quarta-feira, 13 de abril de 2022

Organizações japonesas querem a RASD representada na TICAD8


Os Amigos do Sahara Ocidental no Japão (Friends of Western Sahara Japan) e a Africa Japan From (AJF) divulgaram conjuntamente uma declaração sobre TICAD8. As duas organizações apelam ao governo japonês a convidar a República Árabe Saharaui Democrática a participar no TICAD8, que está agendado para Agosto de 2022 na Tunísia.

O TICAD significa Conferência Internacional de Tóquio sobre Desenvolvimento Africano. O Governo do Japão tem liderado esta conferência desde 1993, co-organizada pelas Nações Unidas, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Banco Mundial e Comissão da União Africana (CUA).

O TICAD8 terá lugar em África pela segunda vez após o Quénia ter acolhido um em 2016. À luz dos resultados da TICAD7 realizada em Yokohama em Agosto de 2019, o Japão continuará a apoiar fortemente o desenvolvimento em África.

O governo japonês deveria convidar os delegados da RASD para a TICAD8 tal como a União Europeia os convidou para a Cimeira UE-UA que se realizou em Bruxelas nos dias 17 e 18 de fevereiro deste ano. A UE não reconhece a RASD, mas respeita a decisão da UA de incluir todos os seus 55 estados membros na reunião. Se o governo japonês vê a UA como seu parceiro importante na TICAD, deve respeitar o princípio da UA – afirmam as duas organizações


terça-feira, 12 de abril de 2022

O Sahara Ocidental, a guerra e o direito internacional


O Governo do PSOE liderado por Pedro Sanchez está sózinho nesta pirueta diplomática de cedência a Marrocos


Por Jesús Cabaleiro Larrán – Periodistas en español - 11/04/2022 - O Ministério dos Negócios Estrangeiros espanhol respondeu à recente decisão da Frente Polisario de romper todos os contactos com o governo, assegurando que "manterá sempre abertas todas as vias de diálogo".

A Frente Polisario, representante do povo saharaui, anunciou a ruptura dos contactos com o actual governo espanhol na sequência da decisão de Pedro Sánchez de apoiar a autonomia marroquina para o Sahara Ocidental, em contravenção das suas responsabilidades enquanto potência colonizadora, assim como as várias resoluções da ONU, os recentes acórdãos do Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) e a presença da República Árabe Saharaui Democrática (RASD) na União Africana.

O comunicado acrescenta que a Espanha "considera que o diálogo é a melhor forma de abordar as diferenças e manterá sempre abertas todas as vias de diálogo".

Por seu lado, a Frente Polisario, para além de ter interrompido os seus contactos com o governo, saudou o apoio esmagador e a solidariedade do "povo espanhol, das suas forças políticas e sindicais e da sociedade civil, que insistiu na responsabilidade jurídica, política e moral do Estado espanhol para com o povo saharaui, à qual não pode escapar unilateralmente".

Mapa do Sahara segundo o sítio do Ministério
de Assuntos Exteriores de Espanha


Recorde-se que a iniciativa de autonomia marroquina data de 2007, sendo a proposta de uma das partes num conflito territorial que se encontra perante o comité de descolonização da ONU desde 1963.

Um referendo sobre a autodeterminação foi previamente negociado por acordo entre as duas partes, uma solução que Marrocos rejeitou quando se apercebeu que a ia perder, apesar de o Plano Baker II permitir uma autonomia inicial de cinco anos e depois o referendo, no qual os colonos marroquinos podiam votar.

Mas o Makhzen não quer votos livres e por isso nem sequer permite esta proposta porque, como admite, não confia nos seus próprios colonos que foram trazidos para o Sahara durante os últimos quarenta anos. E há aqueles que podem escolher livremente ser cidadãos e não súbditos de um rei autocrático.

Por esta razão, Marrocos, em 2007, optou por uma opção fechada, autonomia ou autonomia, uma opção "pegar ou largar", e quis aproveitar o apoio de certas nações à sua proposta de pressionar a ONU para esta solução imposta, fazendo ver aos saharauis a "inevitabilidade" da sua situação após quatro décadas e as graves condições de "sofrimento" na ‘hamada’ argelina dos quase duzentos mil refugiados saharauis.

Na Segunda República Espanhola, devemos recordar o que os trabalhadores ao dia (os jornaleiros) diziam aos caciques que queriam o seu voto: "Na minha fome mando eu". Quem quer viver como súbdito quando se pode viver num país livre?

