quinta-feira, 25 de abril de 2013

ONU “falha oportunidade" de permitir o monitoramento dos Direitos Humanos no Sahara Ocidental



"O Conselho de Segurança frustrou o povo do Sahara Ocidental
e dos campos de refugiados de Tindouf"
O fracasso do Conselho de Segurança da ONU para adicionar a monitorização dos direitos humanos ao mandato da sua força de manutenção da paz no Sahara Ocidental - apesar sucessivos relatórios de abusos em curso na região - é uma "oportunidade perdida", afirmou hoje a Amnistia Internacional.

O mandato da Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental (MINURSO) - uma das poucas missões de paz da ONU no mundo sem um mandato de direitos humanos - foi renovado hoje.

A iniciativa dos EUA de incluir uma componente de direitos humanos no projeto de resolução a ser analisado pelo Conselho de Segurança foi anulada depois de protestos do governo marroquino.

"O Conselho de Segurança frustrou o povo do Sahara Ocidental e dos campos de refugiados de Tindouf ao perder uma oportunidade única de sujeitar ao escrutínio internacional extremamente necessário os persistentes preocupações de violação de direitos humanos", afirmou hoje Philip Luther, Diretor da Amnistia Internacional para o Médio Oriente e África do Norte.

No seu último relatório ao Conselho de Segurança, o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, reiterou a necessidade de " um monitoramento, imparcial, independente, abrangente e sustentado da situação dos direitos humanos no Sahara Ocidental e nos acampamentos."

As autoridades marroquinas rejeitaram energicamente a proposta dos EUA de expandir o mandato da MINURSO, alegando que isso ameaçava a soberania de Marrocos sobre o Sahara Ocidental.

Washington, posteriormente, recuou, e os membros do Conselho de Segurança aprovaram uma nova resolução que deixou de conceder à MINURSO a autoridade de monitorar os abusos dos direitos humanos.

A Amnistia Internacional tem preocupações de longa data sobre violações dos direitos humanos no Sahara Ocidental e nos campos de Tindouf, na Argélia.

Relatos de uso excessivo da força contra manifestantes, alegadas torturas na prisão e restrições à liberdade de expressão, reunião e associação são constantes no Sahara Ocidental.

A situação dos direitos humanos nos campos de Tindouf, que são controladas pela Frente Polisário, permanece opaca. Não há observadores independentes de direitos humanos que operem atualmente ali, deixando os moradores vulneráveis ​​a abusos.

"As autoridades marroquinas afirmam que estão fazendo esforços para melhorar os direitos humanos no Sahara Ocidental e queixam-se que as organizações de direitos humanos raramente visitam os campos de Tindouf", disse Philip Luther.

"Por estas razões, deveriam ter acolhido de bom grado a perspetiva de um mecanismo de monitoramento de direitos humanos da ONU, e não pressionando contra, como o fizeram."

Apesar do fracasso de hoje, a resolução aprovada reconhece a necessidade de melhorar os direitos humanos no Sahara Ocidental e nos campos de Tindouf.

Ela encoraja "as partes a trabalhar com a comunidade internacional a desenvolver e implementar medidas independentes e credíveis para assegurar o pleno respeito pelos direitos humanos".

"Marrocos e a Frente Polisário são responsáveis ​​perante o Conselho de Segurança e a comunidade internacional e devem atender ao apelo - ainda que surdo – de reforçar a promoção e proteção dos direitos humanos", disse Philip Luther.

"O progresso em matéria de direitos humanos deve ser avaliado de acordo com medidas concretas, tais como a abertura a investigações completas, imparciais e independentes sobre as acusações de tortura na prisão".

Durante várias décadas Marrocos e a Frente Polisario têm estado envolvidos numa luta pela soberania sobre o Sahara Ocidental, anexado pelo Marrocos em 1975.

O Conselho de Segurança da ONU estabeleceu uma força de manutenção da paz em 1991, para monitorar um cessar-fogo entre as duas partes e implementar um referendo para determinar o estatuto final do território.

