quarta-feira, 28 de outubro de 2026

57 académicos e investigadores portugueses escrevem ao Conselho de Segurança em solidariedade com o Povo Saharaui


Imagem gerada por IA


Por iniciativa da AAPSO, um grupo alargado de académicos, professores universitários e investigadores portugueses subscreveu um texto de solidariedade com o povo saharaui e em defesa do seu direito inalienável à autodeterminação, que a administração norte-americana e Marrocos tentam subverter e negar. Publicamos o texto e a identidade dos subscritores.


À PRESIDENTE E MEMBROS DO CONSELHO DE SEGURANÇA DAS NAÇÕES UNIDAS 


Nós, académicos/as e investigadores/as, exortamos o Conselho de Segurança a garantir que a próxima resolução sobre o Sahara Ocidental respeita a Carta das Nações Unidas, o direito do povo saharaui à autodeterminação e o quadro jurídico internacional que rege a descolonização. 

Os Artigos 1(2) e 24(2) da Carta da ONU e o Artigo 1, comum aos dois Pactos Internacionais sobre os Direitos Humanos, estabelecem os princípios relevantes. 

No seu parecer consultivo de 1975, o Tribunal Internacional de Justiça não encontrou ligações de soberania territorial que pudessem substituir um ato de autodeterminação exercido através da expressão livre e genuína da vontade do povo do Território. 

Recordamos como em 1999 o exercício do direito à autodeterminação deu liberdade ao povo timorense, estabeleceu laços de amizade recíproca entre Timor-Leste e a Indonésia, e contribuiu para a estabilidade da região. Hoje Timor-Leste é membro de pleno direito da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN). 


Assim, apelamos ao Conselho de Segurança para que:


1. Respeite o direito à autodeterminação  

Reafirmando que qualquer solução tem de cumprir o direito internacional e refletir a vontade livremente expressa do povo saharaui. 


2. Recuse um resultado pré-determinado 

Não apoiando nem privilegiando a independência, a integração ou a autonomia. A escolha do estatuto final do Território pertence ao povo saharaui. 


3. Apoie a realização de um referendo livre e justo supervisionado pelas Nações Unidas 

Assegurando que as alternativas são genuínas, incluindo a opção pela independência, o corpo eleitoral é justo e claro, a participação dos refugiados saharauis é garantida, e há salvaguardas contra qualquer tipo de coação. O referendo acordado aquando da constituição da MINURSO em 1991 nunca foi cumprido. 


4. Conceda à MINURSO um mandato explícito no domínio dos direitos humanos 

Garantindo a independência de acompanhamento, investigação e elaboração de relatórios, com recursos adequados, acesso livre e proteção contra represálias. A monitorização deve ser imparcial, incluir todas as partes e cobrir o Sahara Ocidental e os campos de refugiados saharauis. 


5. Mantenha as negociações coerentes com os princípios das Nações Unidas 

Certificando-se de que as negociações respeitam o princípio da autodeterminação e requerendo relatórios regulares sobre o processo em curso com vista a cumprir esse objetivo. 

Uma paz duradoura deve assentar na vontade livremente expressa do povo saharaui. Exortamos o Conselho de Segurança a que proteja o seu direito à livre escolha e trabalhe numa solução baseada no direito internacional. 

27 outubro 2026 

 

  • Alberto Fidalgo Castro - Universidad Complutense de Madrid 
  • Alexandre Abreu - ISEG, Universidade de Lisboa 
  • Ana Drago - Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra 
  • Ana Mouta Faria - Iscte–Instituto Universitário de Lisboa 
  • Ana Lúcia Sá - Iscte–Instituto Universitário de Lisboa 
  • André Caiado - Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra 
  • André Carmo – Universidade de Évora 
  • Ângela Brandão – Instituto Piaget 
  • Ângela Coutinho - Iscte–Instituto Universitário de Lisboa 
  • Ashley Dell'Orso - Iscte–Instituto Universitário de Lisboa 
  • Augusto Lança - Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto 
  • Carlos Fortuna - Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra 
  • Carolina Leão - ISEG, Universidade de Lisboa 
  • Daniela Nascimento - Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra 
  • Dora Rebelo - Iscte–Instituto Universitário de Lisboa 
  • Eduardo Costa Dias - Iscte–Instituto Universitário de Lisboa 
  • Eugénia Pires - Investigadora, CoLABOR 
  • Éva Sebestyén - Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto 
  • Francisco Louçã - ISEG, Universidade de Lisboa 
  • Francisco Pereira Coutinho - Faculdade de Direito, Universidade Nova de Lisboa 
  • Francisco Topa - Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto 
  • Hugo Cruz Marques - Universidade Politécnica de Santarém 
  • Isabel Castro Henriques – Universidade de Lisboa 
  • Isabel Morais - Universidade de S. José, Macau, China 
  • João Ferrão - Universidade de Lisboa 
  • Jorge Custódio - Instituto de História Contemporânea, Universidade Nova de Lisboa 
  • Jorge Freitas Branco - Iscte–Instituto Universitário de Lisboa 
  • José Manuel Pureza - Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra 
  • José Reis - Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra 
  • Licínio da Silva Lima - Universidade do Minho 
  • Lisa Marta Machado de Matos - Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes 
  • Lúcio Sousa - Universidade Aberta 
  • Luís Mah - Iscte–Instituto Universitário de Lisboa 
  • Maciel Santos - Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto 
  • Marcos Farias Ferreira - Universidade de Lisboa 
  • Maria Eduarda Gonçalves - Iscte–Instituto Universitário de Lisboa 
  • Maria Teresa Macara - Universidade Lusófona 
  • Mariana Mortágua - Iscte–Instituto Universitário de Lisboa 
  • Marisa Gonçalves - Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra 
  • Miguel Cardina - Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra 
  • Miguel Filipe Silva - Instituto de História Contemporânea, Universidade Nova de Lisboa 
  • Olivia Bina - Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Lisboa 
  • Paulo Fontes - Universidade Católica Portuguesa 
  • Paulo Martins - ISCSP, Universidade de Lisboa 
  • Paulo Pedroso - Iscte–Instituto Universitário de Lisboa 
  • Paulo Trigo Pereira - ISEG, Universidade de Lisboa 
  • Pedro Aires de Oliveira – FCSH, Universidade Nova de Lisboa 
  • Pedro Miguel Cardoso - Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra 
  • Ricardo Paes Mamede - Iscte–Instituto Universitário de Lisboa 
  • Ricardo Palmela de Oliveira - Universidade Portucalense 
  • Ricardo Roque - Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Lisboa 
  • Rui Graça Feijó – Investigador 
  • Rui Garrido – Universidade Portucalense 
  • Sílvia Roque - Universidade de Évora 
  • Susana Brissos - ISEG, Universidade de Lisboa 
  • Susana Réfega - Iscte–Instituto Universitário de Lisboa 
  • Teresa Almeida Cravo - Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra 
  • Xénia de Carvalho - ISEG, Universidade de Lisboa 

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