quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Investimento em Marrocos: França monopoliza 40% dos fluxos totais

François Hollande e Mohamed VI
A França justifica o seu lugar de parceiro económico privilegiado de Marrocos detendo uma média de mais de 40% do fluxo total de investimento estrangeiro direto (IED) acolhidos por Marrocos na última década ( 2003-2012 ) , segundo um comunicado da Embaixada da França em Rabat.

O Investimento direto total ( IED) francês em no Marrocos atingiu 8,5 mil milhões de Euros no final de 2012. É o setor industrial que captou a parte de leão, representando quase metade dos investimentos franceses . Note-se que o volume de IED francês em Marrocos constitui mais de quatro vezes aquilo os franceses investiram na Argélia e é quase doze vezes maior que o registado na Tunísia.

Recentemente, a França tornou-se novamente o maior parceiro económico e comercial de Marrocos com oito mil milhões de euros de trocas comerciais anuais, mais de metade do investimento diretos estrangeiros e 750 filiais de empresas francesas que geram mais de 120 mil postos de trabalho.


quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Sahara Ocidental, um povo ignorado

 

Eduardo Fungairiño — Colaborador da Liga Española Pro Derechos Humanos, publica hoje no diário espanhol La Razon, um alerta para aquilo que poderá ser não só uma ilegalidade, como a consumação de uma verdadeira espoliação colonial: o Acordo de Pescas EU-Marrocos

Na primeira quinzena de dezembro, o Parlamento Europeu pronunciar-se-á sobre a ratificação do Protocolo de Acordo Pesqueiro entre a União Europeia e Marrocos, protocolo que foi firmado em Rabat a 24 de julho de 2013 pela comissária da Pesca, Maria Damanaki, e o ministro marroquino da Pesca, Aziz Ajanuch. Chega-se a este acordo depois de o próprio Parlamento Europeu, a 13 de dezembro de 2011, ter rejeitado o acordo anterior. Entre as razões da rejeição, destacava então a falta de garantias para a população saharaui, detentora das águas do Sahara Ocidental, ilegalmente ocupadas e exploradas por Marrocos, a última potência colonial em África.

As águas saharauis foram qualificadas na ocasião como águas marroquinas pelo presidente Rodríguez Zapatero (PSOE), como o foram também agora pelo ministro Arias Cañete (PP), para quem o Sahara e os saharauis não existem, já que, recentemente, se referiu em Bruxelas às populações costeiras e aos habitantes que vivem ao sul de Agadir («Agrosfera», TVE 2, 26/10/2013). Tais águas são as que se estendem desde o paralelo 27º 40' N (fronteira com a nossa antiga colónia de Cabo Juby, a atual Tarfaya) até ao paralelo 21º 09' N (Cabo Branco); até um limite de 12 milhas náuticas (águas territoriais) ou de 200 milhas náuticas (Zona Económica Exclusiva).



Como foi dito repetidas vezes, a ocupação ilegal do Sahara Ocidental por Marrocos (descaradamente tutelada pela França, e não reconhecida por nenhum dos Estados que formam parte das Nações Unidas) não se relaciona apenas com os direitos humanos pessoais dos habitantes saharauis. Tem também a ver com os bens materiais e coletivos de que são titulares. Segundo o art.º 73 da Carta das Nações Unidas os interesses – políticos, económicos, sociais e educativos – dos territórios cujos povos não tenham alcançado a plenitude do governo próprio estão por cima de todo um sistema de paz e de segurança internacional.

O Sahara Ocidental também está abrangido pela Resolução 1803 (XVII), de 14 de dezembro de 1962 da Assembleia Geral das Nações Unidas, que se refere à soberania permanente sobre os recursos naturais; e pelo art.º 1.2 do Pacto Internacional dos Direitos Económicos, Sociais e Culturais, elaborado em Nova Iorque a 19 de dezembro de 1966, segundo o qual todos os povos podem dispor livremente das suas riquezas e recursos naturais sem que, em nenhum caso, se possa privar um povo dos seus próprios meios de subsistência.

Ou seja, a União Europeia pode cometer uma ilegalidade se acorda com Marrocos a repartição ou a gestão de bens que não são seus — as pescas saharianas —, já que estas se encontram em águas de um território que está sujeito a descolonização e pendente da realização de um referendo sobre a sua independência. E o que é pior ainda, sem consultar a população saharaui, que é a titular das ditas pescas.



