domingo, 13 de abril de 2025

A Guerra no Sahara Ocidental de 01 a 31 de março



O Exército de Libertação do Povo Saharaui (ELPS) prosseguiu a guerra de desgaste e usura (humano e material) contra o dispositivo militar marroquino de ocupação no Sahara Ocidental. As operações centraram-se no último mês particularmente na região norte do Oued Draa, em especial na zona de Mahbes; e na região central do Sahara Ocidental, o Saguia El Hamra, nas zonas de Amgala e Guelta.

 

Operações militares em março

05 de março - Unidades do Exército de Libertração Popular Saharaui (ELPS) desencadeiam um bombardeamento concentrado contra a sede de um batalhão do exército de ocupação marroquino no setor de Mahbes, ataque que causou perdas humanas e materiais

09 de março - Unidades do ELPS atacam um posto de abastecimento de retaguarda de uma das brigadas do exército invasor na cidade ocupada de Mhabes, no extremo nordeste do território do Sahara Ocidental.

10 de março - Os combatentes saharauis levam a cabo um bombardeamento concentrado contra uma concentração de forças do exército de ocupação marroquina instalado no setor de Mahbes, “causando enormes perdas humanas e materiais”, de acordo com o comunicado militar.

15 de março - Unidades do Exército Popular de Liberatação Saharaui atacam postos de apoio do inimigo nas zonas de Zarzaiyat e Ashrak Laghrab, no sector de Guelta, região de Saguia El Hamra, no centro do território do SO ocupado. A ação causa baixas mortais nas fileiras do exército invasor marroquino.

18 de março - Unidades do ELPS atacam um ponto de observação inimigo instalado na região de Fadrat Al-Ich, no setor de Hauza, centro-Norte do território do SO, infligindo perdas humanas e materiais no dispositivo marroquino.

19 de março - Vários ataques contra bases do exército de ocupação marroquino sediadas na região de Udei Afneidu, no setor de Mahbes, são atacadas pela artilharia saharaui, com perdas humanas e materiais no dispositivo marroquino.

27 de março - Unidades saharauis levam a cabo um bombardeamento concentrado contra uma base do exército de ocupação marroquino situada na região de Amagli Adachra, no sector de Amgala, no nordeste da região do Saguia El Hamra.

Também neste dia os combatentes saharauis lançam um ataque com mísseis contra uma base da artilharia inimiga instalada na região de Guerat Uld Blal, no setor de Mahbes.

28 de março - Bases do exército marroquino instaladas nas zonas de Cheidmiya e Guerat Blal, no setor de Mahbes, são bombardeadas por unidades do ELPS, que infligem perdas em material bélico ao exército de ocupação.

31 de março - Unidades del Exército Popular de Libertação Saharaui (ELPS) desencadeiam um ataque de artilharia ao posto de comando de um batalhão das forças de ocupação acantonadas no setor de Amgala, causando baixas nas fileiras do exército invasor.

sábado, 12 de abril de 2025

Maâti Monjib. “A corrupção está por todo o lado em Marrocos”

Washington, DC, 19 de abril de 2017. Maâti Monjib nos Prémios Liberdade de Expressão 2017. Elina Kansikas para Index on Censorship / Flickr              


Entrevista com Maâti Monjib(1), o historiador franco-marroquino que, após três dias de greve da fome, ameaça retomá-la para protestar contra a sua proibição de sair do território marroquino para participar numa conferência organizada pela Universidade de Sorbonne (Paris).

 

Omar Brouksy | 10 abril 2025 - OrientXXI

 

Com a voz diminuída pela greve de fome que iniciou a 3 de abril de 2025, no próprio dia em que foi impedido de sair do país no aeroporto de Rabat, a convite da Universidade Paris 1 Panthéon-Sorbonne, Maâti Monjib conta o seu calvário político e jurídico, que dura há mais de cinco anos. A sua culpa? É uma das vozes da esquerda marroquina que reclama uma verdadeira reforma do regime monárquico.

