quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Nações Unidas: Polisario qualifica de oportunidade a reunião com Marrocos em Genebra

Delegação saharaui em Genebra



Genebra, 5 dezembro (Prensa Latina e SPS) A Frente Popular de Libertação do Saguía el Hamra e Río de Oro (Frente POLISARIO) qualificou de oportunidade as negociações que se realizam hoje e amanhã com Marrocos, promovidas pelas Nações Unidas.

Fontes da Polisario presentes à reunião disseram à Prensa Latina que a reunião é uma ocasião para elaborar um plano de ação que leve a negociações oficiais e sérias.
No entanto, a mesma fonte disse que "o principal obstáculo" é a falta de vontade por parte do Marrocos em se envolver de forma credível na busca de uma solução pacífica e de acordo com os princípios e propósitos da Carta da ONU, no legítimo respeito do direito povo saharaui à autodeterminação e independência.
Disse que Rabat tem estado sob pressão de vários actores internacionais e foi forçado a recuar na sua intransigência e regressar à mesa de diálogo.
A fonte, que requereu anonimato, afirmou que o sucesso deste processo dependerá da parte marroquina em "sentar-se com boa vontade de diálogo e compreensão", para o qual, segundo ele, a Frente Polisario está disposta, "desde que a autodeterminação e a independência do povo saharaui sejam respeitadas.
A fonte saharaui referiu que as negociações são resultado dos esforços do ex-presidente alemão, Horst Köhler, para dar um novo ímpeto e dinamismo aos diálogos entre as partes que estão paralisados desde 2012.
As reuniões de hoje, quarta-feira, e de amanhã são realizadas sob os auspícios de Köhler, o enviado especial da ONU para o Sahara Ocidental, com o objetivo de fazer cumprir as exigências da Resolução 2440 (2018).
A referida resolução apela às partes a "reatar as negociações sob os auspícios do Secretário-Geral, sem condições e de boa fé, com vista a alcançar uma solução política, justa e duradoura que permita a autodeterminação do povo saharaui".
A reunião de dois dias contará também com a participação da Argélia e da Mauritânia como países observadores.
Em 1976, a República Árabe Saharaui Democrática (RASD) proclamou sua independência da Espanha; É o último território sob ocupação e em processo de descolonização em África e propôs como forma de resolver o conflito a realização de um referendo para conseguir a autodeterminação.

Um encontro cara à cara
Pela primeira vez desde o fracasso das negociações de Manhasset nos EUA em 2012, o ministro marroquino dos Negócios Estrangeiros, Nasser Bourita, vai estar frente a Khatri Addouh, chefe da delegação saharaui às negociações em Genebra, na presença Horst Koehler, que declarou na sua posse que a sua missão era acabar com o conflito de 43 anos.
Para além de Khatri Addouh, Presidente do Conselho Nacional Saharaui (Parlamento, a delegação saharaui integra o coordenador saharaui junto da Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental ( MINURSO), M'hamed Khaddad, o representante saharaui nas Nações Unidas, Sidi Mohamed Omar, bem como a secretária-geral da União Nacional das Mulheres saharauis, Fatima Elmehdi, e o conselheiro do Secretariado Nacional da Frente Polisario, Mohamed Ali Zerouali.
Marrocos também tornou pública a composição de sua delegação oficial em Genebra. Segundo a imprensa marroquina, a delegação será liderada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Nasser Bourita, que será acompanhado nomeadamente pelo director-geral de Estudos e Documentação (DGDE - Serviço de Inteligência), Mohamed Yassine Mansouri.
As duas partes do conflito do Sahara Ocidental, Marrocos e a Frente Polisario, reuniram-se várias vezes desde a invasão em 1975 dos territórios saharauis por parte de Marrocos, antes de terem lugar, sob os auspícios da ONU, as negociações diretas para a resolução do conflito.