Fonte: Amnistia Internacional

Dois cidadãos saharauis pedem asilo na sede do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados em El Aaiun



Esta manhã, dia 25 de abril, dois cidadãos saharauis conseguiram entrar na sede do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, numa ação de protesto contra a falta de proteção dos mecanismos que vigiam a vulnerabilidade dos direitos humanos que o ocupante marroquino comete contra a população saharaui. 

Tratam-se dos cidadãos saharauis Saadun Ali e Mohamed Hanin que conseguiram aceder à sede do ACNUR em El Aaiún, refugiar-se e apresentar ante as autoridades um documento em que exigem:

Um mecanismo de proteção dos direitos humanos nos territórios ocupados; documentos emitidos pelo Alto Comissariado dos Refugiados para poder trabalhar e circular, caso que afeta Saaduni Ali, o qual renunciou em 2012 à documentação marroquina juntamente com um grupo de 16 saharauis; os ativistas exigem no documento que apresentaram as autoridades deste organismo da ONU que facilite a colaboração e o contato com a sede da MINURSO e o respeito pelo direito de autodeterminação do povo saharaui contemplado na carta magna da ONU.

Fonte: CODAPSO

O Conselho de Segurança da ONU ratifica direito do povo saharaui à autodeterminação





O Conselho de Segurança das Nações Unidas, exortou hoje, quinta-feira, dia 25 de abril, ambas partes do conflito do Sahara Ocidental (Frente Polisario e Marrocos) a prosseguirem as conversações "sem condições prévias e de boa fé", com vista a conseguir uma solução política justa, duradoura e mutuamente aceitável "que preveja a autodeterminação do povo do Sahara Ocidental".

Numa resolução aprovada hoje, o Conselho de Segurança reclama também uma maior vontade política que permita criar uma atmosfera propicia ao diálogo a fim de iniciar "uma fase mais intensiva e substantiva de negociações".

O documento reitera o apoio aos esforços do enviado pessoal do Secretário-Geral da ONU para o Sahara Ocidental, Christopher Ross.

Em declaração à imprensa, o representante da Frente Polisario na ONU, Ahmed Bukhari destacou que "a questão dos direitos humanos ocupou boa parte do debate que teve lugar entre os membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas" sobre o conflito do Sahara Ocidental.

Bukhari recordou que esta questão figura no centro das recomendações do relatório do Secretário-Geral e a sua importância foi enfatizada pela iniciativa dos EUA de incorporar no mandato da Missão da ONU para o Referendo do Sahara Ocidental, MINURSO, a tarefa de observar e monitorar a situação dos direitos humanos no Sahara Ocidental.

"A iniciativa americana, em linha com a posição oficialmente expressa pela União Africana e por países membros e não membros do Conselho de Segurança, foi uma contribuição notável aos esforços que têm vindo a ser desenvolvidos por organizações e instituições internacionais de reconhecida credibilidade com o objetivo de pôr fim às graves violações dos direitos humanos que Marrocos comete na parte ocupada do Sahara Ocidental", acrescentou.

O Representante da Frente Polisario afirmou que o povo saharaui, convencido da justiça da sua causa e do apoio da Comunidade internacional ao seu direito inalienável à autodeterminação e à independência, "prosseguirá a sua legítima luta pela liberdade e dignidade".

SPS

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Marruecos e os Direitos Humanos: recusa-os na ONU e nem quer falar deles na UE

O Governo de Espanha mostra-se mais  preocupado com a exploração
do banco pesqueiro do Sahara Ocidental
do que na salvaguarda dos Direitos Humanos do Povo Saharaui... 

Enquanto Marrocos faz denodados esforços entre os membros do Conselho de Segurança para impedir que prospere a proposta dos EUA de incluir a vigilância dos Direitos Humanos no próximo mandato da MINURSO, vai fazendo ouvidos moucos aos pedidos da Comissária das Pescas da UE, que pediu a Rabat a opinião sobre a proposta de inclusão de salvaguardas sobre os direitos humanos no Sahara Ocidental na renovação do acordo de pesca UE - Marrocos.

