terça-feira, 3 de setembro de 2024

Itália: Município de Sesto Florentino ratifica geminação com a Daira Saharaui de Mahbes

 


02/09/2024 - Sesto Florentino, (Florença). – No quadro das celebrações da libertação de Sesto Fiorentino da ocupação fascista, Lorenzo Falchi, presidente da Câmara Municipal desta comuna da Região Toscana, ratificou o ato de geminação com a Daira saharaui de Mahbes (Smara, campos de refugiados saharauis), assinado ontem na sede municipal.

Fatima Mahfud, representante da Frente POLISARIO em Itália, acompanhada pelo delegado saharaui na região da Toscana, Abdalahe Buchaiba, esteve presente durante a assinatura do protocolo de geminação.

Este acordo de geminação reafirma a ligação histórica iniciada há 40 anos com a assinatura da primeira geminação em Itália.

Este gesto de grande significado político não só sublinha a importância da solidariedade e da cooperação internacional, mas também marca o início de uma política internacional ativa entre os municípios italianos.

A geminação renovada entre Sesto Fiorentino e Mahbes simboliza a continuidade de uma relação baseada no respeito e na cooperação e reforça a posição de Sesto Fiorentino como um ator importante no domínio das relações internacionais a nível local.


A representante da Frente Polisario em Itália assistiu à tarde ao concerto de Max Gaze, realizado por ocasião da libertação de Sesto Fiorentino do fascismo, onde fez uma apresentação sobre a justa luta do povo saharaui pela libertação e independência do Sahara Ocidental da ocupação ilegal de Marrocos.

Recorde-se que a Itália tem 336 municípios geminados com as Dairas saharauis, o que reflecte um empenhamento crescente nos valores da paz, da colaboração e do apoio mútuo.

segunda-feira, 2 de setembro de 2024

A Guerra no Sahara Ocidental de 04 a 31 de Agosto

 


O Exército de Libertação do Povo Saharaui (ELPS) prossegue a guerra de desgaste e usura (humano e material) contra o dispositivo militar marroquino de ocupação no Sahara Ocidental. As regiões de Mahbes e Farsia no extremo norte e nordeste do território do Sahara Ocidental foram particularmente visadas pelo ELPS neste período, em que as condições extremas de calor se fazem sentir e que atingem com grande severidade o dispositivo táctico e estático das forças ocupantes marroquinas

 

06 agosto - Unidades do exército saharaui levaram a cabo na tarde dessa terça-feira bombardeamentos concentrados em várias ocasiões contra uma base marroquina instalada na região de Aagad Aragán, no sector de Mahbes, no extremo nordeste do SO ocupado.

09 agosto - Unidades do Exército Popular de Libertação Saharaui (ELPS) bombardearam uma base militar marroquina na zona de Guerat Uld Blal, também no sector de MAhbes, causando baixas nas fileiras do exército ocupante.

10 agosto - Efectivos do ELPS realizaram um ataque a posições inimigas na zona de Ajbeilat Aljedar, no sector de Guelta (zona central do SO, região de Saguia El Hamra) infligindo baixas mortais entre as fileiras do exército marroquino.

12 agosto - Unidades do do exército saharaui desencaderam um ataque na tarde un ataque contra una base de apoyo ubicada tras las líneasdesta segunda-feira a posições inimigos instaladas na região de Laagad, sector de Mahbes, causando baixas e destruição de material bélico.

15 agosto - Forças do ELPS efecturam um bombardeamento concentrado contra uma base do Exército Real marroquino (FAR) sediada em Mahbes, provocando consideráveis perdas nas suas fileiras e nas bases de retaguarda.

18 agosto - Pelo segundo dia consecutivo, unidades saharauis bombardeiam uma base e posições defensivas marroquinas na zona de Aleidiyat, no sector de Guelta, zona central do territórios do SO ocupado causando, provocando mortos e feridos nas fileiras da força invasora marroquina.

No dia anterior, sábado 17 de agosto, tropas marroquinass acantonadas na zona de Erqueiyaz, também no sector de Guelta, fotam também alvo da artilharia saharaui.

Posições do exército invasor marroquino por detrás do muro militar que divide o Sahara Ocidental.


20 agosto - Um Comunicado de Guerra emanado pelo Departamento de Organização Política do Exército de Libertação Popular Saharaui, dá conta que unidades saharauis lançaram nessa noite, pelo terceiro dia consecutivo, bombardearam fortemente uma base inimiga localizada na região de Ajbeilat Al-Jader, também no sector de Guelta.