Eis a lista de reuniões realizadas (muitas delas secretas) entre Marrocos e a POLISARIO :
- 1979 em Bamako (Mali): primeiro contacto direto.
- 1983 em Argel (Argélia)
- 1989 : encontro em Marraquexe entre o rei Hassan II e uma delegação da Polisario
- 1996 em Genebra (Suíça)
- 1997 em Londres (Reino Unido)
- 2001 no Wyoming (EUA), encontro sob os auspícios de James Backer.
- 2009 em Durnshtain (Áustria)
- 2010 em Westchester (EUA)
- Long Island (EUA) em 2010 e 2011
- 2001 em Mellieha (Malta)

No que respeita a negociações diretas sob os auspícios da ONU foram as seguintes:
- 1993 em El Aiún ocupada,
- 1997, Julho, em Londres
- 1997, Agosto, em Lisboa
- 1997, Setembro, em Houston
- 2000, Julho, em Genebra, sobre o programa de medidas de confiança.
- 2000, Setembro, em Berlim
- Em Manhasset (Junho e Agosto de 2007, Janeiro e Março de 2008) assim como em Março de 2012, então sob os auspícios do emissário da ONU, Christopher Ross, no quasro da Resolução da ONU 3437 de Novembro 1979.



terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Falar com os saharauis, o “delito” de dois suíços ativistas dos Direitos Humanos expulsos de El Aaiún



Fonte e foto: Contramutis / Por Alfonso Lafarga - “Obrigaram-nos a desbloquear os telemóveis, viram as mensagens e gravaram as fotos e os vídeos”. “Marrocos não permite ver o que se passa no Sahara Ocidental”
Dois ativistas suíços dos Direitos Humanos foram em novembro a El Aaiún para conhecer a realidade do Sahara Ocidental e fazer uma reportagem sobre a situação no território, mas cometeram a “ilegalidade” de falar com os saharauis e no dia seguinte ao as sua chegada foram expulsos.
Laura Kleiner, advogada, e Tullio Togni, antropólogo, trabalharam anteriormente na Palestina e, recentemente, na Guatemala. Dicidiram que tinha chegado o momento de viajar ao Sahara Ocidental ocupado por Marrocos e recolher informação sobre a vida do povo saharaui, as suas vicissitudes, a falta de trabalho, os presos, a diáspora…
às 14 horas do dia 16 de novembro chegaram a El Aaiún, em autocarro proveniente de Tan Tan (Marrocos), alí foram acolhidos por membros de um sindicato de desempregados saharauis. Foram conduzidos diretamente para uma casa e durante toda a tarde fizeram várias entrevistas a saharauis, depois foram para o hotel acompahados por um saharaui.
Na manhã seguinte, às 8h30, tocaram à porta do quarto do hotel, foram abrir e depararam com seis pessoas. De passagem por Madrid, os ativistas contam o que se passou: “Perguntámos quem eram e mostraram-se uma identificação da segurança marroquina, mas de forma muito rápida para que não pudéssemos ler o nome”.
“Peguem nas vossas coisas e vamos. Têm que regressar de onde vieram”, foram as palavras que receberam dos policias, que gravavam em vídeo todos os seus movimentos.
Depois de pedirem os passaportes e requisitar os seus telemóveis, foram colocados num táxi e levados para um posto de controle na entrada de El Aaiún, onde o interrogatório ocorreu: "Forçaram-nos a desbloquear os telemóveis, leram e registaram as mensagens, fotos e vídeos. Perguntaram-nos quem conhecíamos, quem nos deu os contactos, quem nos paga, qual organização para quem trabalhávamos ... ". Perguntaram-lhes o que fizeram no dia anterior e quando disseram que nada de especial então eles mostraram uma foto em que estavam com vários saharauis.
Foi-lhes dito que o que fizeram era "ilegal" e que não podiam se encontrar com pessoas "sem pedir autorização", como acontece "em todos os lugares", ao mesmo tempo em que os acusavam de se encontrarem com socialistas e de difamar Marrocos.
Foram forçados mais uma vez a entrar num táxi e, junto com outras quatro pessoas, foram transferidos para Agadir, onde chegaram depois de nove horas de viagem: "O táxi deixou-nos na estão de autocacarros, nas cercanias de Agadir. O taxista passva de quando em vez para para verificar se lá estávamos.
Um membro do Consulado Suíço interessou-se pela sua situação e numa reunião na embaixada da Suíça em Rabat foi-lhes dito que tinham que estar agradecidos, já que as autoridades poderiam bem ter inventado um crime contra eles.
Laura Kleiner e Tullio Togni redigiram um comunicado denunciando a sua expulsão, a profanação do conteúdos dos seus telemóveis, assim como a violação do direito a poderem reunir-se com outras pessoas. Nele sublinham que a intervenção policial marroquina demonstra que não se permite “ver e contar o que realmente se passa nos Territórios Ocupados”, o que deve ser conhecido pelas Nações Unidas.
A expulsão dos dois ativistas suíços não é um caso isolado de violação dos direitos humanos no território não-autónomo do Sahara Ocidental: no Sahara ocupado por Marrocos, nas cidades do sul de Marrocos com população saharaui e nas prisões marroquinas com presos políticos saharauis continuam diariamente a violar os direitos humanos, assim o atestam organizações sociais e meios de comunicação social saharauis, como se pode comprovar na seguinte lista referente ao mês de Novembro.



segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

O futuro do Sahara Ocidental: debate em Genebra depois de anos de estagnação




Fonte: Swissinfo / AFP – 03-12-2018 - O emissário da ONU Horst Köhler convocou para esta quarta-feira e quinta-feira, em Genebra, Marrocos, a Frente Polisario, Argélia e Mauritânia para uma "mesa redonda inicial" com a esperança de retomar as negociações sobre o território disputado do Sahara Ocidental paralisadas desde 2012 .

Chegou o momento de começar um novo capítulo no processo político ", diz a carta de convite enviada em outubro por Köhler, determinado a encontrar uma saída para o último território do continente africano que carece de estatuto pós-colonial.

A Polisario, que em 1976 proclamou a República Árabe Saharaui Democrática (RASD) sobre os 266.000 km2 daquele território desértico, exige a organização de um referendo de autodeterminação previsto pelas Nações Unidas no âmbito da solução do conflito, que surgiu após a partida dos colonos espanhóis.

Marrocos controla, de facto, 80% do Sahara Ocidental e trata esta região como as suas outras dez províncias.

O território possui mil quilímetros de litoral atlântico com abundante pesca e um subsolo rico em fosfatos. Rabat rejeita qualquer solução que não seja a de que o território seja administrado como uma região autónoma sob sua soberania, argumentando a necessidade de manter a estabilidade regional.

Refugiados
Entre 100.000 e 200.000 refugiados, de acordo com várias fontes, na ausência de um recenseamento oficial, vivem em campos perto da cidade argelina de Tindouf [de facto, um pouco mais de 170 mil, segundo dados recentes das ONU – nota do tradutor], a 1.800 km a sudoeste de Argel, perto da fronteira marroquina.

O último ciclo de negociações, patrocinado pela ONU, data de março de 2012 e levou a um impasse, com os dois lados entrincheirados nas suas posições, com discordâncias contínuas sobre o estatuto do território e a composição do eleitorado para o referendo sobre autodeterminação.

Responsável por este dossiê desde 2017, o ex-presidente alemão Horst Köhler já se reuniu várias vezes, separadamente, com as diferentes partes relacionadas ao conflito, especialmente durante um périplo regional que efectuou.

Seus esforços tornaram possível trazer à mesa de negociações Marrocos, a Polisario, Argélia e Mauritânia, embora nem todos concordem com o formato da reunião. Argel afirma ser um "país observador", enquanto Rabat considera seu vizinho uma "parte activa" das negociações.

O encontro está se configurando como o "primeiro passo de um renovado processo de negociação" para uma "solução justa, duradoura e mutuamente aceitável que permita a autodeterminação do povo do Sahara Ocidental", segundo um comunicado da ONU.

A Ordem de Trabalhos, no entanto, é bastante vaga: "situação atual, integração regional, próximas etapas do processo político", segundo a nota.

A idéia é não colocar "muita pressão e expectativas" nesta primeira sessão, considerada um "aquecimento" para "quebrar o gelo", disse uma fonte diplomática próxima do processo, que relembrou as más relações entre Argel e Rabat.

Sobre o terreno, "a situação tem estado geralmente calma em ambos os lados do muro de areia" levantado pelo Marrocos ao longo de 2.700 km, "apesar da persistência de tensões" que surgiram no início do ano, segundo o último relatório publicado pela ONU.

Para a Polisario, a recente redução de doze para seis meses do mandato dos capacetes azuis da MINURSO (Missão das Nações para o Referendo no Sahara Ocidental), que monitoram o cessar-fogo, faz parte da "dinâmica" criada pela nomeação de Köhler.

