O Partido Autenticidade e Modernidade (PAM) venceu as eleições legislativas realizadas na quarta-feira em Marrocos, conquistando 97 dos 395 lugares da Câmara dos Representantes, num escrutínio marcado por uma participação de apenas 38,08%, a mais baixa desde 2007 – revela um artigo publicado no diário espanhol Público.
Segundo os resultados provisórios divulgados pelo Ministério do Interior marroquino citados pelo periódico, o PAM ficou à frente do Reagrupamento Nacional dos Independentes (RNI), do primeiro-ministro cessante Aziz Akhannouch, que obteve 66 deputados, e do Partido Istiqlal, com 65. O Partido da Justiça e do Desenvolvimento (PJD) conseguiu 54 lugares. Nenhuma força alcançou os 198 deputados necessários para uma maioria absoluta, tornando necessária a formação de uma coligação.
A campanha do PAM teve como uma das figuras de maior projeção Fouzi Lekjaa, presidente da Federação Real Marroquina de Futebol e ministro delegado responsável pelo Orçamento. Lekjaa, que entrou este ano para o bureau político do partido, não foi candidato a deputado, mas assumiu protagonismo durante a campanha e é apontado, juntamente com Fatima Ezzahra El Mansouri, como um dos nomes em discussão para a chefia do próximo Governo. Nos termos da Constituição marroquina, cabe ao rei Mohamed VI nomear o chefe do Governo entre os membros do partido mais votado, sublinha o artigo do Público.
Mundial de 2030 entrou na campanha
O Mundial de Futebol de 2030, que Marrocos organiza em conjunto com Portugal e Espanha, tornou-se um dos temas da campanha eleitoral. Lekjaa afirmou, num comício do PAM realizado em setembro, que a final da competição será disputada no futuro Grande Estádio Hassan II (*), em Benslimane, na região de Casablanca. A FIFA, contudo, ainda não anunciou oficialmente o local da final.
As declarações provocaram divergências dentro da coligação governamental. De acordo com o jornal espanhol Público, Aziz Akhannouch, atual primeiro-ministro, criticou a utilização eleitoral dos grandes projetos nacionais e defendeu que deveriam ser respeitados os parceiros de Marrocos na organização do Mundial.
O futebol tem desempenhado um papel importante na projeção pública de Lekjaa. Presidente da Federação Real Marroquina de Futebol desde 2014, esteve à frente da instituição durante o período em que a seleção marroquina alcançou o quarto lugar no Mundial do Qatar, em 2022. Paralelamente, desenvolveu uma carreira na administração pública e, desde 2021, exerce as funções de ministro delegado responsável pelo Orçamento.
Forte abstenção marca eleições
A elevada abstenção foi outro dos principais dados do escrutínio. Dos cerca de 15,8 milhões de eleitores inscritos, votaram perto de seis milhões. A participação nacional ficou nos 38,08%, contra 50,86% nas legislativas de 2021 e 42,27% em 2016.
O Ministério do Interior destacou, em contraste - e imagina-se porquê.... !! - , taxas de participação mais elevadas nas regiões do Sahara Ocidental ocupadas por Marrocos: 77% em El Aaiún-Saguía el Hamra e 61% em Dakhla-Oued Eddahab. O Governo marroquino apresentou estes números como demonstração de integração nas instituições representativas do país. O Público, por seu lado, refere críticas de organizações de direitos humanos e dificuldades de verificação independente das condições políticas e eleitorais no território, cujo estatuto permanece objeto de disputa internacional.
As eleições decorreram num contexto de preocupações sociais, particularmente entre os jovens, relacionadas com emprego, salários, habitação, educação, saúde e desigualdades territoriais, ao mesmo tempo que Marrocos prepara investimentos significativos em infraestruturas associados ao Mundial de 2030.
Com o PAM longe da maioria absoluta, a composição do próximo Governo dependerá agora das negociações entre os partidos e da posterior nomeação do chefe do Executivo pelo rei Mohamed VI, já que em primeira e última instância é ele que manda e quem põe e dispõe do destino dos marroquinos....
Fonte: jornal espanhol Público em 24 de setembro de 2026.
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| Grand Stade Hassan II: uma mega-estádio para um país onde a pobreza e a desigualdade é um estigma quotidiano... |
(*) O "Grand Stade Hassan II" em Casablanca, Marrocos, está projetado para ser o maior estádio de futebol do mundo, com capacidade para 115 mil lugares - mesmo a tempo de o país africano acolher conjuntamente o Campeonato do Mundo da FIFA de 2030.
Segundo as autoridades marroquinas, o orçamento oficial foi estimado em 5 mil milhões de dirhams (cerca de 425 milhões de euros).» Mas já em 2026 foram divulgados contratos adicionais de grande dimensão relativos a diferentes componentes da obra — por exemplo, cerca de 3,7 mil milhões de dirhams apenas para a cobertura e fachada — e existem ainda investimentos separados em acessos e infraestruturas exteriores. Por isso, o custo global associado ao complexo e às suas infraestruturas poderá ser substancialmente superior ao orçamento inicial, podendo ultrapassar os mil milhões de euros...!!!


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