Historiador franco-marroquino de renome, Monjib, 63 anos, foi perdoado pelo Rei, em julho de 2024, pelas acusações controversas (incluindo “branqueamento de capitais”) de que foi alvo, juntamente com vários jornalistas e activistas. Mas esta decisão real não teve qualquer efeito no seu caso. Assim, a sua suspensão da Universidade de Rabat, onde ensinava história política marroquina contemporânea, não foi revogada e os seus bens, incluindo o seu carro e a sua conta bancária, foram congelados. Tanto mais que o enfraquecimento da saúde do rei parece ter reforçado e alargado a margem de manobra da segurança real, representada por Fouad Ali El Himma (conselheiro e amigo de infância do monarca), Abdellatif Hammouchi (chefe da polícia política) e, em menor escala, Yassine Mansouri, chefe da Direção-Geral de Estudos e Documentação (DGED), o equivalente à Direção-Geral de Segurança Externa (DGSE) em França.

 

Omar Brouksy - O que é que aconteceu quando tentou sair de Marrocos na quinta-feira, 3 de abril?

Maâti Monjib.— Cheguei ao aeroporto de Rabat-Salé por volta das 11 horas. No início, admito que estava preocupado, porque vi duas “caras conhecidas”. Conheço-os e eles conhecem-me há alguns anos. Mas rapidamente recebi o meu cartão de embarque. Isso deu-me esperança. Mas quando me dirigi à esquadra da polícia para carimbar o passaporte, reparei noutra “cara conhecida”. O meu coração, enfraquecido pela arritemia, começou a bater mais depressa.

 

«Você está no computador»


Apresentei o meu passaporte a uma polícia bem vestida, protegida por um vidro espesso mas transparente. Ela verificou e voltou a verificar o meu documento. Depois de o ter passado várias vezes por uma máquina eletrónica, disse: "Nada a fazer, senhor. Não pode passar. Não está autorizado a sair do país". Pedi para falar com o seu superior. Um agente à paisana chegou em poucos segundos. Expliquei-lhe que a proibição legal de sair do país não pode exceder um ano. Ele respondeu-me: "Eu sei, mas você estás no computador”. “E depois?", retorqui. A minha pergunta ficou sem resposta.

Encontrei-me com os meus amigos dos direitos humanos no café do aeroporto. Tinham vindo para o aeroporto em solidariedade. Entre eles estava Khadija Ryadi, uma verdadeira soldado da liberdade em Marrocos e vencedora do Prémio dos Direitos Humanos das Nações Unidas em 2013. Anunciei, com a minha voz sufocada pela raiva, que iria entrar imediatamente numa greve de fome de três dias.

 

O.B.- Por que decidiu fazer greve de fome quando a sua saúde é tão frágil? Sofre de problemas cardíacos e de diabetes...

M.M.— Sou uma pessoa pacífica por natureza e sempre utilizei métodos pacíficos: sofrer para ser ouvido. Já utilizei todas as ferramentas legais e políticas à minha disposição. Os poucos homens poderosos do reino - com exceção do Rei - foram contactados por amigos comuns. Mas em vão. As mesmas admoestações de sempre, que posso resumir da seguinte forma: "O senhor Monjib quer reunir islamistas e esquerdistas de todos os quadrantes para derrubar a monarquia. Está a sonhar. Mas o seu sonho é perigoso. É um fattan (instigador de guerra civil). Além disso, é praticamente o único marroquino que mostra irreverência para com os símbolos da monarquia...". Retomarei a greve se a proibição for mantida.

 

Por uma monarquia constitucional

 

O.B.- O que é que lhes diz?

M.M.— Começarei pelo seu último argumento. Sempre me bati pacificamente, através das minhas palavras e dos meus escritos, por um verdadeiro sistema parlamentar que proteja as liberdades e os direitos dos cidadãos. Num tal sistema, o rei reina sem governar. Esta é a única forma de conciliar monarquia e democracia. Caso contrário, o despotismo, a procura de rendimentos e a corrupção dominam. Veja-se como, há algumas semanas, o chefe do Governo, Aziz Akhannouch, se tornou simultaneamente sujeito e diretor de um grotesco escândalo de conflito de interesses. A holding da sua família ganhou o contrato no âmbito de uma parceria público-privada (1) e, além disso, enquanto chefe de governo, vai subsidiar este projeto, o seu próprio projeto, no âmbito da carta de investimento. Acreditam nisto? Um chefe de governo assina consigo próprio um gigantesco acordo de investimento estratégico e, ao mesmo tempo, atribui a si próprio uma subvenção de vários milhares de milhões de euros, sob o pretexto de que não gere pessoalmente a sua holding. Nem mesmo num filme de ficção científica se acreditaria.

