quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Plano Solar marroquino: Marrocos vê-se privado do financiamento dos alemães por causa do Sahara Ocidental?


O Plano Solar lançado pelo governo marroquino em 2009 requer um financiamento significativo. Agora que os alemães haviam começado a investir, o dossiê do Sahara parece tê-los feito recuar. Marrocos disse poder passar sem ele. Mas, como manterá esta posição?

Os bancos públicos alemães renunciam a financiar o Plano Solar marroquino, revela a Reuters quarta-feira, 5 de fevereiro, citando fontes familiarizadas com o assunto. De facto, no âmbito deste programa é necessário um enorme financiamento de 9 mil milhões de US dólares, ou cerca de 77 mil milhões de dirhams, para os quais o governo marroquino tinha apelado a vários investidores estrangeiros, incluindo alemães.

O projeto envolve a construção de cinco parques solares (Ouarzazate, Foum Al Oued, Bojador, Sebkhat Tah, Tarfaya  e Ain Beni Mathar), dois dos quais estão no Sahara. As mesmas fontes dizem que os alemães se recusam a financiar qualquer projeto nesta região, pois o contrário significaria abandonar uma posição neutra no conflito entre Marrocos e a Frente Polisario.

De acordo com a agência de notícias de Londres, os alemães não seriam os únicos a recuar. Mesmo os grandes financiadores de projetos em Marrocos, como o Banco Mundial, o Banco Europeu de Investimento e a União Europeia partilhariam esta posição.

"Isso é problema deles. Se alguns investidores não vêm, outros o farão "

Quando perguntado sobre isso pela Reuters, o ministro dos Negócios Estrangeiros marroquino, Salaheddine Mezouar, não se atemorizou. "Isso é problema deles. Não temos dificuldades financeiras. Contamos com vários investidores, incluindo chineses, japoneses e os dos países do Golfo", disse nesta terça-feira em Madrid, onde estava se encontrando com chefes de empresas espanholas. O ministro, no entanto, recusou-se a dar detalhes sobre os contratos de financiamento já efetuados pelo reino.

De momento, o governo concentra-se na construção da primeira fábrica em Ouarzazate, cujo contrato foi adjudicado em setembro de 2012 pelo consórcio saudita ACWA Power International. Ele deverá estar operacional no próximo ano, e tem uma capacidade de 160 MW. Mezouar garante que os outros quatro projetos serão construídos de acordo com as medidas adotadas no plano solar para alcançar 2 000 MW até 2020, tal como planeado. "A questão do Sahara não tem nada a ver com isso. O financiamento não está condicionado pelo facto de as centrais se situarem ou não no Sahara”, "afirmou, antes de acrescentar: "O Sahara precisa de energia renovável, e o investimento ocorrerá. Se algumas pessoas não querem vir, outros o farão ".


Alemães muito envolvidos no financiamento às energias renováveis ​​em Marrocos

No quadro do seu plano solar, Marrocos sempre se mostrou muito seguro e tranquilo quanto ao financiamento, como foi o caso em 2012, com o ministro da Energia, à época, Fouad Diouri. A imprensa assinalava o importante financiamento necessário para a implementação do plano de energia solar, mas ele disse então que o governo estava "certo de que muitos investidores estariam interessados​​."

No entanto, a questão do Sahara poderá complicar as coisas. Pois, se apesar de Rabat parecer saber com o que pode contar, deve-se dizer que a sua dívida junto dos países do Golfo está se tornando cada vez mais elevada, em particular, com os vários empréstimos realizados entre 2012 e 2013. Além disso, devemos considerar que os europeus são os primeiros parceiros económicos do Reino antes dos asiáticos. E a Alemanha está muito envolvida no financiamento de projetos de energia renovável em Marrocos. Além disso, há alguns meses, o CEO do banco estatal alemão, Ulrich Schröeder, disse em entrevista ao l’Economiste que "Marrocos figura entre os parceiros prioritários da cooperação alemã, cuja componente Financeira é implementada pela KfW ".



Na prática, verificou-se o seguinte: este banco tinha sido apontado como um dos maiores credores para a realização de duas tranches do financiamento da central solar de Ouarzazate. Na verdade, ele concedeu um empréstimo de 100 milhões de euros (com uma doação de € 15 milhões) para o primeira e tem o compromisso de pagar cerca de 190 milhões para a segundo tranche. Antes, porém, durante uma visita oficial do seu ministro das Relações Exteriores, em novembro de 2010, a Alemanha tinha atribuído um subsídio de € 3 milhões a Marrocos em apoio ao plano de energia solar nacional. Pode ser difícil para Rabat prescindir deste potencial de investimento, especialmente quando o plano solar ainda está longe dos objetivos pretendidos.