22 e 23 de agosto - Destacamentos avançados do ELPS atacaram duas bases fas FAR marroquinas na zona de Laakad e a sede do quartel-general do exército de ocupação no sector de Mahbes.

As mesmas unidades do ELPS atacaram também o sistema de abastecimento de água às bases inimigas no sector de Mahbes, e outras bases das tropas marroquinas instaladas na zona de Skeikima no sector de Mahbes.

28 de agosto - Unidades do ELPS atacaram esta quarta-feira várias bases inimigas sediadas no sector de Farsía, região de Oued Draa, no nordes do território do SO, causando consideráveis perdas humanas e materiais. Na noite do dia anterior, forças saharauis bombardearam severamente várias posições do exército de ocupação marroquino instaladas nas regiões de Alfeiyin e Gararat Achadida, ambas também no sector de Farsía.

29 agosto - Unidades de exército de libertação lançaram na madrugada de desta quinta-feira uma série de bombardeamentos concentrados, durante quase meia hora e de forma continua contra várias bases de retaguarda situadas na região de Hafrat Achiyaf, no sector de Bagari, causando enormes perdas nas fileiras do ocupante e provocando a fuga de muitos outros. Bagari localiza-se no sul do território do SO, na região de Rio de Ouro.



30 agosto - A Direção Central do Comissariado Político do EPLS divulga em comunicado que unidades saharuis realizaram um ataque a centros de comando y pontos de defesa do exército inimigo nos sectores de Mahbes e de Guelta, causando baixas entre as forças ocupantes.

O comunicado sublinha que as forças do ELPS elevaram a su presença militar ao largo do muro militar marroquino que se estende ao longo de 2700 km e que divide o território. Num desses ataques, atingiram profundamente o «centro de comando sectorial » do Exército Real marroquino por detrás do «muro da humilhação» e da vergonha no sector de Guelta.

31 agosto - Duas bases do ocupante marroquino na zona de Laagad, no sector de Mahbes foram severamente bombardeadas, com um saldo de baixas entre as fileiras ocupantes

domingo, 1 de setembro de 2024

Marrocos: A diplomacia do soco e da provocação posta à prova em conferência diplomática no Japão

 


Representantes internacionais da Argélia e Marrocos trocaram socos, golpes de judo e pontapés durante a Conferência Internacional de Tóquio sobre o Desenvolvimento Africano (TICAD), no Japão, nesta terça-feira (27) (veja o Vídeo AQUI). As imagens divulgadas por meio das redes sociais registram o momento em que o diálogo entre os diplomatas se torna uma briga física. A identidade dos diplomatas não foi revelada. Promovida pelo Japão, a TICAD é a Conferência Internacional de Tóquio sobre o Desenvolvimento Africano que se realiza regularmente com o objetivo de "promover o diálogo político de alto nível entre os líderes africanos e os parceiros de desenvolvimento".


A briga entre os diplomatas teve início quando um membro da delegação marroquina (seguramente um segurança «travestido« de diplomata) tentou arrancar a bandeira da delegação da República Árabe Saharaui Diplomática, cujo território está ocupado em grande parte pelo Reino de Marrocos desde 1975 e o seu povo impedido de exercer o seu direito à autodeterminação por oposição do Reino de Marrocos, com o beneplácito de alguns países do Conselho de Segurança da ONU.

A RASD participava na reunião na qualidade de membro fundador da União Africana (UA), estatuto que o Reino de Marrocos só viria a ganhar vários anos depois da sua constituição. Recorde-se que o Reino de Marrocos decidiu abandonar a OUA (Organização de Unidade Africana - antecessora da UA) na sequência da adesão da República Árabe Saaraui Democrática (Sahara Ocidental) a 22 de fevereiro de 1982. Marrocos só viria a pedir a adesão à União Africana e o seu regresso à organização continental a 30 de janeiro de 2017.

Cenas degradantes e irresponsáveis como a que ocorreu em Tóquio são já recorrentes nas reuniões da TICAD. Em 2017, o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Moçambique condenou a atuação de uma comitiva de Marrocos contra uma delegação da República Árabe Saharaui Democrática, durante a conferência em Maputo. O Governo moçambicano classificou como “deplorável” o comportamento da delegação marroquina, “que revela uma chocante falta de compostura e de respeito, com confrontos verbais e físicos entre membros das comitivas dos dois países.

sábado, 31 de agosto de 2024

Petição a Lula por um posicionamento distinto do Brasil sobre o Sahara ocidental

O presidente Luís Inácio da Silva (Lula)

29 de Agosto de 2024 - AbrilAbril

Mais de uma centena de personalidades, sobretudo latino-americanas, subscreveram um documento em que se pede ao presidente brasileiro que «corrija» o alinhamento do seu país com Marrocos.