Marrocos pretende acrescentar este apoio à sua iniciativa de autonomia, mas é preciso lembrar que a Espanha não está à mesa das negociações do conflito. O apoio espanhol não altera as resoluções da ONU, nem a situação jurídica do território, por muitos mapas que os Negócios Estrangeiros alterem e que reflitam uma realidade óbvia, um Sahara dividido, como tem sido desde 1975.

Em qualquer caso, a recente decisão de Espanha de apoiar a autonomia fechada de Marrocos significa que este país não pode mediar o conflito, pois está alinhado com uma das partes e não com o direito internacional, mesmo que o Ministro dos Negócios Estrangeiros Albares se reúna e empreste um avião ao enviado especial da ONU, Staffan de Mistura, para a sua primeira visita à região, cujo primeiro relatório será tornado público a 20 de Abril de 2022.

 

A guerra continua

Enquanto a guerra continua no Sahara, o facto é que escaramuças, bombardeamentos, trocas de fogo e confrontos com mortos e feridos são uma realidade, mesmo que não recebam tanta cobertura mediática internacional como na Ucrânia. A própria MINURSO (Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental) e Marrocos reconheceram os confrontos, mesmo que os minimizem.

Os combates, que se prolongam há mais de quinhentos dias, continuam ao longo dos mais de 2.700 quilómetros do muro construído por Marrocos e, para além das perdas militares, civis inocentes estão também a sofrer.

O último ataque recente de aviões marroquinos destruiu alvos civis, uma estação de serviço em Ain Ben Tili para viajantes e comerciantes entre a Mauritânia e o Sahara, matando dois civis.

A Mauritânia já sofreu as consequências da guerra, tal como a Argélia, quando três civis argelinos perderam a vida a 1 de novembro de 2021.

Finalmente, vale a pena mencionar que a repressão nos territórios saharauis controlados por Marrocos continua em todos os aspectos e, claro, sem testemunhas, como a recente expulsão de jornalistas espanhóis que pretendiam aceder ao território.

segunda-feira, 11 de abril de 2022

503 dias de Guerra no Sahara Ocidental



Ao fim 503 dias de reatamento da guerra de libertação, os combatentes saharauis prosseguem diariamente os ataques contra o muro de ocupação marroquino que se estende ao longo de mais de 2.700 quilómetros. 

Na última semana, o Ministério da Defesa da República Saharaui registou operações de vulto nas regiões de Mahbes (04) e Farsia (02), ambas no noroeste do território; Houza (03) e Smara (01), no norte do Sahara Ocidental e em Oum Draiga (02), no centro do país.

Entre estas, destaque para os bombardeamentos do quartel-general na área de Janguet Huria, em Smara; do bombardeio, pela terceira vez, do quartel-general  de Legsaibiyin, na região de Hauza e do Quartel-General das Forças de Intervenção Especial do 47.º Batalhão, na região de Oum Draga.

Embora com algum atraso, no que respeita à guerra no Sahara Ocidental, importa acompanhar a informação disponibilizada pelo Western Sahara War Archives, elaborado pela Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto (Portugal).



A Polisario pede ao Governo que esclareça se o Sahara está incluído na integridade territorial de Marrocos

 

Madrid - 11-04-2022 - O delegado da Frente Polisario em Espanha alertou hoje numa conferência de imprensa em Madrid que, caso Espanha considera que o Sahara está incluído na integridade territorial de Marrocos, isso “é muito grave” e é contrário ao direito internacional Arabi, representante da Polisario para Espanha considerou que este posicionamento está “longe de ajudar”, e siginifica “quatro passos atrás” na solução. 

Assim, o delegado da Frente Polisario solicitou ao governo espanhol que esclareça se quando menciona a “integridade territorial” na carta a Mohamed VI, inclui o Sahara Ocidental em relação a Marrocos. Este novo rumo e permissas do presidente Sanchéz durante a visita a Rabat a passada semana incluem conceitos perigosos segundo Arabi. A posição de Sánchez “complica seriamente o trabalho do enviado especial da ONU, Staffan de Mistura”, afirma Arabi, que lamentou a decisão da Espanha de “apoiar Marrocos” contra os interesses saharauis.

Segundo Arabi, Espanha ao aliar-se a Marrocos, colocou fim a um consenso que já durava há 46 anos, colocando-se fora da legalidade internacional e excluindo-se do papel de mediador do conflito.

