sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Sahara Ocidental: Financial Times evoca "a batalha pelo petróleo na última colónia de África"



O diário britânico "Financial Times" publicou na edição de 17 de setembro um artigo intitulado "A batalha pelo petróleo na última colónia de África", no qual evoca a exploração ilegal dos recursos naturais do Sahara Ocidental por parte de Marrocos.

“Quando navio de perfuração "Atwood Achiever" começar ainda este ano a procurar petróleo nas costas do Sahara Ocidental, não irá apenas realizar testes geológicos mas também uma operação que irá aprofundar um conflito com mais 40 anos " afirma o Financial Times.

O autor do artigo, o jornalista Javier Blas, evoca os problemas que poderão surgir da perfuração planeada pelos grupos "Kosmos Energy", "Cairn Energy" e a companhia de petróleo marroquina ao largo do território do Sahara Ocidental.

Para o jornal, esta perfuração "vai testar a força do direito internacional", recordando, a este respeito, o parecer jurídico da Organização das Nações Unidas em 2002, que afirma que "a perfuração no território seria legal se beneficiasse as pessoas que ali vivem (...) e constituiria uma violação do direito internacional se for em violação dos interesses e aspirações do povo do Sahara Ocidental. "

O diário britânico lembra igualmente que todas as companhias petrolíferas internacionais que, no passado, tentaram fazer perfurações no território do Sahara Ocidental, como o grupo norte-americano "Kerr-McGee", retiraram-se na sequência das pressões dos militantes dos Direitos Humanos.

(SPS)

Todo o artigo em:

SAVE THE WESTERN SAHARA FROM OIL AND GAS EXPLORATION.
Kosmos Energy disagrees with UN legal office.

O mar de El Güera, a parte mais desconhecida da história do conflito saharaui




Quase sempre, cada vez que pensamos no povo saharaui, vêm-nos à memoria o deserto, seja a dureza da hamada argelina, onde se situam os acampamentos de refugiados há mais de 38 anos, ou a beleza das terras libertadas, onde os pastores nómadas, os filhos das nuvens, se deslocavam de forma incansável em busca da chuva e pastos verdes para alimentar as suas cabras e dromedários. Poucas vezes pensamos no mar e nesses 1200 km de costa que lhe pertencem por direito e que lhes foram brutalmente arrebatados em 1975.

E mesmo quando o fazemos, esquecemo-nos normalmente daquela que é a sua parte mais meridional. Apesar do que é costume dizer-se, a antiga colónia espanhola do Sahara Ocidental está atualmente dividida em três partes e não em duas: a Oeste, os territórios ocupados por Marrocos; a Este, os territórios libertados, controlados pela Frente Polisario, e a Sul, para lá do muro e das minas antipessoal, na metade atlântica da península do Cabo Branco, sob administração da Mauritânia, está El Güera.



A península do Cabo Branco é um pequeníssimo apêndice em comparação com o resto do corpo continental africano. Quase poderia passar despercebida não fosse o porto de Nouadhibou (Mauritânia) de onde são exportadas para a Europa todos os anos milhares e milhares de toneladas de minério de ferro e peixe, entre outros recursos naturais. O ferro provem das minas da desértica província mauritana de Zouerat, no nordeste do país. As minas estão diretamente ligadas ao porto pelo maior comboio do mundo, uma longa serpente de vagões de mercadoria com mais de 3km de comprido, puxada por três locomotivas. A via férre foi construída em 1963. O minério é descarregado diretamente do comboio para os cargueiros através de umas gigantescas cintas transportadoras pertencentes à SNIM, a Sociedade Nacional de Indústria e Mineria, que tem o monopólio da exportação de ferro na região.

