sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Nove presos saharauis de Gdeim Izik iniciam greve de fome por tempo indeterminado



Nove presos saharauis do grupo de Gdeim Izik iniciaram, a 23 de setembro, uma greve de fome por tempo indeterminado em três estabelecimentos prisionais marroquinos, reivindicando a transferência para prisões no Sahara Ocidental e denunciando as condições em que permanecem detidos.

A decisão foi anunciada num comunicado conjunto dos presos, que estão distribuídos pelas prisões de Aït Melloul 2, Tiflet 2 e pela prisão central de Kenitra. Entre os grevistas encontra-se o ativista saharaui Naâma Asfari que ainda há poucas semanas conclui uma greve de fome que se arrastou por 42 dias.

Os detidos afirmam que, após cerca de 16 anos de prisão, pretendem com este protesto exigir a transferência para estabelecimentos situados no Sahara Ocidental, mais próximos das respetivas famílias. Invocam para essa reivindicação o direito internacional humanitário e, em particular, a IV Convenção de Genebra.

No comunicado, os presos denunciam ainda alegados maus-tratos, isolamento prolongado, insuficiência de cuidados médicos e restrições ao contacto com familiares. Pedem também às autoridades marroquinas que cumpram decisões e pareceres de mecanismos das Nações Unidas relativos a membros do grupo de Gdeim Izik, incluindo o Comité contra a Tortura e o Grupo de Trabalho sobre Detenção Arbitrária. 

Entre as restantes reivindicações está o alargamento do mandato da MINURSO — Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental — à monitorização dos direitos humanos. Os grevistas defendem igualmente que o Comité Internacional da Cruz Vermelha possa visitar os locais de detenção.

A administração penitenciária marroquina apresentou, entretanto, uma versão diferente sobre a dimensão e as motivações do protesto. A Direção-Geral da Administração Penitenciária e da Reinserção (DGAPR) afirmou ter recebido notificações de greve de fome de seis detidos, e não nove, e rejeitou que o movimento esteja relacionado com as condições de detenção. Quanto à transferência para prisões no Sahara Ocidental, a DGAPR argumenta que a classificação desses estabelecimentos não é compatível com as longas penas aplicadas aos membros do grupo.

Os nove presos identificados no comunicado são Mohamed Bani, detido em Aït Melloul 2; Abdallah Abbah, Mohamed Lamine Haddi e Bachir Khadda, em Tiflet 2; e Sidi El Bachir Boutanguiza, Ahmed Sbai, Naâma Asfari, El Hassan Azaoui e Hassan Dah, na prisão central de Kenitra.

O grupo de Gdeim Izik deve o nome ao acampamento de protesto instalado em 2010 nos arredores de El Aaiún. Os seus membros foram julgados inicialmente por um tribunal militar, em 2013, e posteriormente por uma jurisdição civil, em 2017, tendo sido condenados a penas entre 20 anos de prisão e prisão perpétua.

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