da organização. O comportamento pouco diplomático dos membros da delegação marroquina levaram-na a um isolamento político e diplomático.

A cerimónia de inauguração teve lugar sob os auspícios do Presidente de Mozambique, Filipe Nyussi, na presença do Ministro de Negócios Estrangeiros japonês, Taro Kono e representantes do Banco Mundial, do PNUD, do Departamento de Coordenação da ONU com a União Africana e o Vice-presidente da Comissão da União Africana (UA), o Embaixador Thomas Kwesi Quartey, o qual agradeceu ao Japão como parceiro estratégico de África pela sua contribuição construtiva para o êxito desta reunião ministerial respeitando as decisões da UA relativas à participação de todos os Estados membros sem exceção.

Marrocos não teve êxito na sua tentativa de  boicotar a reunião ministerial conjunta entre Japão e a África (6ª reunião ministerial da Conferência Internacional de Tóquio sobre o Desenvolvimento de África) realizada na capital de Moçambique, Maputo, entre 23 e 25 de agosto de 2017, o que levou membros da delegação marroquina a tentar agredir  físicamente a delegação saharaui e a do país anfitrião.

No evento participaram países europeus, China, Rússia, o corpo diplomático, grupos económicos regionais, imprensa internacional, empresas japonesas privadas, o setor privado africano, sociedade civil peritos internacionais em desenvolvimento.

Há que que assinalar que Marrocos entrou numa nova dinâmica caracterizada por uma confrontação direta e provocatória com  os órgãos e instituições da União Africana, seus Estados membros, assim como com os seus parceiros e instituições internacionais.

Isto ocorre apenas oito meses depois da adesão de Marrocos à União Africana em janeiro de 2017. Com esta adesão Marrocos pretende alterar as decisões da União Africana relacionadas com a questão saharaui e preparar o terreno para expulsão da República Saharaui do seio da UA.