Fonte: Por un Sahara Libre

domingo, 10 de abril de 2022

Frente POLISARIO suspende relações com o atual governo espanhol




Secretaria Geral:

Bir Lehlu, 10 de abril de 2022


1. Como resultado da declaração do governo Pedro Sánchez de apoio ao plano marroquino, que visa legitimar a anexação pela força dos territórios do Sahara Ocidental e, consequentemente, confiscar os direitos inalienáveis ​​do povo saharaui à autodeterminação e independência.


2. Tendo em vista os passos concretos que foram dados nesse sentido pelo governo de Pedro Sánchez.


3. Com base nas responsabilidades que incumbem ao Estado espanhol perante o povo saharaui, bem como perante as próprias Nações Unidas e, enquanto potência administradora do território, são irrevogáveis ​​estes compromissos.


4.- A Frente Polisario decide suspender os contactos com o actual governo de Espanha, até que se abstenha de instrumentalizar a causa saharauis com vergonhosas contrapartidas e indemnização nas suas vendas e transacções com o ocupante marroquino e para aderir aos preceitos da legalidade internacional , que consagra tanto o direito inalienável do povo saharaui à autodeterminação, como o respeito pelas fronteiras internacionalmente reconhecidas do seu território.


5.- A Frente Polisario, no entanto, quer agradecer os seus mais sinceros agradecimentos, tanto às forças democráticas do Congresso dos Deputados espanhol, como ao amplo e transversal movimento de solidariedade com a nossa causa legítima, por instar tão enfaticamente o governo central, na necessidade de regressar ao caminho da legalidade internacional no Sahara Ocidental e exigir o respeito pelo direito à autodeterminação do povo saharaui

MARROCOS: UM REGIME VIOLADOR DOS DIREITOS HUMANOS



 

A Amnistia Internacional (AI) acaba de publicar o seu Relatório anual 2021-2022.

Entretanto, um ex-preso lançou no início do ano, em França, um livro esclarecedor: “No coração de uma prisão marroquina”. Quem se submeteria voluntariamente a um regime destes!?

 

A experiência de um preso político

O jornalista Hicham Mansouri, co-fundador da Associação Marroquina do Jornalismo de Investigação (AMJI), nomeado no Relatório da AI no capítulo do “direito à privacidade” pelo facto de ter sido uma das pessoas cujo telemóvel foi infectado pelo programa de espionagem Pegasus, vendido a instituições públicas de segurança de vários Estados pela empresa israelita NSO, conta assim como foi a sua detenção:

“No dia 17 de Março de 2015 uma amiga chega a minha casa por volta das 21h45. Passados alguns minutos, pancadas na porta. Não estando à espera de visitas imprevistas, ligo ao meu irmão Khalid para lhe perguntar se é ele, talvez se tivesse esquecido das chaves. Diz-me que não, que está justamente a caminho de casa.

A ou as pessoas que estão atrás da porta não respondem aos meus “Quem é?”, e as pancadas são cada vez mais insistentes e violentas. Telefono ao meu colega Samad Aït Aicha. O nosso escritório fica apenas a cinco minutos a pé e ele diz que chegará rápido. De repente, dez homens com uma figura imponente forçam a porta do meu apartamento, atiram-se sobre mim, agridem-me violentamente e começam a despir-me. Eu grito a pensar que vou ser morto ou violado. É nesse momento que um deles grita: “Polícia! Polícia!”. Estão todos à civil. Querem também despir a minha amiga, mas ela resiste e a seguir grita o mais forte que consegue que lhe tiraram o vestido. O chefe diz então aos outros polícias que basta. Obrigam-nos a deitar na cama e tiram-nos fotografias.

“Os polícias fizeram uma rusga aos meus livros, documentos e roupas. Mais tarde descobrirei que faltam dois livros e cerca de 6.000 dirhams. (. . . ).

“Levam-nos a seguir, de carro, ao comissariado da polícia de Rabat. Vou algemado e só com uma pequena toalha a cobrir-me. Uma vez no posto, os polícias encarregados do interrogatório obrigam-me a ser fotografado nu. Fotografam mesmo o meu sexo. Impedem-me de contactar os meus advogados, Abdelaziz Nouaydi e Naima El Gallaf. Alertada pelo meu irmão Khalid e pelo meu amigo Samad Aït Aicha, a Dra. El Gallaf dirige-se à esquadra de Rabat, mas os polícias dizem-lhe que não prenderam ninguém com o meu nome. Ela contou isso ao juiz durante o meu processo. “É a primeira vez que nos trazem para aqui alguém quase nu”, diz-lhe discretamente um polícia mais tarde. (. . . ).