Autor: Ristel Tchounand             

Fonte : yabiladi- site marroquino de informação

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014



A Audiência Nacional Espanhola admite ampliação de queixa por genocídio contra o Povo Saharaui, solicitada pela Associação Pro-Direitos Humanos de Espanha





Uma grande festa para o casamento e uma outra para o divórcio!



Não dramatizam. Os Saharauis, mulheres e homens, não fazem do divórcio um drama. Contentam-se em organizar uma festa «de dignidade» para a mulher perante toda a família e conhecidos a fim de que ela possa voltar a casar de cabeça levantada pela segunda ou terceira vez.

Os saharauis nunca dramatizam com a separação de um casal. A mulher é informada pelo seu marido, para que se prepare para deixar a sua casa de forma permanente, especialmente se ela vive com a sogra.

De acordo com o semanário saharaui Esahra el-Hora, o homem começa a preparar o "Amisfate" da mulher. É uma espécie de dote que consiste numa quantia em dinheiro, camelos, ovelhas e cabras, móveis e até uma tenda (“Jaima”). Mas se o marido vive com a família da mulher, ele apenas recupera os seus pertences antes de sair. Após o período de "el-idda" a família da divorciada organiza uma festa. "Esta festa não pretende, em nenhum caso, minimizar a dignidade da mulher divorciada. Pelo contrário, pretende enfatizar o lugar da mulher na sociedade a fim de que seja respeitada da mesma forma que a dignidade do homem", cita o artigo na mesma revista.

A mulher põem-se bonita, vestindo a sua mais linda «melfa» (traje saharaui tradicional), adorna-se com joias, pinta os seus os olhos com "kohl" e as suas mãos com “henna”. Senta-se num tapete enrolado em forma de banco. Instalada no meio da sua tenda, a sua "Jaima," a mulher está cercada pelas suas amigas que dançam, batem palmas, cantam e entoam os seus «youyous».



Querem-lhe provar que ela pode voltar a casar-se de novo com um homem que lhe agrade, mas não com um qualquer. Durante este período de festa de 3 dias, o que se come de ovelhas ou camelos abatidos são geralmente despesas pagas pelo pretendente que espera pelo fim da "iddah" para se casar com a divorciada.

Esta fase é denominada pelos saharauis por «el tahriche». Mas se uma mulher não tiver ainda pretendente, são os seus irmãos e primos que se encarregam dos custos da festa para preservar a dignidade e a reputação desta mulher que pode voltar a casar dignamente se ela se vier a divorciar mais uma vez. «Uma mulher divorciada mais do que uma vez é adulada pelos homens pois tem uma experiência acrescida na gestão do seu lar», cita o artigo da revista.

Quando às causas de divórcio entre os saharauis, elas não são diferentes das conhecidas em outras sociedades. Encontramos o mau relacionamento entre o casal após o casamento, a diferença de mentalidades ou o não-respeito pelo marido pelas condições estabelecidas antes do casamento (educação, habitação, trabalho ou férias na Argélia, Mauritânia ... ). Estes casos podem ser a causa de vários casos de divórcio nos campos de refugiados saharauis, a pedido do homem ou da mulher não satisfeitos com a sua situação ou condições de vida.



3 para o divórcio, 7 para o casamento

Tradição. Se à mulher saharaui divorciada é dedicada uma festa de 3 dias, para o seu primeiro casamento está-lhe reservada uma festa de sete dias.

A mulher saharaui recebe um dote muito especial — segundo E-Hajj Mohamed — para ela se possa casar "tat-khayeme". O homem deve dar-lhe o seu dote (à celibatária). São entre 25-35 objetos diferentes antes do casamento. Por exemplo, ele deve dar-lhe 35 roupas de todos os tipos, 25 pares de sapatos e chinelos "chengala", 25 cobertores "manta", 35 "melhfa '(véus) de todas as cores, 35 tipos de maquiagem e um conjunto de 3 malas de todas as formas, bem como joias banhadas a ouro. "Nunca se dão joias de ouro. Mas a joias ditas "elgarenti".

O marido compra um novo “chech, Deraa, nayel e them", essas mesmas roupas "Siyani" são compradas para serem oferecidas pela mãe da noiva ao seu marido como um presente da parte do seu genro. Ela deve dizer: "Este é um presente para você." O mesmo vale para o avô, que recebe o mesmo que o seu filho. Por sua vez, a mãe e avó da noiva também têm os seus dons. A Kheima ou “jaima” (tenda) é obrigatória. É o marido que a deve comprar.

