terça-feira, 4 de setembro de 2018

As instituições marroquinas não têm o direito de se expressar no lugar do povo do Sahara Ocidental





Comunicado da Frente POLISARIO

Missão do Parlamento Europeu: as instituições marroquinas não têm o direito de se expressar no lugar do povo do Sahara Ocidental

No dia 3 de setembro, e durante dois dias, uma missão do Parlamento Europeu visitará o território ocupado do Sahara Ocidental para obter uma melhor compreensão da situação. A Frente POLISARIO saúda esse esforço, que mostra o desejo de reunir o máximo de informações possível antes de tomar decisões. No entanto, o Polisario pretende solenemente lembrar três pontos essenciais.

O Reino de Marrocos, que é uma potência de ocupação militar na aceção da Quarta Convenção de Genebra, não tem capacidade para exercer qualquer ato de soberania sobre o território. As autorizações que acredita poder dar, especialmente no acesso ao território, são inúteis ao abrigo do direito internacional e do direito europeu. Da mesma forma, os interlocutores sob a lei marroquina que participem como iterlocutores da missão não podem, em nenhum caso, dar a menor opinião em nome do povo do Sahara Ocidental.

Em segundo lugar, a Comissão Europeia está a trabalhar na ilusão de "consultar as pessoas" em busca de "benefícios" relacionados com a aplicação do acordo, quando a única questão que se coloca é o "consentimento do povo do Sahara Ocidental", que é soberano, como disse o TJUE no parágrafo 106 dd sentença de 21 de dezembro de 2016.

Finalmente, há toda a parte libertada da ocupação marroquina, onde vive a grande maioria dos saharauís que vêm do território do Sahara Ocidental. Portanto, a missão do Parlamento Europeu só pode ter uma visão justa se for também à parte libertada do território, onde mais de 170.000 pessoas que vivem nos campos de refugiados sofrem também devido ao apoio da UE à ocupação militar do território. A Frente POLISARIO renova este convite, o Parlamento não pode ficar com informações parciais.

Representação da Frente POLISARIO para a Europa.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Agosto saharaui: a lição do Papa Francisco





Fonte: Contramutis / Por Alfonso Lafarga

Mais de quatro mil crianças saharauis passaram dois meses de férias em Espanha e, mais uma vez, voltaram aos campos de refugiados sem serem recebidas pelas altas instituições do Estado.

Muito embora tenham recebido a atenção de muitas autarquias locais e parlamentos regionais, como acontece todos os anos desde que o programa Férias em Paz se realiza e pelo qual as crianças saharauis abandonam as altas temperaturas do deserto argelino e passam as férias com famílias espanholas, tempo em que fazem exames médicos e aprendem espanhol.

Surpresa tiveram as crianças saharauis que passaram as férias na Itália: foram recebidas pelo Papa Francisco e pelo Presidente do Parlamento italiano, Roberto Fico.

No dia 8 de agosto, na cidade do Vaticano, o Papa Francisco recebeu duas dezenas de crianças saharauis vestidas com roupas tradicionais, a quem saudou como "embaixadores saharauis da paz", crianças que lhe responderam que pertenciam a "uma sociedade islâmica moderada que quer paz, liberdade, justiça e a melhor coexistência entre as religiões e culturas do mundo ".

Antes, a 25 de julho, Roberto Fico recebeu na sede do Parlamento italiano os pequenos saharauis, a quem ofereceu presentes que lhes entregou pessoalmente, com sinais de afeição.

De acordo com a resenha de imprensa da SPS, o presidente do Parlamento italiano reafirmou que, como presidente da mais alta instituição do seu país, continuará a defender e apoiar os direitos e a causa justa do povo saharaui até à sua autodeterminação.

Os gestos com as crianças saharauis em Espanha, o país que abandonou o povo saharaui há mais de 42 anos e que entregou as suas terras a Marrocos, mantiveram-se no âmbito local e regional, apesar do movimento de solidariedade com o Sahara solicitar a instâncias superiores atenção para com as crianças.