“A acusação de que sou alvo é: “manutenção de um local de prostituição e cumplicidade em adultério”! Um comunicado da prefeitura da polícia de Rabat, divulgado pela MAP, a agência de informação oficial, precisa que a minha prisão ocorreu ‘devido a instruções escritas do julgado competente, que pediu uma investigação sobre a utilização de um apartamento para fins de prostituição com a apresentação de todas as pessoas implicadas nesses actos criminosos.”

“A quase totalidade do meu interrogatório, que dura dois dias, é sobre as minhas atividades, as minhas relações profissionais e as minhas opiniões políticas. O interrogatório é conduzido por, pelo menos, quatro ou cinco equipas em diferentes salas do comissariado de Rabat. (. . . ).

“Fico fechado durante dois dias num quarto obscuro situado no sub-solo, com numerosas pessoas embriagadas e agressivas. Não me dão nenhuma refeição nem nenhuma cama, e faz muito frio nesse mês de Março. De qualquer modo, não tenho apetite. No primeiro dia, recusaram as roupas e a alimentação trazidas pela minha família. A única sandes que foi autorizada a entrar no segundo dia dei-a aos meus co-detidos, que me reclamaram que a partilhasse com eles.”

Durante o julgamento foram evidenciadas diversas contradições. O juiz dispensava rapidamente as testemunhas que não corroboravam ou mesmo contradiziam os factos apresentados pela acusação.

“Apesar de todas estas contradições e de outras reveladas pelo relatório de observação do processo realizado pelos Advogados Sem Fronteiras (ASF), apesar do apoio do conjunto de ONG de defesa dos direitos humanos e da liberdade de imprensa, fui declarado, no dia 30 de Março de 2015, culpado de cumplicidade em adultério pelo tribunal de primeira instância de Rabat no seguimento de um processo iníquo. Fui condenado a dez meses de prisão e a uma multa de 20.000 dirhams marroquinos (cerca de

2.000 euros). A sentença foi confirmada depois pelo recurso, a 27 de Maio de 2015. Após um relatório publicado pelos Advogados Sem Fronteiras sobre o meu caso no dia 15 de Janeiro de 2016, Nisma Bounakhla, a representante desta ONG em Marrocos, foi expulsa a 20 de Fevereiro de 2016.”



Durante dez meses Hicham Mansouri viveu na prisão de Salé (nos arredores de Rabat) e continuou o seu trabalho profissional: dedicou-se, por um lado, a observar o funcionamento geral do estabelecimento e, por outro, a recolher testemunhos e factos sobre uma questão mais precisa: os tráficos que por ali passam, desde canábis, a telefones portáteis. Conseguiu escrever um diário e fazer passar para o exterior, através da roupa que entregava à família para lavar, 30 blocos de notas. Foi a partir desse

manancial de informação que agora foi publicado o livro “No coração de uma prisão marroquina”.

Voltaremos a ele, para compreendermos melhor como funcionam de forma coordenada os sistemas político, económico, judicial, de segurança e prisional, de modo a garantir a sobrevivência de um regime corrupto e autoritário.

“No dia seguinte à minha saída da prisão, sabendo que seria visado por um outro processo por ‘atentado à segurança interna do Estado’, tomei o primeiro avião com destino a Tunis.”

 

O Relatório da Amnistia Internacional

Este Relatório cobre as violações de Direitos Humanos ocorridas em Marrocos e no Sahara Ocidental - obra do mesmo aparelho repressivo - e abrange várias áreas: liberdade de expressão e de associação; direito à privacidade; liberdade de reunião; tortura e outros tratamentos degradantes; direito à saúde; direitos das mulheres e das raparigas; direitos das pessoas LGBTI; e direitos dos migrantes e refugiados. Em cada um destes contextos identifica casos concretos que foram investigados e têm dados confirmados. Expomos aqui alguns, mais diretamente ligados à falta de liberdades e garantias dos cidadãos e das cidadãs.