Os que apoiam a ratificação do acordo pesqueiro euro-marroquino defendem que o mesmo salvaguarda os Direitos Humanos e os interesses económicos da população saharaui. Isso dias depois das Forças de Segurança marroquinas (que necessitaram de reforços trazidos de Marrocos) terem dispersado à bastonada e com bombas de gás lacrimogéneo manifestações de saharauis durante a visita a El Aaiún de Christopher Ross, o enviado pessoal do secretário-geral das Nações Unidas. Com um saldo de feridos, detenções arbitrárias e invasões domiciliárias injustificados, não só em El Aaiún, mas também em Smara e em Dakhla (a antiga Villa Cisneros). Dizer que se respeitam os Direitos Humanos, quando se impedem os direitos mínimos de manifestação, deslocação, liberdade e integridade física é não conhecer a realidade da vida no Sahara ocupado. Para isso contribuí seguramente o nulo interesse da imprensa, radio e televisão do nosso país (e do resto da Europa) sobre os sofrimentos de uma população submetida por uma potência colonial que só aspira a poder expressar a sua opinião sobre a autodeterminação seguindo o mandato das Nações Unidas.

Chama a atenção que em todo o articulado do Protocolo não apareça a mínima referência ao Sahara ou aos saharauis. No art.º 2 parágrafo quarto, no art.º 4.2 e no art.º 4.4 fala-se da zona de pesca marroquina; e no art.º 5.1 faz-se referência aos recursos pesqueiros marroquinos. Nada se diz sobre o limite meridional das águas marroquinas, o referido paralelo 27º 40', nem das consequências jurídicas derivadas da ilegalidade da apropriação das águas ao sul do referido meridiano. Não se estabelece que montante da contrapartida financeira que a UE terá que satisfazer (40 milhões de Euros anuais), deveria ser destinado à população saharaui (que não foi consultada na elaboração do Protocolo), com que critérios e mediante que controlos sobre o seu destino final. Para a Comissão Europeia o Sahara e os saharauis não existem.

Se o Protocolo for ratificado pelo Parlamento, consumar-se-á uma espoliação colonial, precisamente quando a Assembleia Geral convida todos os governos e organizações do sistema das Nações Unidas a que adotem todas as medidas possíveis para garantir que se respeite e proteja plenamente a soberania permanente dos povos dos Territórios Não Autónomos e os seus recursos naturais, em conformidade com as resoluções das Nações Unidas relativas à descolonização.

Seria lamentável que a União Europeia, no que diz respeito às populações dos territórios invadidos e submetidos a um  regime colonial, prosseguisse um rumo diferente daquele que traçam as resoluções das Nações Unidas


Sahara Ocidental ocupado: até o peixe jogam no lixo…!!



Quando os barcos trazem para o porto de El Aaiun muito peixe – porque a pesca foi boa…-, o excesso é jogado numa lixeira nas proximidades da cidade. As imagens em anexo mostram toneladas de sardinhas deitadas para a lixeira de El Carie no dia 14 de novembro último.

Na semana passada, o Western Sahara Resource Watch revelou imagens chocantes de 60 toneladas de sardinhas atiradas ao mar pelo barco Adrar. Segundo informações de diversas fontes recolhidas pelo WSRW, essa foi apenas umas das muitas vezes que o Adrar deitou borda-fora peixe perfeitamente comestível.



De acordo com informações do WSRW, o derramamento de peixe em terra é feito para evitar que os armadores excedam as quotas que lhe são atribuídas. Quanto aos peixes depositados no aterro, é dito que são recolhidos e transportados para a cidade marroquina de Tan Tan, onde são usados como fertilizante agrícola. Informações não confirmadas.



Marrocos ocupa atualmente a maior parte do território do Sahara Ocidental. É em parte devido à indústria de pesca que Marrocos deslocou uma parte da sua própria população para o território ocupado, impedindo, assim, a solução do conflito. O Tribunal Internacional de Justiça rejeitou as reivindicações de Marrocos sobre o território. Metade da população do Sahara Ocidental vive como refugiados em campos no sudoeste da Argélia, onde, de forma intermitente, uma em cada cinco crianças sofre de desnutrição severa.

Fonte: WSRW


Acordo de Pescas UE-Marrocos: Presidente do Parlamento Africano pede à União Europeia que respeite a paz



O presidente do Parlamento Panafricano afirma que um acordo pesqueiro da UE com Marrocos, que abarque as águas do Sahara Ocidental, "minaria os esforços desenvolvidos pela ONU e pela União Africana de encontrar uma solução para o conflito, pacífica e duradoura.

