sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Presos saharauis condenados a prisão perpétua anunciam greve de fome contra represálias em Marrocos




Os presos políticos saharauis Mohamed Bani e Brahim Ismaili- ambos condenados a prisão perpétua no processo de Gdel Izik -, anunciaram a intenção de iniciar uma greve de fome na próxima semana, em protesto contra alegadas represálias e restrições aos seus direitos na prisão de Ait Melloul 2, em Marrocos. A denúncia foi divulgada pela Liga para a Proteção dos Presos Saharauis nas Prisões Marroquinas, com base num testemunho da família de Mohamed Bani.

Segundo a organização, a administração penitenciária impediu os dois detidos de usufruírem do passeio diário, restringiu-lhes o acesso aos serviços médicos e proibiu-os de acompanhar um canal internacional de notícias.

A Liga considera que estas medidas constituem violações das normas internacionais de direitos humanos, nomeadamente das Regras Mínimas das Nações Unidas para o Tratamento dos Reclusos, conhecidas como Regras de Nelson Mandela.

A organização associa o agravamento das condições de detenção ao recente desfecho das negociações no Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre o Sahara Ocidental, onde um veto russo impediu a aprovação de uma resolução norte-americana favorável à proposta marroquina de autonomia.

Segundo a Liga, as restrições impostas aos dois presos constituem uma forma de retaliação por parte das autoridades penitenciárias marroquinas.

Perante esta situação, Mohamed Bani e Brahim Ismaili decidiram anunciar uma greve de fome, a iniciar na próxima semana, exigindo o respeito pelos seus direitos e o fim das medidas que consideram arbitrárias.

A Liga responsabiliza as autoridades marroquinas pela segurança e integridade física e psicológica dos dois detidos e reclama a criação de um mecanismo internacional de proteção dos civis saharauis nos territórios do Sahara Ocidental sob controlo de Marrocos.

A organização apelou ainda às entidades internacionais e regionais de defesa dos direitos humanos para que intervenham com urgência, investiguem as denúncias e garantam o respeito pelos direitos fundamentais dos presos saharauis.

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