terça-feira, 22 de julho de 2014

RASD: Justiça sem Guerra?




Um documentário de Josep Lluís Penadés (51’ 33’’).

“Yahia Mulay tem 21 anos e deseja a guerra. Não a desejaria se vivesse no seu país e não num campo de refugiados com mais de 30 anos de existência onde se padece de má nutrição; se não visse como torturam e assassinam impunemente os seus compatriotas; se para poder ser universitário não se tivesse visto obrigado a viver oito anos ilegalmente em Espanha sem poder ver a sua família; se a Espanha tardofranquista não tivesse entregado o seu país a Marrocos e à Mauritânia ante a passividade de uma comunidade internacional que ignorava as resoluções da ONU… Como Yahia, milhares de jovens saharauis desejam a guerra, ignorantes de outra forma de vida.”

“Marrocos financia indiretamente a AQMI com o objetivo de incriminar a Argélia e a Polisario”

 
Hicham Bouchti

O ex-oficial dos serviços de inteligência marroquinos conhecidos sob a sigla de DST, Hicham Bouchti, confirmou a implicação do rei de Marrocos, Mohamed VI, no tráfico de drogas e as ligações dos serviços secretos marroquinos com movimentos terroristas na região, como a AQMI e o MUJAO.
Numa entrevista concedida ao diário argelino “Echorouk”, Bouchti declarou que “o rei tornou-se rico graças ao tráfico de cannabis.

Não é preciso ser muito inteligente para saber que uma das fontes de enriquecimento da monarquia marroquina é o tráfico internacional de drogas”.

“Marrocos financia indiretamente a Al-Qaeda no Magrebe Islâmico para que possa prosseguir as suas atividades na região e assim matar dois pássaros com um só tiro: acusar a Argélia de ser um foco de terrorismo e colar à Frente Polisario a etiqueta de organização terrorista”, acrescentou.

Com o fito de se apresentar às potências ocidentais no papel de “gendarme da região e atrair o seu dinheiro em nome da luta contra o terrorismo, a monarquia não hesitou em reprimir e torturar cidadãos marroquinos inocentes para os apresentar como terroristas, afirmou Bouchti.

Interrogado sobre a relação entre o rei e a instituição militar e os corpos de segurança marroquinos, Bouchti declarou que esta relação é semelhante à que existe entre o Padrinho e a Máfia, exceto quando atendem à diretiva dada por Hassan II aos oficiais do exército depois das duas tentativas de golpe em 1971 e 1972 de " interessá-los pelo dinheiro, mas afastá-los da política"

O ex-espia marroquino disse que o que o havia levado a deixar os serviços secretos marroquinos “foi a ausência de uma lei que enquadre esses serviços e defina a sua missão”. “Ao mesmo tempo que – acrescenta - , não existe um contrato institucional para proteger os cidadãos contra o abuso dos seus oficiais”, sublinhando que “os serviços não estão sob nenhum controlo da justiça nem do Parlamento e que aproveitam este vazio jurídico para reprimir e cometer injustiças e burlar a lei no exercício das suas funções“.

“Eu trabalhava para a inteligência militar. Tínhamos contacto com mais de 12 serviços de inteligência, em primeiro lugar a DGED (Direção-Geral de Estudos e Documentação), a DST (Direção de Vigilância do Território) e o DAG, um serviço que depende do Ministério do Interior e fui testemunha de operações de sequestro, tortura, corrupção, suborno e tráfico de drogas levadas a cabo por responsáveis desses serviços”, disse.


Fonte: Diáspora Saharaui

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Sahara 1976: a traição de Felipe Gonzalez




A 14 de Novembro de 1976, Felipe Gonzalez deslocou-se aos acampamentos de refugiados saharauis em Tindouf, prometendo-lhes que os apoiaria na sua luta. Poucos meses mais tarde a traição se consumou e de Felipe nunca mais se soube.

Entre os saharauis Felipe Gonzalez é conhecido como “LIPE”, porque dizem que há muito que perderam a “FE” no ex-presidente do governo espanhol e antigo líder do PSOE.

Desde há anos que as relações de Felipe González com a Casa real de Marrocos são excelentes, ao ponto de possuir uma mansão avaliada em mais de 2,5 milhões de euros em Tânger, num local de veraneio da família real marroquina e da família real saudita..

O que dizia Felipe Gonzalez aos saharauis em novembro de 1976:

"Sabemos que vuestra experiencia es la de haber recibido muchas promesas nunca cumplidas. Yo quiero, por consiguiente, no prometeros algo, sino comprometerme con la Historia. Nuestro partido [PSOE] estará con vosotros hasta la victoria final".




domingo, 20 de julho de 2014

O antigo primeiro-ministro japonês apela ao governo que apoie os esforços da ONU no Sahara Ocidental




O antigo primeiro-ministro do Japão, Yukio Hatoyama, apelou ao governo do seu país a apoiar "firmemente" os esforços da Organização das Nações Unidas no Sahara Ocidental, solicitando a "realização rápida" de um referendo de autodeterminação para o povo saharaui.

Hatoyama apela ao Japão que denuncie as violações dos direitos humanos cometidos por Marrocos nos territórios ocupados do Sahara Ocidental.