Em Madrid, as associações pró-Sahara solicitaram repetidas vezes ao Palácio da Zarzuela um encontro das crianças saharauis com a rainha Letizia, dado o seu interesse pela infância, um pedido que também foi feito nos anos em que era princesa, mas sem resultado.

Enquanto as atenções às crianças saharauis permanecerem ao nível de presidentes de câmara e presidentes de instituições autónomas, não haverá perigo de manchetes de imprensa como a de Jesús Cabaleiro Larrán em Jornalistas em espanhol: "Papa Francisco recebe crianças saharauis e irrita Marrocos" . Primeiro que tudo, há que não irritar Marrocos.

As crianças saharauis regressaram aos acampamentos de adobe e e às suas jaimas (tendas) em Tindouf, enquanto nas suas terras, nos territórios do Sahara Ocidental ocupados por Marrocos, os direitos humanos continuam a ser violados, tal como nas cidades do sul marroquino em que vive população saharaui e nas prisões com presos políticos saharauis.

Ver relatório



domingo, 26 de agosto de 2018

Marrocos decreta 'serviço militar obrigatório” para colocar em sentido uma juventude rebelde





A lei que restabelecerá o serviço militar foi imposta sem debate pelo monarca Alaouita. As mulheres também devem, pela primeira vez, se juntar às fileiras


EL CONFIDENCIAL - Autor: Ignacio Cembrero – 26/08/2018 (encurtador.com.br/ioAL8)


"O regresso do serviço militar ou como resolver os problemas dos jovens marroquinos em 2018 com uma ideia do século XIX", escreve no Twitter @Atourabi. "Um problema real: um jovem rebelde. Uma solução estúpida: serviço militar ", diz @fadelabdellaoui na mesma rede social. "Se educa através da educação e não através do serviço militar", salienta @ ucef79. "O serviço militar em Marrocos visa apenas impedir a islamização da juventude. Vão ensiná-los a gritar viva o rei , viva a nação (...) ", acrescenta @ mehdimed391.

O rei Mohamed VI interrompeu as suas férias para presidir em Rabat, no início desta semana, a um Conselho de Ministros que aprovou, sem debate, um projeto de lei que restaura o serviço militar obrigatório de 12 meses para homens, suprimido pelo próprio monarca há 12 anos, e que o estabelece o mesmo para mulheres entre os 19 e os 25 anos. Alguns países árabes, como o Qatar ou os Emirados Árabes Unidos, incentivam as mulheres a fazerem a 'mili', mas sempre de forma voluntária. A natureza obrigatória imposta pelo Marrocos é excepcional no mundo islâmico.


Ao contrário do que se poderia supor, a iniciativa do monarca não pretende fortalecer as capacidades defensivas do Marrocos contra a Argélia, seu adversário histórico. "A restauração do serviço militar obrigatório visa fortalecer o sentido de cidadania dos jovens", diz o comunicado lido por Abdelhak Lamrini, porta-voz da Casa Real. "Isso abre-lhes também abre o caminho da integração na vida profissional e social", especialmente "nas diferentes forças militares e de segurança", acrescentou o porta-voz.

Se os partidos políticos que fazem parte da coligação governamental acataram a proposta do soberano sem qualquer discussão, como é obrigatório, e o Parlamento a ratificará sem debate, já as redes sociais têm sido foco de uma semana em que as críticas são abundantes e onde também proliferam piadas de jovens marroquinos.

"O serviço militar será o único serviço em Marrocos ao qual os pobres terão acesso q 100%. Não é como a saúde ou a educação ", ironiza no Twitter @ ucef79. "O serviço militar é obrigatório para aqueles de têm entre 19 e 25 anos e você pode vir de novo a ser chamado novamente até aos 40 anos de idade. Eu vou estudar 5 doutoramentos ", anuncia @appophis porque o texto fornece dispensas para estudantes, aqueles que apóiam a família ou por inaptidão física. "Nós realmente temos muita sorte em ser franceses", enfatiza @theovnzz, que toma como certo que os jovens de Marrocos que adquiriram a nacionalidade do país europeu em que residem não serão convocados, embora, aos olhos de Rabat, um marroquino nunca o deixe de o ser. O projeto de lei recentemente aprovado não menciona o caso dos jovens migrantes.