Na petição, lançada este mês e intitulada «Comunicado Internacional pela autodeterminação e independência do Sahara Ocidental», os signatários afirmam ter tomado conhecimento, «com grande surpresa», de «um comunicado conjunto subscrito pelas chancelarias do Brasil e de Marrocos por ocasião da visita do ministro Mauro Vieira a Rabat em 7 de Junho de 2024».

Nesse texto, «o chefe da diplomacia brasileira anuncia, de maneira surpreendente, um grave alinhamento sobre a posição de Marrocos no conflito de descolonização pendente do Sahara Ocidental», denunciam, considerando que se trata de um posicionamento «injust[o] e insustentável tanto juridicamente e politicamente como moralmente».

Com base no Direito Internacional, os signatários afirmam que a chamada comunidade internacional (ONU, União Africana, Movimento dos Não Alinhados – MNOAL, Tribunal Internacional de Justiça, Tribunal Africano de Direitos do Homem e dos Povos e muitas outras instituições) não reconhece a Marrocos «qualquer soberania sobre o Sahara Ocidental», destacando o facto de que, no «seu ditame de 1975, o Tribunal Internacional de Justiça confirmou que o Sahara Ocidental nunca foi parte de Marrocos antes da colonização espanhola, em 1884, e não teve nenhum laço de soberania entre os dois».

Lembram ainda, entre outros aspectos, que desde 1963 «a questão do Sahara Ocidental é qualificada como questão de descolonização, um território não autónomo, e o seu povo é titular do direito à autodeterminação e à independência».

Além disso, afirmam, «Marrocos bloqueou, desde 1991, a organização do Referendo de Autodeterminação previsto pelos Acordos firmados entre Marrocos e a Frente Polisario, sob os auspícios da ONU e da Organização da União Africana, após 16 anos de guerra».

 

Apoio do Brasil a Marrocos opõe-se à legalidade internacional

Do ponto de vista político, consideram que «um apoio do Brasil a Marrocos, um regime monárquico de corte feudal, opressor, corrupto, agressor e violador dos direitos humanos, é diametralmente oposto à legalidade internacional e à natureza política de um país democrático e com um governo progressista como o que tem e representa o Brasil».

Sublinham ainda que se trata de «um gesto totalmente contrário à orientação e linha política oficial conhecida do companheiro presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do seu partido, o Partido dos Trabalhadores».

Já moralmente, recordam que as grandes organizações de defesa dos direitos humanos continuam a exigir a Marrocos, mas sem resultado, «que ponha fim à sua ocupação ilegal do Sahara Ocidental e à sua grave e sistemática política de repressão contra a população saharaui nos territórios sob ocupação, que inclui crimes de guerra e contra a humanidade».

 

Pedido de rectificação da posição firmada pelo ministro Vieira

Neste sentido e recordando «o apoio tradicional e de princípio dos partidos democráticos, de esquerda e progressistas e forças sociais da América Latina e das Caraíbas às lutas de libertação contra o colonialismo e o neocolonialismo, contra o apartheid e a ocupação estrangeira», os signatários pedem a Lula da Silva e ao Partido dos Trabalhadores que intervenham «para rectificar a posição subscrita pelo ministro Vieira com o ministro do ocupante marroquino», ao mesmo tempo que solicitam o estabelecimento de relações diplomáticas com a República Saharaui.

«A causa saharaui que encabeça a Frente Polisario e a República Árabe Saharaui Democrática – RASD, país fundador e integrante da União Africana, é uma causa de justiça e autodeterminação e de descolonização pendente», declara o texto divulgado pela agência Sahara Press Service (SPS).

Entre os signatários, contam-se personalidades a título individual e representantes de organizações do Brasil, Venezuela, Paraguai, México, Uruguai, Argentina, Costa Rica, Guatemala e Peru. Também das Honduras, do Chile, de Porto Rico, El Salvador, Bolívia, Cuba e Espanha.