Para não mencionar o outro conflito de interesses e as suspeitas de abuso de informação privilegiada no caso do campo de gás de Tendrara (região oriental) (2). Estes escândalos foram investigados pelo jornalista independente Youssef El Hireche (3). Como resultado, foi condenado no ano passado a dezoito meses de prisão (4).

Em Marrocos, a corrupção está por todo o lado. Afeta até a classe média baixa. A saúde e a educação são profundamente afetadas. Daí o seu avançado estado de degradação. Um bacharel médio tem dificuldade em escrever uma carta manuscrita a pedir um emprego. Veja-se também como os dirigentes das instituições de governação são despedidos, obrigados a demitir-se ou humilhados quando tentam fazer o seu trabalho. O exemplo mais recente ocorreu em março, quando Bachir Rachdi foi demitido pelo Rei do seu cargo de chefe da Comissão Anti-Corrupção. Antes dele, estava Driss Guerraoui, um grande economista e homem honesto, antigo diretor do Conselho da Concorrência.

A sua culpa? Tinha apresentado provas, apoiadas por documentos oficiais, de que as grandes distribuidoras de combustíveis, incluindo a que pertence à holding do chefe do Governo, estavam a organizar quase abertamente um cartel (ilegal) sobre os preços de bomba. Pretendiam contornar a redução substancial dos subsídios estatais a este sector, decidida sob pressão da rua, na sequência da “primavera Árabe”. O governo de Akhannouch está a liquidar os poucos “ganhos” da “primavera marroquina”.

 

O.B.- Os seus bens continuam congelados pelas autoridades marroquinas?

M.M.— Sim, a minha conta bancária está congelada e não me é permitido vender o meu carro ou a minha casa. Isto está a acontecer há mais de quatro anos. É totalmente ilegal, e é por isso que a “justiça” não me fornece, nem aos meus advogados, qualquer documento escrito que prove que os meus bens foram confiscados. Tendo em conta a experiência traumática da “primavera Árabe”, os juízes, sob as suas ordens, não querem deixar quaisquer vestígios embaraçosos. Estas restrições e medidas de controlo judicial são sentenças que devem ser proferidas e uma cópia assinada deve ser entregue à defesa, se esta o solicitar. Nada disto é respeitado no meu caso. Os meus advogados nem sequer são autorizados a fotocopiar o meu processo. Como é que podem preparar a minha defesa? Aliás, não precisam de me defender, dizem-me os meus amigos em tom de brincadeira. De facto, o meu processo está parado desde 2021. A última convocatória que recebi para comparecer perante o juiz de instrução foi em 27 de janeiro de 2021.

 

O.B.- E a sua situação na universidade? O perdão real mudou alguma coisa na sua situação jurídica?

M.M.— Continuo suspenso das minhas funções de professor de história na Universidade Mohamed V de Rabat. Não fui reintegrado, apesar de o perdão real implicar o restabelecimento de todos os meus direitos de professor-investigador. O perdão real implica o restabelecimento de todos os meus direitos de professor-investigador, especificando explicitamente o número do processo judicial em causa. De facto, tenho vários processos judiciais pendentes... Isto faz parte da sua estratégia de pressão sobre todas as partes para cansar aqueles a quem chamam “dissidentes” em privado e “delinquentes” na sua imprensa difamatória.

 

“Pressão máxima sobre a sociedade”

 

O.B. - Como explica este ataque sem tréguas contra si?

M.M.— Este ataque sem tréguas contra mim e contra outros críticos do regime, como Fouad Abdelmoumni, Omar Radi, Soulaiman Raissouni e a poetisa Saida Alami, faz parte daquilo a que chamo a “economia da repressão”. Concebida pela polícia política, visa atingir dois objectivos dificilmente conciliáveis, mas que têm tido um relativo sucesso: exercer o máximo controlo sobre a sociedade através de uma repressão quantitativamente mínima. Por exemplo: prender o menor número possível de pessoas, exercendo ao mesmo tempo a máxima pressão sobre a sociedade: processos múltiplos, pressão sobre a família e os amigos mais próximos, difamação (no meu caso, este instrumento desprezível de “governação” ao estilo marroquino traduziu-se por vezes em várias centenas de artigos depreciativos por mês, e no caso de Radi também), despedimento abusivo de activistas ou de membros das suas famílias, etc.

