![]() |
| Jaima: tenda tradicional saharaui. As autoridades marroquinas proibiram a sua instalação nos territórios ocupados |
O povo saharaui assinalou o Dia Nacional da Jaima (tenda tradicional), que evoca o acampamento de Gdeim Izik, cujas primeiras tendas foram montadas a 10 de outubro de 2010, a leste de El Aaiún. A efeméride é apresentada como símbolo da identidade e da resistência pacífica saharaui face à ocupação por parte de Marrocos.
Gdeim Izik foi um acampamento de protesto montado em outubro de 2010, a cerca de 14 km de El Aaiún, capital do Sahara Ocidental, por saharauis que contestavam sobretudo as condições sociais e económicas em que viviam. O Acampamento da Dignidade, como ficou conhecido, reuniu mais de 20 000 pessoas e foi desmantelado pelas forças de segurança marroquinas cerca de um mês depois. O desmantelamento, no início de novembro, foi seguido de confrontos violentos em El Aaiún, com mortos de ambos os lados. As responsabilidades continuam contestadas: a Polisario e organizações de direitos humanos acusam as forças marroquinas de violência e tortura, enquanto Rabat sublinha a morte de membros das forças de segurança, o que constituiu o alibi para a perseguição e a detenção dos ativistas mais empenhados na organização do protesto.
Seguiram-se detenções e julgamentos que continuam a marcar o dossiê:
Em 2013, um tribunal militar condenou 25 ativistas a penas entre 20 anos e prisão perpétua, com base, segundo os denunciantes, em testemunhos obtidos sob tortura.
Em 2017, o caso foi reapreciado pelo Tribunal de Recurso de Salé, que proferiu penas entre dois anos e prisão perpétua para 23 arguidos.
O Comité da ONU contra a Tortura já condenou Marrocos duas vezes por casos de membros do grupo, a última em 2022.

Sem comentários:
Enviar um comentário