O pescado provem das ricas águas dessa região do Atlântico, uma das principais fontes de abastecimento do mercado europeu. Nouadhibou, declarado porto franco, é um ponto chave para a economia mauritana e para o governo de Mohamed Ould Abdelaziz, que agora o quer converter em ponto obrigatório de passagem para controlar todas as exportações de pescado do país. É realmente um negócio rendoso que atrai cada vez mais capital estrangeiro, incluindo empresas espanholas, muitos delas canárias. Como resultado, e apesar das infraestruturas existentes serem maioritariamente industriais, começam a aflorar pouco a pouco também pequenos resorts turísticos, hotéis e restaurantes por toda a cidade e nas belas e tranquilas praias cercanas, em contraste com as ruas da cidade, pejadas de areia e sacos de plástico e lixo por todo o lado, onde os animais vagam entre os carros e o movimentado mercado tradicional.

Casa do gobernador espanhol de La Güera, 1935.




No entanto, do outro lado da península, a uns escassos 10 quilómetros a oeste, estende-se um território praticamente virgem, de praias mais selvagens e desertas, sem estradas nem construções, a não ser um ou outro pequeno abrigo de pescadores e onde se podem passar dias inteiros sem ver ninguém. É o mar Sahel, como lhe chamam os saharauis residentes em Nouadhibou, ou o El Güera, como o denominaram os espanhóis.

El Güera ou La Güera é, na verdade, um antigo assentamento colonial espanhol na margem do Atlântico que está há quase quatro décadas abandonado. Hoje em dia só restam os destroços do que foi outrora uma povoação costeira onde saharauis e espanhóis conviviam juntos em relativa harmonia, e que foi palco de uma carnificina quando Espanha cedeu ilegalmente a administração da sua colónia a Marrocos e à Mauritânia no segredo dos acordos Tripartidos de Madrid de 1975.

O exército mauritano esteve em guerra com o exército de libertação saharaui até 1979, período durante o qual bombardeou e saqueou a povoação de El Güera, forçando a população indígena a fugir. Ao contrário dos seus compatriotas do norte, muitas destas famílias saharauis não cruzaram o deserto até à Argélia, antes instalaram-se em Nouadhibou, passando a fazer parte da numerosa comunidade saharaui que já existia na cidade. Hoje em dia, podem ainda observar-se em Nouadhibou e nos seus arredores construções com telhados de uralita e outros materiais de origem espanhola que foram arrancados de El Güera.


Caminho de ferro Zouerate-Porto de Nouhadibou

 Apesar da Mauritânia ter firmado a paz com a Frente Polisario e ter reconhecido a autoproclamada República Árabe Saharaui Democrática em 1979, o pedaço de costa saharaui que tinha ficado sob a sua administração não passou, como seria de esperar, para mãos saharauis, mas ficou sob o controlo de Marrocos. Tudo menos as terras da península do Cabo Branco, que continuam a ser “administradas” pelo governo mauritano, até que se encontre uma solução para o conflito, o que impede que o povo saharaui possa beneficiar dos seus recursos. Viajando num todo-o-terreno desde Nouadhibou não se vislumbra porém qualquer tipo de fronteira visível e os pescadores mauritanos vão de forma regular fainar nas suas costas, largando as suas redes sem restrições aparentes.

A povoação fantasma de El Güera encontra-se atualmente sob controlo policial e é necessário uma autorização especial para a visitar. Além disso, a guarda costeira e a polícia mauritanas vigiam a zona para evitar possíveis casos de contrabando de droga e regular a passagem de estrangeiros, sobretudo na parte norte, onde ainda existe o perigo de minas nas proximidades do extremo meridional do muro de separação marroquino. A situação nesta “terra de ninguém” está longe de ser segura. E, ainda assim, é talvez o único lugar onde os saharauis podem aceder de forma livre à sua própria costa, e desfrutar da pesca ao robalo, e apanhar percebes gigantes e acampar com as suas “jaimas” (tendas tradicionais) à beira do mar.