A duração de seis meses foi votada no Conselho de Segurança por pressão dos EUA, primeiro em abril e depois em outubro, pelo custo do dispositivo implantado para um processo de paz que não está progredindo.

Antes da reunião em Genebra, as partes mostravam-se firmes nas suas posições, mas expressando boa vontade.

Partidário de uma solução política "duradoura" baseada no "espírito de compromisso", Marrocos não transigirá, no entanto, quanto à "integridade territorial" e o "caráter marroquino do Sahara", declarou o rei Mohamed VI em recente discurso.

Para a Polisario, "Tudo pode ser negociado, excepto o direito inalienável e imprescritível de nosso povo à autodeterminação", disse à agência France Presse Mhamed Khadad, membro do Secretariado Nacional da Frente Polisario e presidente do Comité de Relações Exteriores, antes de partir para Genebra.

A Argelia, principal apoio da Polisario, também apoia o direito à autodeterminação dos habitantes do Sahara Ocidental.

Argel defende uma “negociação directa, franca e leal” entre Marrocos e a Polisario para uma “solução definitiva”, segundo um comunicado oficial recente.

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Hamada: filme sobre os refugiados saharauis premiado em Amsterdão e Gijón




Fonte: Periodistas en español / Por Jesús Cabaleiro Larrán - O documentário Hamada, do realizador Eloy Domínguez Serén (Pontevedra, 1985), foi premiado recentemente no Festival Internacional de Cinema de Gijón (FICX) e no Festival Internacional de Cinema Documental de Amsterdão.

Trata-se de uma co-produção da Suécia, onde vive o autor, Noruega e Alemanha, com uma duração de 88 minutos. O realizador galego deslocou-se ao campo saharaui de Bojador para ensinar cinema e decidiu fazer o filme, uma abordagem "íntima e emotiva" do Sahara.

O filme revela, com situações de humor e situações inesperadas, um retrato incomum de um grupo de amigos que vivem num campo de refugiados no meio do deserto consertando Mercedes e Land Rover, embora não ultrapassem o arame farpado e as paredes onde os querem reter e torná-los invisíveis.

Um campo minado e o segundo maior muro militar do mundo, construído pelo Marrocos, separa esses amigos de sua terra natal, da qual só ouviram falar nas histórias que seus pais lhes contaram. Assim, refletem-se as gerações a que Marrocos negou o país em 1975. Destaca-se o papel das mulheres que têm um papel predominante no dia a dia.

O filme estreou com um triunfo no International Documentary Film Festival, em Amsterdão. Na Espanha, foi visto pela primeira vez no 56º Festival Internacional de Cinema de Gijón (FICX), realizado de 16 a 24 de novembro de 2018, na seção 'Rellumes', onde ganhou o prémio de melhor filme espanhol lançado no festival e o melhor realizador de cinema espanhol.

Também está presente no quinto festival de documentários no Porto, de 24 de novembro a 2 de dezembro, onde foi visto, na seção internacional, no domingo 25 de novembro. O espectáculo, com 130 filmes, inclui o Teatro Rivoli, a Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, os cinemas Passos Manuel e Trindade, o Planetário - com projecções de filmes em que o espaço e as estrelas aparecem - e a Universidade Católica.

Mais tarde, Hamada será o filme que encerra o festival Novos Cinemas (Festival Internacional de Cinema de Pontevedra) que se realiza de 11 a 16 de dezembro.

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Frente Polisario anuncia a composição da delegação presente nas negociações de Genebra



Chahid El Hafed, 26 de novembro de 2018 (SPS) - O Bureau Permanente do Secretariado Nacional da Frente Polisario anunciou hoje em comunicado a composição da delegação negociadora saharaui que participará no próximo encontro de Genebra que terá lugar no início de dezembro.

