Espaço de informação e debate promovido pela Associação de Amizade Portugal - Sahara Ocidental.
Pelo direito à autodeterminação do povo Saharauí.
segunda-feira, 22 de janeiro de 2018
quarta-feira, 10 de janeiro de 2018
Procurador Geral da União Europeia dá como inválido o acordo de pesca com Rabat por afetar a Sahara Ocidental
Veja AQUI (http://bit.ly/2ANsN1d) o Comunicado de Imprensa do Tribunal Europeu
de Justiça.
Bruxelas, 10 de janeiro (EFE). - O acordo de pesca entre a
União Européia (UE) e Marrocos não é válido porque se aplica ao Sahara
Ocidental e às águas adjacentes, de acordo com um parecer de um advogado geral
do Tribunal de Justiça da UE, publicado hoje.
O advogado defende que, ao celebrar o acordo, a União
"não cumpriu a obrigação de respeitar o direito do povo do Sahara
Ocidental à autodeterminação" e "não reconheceu uma situação ilegal resultante
da violação desse direito".
Sublinha também que a UE não estabeleceu "as
garantias necessárias para garantir que a exploração dos recursos naturais do
Sahara Ocidental redundem em benefício para as pessoas desse território".
A UE e Marrocos concluíram, em 1996, um acordo de
associação, dez anos depois um acordo de pesca e, em 2012, um acordo de
liberalização sobre produtos agrícolas, produtos agrícolas transformados, peixe
e produtos da pesca.
O Tribunal de Justiça da UE decidiu em dezembro de 2016
que os acordos de associação e liberalização entre as partes não se aplicavam
ao Sahara Ocidental. No entanto, o tribunal não se pronunciou sobre a validade
do acordo de pesca.
As conclusões publicadas hoje referem-se a uma denúncia
apresentada perante o Supremo Tribunal de Justiça da Inglaterra e do País de
Gales pela Western Sahara Campaign, uma organização voluntária no Reino Unido
cujo objetivo é promover o reconhecimento do direito à autodeterminação do povo
saharaui , tendo por motivo o acordo de pesca.
De acordo com essa organização, as autoridades britânicas
agem ilegalmente quando aplicam este acordo e, especificamente, quando concedem
tratamento tarifário preferencial aos produtos originários do Sahara Ocidental
que são certificados como produtos originários do Reino de Marrocos.
A mesma organização também coloca em causa que as
autoridades britânicas tenham a possibilidade de conceder licenças de pesca nas
águas adjacentes ao Sahara Ocidental, uma vez que o acordo prevê que os navios
de pesca da União possam, sob certas condições, realizar determinadas
atividades de pesca nos bancos pesqueiros marroquinos.
O tribunal britânico pede ao Tribunal de Justiça da UE,
por um lado, se associações como a Western Sahara Campaign têm o direito de
questionar a validade dos actos da União por violar o direito internacional e,
por outro lado, se o acordo de pesca é válido de acordo com a normativa europeia.
No parecer apresentado hoje, o advogado geral propõe que o
Tribunal de Justiça responda que é competente para avaliar se os acordos
internacionais celebrados pela União são legais, que associações como o Western
Sahara Campaign têm o direito de questionar o acordo de pesca e que este
protocolo não é válido, porque se aplica ao território e às águas do Sahara
Ocidental.
O procurador-geral considera que as regras do direito
internacional que vinculam a União, quando são incondicionais e suficientemente
precisas em seu conteúdo e quando sua natureza e estrutura não obstruem o
controle judicial do ato que está sendo contestado, podem e devem ser invocadas
perante o tribunal.
Neste contexto, ele acredita que estes requisitos são
cumpridos nas três regras do direito internacional invocadas pela Western
Sahara Campaign: o direito à autodeterminação, o princípio da soberania
permanente sobre os recursos naturais, que obriga que a exploração dos mesmos redunde
em benefício do povo do Sahara Ocidental e as disposições do direito
internacional humanitário aplicáveis na celebração de acordos internacionais
para a exploração dos recursos naturais dos territórios ocupados.
O Procurador Geral argumenta que tais regras podem ser
invocadas no contexto do controle judicial dos acordos internacionais
celebrados pela União.
Fonte: agência EFE
terça-feira, 9 de janeiro de 2018
República Saharaui participa na reunião ordinária de chefes de Estado Maior dos países da União Africana
Addis Abeba, 09/01/2018 (SPS)- Uma delegação da República
Árabe Saharaui Democrática (RASD) participa na 13.ª Reunião Ordinária de Chefes
de Estado Maior de países da União Africana, para preparar o próximo encontro do
Comité especializado de defesa, paz e segurança no continente.