Hoje, quase quatro décadas após a Espanha os ter abandonado à sua sorte, a maioria da população Saharaui ainda continua a sobreviver em campos de refugiados, desenvolvendo a arte da paciência até limites inimagináveis, sempre com a desoladora sensação de estarem de favor, mesmo quando visitam a sua terra natal. Até quando?

Fonte: GuinGuinBali // Por Violeta Ruano / @violetaruano

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Marrocos : a pedido do MNE marroquino, Laurent Fabius mete «cunha»…

 
Salaheddine Mezouar: "Laurent, metes uma 'cunha' para a minha filha...?"

Segundo certas informações que circulam, o ministro marroquino dos Negócios Estrangeiros terá pedido ao seu homólogo francês que interviesse a favor da sua filha para obter um posto de trabalho na empresa americana McKinsey.

Em carta enviada a 20 de novembro de 2013 (ver foto) , Fabius informa Mezouar que, na sequência da sua intervenção, o posto de trabalho na referida multinacional americana foi concedido à filha do ministro marroquino.




Esta é a mentalidade dos responsáveis em Marrocos. Não vacilam em baixar até aos abismos para conseguir os seus propósitos. De facto, é o que fazem em relação à questão do Sahara Ocidental. Para ganhar um apoio na sua colonização do território consentiram a subcontratação da tortura em Marrocos dos suspeitos de pertencer à Al-Qaida na guerra dos EUA contra o terrorismo.

Para se apropriar das riquezas do Sahara Ocidental, Marrocos aceita jogar o papel de “gendarme” da Europa contra a emigração dos africanos subsaharianos.

Pelo Sahara Ocidental, aceita mandar as suas tropas nas cruzadas africanas de França.


Fonte: Diaspora Saharaui

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Marrocos não foi convidado para a Conferência de Paris. Arábia Saudita e França estarão por detrás de tal decisão




A Conferência de Paris sobre a luta contra o terrorismo terminou ontem. Ela concluiu com a necessidade de apoiar o Iraque contra o «Estado Islâmico» por todos os meios militares e políticos. Marrocos, uma vez mais, não foi convidado para esta conferência, como já não o fora para a Conferência de Djeddah que teve lugar quinta-feira da semana anterior.

A conferência, que teve lugar em Paris esta segunda-feira, é o segundo encontro internacional consagrado à luta contra o movimento extremista Daesh, a primeira foi organizada em Djeddah, na semana passada, com a participação de vários países árabes, EUA e a Turquia, enquanto a conferência de Paris contou com a participação de outros países e organizações.

Na sequência da conferência, o Estados empenharam-se em participar em operações militares de combate ao Daesh no Iraque, com a possibilidade de serem estendidas à Síria, com vista à destruição desta organização e afastar o caos político do Médio Oriente.

A Conferência de Paris procurou sobretudo obter uma legitimidade política para se chegar a um consenso face ao Daesh. Ela reuniu, no campo ocidental, os EUA, a Espanha, a França, Itália e Holanda, enquanto do lado Árabe, participaram países moderados, como os do Golfo, o Egipto, a Jordânia. A grande surpresa foi o facto de Marrocos ter sido soberbamente ignorado.

Mohamed VI: o Convite não chegou...!

No entanto, Marrocos é conhecido como um país tanto próximo do campo ocidental como se situar entre os Estados árabes moderados. Costuma estar presente em todas as iniciativas do CCG (Conselho de Cooperação do Golfo), bem como as promovidas pela França. Marrocos considera-se um “player” importante da comunidade internacional em matéria de luta contra o terrorismo. Não só não hesita em participar em todas as iniciativas, como está sempre a oferecer os seus serviços. Então, por que foi marginalizado desta vez quando o seu desejo era participar?

Alifpost obteve uma explicação de uma fonte que conhece a natureza das relações entre o Golfo e Marrocos. Esta marginalização terá sido uma decisão do GCC, a mando da Arábia Saudita, em resposta à falta de entusiasmo demonstrado por Marrocos, quando foi convidado em 2011 para integrar o Conselho de Cooperação do Golfo.