Segundo o comunicado emitido após uma reunião presidida pelo secretário-geral da Frente Polisario, Brahim Ghali, a delegação saharaui será presidida pelo presidente do Parlamento saharaui, Jatri Adduh, e integrará o presidente da Comissão de Relações Exteriores da Frente Polisario, Mhamed Khaddad; a secretária-geral da União Nacional das Mulheres Saharauis, Fatma Mehdi; o representante da Frente Polisario em Nova York, Sidi Mohamed Omar e o conselheiro do Secretariado Geral da Frente Polisario, Mohamed Ali Zerwal.
O Bureau Permanente do Secretariado Nacional da Frente Polisario renovou o compromisso da parte saharaui e a sua disposição de participar num processo de negociações de boa fé e sem condições prévias.
A Frente Polisario expressou a esperança de que os esforços da comunidade internacional tenham êxito em permitir ao povo saharaui exercer o seu direito inalienável à livre determinação e independência.
Por outro lado, o Bureau Permanente do Secretariado Nacional da Frente Polisario denunciou energicamente os persistentes intentos da União Europeia de celebrar acordos com o Reino de Marrocos que incluam as zonas ocupadas do Sahara Ocidental, contrariamente ao estipulado e exigido pelas decisões do Tribunal de Justiça Europeu.
A Polisario considera que este comportamento da União Europeia, incentiva la postura intransigente de Marrocos e bloqueia os esforços internacionais para resolver o conflito do Sahara Ocidental.


terça-feira, 20 de novembro de 2018

“43ª Eucoco pede à Europa que cumpra as sentenças do Tribunal de Justiça da UE”