Exorta também o seu país (Japão) a contribuir "concretamente" na aplicação do direito à autodeterminação do povo saharaui. O antigo responsável japonês lamenta ainda o facto de o colonialismo existir ainda no Sahara Ocidental.

Yukio Hatoyama é um consagrado político japonês. Durante muito tempo foi dirigente do Partido Democrata do Japão (PDJ), tendo sido o 60.º primeiro-ministro do Japão, cargo que exerceu de 16 de setembro de 2009 a 8 de junho de 2010.


 (SPS)

sábado, 19 de julho de 2014

Marrocos arremete contra a Argélia: Rabat digere mal os seus fracassos

 
Reforço do muro em torno de Ceuta e Melilla: um "regalo" envenenado de Marrocos a Espanha...

Marrocos agita-se numa grave crise económica e diplomática. O majzén multiplica as mensagens à Espanha e a França. Uma vez alegando que está a construir um muro em torno de Ceuta e Melilla; outros na fronteira com a Argélia, para impedir a entrada de subsaharianos do país vizinho. As autoridades argelinas já tinham feito de tolo o majzén ao cavarem trincheiras ao longo das suas fronteiras com Marrocos para combater o tráfico de drogas e o contrabando. Segundo a ONU, Marrocos é o maior exportador de cannabis no mundo. Outras vezes, porém, Marrocos ameaça com uma guerra a Argélia e mesmo contra a Espanha.

Ante a cascada de fracassos diplomáticos, o governo de Rabat recorre ao bode expiatório habitual: a Argélia. O ministro dos Negócios Estrangeiros marroquino acaba de declarar abertamente: “O nosso conflito hoje é com a Argélia, não com a Polisario”. A razão é que Marrocos já não conta com aliados fiáveis e dispostos a apoiá-lo contra ventos e marés. Recorde-se que, durante a sua visita à Argélia, o ex-primeiro-ministro francês, Jean-Marc Ayrault, firmou um memorando onde se fazia uma clara referência ao “direito do povo saharaui à autodeterminação”. Um enorme revés para Marrocos. Desde então, o rei de Marrocos recorre como um peregrino a algumas capitais africanas num desesperado intento de alinhá-las à sua posição anexionista do Sahara Ocidental e sair do isolamento em que se submerge cada vez mais.

A participação, pela primeira vez, de uma representação militar argelina nas cerimónias do 14 de julho - data nacional da França - enfureceu as autoridades marroquinas...

O soberano alauita queria jogar no tabuleiros dos grandes, pretendendo ser um ator inalienável na gestão do conflito do Sahel. Mas logo depois da eleição presidencial argelina, o ministro argelino dos Negócios Estrangeiros, Ramtane Lamamra, entra em cena e faz um longo périplo africano. Os parceiros implicados no conflito do Sahel, chegaram à conclusão que, geograficamente, Marrocos não forma parte deste espaço. Rabat queria ser ator neste conflito, porque se o reconhecessem como tal, isso demonstraria que as instâncias internacionais lhe reconheciam a soberania sobre o Sahara Ocidental, que tem fronteiras com a região do Sahel.

Vendo que o vento já não sopra a seu favor, o Majzén trata de justificar os seus fracassos acusando Argel, cuja posição não se alterou desde o começo do conflito, há quase 40 anos: o direito à livre determinação de todos os povos colonizados.

Um ex-diplomata francês não duvidou em qualificar Marrocos como "a amante com quem dormimos todas as noite, de que já não estamos particularmente enamorados, mas que temos que defender". Esta comparação não motivou a reação de nenhum político marroquino. O golpe foi recebido em silêncio, e para salvar a cara, Marrocos acabou por protestar oficialmente. É evidente que os dirigentes de Marrocos não se atreveram a fazer ataques como aqueles que reservam ao seu vizinho oriental.


Cidadão saharaui Mohamed Taoumi ferido por disparos do exército marroquino encontrado dias depois

 
Foto de Brahim Bada Taher, assassinado no mesmo incidente que vitimou o jovem Mohammed Toumi

A família Toumi encontrou na manhã de sexta-feira, 18 de julho de 2014, o seu filho Mohammed Toumi na zona de Tislatyn, a 70 km ao sul da cidade de  El Aaiùn ocupada, passado quase uma semana depois do exército marroquino ter disparado contra ele balas reais na zona de Bagari, perto de Umm Draiga, incidente em que foi assassinado o cidadão saharaui Brahim Bada Taher.

Mohammed Toumi foi encontrado num estado de saúde muito grave tendo sido trasladado urgentemente para um hospital na cidade de El Aaiún ocupada. Dezenas de cidadãos saharauis dirigiram-se para o hospital, o que levou várias forças de repressão marroquinas a sitiar o local, evitando que a família visite a vítima e assim poder detê-lo.
Fontes do interior do hospital Hassan Ben Mahdi da capital ocupada do Sahara Ocidental confirmaram à Equipa Mediática a gravidade do estado de saúde da vítima em consequências dos disparos que recebeu a nível da perna e do ombro.

19 de julho de 2014


Equipo Mediático - Territórios Ocupados do Sahara Ocidental