 

Liberdade de expressão e de associação

“Novamente durante este ano, defensores/as dos direitos humanos, jornalistas, utilizadores/as de redes sociais, académicos/as e militantes foram reprimidos no exercício legítimo da sua liberdade de expressão. Pelo menos sete pessoas foram presas e/ou levadas à justiça por infracções ligadas à liberdade de expressão. O professor universitário e militante dos direitos humanos Maati Monjib que estava na prisão de El Arjat, perto de Rabat, a capital, foi posto em liberdade provisória no dia 23 de Março. Sujeito desde Outubro de 2020 a uma medida arbitrária de interdição de deixar o território, não pôde, em Outubro, viajar até França como previsto, para comparecer numa consulta médica e visitar a família.

“O jornalista independente Omar Radi, que não poupava nas suas críticas às autoridades, foi condenado em Julho a seis anos por espionagem e estupro, no seguimento de um processo que não cumpriu as regras internacionais de equidade. Em particular, não conseguiu exercer o seu direito a conhecer todos os elementos apresentados contra ele de forma a poder contestá-los.

“Em Setembro, o Tribunal de Primeira Instância de Marraquexe condenou Jamila Saadane a três meses de prisão, por causa dos vídeos que ela publicou no YouTube nos quais as autoridades marroquinas eram acusadas de cobrir redes de prostituição e factos sobre tráfico de seres humanos em Marraquexe. Esta mulher foi declarada culpada de ultrajar as instituições e difundir notícias falsas. “As autoridades marroquinas continuaram durante todo o ano a violar os direitos dos/as saharauis que militam a favor da independência, submetendo-os/as a maus-tratos, a perseguições e procedendo a prisões. O jornalista saharaui Essabi Yahdih, diretor do órgão informativo virtual Algargarat, foi preso em Maio no seu local de trabalho no Sahara Ocidental. As autoridades interrogaram-no sobre as suas atividades jornalísticas e acusaram-no de ter filmado um edifício militar em Dakhla, uma cidade do Sahara Ocidental. Este homem foi condenado em 29 de Julho a um ano de prisão e a uma multa.

Na prisão de Dakhla foram-lhe recusados cuidados médicos para problemas de audição e de vista dos quais padecia antes de ser preso. (. . . ).”

 

Liberdade de reunião

“O militante Noureddine Aouaj foi condenado em Julho a dois anos de prisão. Preso em Junho depois de ter participado numa concentração pacífica de apoio aos jornalistas presos Omar Radi e Soulaimane Raissouni, este defensor dos direitos humanos foi acusado de ‘insultos às instituições constitucionais, aos princípios e aos símbolos do reino’ e de ‘denúncia de crime fictícios’ e de ‘atentado à autoridade judicial’. (...).”

 

Tortura e outros tratamentos degradantes

“Várias pessoas foram presas em condições extremamente duras, nomeadamente em isolamento prolongado com duração indeterminada, em violação da proibição da tortura e de outros maus-tratos.

“O jornalista Soulaimane Raissouni, chefe de redação do jornal Akhbar Al Yaoum, esteve detido em isolamento desde a sua prisão, em Maio de 2020. Em sinal de protesto contra esta medida, começou a 8 de Abril uma greve de fome, à qual pôs termo 118 dias depois.

“Condenado em ligação com a manifestação de Gdeim Izik, Mohamed Lamine Haddi estava submetido a isolamento desde 2017. Em Março, guardas da prisão acabaram com a greve de fome que ele fazia para protestar contra os maus-tratos a que era sujeito: alimentaram-no à força, o que é considerado um acto de tortura no quadro do Direito Internacional.

“Membros das forças de segurança assaltaram a casa de Sultana Khaya pelo menos três vezes, em 2021. Esta militante saharaui declarou que, no decurso de uma destas operações, em Maio, os agentes das forças de segurança lhe bateram e tentaram violar com matracas, e agrediram brutalmente e violaram a sua irmã. No dia 15 de Novembro, membros das forças de segurança entraram em sua casa, violaram-na e agrediram sexualmente as suas duas irmãs e a sua mãe de 80 anos.”

 

Direitos das mulheres e das raparigas

“(. . . ). Vítima duma campanha de difamação depois da cadeia de televisão ChoufTV ter publicado, em Dezembro de 2020, um vídeo que pretendia mostrar uma suposta relação extra-conjugal, a antiga polícia Wahiba Kharchich chegou aos Estados Unidos em Janeiro. Esta antiga polícia tinha apresentado uma queixa, em 2016, por assédio sexual por parte do seu superior, Aziz Boumehdi, chefe de uma unidade de polícia de El Jadida, queixa à qual não foi dado seguimento.”