
Vasily Nebenzya, Representante Permanente da Federação Russa
junto às Nações Unidas
A 30 de outubro de 2026, o Conselho de Segurança das Nações Unidas não conseguiu chegar a um acordo sobre a renovação do mandato da MINURSO, a missão criada em 1991 para organizar um referendo sobre a autodeterminação do povo saharaui.
Foram submetidos a votação dois projetos de resolução diferentes.
1. O projeto de resolução dos Estados Unidos
Os Estados Unidos propuseram prorrogar o mandato da missão até 31 de outubro de 2027, alterando significativamente o seu objetivo e as suas funções:
- Renomear a MINURSO para MINUSO, removendo a referência ao referendo.
- Estabelecer a proposta de autonomia marroquina como única base para as negociações.
- Rever as funções, a estrutura e o pessoal da missão.
Resultado da votação: 11 votos a favor, 3 abstenções e 1 voto contra, expresso pela Rússia.
A Rússia exerceu o seu direito de veto, impedindo a aprovação da resolução.
O veto permite que qualquer um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança (Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido) bloqueie uma resolução de fundo, mesmo quando esta tenha obtido a maioria de votos necessária.
2. O projeto de resolução da Rússia
A Rússia propôs prorrogar o mandato da MINURSO por mais um ano, mantendo a sua denominação e mandato atuais, sem introduzir as alterações pretendidas pelos Estados Unidos.
Resultado da votação: 3 votos a favor, 11 abstenções e 1 voto contra, expresso pelos Estados Unidos.
Os Estados Unidos também votaram contra a resolução. No entanto, a proposta russa teria sido rejeitada mesmo sem o veto dos EUA, uma vez que uma resolução do Conselho de Segurança requer, pelo menos, nove votos favoráveis para ser aprovada.
A distinção é importante: o veto da Rússia bloqueou um projeto de resolução que tinha obtido a maioria necessária, ao passo que a própria proposta russa não conseguiu angariar apoio suficiente para ser aprovada.
3. O que acontece após 31 de outubro?
O mandato da MINURSO expira a 31 de outubro de 2026.
Sem uma nova resolução, a missão não pode continuar a realizar as atividades que lhe foram atribuídas pelo Conselho de Segurança como habitualmente.
Isto não significa que o pessoal das Nações Unidas tenha de abandonar imediatamente o território. Qualquer retirada levaria tempo e teria de ser cuidadosamente organizada.
4. O que pode o Conselho de Segurança fazer a seguir?
O Conselho de Segurança tem várias opções:
- Aprovar uma prorrogação temporária de várias semanas ou meses, permitindo que a missão continue a operar enquanto as negociações decorrem.
- Negociar uma nova resolução de compromisso, que exija pelo menos nove votos a favor e nenhum veto por parte de qualquer membro permanente.
- Não chegar a um acordo, permitindo que o mandato expire. Nesse caso, as Nações Unidas teriam de tomar medidas para que a missão cessasse as atividades que já não contam com a autorização do Conselho de Segurança e gerir qualquer retirada faseada subsequente.
Ainda não foi anunciado qualquer calendário oficial para novas decisões. O Conselho de Segurança pode retomar as consultas e votar um novo projeto de resolução a qualquer momento.
Em resumo
O Conselho de Segurança não votou a extinção da MINURSO. Não chegou a um acordo sobre a renovação do seu mandato.
A missão chegou, portanto, ao fim da sua autorização atual sem que tenha sido tomada uma decisão sobre o seu futuro.
O Conselho de Segurança deve agora decidir se, e em que condições, a presença das Nações Unidas pode continuar.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas pode aprovar uma prorrogação técnica do mandato da MINURSO, por um período limitado, de modo a permitir a continuação das negociações e evitar a interrupção da missão. Caso persista o impasse, a questão do Sahara Ocidental poderá também ser debatida na Assembleia Geral da ONU, nos termos previstos na Carta das Nações Unidas, embora esta não disponha das mesmas competências do Conselho de Segurança para renovar o mandato da missão.