A noiva convida as suas amigas para comer na Kheima depois de ter morto cabras, ovelhas ou camelos, de acordo com o número de convidados "redjline" (el-Ghachi). O homem tem seu vizir. "O seu mais próximo amigo que cuida dele durante todo o período do casamento", diz-nos  Mohamed El-Hajj. A noiva, também, tem a sua wazira. "Ela deve estar concentrada sobre si mesma e afastar-se dos seus mais próximos e familiares durante todo o período da festa. É para evitar o mau-olhado e as maldições de que pode ser vítima", diz Oum el-mouminine, uma jovem de 19 anos que se vai casar em breve. No dia 'D', a noiva já está em contato com o marido, sendo levada para sua casa a bordo de um carro, "el-Wetta".



Segundo um outro saharaui, uma meia centena de camelos são reunidos para o banquete do dia seguinte, "muitos convidados afluem a casa dos recém-casados. Os mais velhos estão vestidos com Khelkhal e melhfas brancas. “Os camelo são abatidos, diz-nos Mohamed El-Hajj, lamentando o facto de novas tradições serem importadas pela nossa juventude”. Trazem as tradições dos países onde estudam (Argélia, Líbia e outros). Por exemplo, a nossa noiva deve colocar a "chgiga", que é a melhfa ligeira dos nossos antepassados. Mas hoje ela maquilha-se, o que era proibido no tempo dos nossos ancestrais”. A noiva, de acordo com Fatimatou, coloca a sua melhfa preto e branco para ser vista e admirada pelos seus convidados. A noiva convida toda a sua família a desfrutar da refeição.

 Por : Souad Labri

Marrocos encurralado no Sahara, procura fazer-se convidado para o Mali

Bilal Ag Acherif, secretário-geral do Movimento Nacional 
para a Libertação do Azawad (MNLA), recebido pelo rei Mohamed VI de Marrocos

 O mundo qualifica a Argélia como uma potência regional. Mesmo Nicolas Sarkozy o havia reconhecido publicamente. É uma realidade que vale seu peso no equilíbrio de poder no Magrebe. Em particular, desde que o Norte de África se viu atingido por essa onda de instabilidade que ameaça atravessar o Mediterrâneo para a margem norte.

Tunísia, Líbia, Mali, todos contam com a ajuda da Argélia para acabar com a ameaça terrorista. Delegações dos três países sucedem-se em Argel para buscar apoio militar e económico. Esta realidade conta bastante no que poderá vir a ser o desfecho do conflito no Sahara Ocidental.

Para manter o controlo sobre o Sahara Ocidental, Marrocos tenta a todo custo evidenciar um poder à altura da Argélia. Mas Rabat não tem nem os meios económicos nem militares. Marrocos não tem também fronteiras com todos esses países para poder vender o seu apoio. O País de Mohamed VI só pode confiar nas suas mentiras, enganos e tergiversações.

Neste contexto, Rabat tenta impor uma presença ilusória no Mali, em vésperas da visita de uma delegação do Conselho de Segurança a Bamako realizada em conjunto com a França e o Chade para tentar reanimar o processo de paz, a fim de encontrar uma solução para a situação no norte do país.

A visita dos líderes tuaregues do MNLA à capital marroquina visa dar Marrocos o lugar de que carece para igualar a Argélia e, assim, impor as suas ambições coloniais no Sahara Ocidental.

Mali: riscos de jogo entre Marrocos e o MNLA

Marrocos está muito interessado no dossiê Mali, quando o prossegue trabalho de mediação da Argélia no apoio a Bamako na procura de uma normalização no norte, reduto da rebelião tuaregue.

Sexta – feira, 31 de janeiro, o rei de Marrocos, Mohammed VI, recebeu uma delegação do Movimento Nacional de Libertação de Azawad (MNLA) movimento rebelde no norte do Mali. Durante esta entrevista, Mohammed VI pediu À delegação do MNLA a "permanecer aberto ao diálogo político" no país.


Por seu lado, a delegação do MNLA reafirmou a sua disponibilidade e empenho para uma solução política duradoura para o conflito que opõe o Azawad ao Governo do Mali, acrescentou a fonte. O MNLA, afirma um comunicado divulgado após a audiência que lhe foi concedida pelo monarca marroquino, decidiu empenhar-se numa "diplomacia ativa junto de todos os Estados amantes da paz e da estabilidade” na região.

A iniciativa do Marrocos de entrar em contato com os rebeldes do MNLA é uma ação enganosamente diplomática mas completamente normal de um país que não esconde sua ambição de poder ser «ator» na resolução da crise no norte do Mali. Ela, no entanto, levanta questões e perguntas, pelo menos duas quanto ao significado desta iniciativa. Qual poderá ser o seu sentido político e diplomático, quando as relações com a Argélia conhecem há vários meses uma tensão recorrente e cuja nova expressão poderá ser uma competição geopolítica no imenso e altamente sensível território do Sahel.

Primeira pergunta: porque razão Rabat convida e dialoga com o MNLA, um grupo independentista hostil ao Estado central do Mali, a quem acusou no seu comunicado de ser uma fonte de "bloqueios" e de "impasse", em que " perigosamente coloca o processo político em curso". Declaração contida no seu comunicado de imprensa e que não deixa transparecer uma vontade de apaziguamento.