No seu relatório ao Conselho de 22 de abril, a Comissária Damanaki assegurou que os aspetos técnicos e financeiros que separavam ambas as partes se haviam resolvido, mas que persistiam os problemas "de índole político". O último escolho que resta é o Sahara Ocidental e a insistência da Comissão a Rabat para a necessidade de garantir o respeito dos Direitos Humanos no território.

A agência Europa Press informou que fontes próximas da Comissária Damanaki confirmaram que esta continua esperando uma resposta de Rabat sobre as propostas da UE de incluir salvaguardas dos direitos humanos no acordo. Além disso, as partes ainda não fixaram uma data para a próxima ronda de conversações para resolver o assunto.

Foi Espanha quem solicitou informação sobre o estado das negociações da Comissão com Marrocos. Espanha tem um enorme interesse no banco de pesca em águas de Marrocos, do Sahara Ocidental e da Mauritânia e, na ausência de acordos de pesca nas referidas águas, o setor pesqueiro espanhol está pressionando o seu governo como nunca antes o havia feito. Por outro lado, o Parlamento Europeu está a discutir o acordo com a Mauritânia e o relator do Parlamento recomendou a sua recusa.

No interior de uma prisão no Sahara Ocidental...
As embarcações que tradicionalmente beneficiaram dos acordos de pesca entre a UE e Marrocos foram predominantemente espanholas. A frota teve que abandonar a zona quando o Parlamento Europeu se opôs ao acordo em dezembro de 2011, questionando a sua rentabilidade económica, a sua sustentabilidade ambiental e a sua legalidade devido à inclusão  das águas do Sahara Ocidental.

Como era de esperar, o ministro espanhol da Pesca, Arias Cañete, solicitou à Sra. Damanaki  para fechar o acordo "urgentemente". O ministro, que evitou citar a ex-colónia espanhola, declarou à imprensa que as questões políticas mencionadas pela Comissária se referem "aos benefícios para a população" e "às questões relacionadas com os direitos humanos que algumas delegações, especialmente os nórdicos, puseram sobre a mesa".

O mandato da MINURSO termina a 30 de abril. No seu relatório sobre a situação no Sahara Ocidental, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu a sua renovação e afirmou que "ante os constantes relatórios de violações de direitos humanos, a necessidade de uma supervisão independente, imparcial, completa e continuada da situação dos direitos humanos tanto no Sahara Ocidental como nos acampamentos se torna cada vez mais urgente". Ban Ki-Moon também expressou a sua preocupação com a sentença de cidadãos saharauis em tribunais militares marroquinos. Alguns destes ativistas, que foram condenados em fevereiro a prisão perpétua, são abertos opositores dos acordos de pesca da UE no Sahara Ocidental.

Pouco depois do relatório de Ban Ki-Moon, Estados Unidos anunciou que proporia à MINURSO o supervisionamento dos direitos humanos em toda a zona de conflito.
Marrocos, com o apoio de Espanha, está fazendo lobby para evitar que o Conselho de Segurança inclua uma cláusula de vigilância dos direitos humanos no mandato da operação de paz da ONU no território.

Os últimos contactos formais entre Bruxelas e Rabat remontam a princípios de fevereiro.
WSRW: 23.04 - 2013

Partido Trabalhista norueguês apela a uma resolução "rápida" da questão saharaui



O Partido Trabalhista norueguês apelou, no termo dos trabalhos do seu congresso, que teve lugar entre 18 e 21 de abril, a uma ação "rápida" a favor de uma resolução política da questão saharaui na base do respeito do direito do povo saharaui à sua determinação.

O partido de governo da Noruega sublinha a necessidade de intensificar as ajudas humanitárias aos refugiados saharauis e o alargamento do mandato da Minurso ao controlo e à proteção dos direitos humanos na região.