Porquê este engenho maléfico? Muito simplesmente para manter uma boa imagem do “país mais belo do mundo” no estrangeiro, ao mesmo tempo que se difunde um clima nocivo de medo, suspeição e denúncia. Pouco a pouco, instalou-se uma atmosfera egoísta de “cada um por si”. Longe vão os tempos em que se cantava a plenos pulmões as palavras de ordem revolucionárias do Movimento 20 de fevereiro (2011). Agora, se falarmos de política num autocarro, as pessoas afastam-se ostensivamente de nós. Por isso, o medo reina por todo o lado em Marrocos.

 

O caso de Boualem Sansal


O.B.- A degradação do estado de saúde do Rei reforça o poder do aparelho de segurança?

M.M. - Sim, sem dúvida. Este séquito tem um controlo quase total sobre a distribuição do poder. Também monopoliza o controlo da informação estratégica.

 

O.B. - Como explica que Boualem Sansal, o escritor franco-argelino conhecido pelas suas ligações estreitas com a extrema-direita em França, seja apoiado por toda a elite política e mediática francesa e o mesmo não se passe consigo?

M.M.— A resposta é simples: eu sou de esquerda, a Sansal é de extrema-direita. Nos últimos anos, a sociedade francesa tem vindo a deslocar-se massivamente para a extrema-direita. E isso explica a diferença de tratamento entre Sansal e Monjib. No entanto, os escritores nunca devem ser presos por aquilo que escrevem ou dizem. Por isso, peço que Sansal seja libertado.

 

O.B.- O seu caso não é único. Há ainda outros presos políticos em Marrocos. Como explica a persistência deste fenómeno?

Em Marrocos, dizemos “Drablekbirykhafsghir” (bate no grande, os pequenos assustam-se). É por isso que ainda há outras pessoas emblemáticas na prisão, como o grande advogado e antigo ministro dos direitos humanos Mohamed Ziane. Há também os conhecidos dirigentes do Hirak [nota: movimento de protesto] do Rif, Nasser Zefzafi, Nabil Ahamjik e Mohamed Jelloul, e três outros que estão detidos há oito anos. Os Hirakis menos conhecidos, centenas deles, foram libertados depois de terem estado detidos durante alguns dias ou alguns meses. Em última análise, trata-se de uma manobra de controlo bastante banal: mostrar os músculos para não os usar (demasiado).


(1) - Maati Monjib é um professor universitário marroquino, jornalista, historiador, escritor e ativista político. Monjib possui dois PhDs, um da França em política norte-africana e outro do Senegal em história política africana. É conhecido em Marrocos por apoiar o jornalismo investigativo marroquino (descrição em wikipedia).

 

(1) - O consórcio vencedor inclui a Afriquia Gaz, propriedade do primeiro-ministro Aziz Akhannouch. O contrato tem um valor de cerca de 6,5 mil milhões de dirhams (623 milhões de euros).

 

(2) - Está a ser construída uma unidade de liquefação de gás em Tendrara, no leste de Marrocos, pela empresa britânica Sound Energy. O gás liquefeito será depois comercializado pela Afriquia Gaz, uma filial do grupo marroquino Akwa, propriedade das famílias Akhannouch e Wakrim. Aziz Akhannouch e Ali Wakrim dirigem esta holding familiar desde 1995.

 

(3) - Este inquérito foi publicado em maio de 2023 pelos jornalistas Khalid Elberhli e Youssef El Hireche no jornal marroquino de língua árabe Assahifa.

 

(4) - Youssef El Hireche foi detido em março de 2024. Foi acusado de “ofensa a um funcionário público”, “insulto a um órgão constituído” e “divulgação de informações privadas sem consentimento” na sequência de publicações nas redes sociais. Foi libertado por indulto real em 29 de julho de 2024.

 

Omar Brouksy

Jornalista e professor de ciências políticas em Marrocos. Foi chefe de redação do Journal hebdomadaire até ao seu encerramento, em janeiro de 2010, e jornalista da Agence France-Presse. É autor de «Mohamed VI derrière les masques». «Le fils de notre ami» (Éditions du Nouveau-Monde, Paris 2014) e «La République de Sa Majesté». «France-Maroc, liaisons dangereuses» (Prefácio de Alain Gresh), Nouveau-Monde, 2017. Ambos os livros estão proibidos em Marrocos.

domingo, 6 de abril de 2025

Chefe da MINURSO transmite a Marrocos seu relatório ao Conselho de Segurança sobre o Sahara Ocidental para a reunião prevista para 14 de abril de 2025 - afirma o periódico El Condidencial Saharaui

Alexander Ivanko

O relatório do chefe da MINURSO põe em evidência o impasse, segundo a imprensa pró-marroquina que publicou o alegado relatório. Até à data, a MINURSO não se pronunciou sobre o incidente.