Muitos dos críticos juntaram-se ao "Reagrupamento marroquino -se contra o serviço militar obrigatório", um grupo do Facebook criado por Abdellah Nizar e que em poucas horas tinha já mais de 10 mil membros. A iniciativa real visa, como disse o seu fundador à EFE, "submeter" uma geração de jovens que rejeita a atual situação social, política e económica do país e que, há oito anos, encabeçou múltiplos protestos. É também revelador de uma "falta de democracia" porque não foi incluída nos programas eleitorais dos partidos ou na declaração do governo aprovada pelo Parlamento. Embora Nizar não o diga, é claro que ela é uma imposição do soberano.

"A primeira motivação é muito política: não deixar os jovens ao seu livre arbítrio", explica Maati Monjib, historiador marroquino, ao telefone. "Acima de tudo, porque esses jovens demonstraram a sua capacidade de mobilização contra o regime", acrescenta o académico, não sem antes enumerar as revoltas do Rif, a contestação na área de mineração de Jerada, de Zagora, no sudeste, e o protesto contra o alto custo de vida através do boicote a três grandes marcas alimentares. Trata-se de lhes "inculcar os valores da disciplina e do nacionalismo monárquico". "A segundo é de natureza social: baixar o desemprego", sublinha, num país onde todos os anos cerca de 370 mil jovens aspiram a ingressar no mercado de trabalho.

Até mesmo Karim Boukhari, um dos colunistas do jornal digital "Le 360", talvez o mais oficial de todos os órgãos de informação escrita, descreveu abertamente o humor de famílias com filhos adolescentes ou que acabaram de chegar à maioridade. "Mais do que o debate sobre os seus méritos, o anúncio surpresa [sobre a 'mili'], assim, sem aviso prévio, tem algo de desestabilizador, até mesmo de traumático, para muitas famílias marroquinas", reconhecia Boukhari.

Embora talvez menos ativos, o projeto de lei também conta com apoiantes. "A nossa juventude carece de referências e, sem dúvida, precisa delas. O serviço militar ou civil pode proporcioná-las", vaticina na versão maghrebina do" Huffington Post ", Mehdi Bensaid, um dos líderes do Partido da Autenticidade e Modernidade. A formação foi criada em 2007 por, entre outros, um amigo do rei Mohamed VI para contrabalançar o islamismo político em ascensão. "O serviço militar pode compensar a debilidade do sistema educacional", diz Mohamed Benhammou, presidente do Centro Marroquino de Estudos Estratégicos.

A viabilidade do projeto levanta algumas dúvidas. Estabelecida pelo rei Hassan II após a revolta de jovens esquerdistas em Casablanca em 1965, cuja repressão causou mais de mil mortes, segundo a organização estudantil, a “mili” marroquina sempre operou a meio gás. Por razões orçamentais, foram muitos menos os jovens mobilizados, geralmente oriundos de famílias humildes, do que aqueles que tinham a idade regulamentar. Jovens islâmicos e esquerdistas eram geralmente excluídos, para que a treinamento militar adquirido não lhes servisse para fins não relacionados com a defesa da nação.

Agora provavelmente sucederá o mesmo. As Forças Armadas Reais contam com 198.000 homens - as de Espanha têm 132.000 - e um orçamento anual de 2.934 milhões de euros, ou seja 3,2% do Produto Interno Bruto. Se realmente se pretende incorporar toda a quota abrangida pelo serviço militar e, além disso, como o estipula o artigo 10 do projeto, se lhe quer oferecer um soldo mensal – na ordem de de cerca de 180 euros – seguros médico, de vida e de invalidez, então os os gastos com a defesa disparariam.