A segunda questão relaciona-se com o ‘timing’ da audiência real ao grupo rebelde Tuareg e o "porquê agora", quando a Argélia, oficialmente apoiada pelo Presidente maliano Ibrahim Boubacar Keita desde sua visita a Argel a 18 de janeiro último, realiza uma mediação para encontrar um campo de convergência entre Bamako e grupos rebeldes no norte do país. Esta questão é tanto mais pertinente quanto o MNLA, que não visitou Argel recentemente como outros grupos rebeldes, permanece, até prova em contrário, numa posição de distanciamento face aos esforços argelinos de mediação.

Alguns observadores vêm nas declarações e reações deste grupo a expressão de uma atitude morna, ou mesmo hostil para com a Argélia, provavelmente alimentada pelo facto de Argel, desde que está envolvida nos esforços aproximação entre grupos de tuaregues do norte do Mali e Bamako, nunca ter admitido nem querido ouvir falar de teses abertamente separatistas e ameaçadoras da intangibilidade do território do Mali e de suas fronteiras definidas desde a sua independência do domínio colonial francês, em 1960. Será que assistimos a uma convergência estratégica entre Rabat e o MNLA para minar os esforços diplomáticos argelinos, ou procurar encontrar-lhe uma alternativa? A resposta não é fácil, na medida em que Marrocos não pode dar-se ao luxo de dar visibilidade a um grupo em declínio de importância no norte do Mali, e ainda por cima independentista, sem risco de ser lembrado que rejeita qualquer diálogo com a Frente Polisario, que milita pela independência do Sahara Ocidental.

Neste caso, a hipótese menos arriscada é a de que Marrocos, provavelmente com o consentimento da França, cujas relações com o MNLA se deterioraram, de acordo com alguns observadores do Mali, pretende fazer deste grupo rebelde uma carta no jogo em que a Argélia está fortemente empenhada. A hipótese também se aplica ao MNLA que, claramente isolado, busca o apoio de Marrocos e de intervenientes diplomáticos regionais e internacionais que o possam ajudar a ultrapassar um contexto onde exibe hostilidade para com a Argélia, que parece ter muitas vantagens na mão, incluindo o apoio do chefe do governo do Mali e seu governo eleito.

Autor : Yanis Koceyla

Fonte : Diaspora Saharaui – 03-02-2016

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

El Aaiún ocupada: Conferência sobre desaparecimentos forçados e presos políticos saharauis




Na passada sexta-feira, 31 de janeiro, na cidade de El Aaiún ocupada, duas organizações saharauis de direitos humanos, a Coordenadora das mães dos presos políticos de Gdeim Izik e o Comité das mães dos 15 Jovens saharauis Desaparecidos realizaram uma conferência sobre os sequestrados, desaparecidos e presos políticos saharauis nos cárceres marroquinos, para denunciar ante a comunidade internacional o regime marroquino, responsabilizá-lo pelo paradeiro das centenas de desaparecidos saharauis e exigir-lhe a libertação imediata e sem condições de todos os presos políticos saharauis.



Na conferência participaram os defensores saharauis de direitos humanos que trabalham ilegalizados nos territórios ocupados por Marrocos, tendo-se debatido e dado a conhecer as convenções internacionais sobre os desaparecimentos forçados, o direito dos presos políticos e o papel do Comité Saharaui das mães dos 15 Jovens saharauis Desaparecidos.

Os conferencistas fizeram um veemente apelo às organizações internacionais e à ONU para investigar e inventariar as graves violações que o regime de ocupação marroquino comete nos territórios do Sahara Ocidental que ocupa.

El Aaiún/Sahara Ocidental, territórios ocupados. 02/02/2014


Fonte. Poemario por un Sahara Libre - Oficina de los Territorios Ocupados

domingo, 2 de fevereiro de 2014

"Mandela foi um implacável defensor do direito do povo saharaui à autodeterminação" — afirma o Presidente Jacob Zuma


O presidente da África do Sul, Jacob Zuma afirmou no seu discurso perante a 22ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da União Africana que o ícone mundial da luta contra o apartheid, Nelson Mandela “foi um implacável defensor do direito do povo saharaui à autodeterminação”.

O presidente sul-africano elogiou a trajetória revolucionaria de Mandela e a sua luta pelos direitos dos povos africanos à liberdade, à emancipação, à descolonização e à autodeterminação.

Zuma afirmou que se conseguiram a maior parte dessas aspirações e esperanças que o falecido Mandela havia desejado em vida, mas lamentou que exista ainda uma questão de descolonização incompleta, a do Sahara Ocidental, “uma dívida pendente que Mandela deixou e que nós africanos temos que assumir”.


SPS