A carta em anexo foi enviada pelo presidente do Parlamento Panafricano, H.E. Hon Bethel Nnaemeka Amadi, ao seu homólogo do Parlamento Europeu, Martin Schultz, no dia 1 de dezembro de 2013.


terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Apelo a favor dos direitos do povo saharaui




Caro/cara

No próximo dia 13 de dezembro será votado no Parlamento Europeu um novo acordo de pescas entre a União Europeia e Marrocos. Este acordo viola o direito internacional porque inclui as águas do Sahara Ocidental, território não autónomo cujo povo ainda não teve a oportunidade de exercer o seu direito à autodeterminação. E as respetivas contrapartidas beneficiam o Reino de Marrocos, em detrimento das populações aharauis.
Para que os e as eurodeputados/as portugueses votem em consciência e a favor dos direitos do povo do Sahara Ocidental, envie-lhes rapidamente a mensagem que se segue e faça circular este Apelo. Até ao dia 10/12.
No fim da missiva encontrará uma lista dos endereços eletrónicos dos parlamentares em causa.

As melhores saudações da
Associação de Amizade Portugal-Sahara Ocidental
  



Exmo. Senhor/a Deputado/a do Parlamento Europeu,

Venho por este meio solicitar a V.Exa. que na próxima sessão plenária do Parlamento Europeu vote contra o acordo de pescas UE-Marrocos e a favor de solicitar um parecer ao Tribunal de Justiça sobre a legalidade deste acordo.

As razões que justificam este pedido centram-se no artigo 3.5 do Tratado da União Europeia que, enquanto cidadão/cidadã português/a e europeu/eia, lhe peço que respeite, cumprindo assim o direito internacional, que a União Europeia e, em particular, o Parlamento Europeu garantem acatar.

O acordo de pesca celebra-se com um país que ocupa militar e ilegalmente o Sahara Ocidental desde 1975, impedindo que o povo saharaui exerça o direito à sua livre determinação, reconhecido pela Assembleia Geral das Nações Unidas, pelo Conselho de Segurança, pelo Tribunal Internacional de Justiça, pela União Africana e pelo próprio Reino de Marrocos nos acordos de paz que puseram fim à guerra que iniciou em 1975 contra a população saharaui.

A assinatura deste acordo de pesca significaria o apoio político da União Europeia às violações dos direitos humanos do povo saharaui levadas a cabo pelo Reino de Marrocos, reconhecidas pelo Relator Especial para a luta contra a tortura das Nações Unidas, o Departamento de Estado norte-americano, a Human Rights Watch , a Amnistia Internacional, o Centro Robert F. Kennedy para a Justiça e os Direitos Humanos e tantas outras organizações.

Tendo em conta o exposto, e a responsabilidade política que assume pelos seus actos, peço-lhe que vote NÃO a este acordo, NÃO à ocupação bélica marroquina e SIM ao pleno exercício do direito à autodeterminação do povo saharaui. Respeite o sonho europeu - direitos humanos e justiça.


Com os melhores cumprimentos,


Endereços eletrónicos dos/as deputados/as portugueses ao Parlamento Europeu:
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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

GREENPEACE condena acordo de pesca EU-Marrocos

 

Elaborado pela GREENPEACE, este relatório mostra que os armadores suecos continuam a lucrar explorando os recursos no território ocupado do Sahara Ocidental, ao deslocarem os seus negócios da Suécia para a África, apesar do governo sueco se opor a qualquer tipo de pesca da UE nas águas territoriais do Sahara Ocidental porque isso viola os direitos e interesses das comunidades locais.

O Greenpeace exige que os Estados Membros da UE:

  • removam o excesso de capacidade de pesca, por abate ou a conversão para fins que não de pesca  dos navios com maior impacto em termos de sobrepesca e destruição de habitats marinhos;
  •  alocar o acesso a possibilidades de pesca de uma forma que premeie os armadores que minimizem os impactos ambientais da pesca e maximizem os benefícios sócio-económicos para as comunidades locais, e
  •  impeçam a transferência do excesso de capacidade de pesca para outras regiões.


 Greenpeace exige, ainda, que a UE pare com a exploração das áreas de pesca ao largo da costa do Sahara Ocidental e de Marrocos, a menos e até que possa assegurar que os stocks haliêuticos são geridos de forma sustentável e que a pesca leve em conta os desejos e os benefícios das pessoas do território.