Sahara Ocidental. Uma manobra política arriscada do Presidente Macron

 

Rabat, 15 de novembro de 2018. O rei marroquino Mohamed VI (à esquerda) cumprimenta o presidente francês Emmanuel Macron (à direita), que pisca o olho, ao sair da estação após a inauguração de uma linha de alta velocidade.
CHRISTOPHE ARCHAMBAULT / AFP / POOL


Ao afirmar que “o presente e o futuro do Sahara Ocidental se inscrevem no quadro da soberania marroquina”, o Presidente Emmanuel Macron arrisca uma rutura com a Argélia, com o único objetivo de apaziguar a direita e a extrema-direita francesas.

Autor: Jean-Pierre Sereni(*) - 29 agosto 2024 - OrientXXI


Estará o Sahara Ocidental tão longe do Palácio Bourbon como habitualmente se imagina? Podemos interrogar-nos sobre esta proximidade inesperada, após uma das raras intervenções políticas estivais de Emmanuel Macron, para além das suas efusões regulares com os medalhados franceses nos Jogos Olímpicos.

A 30 de julho, três semanas após a segunda volta das eleições legislativas e a chegada de uma Câmara dos Deputados dividida em três grandes blocos (Macronista, Nouveau Front Populaire, Rassemblement National), o Presidente da República escreveu uma carta ao Rei de Marrocos, Mohamed VI, por ocasião da Festa do Trono, na qual se alinhava sem grandes nuances com a posição cherifiana sobre a resolução da questão saharaui, pendente há quase cinquenta anos.

 

«Le présent et l’avenir du Sahara occidental s’inscrivent dans le cadre de la souveraineté marocaine. Aussi, je Vous affirme l’intangibilité de la position française sur cet enjeu de sécurité nationale pour Votre Royaume. La France entend agir en cohérence avec cette position à titre national et au niveau international. Pour la France, l’autonomie sous souveraineté marocaine est le cadre dans lequel cette question doit être résolue. Notre soutien au plan d’autonomie proposé par le Maroc en 2007 est clair et constant.»

 

Um referendo de autodeterminação esquecido

A resolução das Nações Unidas, segundo a qual os habitantes da região devem ser consultados para decidir o seu futuro, foi esquecida. Enquanto território não autónomo, o Sahara Ocidental continua, em princípio, a ser objeto de um referendo de autodeterminação.

Que impacto terá a carta presidencial? Provavelmente nenhum. No terreno, Marrocos detém três quartos do país e os raros actos de guerra da Frente Polisario, apoiada à distância desde 1977 pela Argélia, são incapazes de pôr em causa o status quo. As Nações Unidas continuam empenhadas na autodeterminação do Sahara, como reiterou o seu porta-voz no dia seguinte à publicação da carta presidencial. No plano diplomático, dois dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, a China e a Rússia, poderão sempre opor-se a qualquer inversão de posição.

O seu único efeito previsível é uma nova crise franco-argelina, que ocorre ao mesmo tempo que uma lenta erosão do soft power francês nos seus três antigos departamentos ultramarinos. No mercado argelino, a China e a Turquia ultrapassaram os exportadores franceses. O terceiro lugar é disputado ferozmente pela Itália da primeira-ministra Giorgia Meloni, que pretende suplantar Paris em todo o Norte de África. A ENI, a grande empresa transalpina, apodera-se da parte de leão do gás natural argelino e os cereais russos desafiam cada vez mais a posição eminente dos cerealistas da região francesa de Beauce no fornecimento de trigo mole à Argélia, de onde provém o pão de cada dia de mais de 44 milhões de argelinos. Se a esperada visita a Paris do Presidente argelino Abdelmadjid Tebboune, que será sem dúvida reeleito em 7 de setembro de 2024 para um segundo mandato, for cancelada, será apenas a terceira ou quarta vez, mas a primeira quase rutura das relações diplomáticas desde 2020.

 

Satisfazer a direita

Porque é que o Presidente francês correu o risco de uma inevitável crise franco-argelina? Porquê pôr em perigo o grande projeto que tem vindo a desenvolver desde 2017, a reconciliação dos dois países com base numa história que foi conjuntamente revisitada e aceite pelas suas elites? Na realidade, tudo mudou desde 8 de julho. A sua principal frente já não é a Ucrânia, a União Europeia ou a Nova Caledónia, mas o resgate da política da oferta posta em prática sob François Hollande e intensificada sob Emmanuel Macron. Resume-se a apoiar fortemente as empresas e os seus acionistas, mesmo que isso signifique racionar o Estado social (escolas, hospitais, orçamentos sociais), reduzindo as suas receitas e diminuindo drasticamente as suas ambições. A maioria dos eleitores condenou estas escolhas e a Assembleia Nacional tripartida não pode continuar a fazê-lo, mas o Palácio do Eliseu espera que o reforço dos 47 deputados republicanos, somados aos 166 deputados dos três grupos do Ensemble, e a compreensão dos 126 deputados de extrema-direita garantam uma aparência de maioria e que, assim, possa salvar o essencial do seu legado económico e financeiro, nomeadamente a última reforma das pensões.