A 43ª EUCOCO, Conferência Europeia de Apoio ao Povo Saharaui, realizou-se em Madrid, a 16 e 17 de novembro de 2018, e reuniu mais de 300 pessoas da Europa, África, América Latina e EUA.
A 43ª EUCOCO insiste, em particular, na necessidade de pôr fim a todas as formas de colonialismo e perseguição. Para conseguir isso, a EUCOCO enfatiza a necessidade de se respeitar o direito internacional e todas as resoluções relevantes das Nações Unidas e, em particular, a Resolução 15/14. Neste contexto, a EUCOCO solicita à Europa que cumpra os acórdãos do Tribunal de Justiça da União Europeia, de dezembro de 2016, fevereiro e julho de 2018, em relação aos acordos de comércio e pesca assinados entre a União Europeia e o Reino de Marrocos.
A EUOCO elogia o trabalho notável do Enviado Pessoal do Secretário-Geral das Nações Unidas, Horst Köhler, para que as duas partes no conflito, o Reino do Marrocos e a Frente Polisario, retornem à mesa de negociações. A EUCOCO espera que a renovação do mandato da MINURSO para os próximos 6 meses rompa o status quo e avance para uma solução que garanta ao povo saharaui o direito à autodeterminação. Como tal, a EUCOCO recorda a responsabilidade histórica da Espanha na tragédia que o povo saharaui vive há mais de 45 anos. A EUCOCO reitera também o seu reconhecimento à solidariedade e apoio incansável do Estado e do povo argelinos que oferecem refúgio e terras ao povo saharaui após a invasão militar do Marrocos.
A conferência primeiro fez um balanço da situação:
A nível político:
- Saúda as discussões preliminares programadas para 5 e 6 de dezembro em Genebra, sob os auspícios do Sr. Köhler, entre as duas partes envolvidas, a Frente Polisario e o Reino de Marrocos e os países vizinhos, Argélia e Mauritânia.
- Apoia a União Africana nos seus esforços para criar um mecanismo permanente dedicado à questão do Sahara Ocidental, exigindo o regresso da missão africana inicialmente integrada no MINURSO. A EUCOCO está empenhada em transmitir a voz da União Africana às instituições europeias e internacionais.
- Denuncia a vontade do Conselho Europeu e da Comissão Europeia de contornar a legislação europeia ao pretender incluir o Sahara Ocidental no âmbito da aplicação dos acordos comerciais assinados entre a UE e Marrocos. A EUCOCO lembra às instituições europeias que, de acordo com o direito internacional, Marrocos é uma potência ocupante e pede à União Europeia que ajude a acabar com o sofrimento do povo saharaui e com todas as formas de injustiça e opressão perpetradas pelas autoridades marroquinas. A EUCOCO insta a União Europeia a cumprir o direito internacional e exorta Marrocos a respeitar as Convenções de Genebra.
- Insta o Parlamento Europeu a alinhar-se com o direito internacional e europeu, votando contra as alterações propostas pela Comissão Europeia e a opor-se à interferência de Marrocos no seu processo de tomada de decisões.
Sobre a questão dos recursos naturais:
- Denuncia a continuação da pilhagem dos recursos naturais saharauis pelas empresas europeias, apesar das três decisões do Tribunal de Justiça da UE.
- Apoia a Frente Polisario nos seus esforços para processar as empresas responsáveis por este saque e compromete-se a instaurar processos judiciais contra empresas europeias que operam no Sahara Ocidental juntamente com as autoridades marroquinas.
- Avisa a União Europeia que, de agora em diante, outras medidas legais serão tomadas se o Parlamento Europeu aprovar as emendas para incluir o Sahara Ocidental na área de acordos comerciais entre a UE e Marrocos.
Sobre a questão do respeito pelos direitos humanos:
- Está alarmada com as violações permanentes dos direitos humanos no Sahara ocupado e com uma justiça politizada que condena os ativistas saharauas a longas penas de prisão pela sua defesa do direito à autodeterminação.
- Solicita à Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos do Homem, Michelle Bachelet, que visite os territórios ocupados e se encontre com presos políticos e ativistas no território;
- Renova sua exigência de que a MINURSO tenha mandato de supervisionar e proteger os direitos humanos no Sahara Ocidental.
- Denuncia a violação sistemática dos direitos sociais, económicos e culturais pelo ocupante marroquino desde 1975.
- Congratula-se com a gestão política e social dos campos de refugiados saharauis pela Frente Polisario. Mais de 173 mil refugiados vivem em condições extremas, agravadas pelo aquecimento global e pelo declínio da ajuda humanitária.
O programa e a estratégia para 2019 foram definidos nos vários workshops.
No workshop político:
O seminário político tomou nota dos obstáculos sistemáticos por parte da ocupação que se opõem a uma solução pacífica e negociada para o conflito que permita ao povo saharaui concretizar o seu direito à autodeterminação. É essencial continuar a campanha de lobbying no Parlamento Europeu para impedir a inclusão do Sahara Ocidental na área dos acordos comerciais entre a UE e Marrocos. O Parlamento Europeu deve tomar uma decisão sobre estes acordos comerciais alterados entre dezembro e janeiro de 2018. A nível europeu, nacional, regional e local, é imperativo que os representantes eleitos saibam o que constitui uma violação do direito internacional e europeu. Neste quadro, todos os componentes do movimento de solidariedade receberão, em breve, um memorando que lhes permitirá chamar a atenção dos seus representantes eleitos e dos próximos candidatos às eleições europeias. Como tal, é importante fortalecer os vínculos entre o movimento de solidariedade e os vários intergrupos parlamentares para coordenar as reuniões e ações internacionais. É por isso que a rede interparlamentar deve ser fortalecida e ser parte integrante de nossas importantes ações. Se o acordo proposto pela Comissão for adotado pelo Parlamento Europeu, deverá ser realizada uma campanha de denúncia com ONG internacionais. É imperativo assegurar que cada Estado-Membro confirme os acórdãos do Tribunal de Justiça da UE. O workshop convida o Parlamento Europeu a juntar-se às Nações Unidas para apoiar o processo de negociação liderado pelas Nações Unidas.