O Partido lembra que "o Sahara Ocidental continua sob ocupação marroquina" apelando à libertação " imediata " de todos os presos políticos saharauis. O Partido Trabalhista irá empenhar-se em garantir o reconhecimento pela Noruega do Sahara Ocidental enquanto Estado independente na bade do Direito internacional.

(SPS)

Rabat, Paris e Moscovo conseguem que EUA renunciem à sua iniciativa sobre o Sahara




Artigo de Ignacio Cembrero do «EL PAIS:


Os EUA — segundo fontes diplomáticas — tentaram na semana passada corrigir uma anomalia e pressionar Marrocos e a Frente Polisario para que ponham mais empenho na negociação hoje em dia estagnada.

A sua embaixadora na ONU, Susan Rice, apresentou ao Grupo de Amigos do Sahara —integrado por Espanha e os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança — um projeto de resolução que ampliava o mandato da Minurso para que vigiasse os direitos humanos na antiga colónia espanhola e nas áreas sob autoridade da Polisario. A Minurso é a única missão de paz que carece de competências nesta matéria.

Sem chegar a ameaçar com o veto, França e Rússia esforçaram-se por diluir a iniciativa dos EUA. As reservas de Paris foram formuladas em público, sexta-feira-passada, por Philippe Lalliot, o porta-voz da sua diplomacia.

Sem criticar a iniciativa norte-americana o ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros, José Manuel García-Margallo, barricou-se por detrás da posição franco-russa. Advogou o “consenso” e que a embaixadora apresentasse uma nova proposta. Fontes do seu gabinete deixaram cair a ideia de que seria bom que o Alto Comissariado para os Refugiados se ocupasse dos direitos humanos na zona ainda que isso não faça parte das suas atribuições.

Num debate realizado no dia 20 de junho no Congresso dos Deputados, García-Margallo havia-se, porém, mostrado partidário de atribuir à Minurso essa nova competência como também o havia feito anteriormente a sua antecessora socialista no cargo, Trinidad Jiménez.

A oposição franco-russa somou-se à animosidade das autoridades de Marrocos. O palácio real divulgou um comunicado rejeitando a iniciativa, porque é uma ofensa à sua "soberania", posição secundada pelos partidos políticos, instituições e ONGs de direitos humanos, à exceção da mais importante, a Associação Marroquina de Direitos Humanos.

Rabat demonstrou a sua encenada raiva cancelando as manobras militares com os EUA, que deviam começar no final deste mês. O seu ministro das Relações Exteriores, Saad Eddine El Othmani, atacou pela primeira vez na segunda-feira, no Parlamento, os EUA.

O projeto de resolução recebeu, no entanto, aplausos de prestigiosas ONG de direitos humanos como a Human Rights Watch (HRW) e a Fundação Robert Kennedy que jogou um papel importante na sensibilização do secretário de Estado John Kerry. A União Africana também apoiou o projeto de resolução.

Face a tantas arremetidas Susan Rice deu um passo atrás no fim-de-semana. Propôs que não fosse a MINURSO mas o Alto Comissariado para os Direitos Humanos quem monitorasse o seu cumprimento na região, o que equivalia a que o trabalho fosse exercido com menos meios, mas os aliados de Marrocos não se deram por satisfeitos.


Susan Rice pôs ontem sobre a mesa um texto que conseguiu reunir o consenso. Salienta a necessidade de promover o respeito pelos direitos humanos, mas não fornece qualquer mecanismo para fazê-lo. Irá ser votado até ao final do mês.

"É dececionante que, com a recusa de Marrocos, os EUA deem um passo atrás", disse Eric Goldstein da HRW. "A linguagem aguada do novo projeto de resolução não está à altura do apelo feito pelo Secretário-Geral das Nações Unidas. Ban Ki-moon, no seu relatório sobre o Saara Ocidental sobre a necessidade de uma monitorização dos direitos humanos independente, imparcial, abrangente e sistemática".

El Pais 23-04-2013