Mais uma ilusão? Sem dúvida, mas a carta a Mohamed VI representa um novo gesto para conquistar a direita, que partilha a sua proximidade com a monarquia cherifiana e a sua hostilidade visceral em relação à Argélia, recordação de uma guerra colonial perdida, e a sua oposição de longa data à política pró-argelina do general de Gaulle, apoiada na altura pela extrema-esquerda. Atualmente, os gaullistas desapareceram como força parlamentar e os comunistas só têm 9 deputados (em 577). O resto da esquerda denuncia o autoritarismo do regime de Argel, que reprimiu o movimento popular Hirak e prendeu muitos jornalistas.

Os acordos de 1968 entre os dois países já tinham sido objeto de uma ofensiva em grande escala no final de 2023, que incluía o Rassemblement National, Les Républicains e Édouard Philippe, antigo primeiro-ministro do Presidente Macron. Concebido para facilitar a imigração económica e compensar a necessidade de mão de obra durante as Trente Glorieuses (1945-1974), o acordo previa a livre circulação entre os dois países para os cidadãos argelinos. Esvaziado do seu conteúdo ao longo dos anos, o texto já não tem grande influência nos fluxos migratórios; no entanto, a direita mobilizou-se para o revogar, permitindo-lhe alimentar as suas fantasias sobre a “invasão” do país. O governo de Gabriel Attal inscreveu imediatamente na ordem do dia a renegociação do acordo, um cartão vermelho para Argel devido ao seu valor simbólico. A realidade é mais prosaica: a última vantagem concedida aos argelinos é permitir que os seus estudantes em França se estabeleçam como comerciantes!


(*) - Journalista, antigo diretor do Nouvel Économiste e ex-redator chefe de l’Express. Autor de várias obras sobre o Magrebe, o Golfe, Energia e a V República francesa.


Encontro Brahim Ghali-António Guterres em Díli (Timor-Leste): Ratificado compromiso da ONU em alcançar uma solução para o conflito do Sahara Ocidental

 


Díli, Timor-Leste, 31/08/2024 - (SPS) - Durante a sua participação no 25º aniversário da organização do referendo de autodeterminação em Timor-Leste, o Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, manifestou ao Presidente da República Saharaui e Secretário-Geral da Frente POLISARIO, Brahim Ghali, o seu empenho em trabalhar por todos os meios para alcançar uma solução para o conflito do Sahara Ocidental, no quadro da aplicação das resoluções da ONU, a fim de permitir ao povo saharaui exercer o seu direito à autodeterminação.

O líder saharaui, que se reuniu com o SG da ONU, felicitou este último pela cidadania honorária que lhe foi concedida pelo povo e governo timorenses em reconhecimento dos seus esforços para completar o processo de descolonização de Timor-Leste, quando era Primeiro-Ministro de Portugal, então potênciua administrante até à consulta popular de 30 de agosto de 1999.

Brahim Ghali elogiou Guterres, mas também lhe lembrou que os casos do Sahara Ocidental e de Timor-Leste são de natureza jurídica semelhante, historicamente sincronizados e de génese semelhante, mas que o povo saharaui ainda espera pela oportunidade de desfrutar de um dia da democracia em que possam escolher livremente o seu próprio destino, como fez o povo timorense há vinte e cinco anos.

O líder saharaui sublinha mais uma vez a necessidade de a MINURSO (Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental) e a ONU assumirem a sua total responsabilidade de proteger os civis desarmados e pôr fim à pilhagem dos recursos naturais, uma vez que o Sahara Ocidental está sob a responsabilidade directa da organização e está pendente de um processo de descolonização.

O Sahara Ocidental, ocupado desde 1975 por Marrocos, apoiado pela França, é a última colónia em África pendente de descolonização. O mundo continua indiferente ao último território colonial de África, que espera que a ONU ponha fim ao processo de descolonização, como o fez com Timor-Leste.