Alguns dias antes da reunião do Conselho de Segurança, à porta fechada, prevista para 14 de abril de 2025, a imprensa marroquina pró-Makhzem divulgou um relatório, descrito como confidencial, dirigido ao Conselho de Segurança por Alexandre Ivanko, o funcionário russo representante especial do secretário-geral e chefe da missão da ONU para o Referendo no Sahara Ocidental, a MINURSO.

O alegado relatório, publicado por um desconhecido site marroquino (Horizon.ma) [e que entretanto desapareceu...], sublinha que o mandato de Staffan de Mistura, enviado pessoal do secretário-geral para o Sahara Ocidental, chegou ao fim “num contexto de profunda transformação do conflito”.

  “O relatório semestral de Alexander Ivanko ilustra o paradoxo atual da MINURSO: uma missão que funciona melhor do que nunca do ponto de vista logístico, mas que tem dificuldade em influenciar a dinâmica de um conflito em rápida evolução”, lê-se no relatório divulgado por Ivanko aos serviços secretos marroquinos.

 A nível operacional, Ivanko reconhece que a situação logística e de reabastecimento se estabilizou. Mensalmente, são enviados comboios terrestres para leste do muro marroquino e são efectuados voos regulares de reabastecimento por helicóptero e por passageiros (informa Ivanko no seu relatório ao Conselho de Segurança, previsto para 14 de abril de 2025).

Esta melhoria permitiu à missão “instalar sistemas de energia solar em Bir Lahlou e Mijek e retomar os planos plurianuais para melhorar as condições de vida nos locais da equipa a leste do muro”, segundo o documento de Ivanko. A introdução de sistemas de energia solar representa um avanço estratégico para uma missão que opera em áreas desérticas remotas, reduzindo a sua vulnerabilidade logística.

Mas esta melhoria no plano técnico contrasta fortemente com o impasse diplomático. O ultimato fixado por Staffan de Mistura em outubro de 2024 expira em abril de 2025, sem progressos significativos. O documento de Ivanko revela uma tentativa falhada da MINURSO para estabelecer uma trégua temporária: “A 6 de fevereiro, o comandante da MINURSO escreveu às duas partes renovando o apelo do ano passado para um cessar-fogo durante o mês do Ramadão”.

Segundo Ivanko, as forças de ocupação marroquinas responderam positivamente, ainda que de forma condicional (“No dia 8 de fevereiro, as Forças Armadas Reais Marroquinas responderam reiterando o seu compromisso de respeitar todos os acordos com a MINURSO, desde que a integridade física das suas unidades, da população ou dos seus bens não seja imediatamente danificada ou ameaçada”), a Frente Polisario “não respondeu à proposta do comandante da força”, afirma explicitamente Ivanko no seu relatório.

Ivanko omite no seu relatório os ataques de drones contra civis saharauis. Quanto aos incessantes ataques de drones marroquinos, o relatório de Ivanko refere que “quatro outros ataques foram relatados nos meios de comunicação social ou nas redes sociais, nos quais foram assinaladas baixas entre os combatentes da Frente POLISARIO, mas a MINURSO não recebeu autorização ou a localização exacta da Frente POLISARIO para os investigar”.

O relatório de Ivanko ataca duramente a Frente Polisario. No seu alegado relatório, o chefe da MINURSO afirma que a obstrução sistemática (da Polisario) impede a missão de cumprir o seu mandato de observação e contrasta com a alegada cooperação das forças de ocupação marroquinas. Como afirma literalmente Ivanko, “a MINURSO continua a investigar o tiroteio a oeste do muro, acompanhada por oficiais de ligação das Forças Armadas Reais”.

O chefe da Minurso, Ivanko, afirma que os ataques do exército saharaui diminuíram constantemente em 2024, com o número mais baixo (seis) registado em novembro de 2024, “embora reconheça que registaram um ligeiro aumento desde janeiro de 2025”.