O workshop reconhece a importância da União Africana na defesa do reconhecimento e direito de existência da RASD, especialmente em cimeiras com Estados ou instituições que não reconhecem oficialmente a República Saharaui.
A poucos dias do reinício das negociações entre a Frente Polisario e o Reino de Marrocos, o seminário político destaca a importância de aumentar a consciencialização pública sobre as táticas de retardamento do Reino de Marrocos. Como tal, o workshop recorda que a renovação do mandato da MINURSO durante 6 meses oferece a oportunidade de manter a questão do Sahara Ocidental no topo da agenda política internacional. Reitera a exigência de estender o mandato da MINURSO aos direitos humanos. O workshop insta a MINURSO a facilitar o trabalho dos observadores internacionais nos territórios ocupados.
No seminário de recursos naturais:
O advogado da Frente Polisario Gilles Devers detalhou os passos a seguir para tomar medidas legais contra qualquer empresa europeia que opera ilegalmente nos territórios ocupados. O TJUE decidiu em três ocasiões que o Sahara Ocidental é um território distinto e separado de Marrocos e que qualquer acordo comercial aplicável ao Sahara Ocidental requer o consentimento do povo saharaui através do seu legítimo representante a Frente Polisario. Portanto, é imperativo que o movimento de solidariedade continue o seu trabalho defendendo as instituições europeias.
Paralelamente, é necessário realizar um trabalho de pesquisa preciso e quantificado. Isso envolve trabalhar com redes de pesquisadores internacionais, em particular com a Western Sahara Resource Watch, que está fazendo um excelente trabalho nesse sentido. Isso deverá servir para denunciar e colocar na justiça as empresas europeias que operam nos territórios ocupados sem terem previamente negociado com a Frente Polisario.
A Comissão Europeia, para justificar a inclusão do Sahara Ocidental nos acordos bilaterais entre a UE e Marrocos, levou a cabo um "processo de consulta" que, para além de violar as decisões do TJUE, é uma tentativa de enganar os parlamentares e os cidadãos europeus. O movimento de solidariedade deve trabalhar em estreita colaboração com os advogados internacionais para ajudar os ativistas e apoiar a Frente Polisario na sua atual batalha jurídica, levando várias empresas e bancos franceses, incluindo o BNP Paribas e a Société Générale ao tribunal por crimes de colonização.
No workshop sobre direitos humanos:
O seminário dá o seu total apoio aos militantes saharauis nos territórios ocupados, bem como aos presos políticos que são vítimas de julgamentos injustos. Os maus-tratos e condições precárias de detenção dos presos políticos saharauis, para além da repressão contínua, fazem parte de um apagão dos meios de comunicação social exercido pelas autoridades de ocupação do território. Para superar isso, é necessário realizar ações com máxima visibilidade, como a ação de Claude Mangin Asfari [nota: cidadã francesa esposa de um dos presos políticos saharauis do processo de Gdeim Izik] e o apoio internacional prestado. Estas ações têm uma grande visibilidade nos media e forçam os políticos a se posicionarem sobre a questão das violações de direitos humanos no Sahara Ocidental.
Do mesmo modo, no decurso de 2018, muitos observadores internacionais foram expulsos dos territórios ocupados pelas autoridades marroquinas. Essas ocorrências devem ser destacados para esclarecer as violações dos direitos humanos nos territórios ocupados.
Ao mesmo tempo, o grupo de embaixadores sediado em Genebra está expandindo a nossa defesa nos círculos diplomáticos. Seria relevante duplicar essas iniciativas em Nova York e Bruxelas. Da mesma forma, o movimento de solidariedade deverá esforçar-se para dar mais visibilidade a essa rede que oferece mais apoio à causa.
Finalmente, na sua Resolução 2440, o Conselho de Segurança da ONU encoraja o Alto Comissário para os Direitos Humanos a visitar os territórios ocupados. O movimento de solidariedade deve apoiar, através de uma campanha de promoção, esta proposta e garantir a sua realização durante o ano de 2019.
No seminário de construção do Estado saharaui:
O workshop elogiou o excelente trabalho da RASD nos campos de refugiados em termos de gestão social, administrativa e política. Recordou as taxas extremamente altas de alfabetização e educação nos campos de refugiados. O workshop recordou o contínuo declínio da ajuda humanitária aos campos de refugiados e o seu impacto negativo na saúde dos refugiados saharaus. O workshop regista a publicação pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados de um relatório em março de 2018, que fixa o número de refugiados saharaus em mais de 173.000 pessoas.
O workshop sublinhou a necessidade de as autoridades saharauis produzirem "um plano director" para o ano de 2019, com o inventário de acções e necessidades em termos de alimentação, educação, saúde, etc ...). O workshop pede também ao movimento de solidariedade para organizar ações de lobby para os países doadores de ajuda humanitária, particularmente a Espanha. Ao mesmo tempo, é necessário fortalecer o papel e a participação das mulheres na sociedade saharaui no exílio.
É também imperativo promover a campanha de geminação e os acordos de cooperação entre as autoridades locais e regionais europeias com as Dairas e os Wilayas saharauis.
A oficina apreciou o trabalho realizado pelas autoridades saharauis em termos de educação, cuidados médicos, igualdade de género e formação política. É imperativo aumentar o número de missões civis nos campos de refugiados e convidar a imprensa. Do mesmo modo, o workshop destaca a importância do envio de delegações de representantes europeus, nacionais, regionais e locais eleitos para os campos de refugiados e áreas libertadas.
A próxima edição da EUCOCO terá lugar em 2019 numa cidade europeia a designar..