O economista marroquino Zouhair Ait Benhamou, residente em Paris, calcula no jornal digital 'Le Desk' de Casablanca que para pôr em marcha uma 'mili' em condições, o orçamento militar deveria ultrapassar 6% do PIB para chegar a 6,6 mil milhões de euros. "Onde se poderia conseguir esse dinheiro que não fosse cortando em outros setores do Estado?", pergunta antes de concluir: "reintroduzir o serviço militar não é uma boa ideia (...)". "Seria mais apropriado fortalecer a educação cívica em escolas, faculdades e universidades, em vez de pedir a um sargento que exalte as virtudes do sacrifício pela nação a recrutas pouco motivados", conclui.



domingo, 19 de agosto de 2018

Atletas portugueses participam na maratona comemorativa da ocupação marroquina de Dakhla



Forças de ocupação da Polícia de choque marroquina nas ruas de Dakhla


É uma vergonha, mas é verdade. Vários portugueses, entre eles vários atletas, estiveram envolvidos, como organizadores ou participantes, na maratona que teve lugar na cidade de Dakhla (antiga Vila Cisneros), no extremo sul do Sahara Ocidental ocupado, no passado domingo dia 12 de Agosto.

O seu nome consta da lista de participantes estrangeiros da prova (ver em Anexo).

São eles: Mário Machado, diretor da revista Spiridon e organizador de eventos de corrida, os atletas, Luis Feiteira (Sporting), Marisa Barros (Salgueiros), Justyna Wojcik e Hugo Santos (A.C.D. São João da Serra), Cristina Valente (Recreativo de Águeda) e Manuel Machado – treinador.



Não sabemos os motivos que os terão levado a participar nesta encenação que mais não visa do que granjear apoios à ocupação de um território que a comunidade internacional reconhece como ilegítima e cujo processo de descolonização está nas mãos das Nações Unidas. Dinheiro por terem participado na encenação? Ou apenas falta de informação e irresponsabilidade?



Recorde-se que a cidade piscatória de Daklha, foi ocupada pela Mauritânia quando este país dividiu com Marrocos aquela que fora a antiga colónia do Sahara Ocidental. Derrotada na guerra com a Frente Polisario, a Mauritânia estabeleceu a paz com o movimento de libertação saharaui e retirou-se do sul do território que havia ocupado. Marrocos ocupa Dakhla a 14 de Agosto de 1979.

sábado, 18 de agosto de 2018

Territórios Ocupados: Forças repressivas marroquinas atacam, intimidam, ameaçam e prendem ativistas saharauis


El Aaiún (capital ocupada da República Saharaui), 17 de agosto de 2018 (SPS) - A delegação de ativistas saharauis das zonas ocupadas do Sahara Ocidental que participaram na nona edição da Universidade de Verão da Frente Polisario e dos quadros da República Democrática Árabe Saharaui (RASD), foi atacada pelas autoridades de ocupação marroquinas à sua chegada ao aeroporto de El Aaiún ocupada.
Khalihenna Fakala
À chegada ao aeroporto, os ativistas saharauis foram isolados de outros viajantes, sem qualquer justificação, levados à força para as câmaras fechadas onde foram registados.
As forças de ocupação marroquinas atacaram fisicamente e verbalmente, intimidaram e ameaçaram a delegação dos 15 ativistas saharauis.
Recorde-se que o trabalho da nona edição dos quadros da Universidade de Verão da Polisario e da RASD concluiu esta quarta-feira na cidade argelina de Bumerdás.
Segundo noticia o El Confidencial Saharaui, Khalihenna Fakala, ativista saharaui que havia participado na reunião na Argélia foi preso pela polícia marroquina última quinta-feira no aeroporto de Laayoune, tendo, depois de passar 72 horas na delegacia, sido transferido para a prisão negra de El Ayoun.