Abdeslam Aomar Lahsen, presidente da Associação de Familiares de Presos e Desaparecidos Saharauis (AFAPREDESA), em entrevista ao jornal Avante! aborda a situação atual no Sahara Ocidental.
Lahsen descreve a situação como “de extrema gravidade”, atribuindo o agravamento da repressão nos territórios ocupados ao apoio dos Estados Unidos e de Israel às posições de Marrocos sobre o Sahara Ocidental. Afirma também que existe um forte bloqueio informativo e denuncia a ausência prolongada de organismos internacionais: segundo ele, a Cruz Vermelha não visita presos políticos saharauís desde 1996 e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos não visita o território desde 2016.
O dirigente da AFAPREDESA destaca, em contrapartida, as decisões do Tribunal de Justiça da União Europeia de 2024 relativas aos acordos UE-Marrocos, considerando-as importantes para a causa saharauí por reconhecerem a necessidade do consentimento do povo do Sahara Ocidental e o seu direito à autodeterminação.
Abdeslam Lahsen denuncia ainda o recurso de Marrocos a novas tecnologias militares e de vigilância, mencionando o software Pegasus e os drones. Afirma que ataques com drones marroquinos provocaram 198 mortos nos territórios controlados pela Frente Polisário, obrigando populações que viviam da pastorícia a procurar refúgio nos acampamentos ou na Mauritânia. Refere igualmente 440 desaparecidos cujo paradeiro, segundo afirma, continua por esclarecer, além da situação dos presos políticos saharauis, muitos deles presos desde 2010, na sequência do brutal desmantelamento do campo da Dignidade de Gdeim Izik, e cumprem penas pesadíssimas de 20 anos a prisão perpétua .
Sobre o Plano de Autonomia apresentado por Marrocos, Lahsen rejeita-o como solução para o conflito, argumentando que não respeita a vontade do povo saharauí. Defende que a solução deve continuar baseada no direito à autodeterminação e na realização de um referendo, previsto no processo conduzido pelas Nações Unidas e que chegou a estar programado para 1991, mas nunca se realizou.
Por fim, aponta como prioridade manter a mobilização e a resistência saharauí, destacando particularmente o papel das novas gerações. Agradece ainda a solidariedade recebida em Portugal, nomeadamente do PCP e de outras forças que apoiam a causa saharauí, e destaca Cuba pelo apoio prestado ao longo dos anos, incluindo na formação de estudantes do Sahara Ocidental.

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