  O relatório de Ivanko confirma uma mudança qualitativa importante na natureza do conflito: o uso crescente de tecnologias avançadas, em particular drones. “A leste do muro, a MINURSO continua a receber relatos de ataques de drones pelas Forças Armadas Reais, principalmente na área de Mijek”, observou o representante da ONU. Ivanko relata que “a MINURSO observou drones de vigilância a sobrevoar o leste do muro, em Tifariti”.

"Desde o meu último briefing, equipas conjuntas da MINURSO e do UNMAS (Serviço de Ação contra as Minas das Nações Unidas) investigaram três locais destes ataques, confirmando impactos e danos materiais, mas sem vítimas. Esta confirmação por parte de equipas especializadas da ONU confirma a realidade destes ataques, sugerindo que eles visam sobretudo infraestruturas ou equipamentos, mais do que combatentes", reconhece Ivanko, que tem acesso a esta informação que os saharauis têm no terreno.

 

Relatora especial da ONU denuncia ataques a jornalistas saharauis




Por Jesús Cabaleiro Larrán - Periodistas en Español 04/04/2025

 

A relatora especial da ONU sobre a situação dos defensores dos direitos humanos, Mary Lawlor, denunciou num relatório a repressão de jornalistas e defensores dos direitos humanos no Sahara nos últimos meses.

Esta denúncia foi transmitida pela Relatora Especial das Nações Unidas sobre a situação ao Governo marroquino em 3 de janeiro de 2025, para que este pudesse responder, mas, decorridos sessenta dias, não respondeu a nenhuma delas.

Entre as acusações, a relatora cita os jornalistas saharauis, membros da Equipe Media, Ahmed Ettanji e Mohamed Mayara. Ettanji é presidente da Equipe Media, enquanto Mayara co-fundou a Associação saharaui das vítimas de graves violações dos direitos humanos (Asvdh) em 2005 e a equipa de repórteres da Equipe Media em 2009.

Ambas as organizações trabalham para documentar as violações dos direitos humanos cometidas pelas autoridades marroquinas no Sahara Ocidental e para sensibilizar a comunidade internacional.

Mary Lawlor, relatora da ONU para os DDHH

Refere também os casos dos defensores dos direitos humanos Hassana Douahi e Mohamed Dadach, que sofreram represálias por se terem encontrado com defensores dos direitos humanos noruegueses, a quem foi ordenado que recolhessem os seus pertences e se dirigissem ao hotel com ordem de abandonar o Sahara, tendo sido escoltados até Agadir, para os expulsar.

No caso dos informadores, recorda o que aconteceu em 9 de outubro de 2024, quando as forças de segurança marroquinas os cercaram e os ameaçaram de prisão, e Ettanji e Mayara foram expulsos de Bojador, onde se tinham deslocado para uma visita familiar.

À chegada ao posto de controlo local, os dois foram detidos por autoridades marroquinas e libertados ao fim de uma hora. Quando chegaram à casa da família, foram recebidos pela polícia marroquina e o comissário ameaçou-os de prisão, exigindo-lhes que abandonassem imediatamente a casa e a cidade. A família anfitriã foi igualmente intimidada e ameaçada pelo facto de ter acolhido os dois jornalistas.

Em consequência, tiveram de abandonar a cidade e compelidos a regressar a Laayoune.

 

Relatório sobre a repressão

No seu relatório, os relatores da ONU afirmam que numerosos jornalistas, defensores dos direitos humanos, dirigentes políticos e opositores foram “alvo de uma repressão crescente nos últimos meses” pelo seu trabalho em prol dos direitos humanos e do apoio à autodeterminação do povo saharaui.

É citada a “vigilância constante” e as “tácticas de intimidação”, incluindo “ameaças e acções” para confrontar jornalistas e opositores.

Todos os dias há cada vez mais ″prisões arbitrárias, repressão violenta de manifestações pacíficas e restrições à liberdade de expressão e de circulação" contra os defensores dos direitos humanos. As famílias são também ″ameaçadas com represálias económicas e falta de oportunidades de educação e emprego", citando o caso dos filhos de activistas que não recebem bolsas de estudo nem transporte escolar.

Outros defensores dos direitos humanos saharauis foram “expulsos do seu trabalho” ou transferidos de forma arbitrária. Foram igualmente objeto de “processos disciplinares injustificados, bem como de suspensão ou congelamento de salários, sem notificação prévia”.