Do mesmo modo, depois da crise que eclodiu entre Rabat e Paris nos últimos meses, a França já não está muito motivada quanto à participação de Marrocos em iniciativas internacionais e regionais, enquanto antes procurava a todo o custo o seu envolvimento.

Marrocos não forneceu qualquer explicação para esta marginalização voluntária, exceto a curta declaração do ministro dos negócios Estrangeiros, Salaheddine Mezouar, que simplesmente afirmou, com um ar de clara deceção, que Marrocos não fora convidado.


Fonte : Alifpost- 16 set 2014

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Juventude Conservadora da Noruega exorta o governo a empenhar-se na proteção dos direitos humanos no Sahara Ocidental




Oslo, 16 set 2014 (SPS) -  A Liga da Juventude do Partido Conservador da Noruega apelou ao governo do seu país a agir em favor da proteção dos direitos humanos nos territórios ocupados do Sahara Ocidental, numa moção adotada ontem por unanimidade pelo Conselho Nacional da juventude norueguesa ​​.

A moção pede ao governo da Noruega para adotar uma posição "clara franca".

"A Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental (MINURSO) fecha ainda os olhos às graves violações dos direitos humanos que ocorrem no território ocupado por Marrocos desde 1975", acrescenta a moção, afirmando que a falta de uma componente de direitos humanos no seio da MINURSO constitui "um erro fatal que deve ser corrigido sem demora".


Nota: O Partido Conservador é o segundo maior partido da Noruega, com 48 dos 169 lugares do Parlamento norueguês. A líder do Partido Conservador – Erna Solberg – é a atual primeira-ministra e líder da coligação governamental.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

A Escócia prepara-se para decidir o seu futuro, enquanto outras nações lutam por conseguir que as suas vozes sejam escutadas




A Escócia decide quinta-feira, dia 18 de setembro, se quer, ou não, ser independente. O referendo levou alguns anos a organizar, mas os saharauis esperam há mais de 23 anos que a ONU cumpra aquilo que decidiu em 1991, tendo para esse efeito criado a MINURSO (Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental).

Enquanto a Escócia se prepara para a grande batalha pela consulta da sua independência de Inglaterra, muitos outros países continuam a lutar pela reivindicação da sua independência ou pela sua sobrevivência cultural. O jornalista Andrew Jehring falou com peritos e líderes da Catalunha, Sahara Ocidental, Quebec, Curdistão iraquiano e Porto Rico para averiguar o que se passa com as suas lutas por esta  reivindicação.

Sob o título “Muitos países lutam por uma oportunidade para reivindicar a sua declaração de independência no momento em que a Escócia decide o seu futuro”, publicado pelo sítio web Courius Animal, o jornalista Andrew Jehring escreve que entre os territórios que reivindicam que lhe seja reconhecido o seu direito à independência está o Sahara Ocidental.

O jornalista entrevistou o representante da Frente Polisario no Reino Unido, Limam Mohamed  Ali, que o pôs a par do atual momento do conflito e destacou que no Sahara Ocidental a luta e as reivindicações “são pela liberdade e a independência e que o território continua a ser o último caso de descolonização em África”.

O representante saharaui defende que todos os esforços pela organização de um referendo colapsaram e foram frustradas. Nesse sentido, aponta que a “intransigência do regime marroquino e o apoio incondicional que recebeu de vários países ocidentais, sobretudo da França,” travam qualquer esforço de paz no território.

“Ainda que a ONU tenha negociado um cessar-fogo em 1991 que se mantem até hoje, não houve nenhum progresso para além desse. “O referendo na Escócia levou alguns anos a organizar”, afirma o diplomata saharaui citado pelo sítio web britânico, “mas no Sahara Ocidental os saharauis esperam há mais de 23 anos que a MINURSO (Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental) possa cumprir a sua tarefa de organização da consulta.


SPS