quarta-feira, 15 de julho de 2026

Morreu Tomás Bárbulo (1958-2026), jornalista e escritor ligado à história do Sahara Ocidental



O jornalista e escritor espanhol Tomás Bárbulo morreu esta quarta-feira, em Madrid, aos 68 anos, vítima de uma doença degenerativa de que sofria há vários anos, noticia o jornal EL PAÍS.

Nascido na Coruña, em 1958, Bárbulo estudou Jornalismo na Universidade Complutense de Madrid e participou na fundação dos jornais Expansión, La Gaceta de los Negocios e El Sol. A maior parte da sua carreira profissional decorreu no EL PAÍS, onde trabalhou durante mais de três décadas e realizou numerosas viagens pela África Ocidental.

A sua vida e obra ficaram profundamente marcadas pelo Sahara. Bárbulo passou parte da infância em Sidi Ifni, até à entrega do território a Marrocos, em 1969, e viveu posteriormente em El Aaiún até à Marcha Verde marroquina, em 1975.

Essa experiência esteve na origem de várias das suas obras. No início de maio, o escritor publicou a sua última novela, Aaiún, apresentada como um “thriller de amor e guerra na última colónia espanhola”. O livro retrata o ambiente político, militar e social do então Sahara Espanhol e recupera episódios relacionados com o colonialismo, a resistência saharaui e a aproximação da Marcha Verde.

Tomás Bárbulo já tinha publicado, em 2002, o ensaio La historia prohibida del Sáhara Español, considerado uma obra de referência sobre o território. O livro foi posteriormente reeditado, em 2017.

Na sua última novela, o protagonista é o capitão Bárbulo, um militar violento e contraditório que pretende casar-se com uma jovem marroquina, Aicha, e trabalha com um cabo saharaui chamado Salem. As três personagens representam, simbolicamente, diferentes posições e tensões em torno do conflito do Sahara Ocidental.

Segundo recordava o escritor, desde que abandonou o território tinha consciência de ter vivido um momento histórico e sempre desejou transformar essa experiência em ficção. Bárbulo considerava ainda que, apesar da violência retratada na novela, a realidade vivida no Sahara tinha sido mais dura.

Entre as suas restantes obras encontram-se La asamblea de los muertos, distinguida pela Semana Negra de Gijón como melhor primeira novela e traduzida para vários idiomas, e Vírgenes y verdugos, adaptada ao cinema pelo realizador Gerardo Herrero, em 2024, com o título Raqa.

Fonte: EL PAÍS

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