O relatório exprime “grande preocupação com a intimidação e a vigilância dos defensores saharauis dos direitos humanos, a deportação de quatro jovens activistas sindicais noruegueses do Sahara Ocidental, bem como as medidas de extorsão económica impostas aos familiares dos defensores dos direitos humanos”.

Manifestam igualmente a sua preocupação “relativamente às restrições à liberdade de circulação e de reunião impostas aos defensores dos direitos humanos saharauis e estrangeiros”.

As medidas adoptadas pelo governo marroquino ″podem incluir violações dos direitos à liberdade de expressão, à liberdade de reunião pacífica, à liberdade de associação, bem como o direito à liberdade e à segurança, bem como o direito ao respeito pela vida privada".

Manifestam igualmente a sua preocupação “relativamente às restrições à liberdade de circulação e de reunião impostas aos defensores dos direitos humanos saharauis e estrangeiros”.

As medidas adoptadas pelo governo marroquino ″podem incluir violações dos direitos à liberdade de expressão, à liberdade de reunião pacífica, à liberdade de associação, bem como o direito à liberdade e à segurança, bem como o direito ao respeito pela vida privada".

 

Presidente da RASD e SG da Frente POLISARIO faz alterações na estrutura dirigente

O Presidente da República e Secretário-Geral da Frente POLISARIO, Brahim Gali, emitiu decretos presidenciais relativos a nomeações a nível governamental e a algumas tarefas organizacionais.

De acordo com o primeiro decreto, o Ministério dos Assuntos Religiosos é separado do Ministério da Justiça, tornando-se um ministério independente com o nome de Ministério dos Assuntos Religiosos.

Ghali nomeou também Mohamed Salem Oul Salek (durante anos ministro dos Negócios Estrangeiros), Ministro de Estado, encarregado dos assuntos diplomáticos na Presidência da República.

 

A nível do Governo, o presidente Brahim Gali nomeou:

Abdelkader Taleb Omar

Abdelkader Taleb Omar, Ministro da Educação e Formação Profissional.

 Sidahmed Alyat, ministro dos Assuntos Religiosos

 

Mohamed Yislem Beisat

Mohamed Yislem Beisat, ministro dos Assuntos Exteriores e Aseuntos Africanos.

 Daf Mohamed Fadel, Ministro Conselheiro do Primeiro Ministro.

 Abeida Cheij, Ministro Conselheiro do Primeiro Ministro.

 

A nível de governadores:

Mohamed Cheij Mohamed Lehbib Amgueizlat, governador da província de Dakhla.

Salek Laabeid Bara, governador da unidade administrativa e política de Chahid El Hafed.

 

A nível do Ministério de Assuntos Exteriores, o Presidente da República nomeou:

 

Mohamed Sidati

Mohamed Sidati, (até agora ministro dos Assuntos Exteriores) representante junto do Reino Unido e Irlanda do Norte.

 

Jatri Aduh

Jatri Aduh, embaixador

Campanha Internacional pela libertação dos presos políticos saharauis

Mustafa Mohamed Ali Sid El-Bachir anuncia o arranque da campanha

O membro do Secretariado Nacional da Frente Polisario e ministro dos Assuntos das Zonas Ocupadas e da Diáspora, Mustafa Mohamed Ali Sid El-Bachir, anunciou oficialmente o lançamento da Campanha Internacional para a Libertação dos Presos Políticos Saharauis sob o lema “Liberdade para os presos civis saharauis nas prisões marroquinas”.

No decurso de uma conferência de imprensa realizada na sede do Arquivo dos Meios de Comunicação Social, que contou com a presença de numerosos funcionários do Estado, jornalistas e representantes dos meios de comunicação social, foi dado destaque ao lançamento oficial da campanha internacional a partir de França, com o objetivo de sensibilizar a opinião pública internacional para o sofrimento dos presos políticos saharauis e para a perseguição, repressão e intimidação de que são alvo nas prisões de ocupação marroquinas.




Neste contexto, o responsável saharaui sublinhou que o apoio e o acompanhamento da resistência dos presos políticos nunca cessou.

Recordou igualmente que a questão dos presos políticos saharauis continua a ser uma prioridade permanente na agenda da Mesa do Secretariado Nacional e é objeto de um acompanhamento contínuo por parte do governo saharaui.