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| Pedro Sánchez, com os ministros Fernando Grande-Marlaska e Margarita Robles, cujos telemóveis foram espionados através do Pegasus.(Foto La Razon) |
A justiça francesa suspeita
que os serviços secretos de Marrocos possam estar na origem do
ataque informático com o software espião Pegasus aos telemóveis do
primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, e de três ministros do
seu Governo. A informação é avançada pelo jornal conservador
espanhol La
Razón, que teve acesso a documentação judicial trocada
entre França e Espanha.
egundo o diário, estas suspeitas
constam da resposta enviada pelas autoridades judiciais francesas ao
juiz da Audiência Nacional espanhola José Luis Calama, responsável
pela investigação do caso. Dez meses depois do envio de uma
comissão rogatória, o magistrado espanhol recebeu finalmente
informação da justiça francesa, que investiga ataques semelhantes
ocorridos em França com o mesmo software.
De acordo com essa
resposta, a comparação entre dados técnicos recolhidos em França
e em Espanha permitiu identificar “dois marcadores idênticos”, o
que, na avaliação das autoridades francesas, aponta para “autores
comuns” nos dois casos de espionagem. Num dos emails citados por La
Razón, um magistrado francês questiona diretamente: “Os serviços
marroquinos?”.
Apesar destas coincidências técnicas, a
justiça francesa sublinha que, até ao momento, não é possível
identificar formalmente os autores do ataque. Ainda assim, admite que
não existem obstáculos à execução da Ordem Europeia de
Investigação solicitada por Espanha, embora reconheça que o
processo levanta dúvidas pela semelhança entre os dois episódios
de espionagem.
O juiz José Luis Calama pediu a colaboração
das autoridades francesas para obter mais informações sobre o
controlo interno do software Pegasus pela empresa israelita NSO
Group, bem como sobre as investigações técnicas realizadas pela
Agência Nacional Francesa de Segurança dos Sistemas de Informação
(ANSSI). Paralelamente, reforçou pedidos de informação a Israel,
incluindo o depoimento do CEO da empresa.
Segundo a investigação
da Audiência Nacional, o telemóvel de Pedro Sánchez foi infetado
com Pegasus em maio de 2021, em pleno contexto da crise migratória
em Ceuta, após a entrada em Espanha do líder da Frente Polisário,
Brahim Ghali (na altura gravemente doente devido à Covid). Os
ataques coincidiram também com o período que antecedeu a concessão
dos indultos aos líderes independentistas catalães condenados no
processo do procés.
O Centro Criptológico Nacional espanhol
confirmou que houve extração de informação do dispositivo do
chefe do Governo. O caso está a ser investigado como um eventual
crime de descoberta e revelação de segredos, por envolver o acesso
ilícito a comunicações de natureza pessoal e institucional.