A RASD está representada por uma delegação presidida pelo
membro do Secretariado Nacional e chefe da Quinta Região Militar, Taleb Ammi
Deh.
É esperado que a reunião aborde assuntos relativos à defesa,
paz e segurança, assim como os desafios atuais com que o continente se defronta
como os grupos terroristas e o crime organizado. Para isso, será aumentado o
papel da Afripol e será criado um fundo para responder aos mencionados desafios.
Em declarações à agência SPS, Taleb Ammi Deh, afirmou que a
participação da República Saharaui é o reflexo do seu compromisso em relação à execução
das políticas da União Africana em relação à paz e à segurança.
Também o membro do Secretariado Nacional e ministro da
Defesa Nacional, Abdalahy Lehbib, participará hoje, terça-feira, na reunião ordinária
de Ministros da Defesa dos Países da União
Africana no termo dos trabalhos da reunião de chefes de Estado Maior.
sábado, 6 de janeiro de 2018
Sahara Ocidental: os reveses do lobbying de Marrrocos para influenciar a posição dos EUA
Washington, 04 jan 2018
(SPS) O intenso lobbying realizado em 2017 por Marrocos para influenciar a
posição dos EUA sobre a questão saharaui foi marcado por um fracasso apesar das
grandes somas gastas em Washington para influenciar a política dos EUA em
relação ao Sahara Ocidental.
Rabat sofreu um novo revés
diplomático quando o Senado rejeitou, em outubro passado, uma disposição do
orçamento federal dos EUA para o ano de 2018, que autorizava Marrocos a gastar
assistência financeira norte-americana no Sahara Ocidental.
A medida apresentada no
Congresso sob a inspiração do lobby marroquino na Câmara dos Representantes
visava reconhecer Marrocos como potência administrante nos territórios
ocupados, mas estava em contradição com a posição da administração americana
que definiu em 2016 uma recusa categórica para implementar esta disposição.
Foi preciso a intervenção
do Senado para derrotar essa tentativa de influir aquele que tem sido uma
posição oficial constante da administração dos EUA.
Mais afirmativamente, a
câmara alta do parlamento dos EUA observou no capítulo do orçamento sobre o
financiamento das operações do Departamento de Estado no exterior que
"nada nesta lei deve ser interpretado como uma mudança na política dos
Estados Unidos. Unidos no Sahara Ocidental, que é encontrar uma solução
pacífica, duradoura e mutuamente aceitável para o conflito ".
Retificando a disposição
da Câmara dos Representantes, o texto especifica que qualquer financiamento que
seja concedido aos territórios saharauis ocupados será gerido pela Missão para
o Referendo no Sara Ocidental (Minurso) em consulta com o Senado.
Não se poderia mais claro
nesta questão: o Senado dos EUA confirmou que os territórios saharauis ocupados
estão sob a jurisdição da ONU e não de Marrocos.
Rabat, que esperava uma
mudança na posição dos EUA, também dependia da nomeação do acadêmico Peter
Pham, chefe do Escritório de África do Departamento de Estado.
Rabat esperava uma
alteração da posição americana apostando na nomeação do universitário Peter
Pham à cabeça do Bureau África do Departamento de Estado.
Peter Pham, uma fonte
habitual da agência de informação marroquina
(MAP), conhecido também pela sua proximidade a Rabat, era um dos
pretendentes a este cargo político de importância para África.
Mas o lobby marroquino
sofreu um segundo revés diplomático quando a nomeação deste académico foi
bloqueada pelo Senado após as objeções levantadas pelo senador de Oklahoma,
James Inhofe, que argumentou que a posição de Pham sobre o assunto era "Incompatível"
com a qualidade de funcionário do Departamento de Estado, de acordo com
revelações de altos funcionários dos EUA, noticiadas no verão passado pela “Foreign
Policy”.
O influente senador e
grande amigo do Sahara Ocidental considerou que a administração americana
deveria ter uma posição mais firme sobre o status
dos territórios saharauis ocupados.
Após vários meses de tergiversações,
a administração Trump nomeou para o cargo Donald Yamamoto em setembro passado,
um profundo conhecedor de África, de acordo com vários observadores em
Washington.
De resto, a posição
americana não alterou se alterou em relação à questão saharaui, apesar das
múltiplas tentativas feitas por Marrocos de a fazer infletir através do seu
lobby no Congresso.
O Departamento de Estado continua
a manter os territórios saharauis na sua lista de dependências e territórios
com soberania especial, cujo estatuto final continua por determinar.
Irritados pela falta de
vontade do Marrocos de retomar as negociações, os Estados Unidos não esconderam
sua preocupação com o processo de paz paralisado e alertaram em abril, logo
após a votação da resolução que prolongou o mandato da Minurso, que "iriam
acompanhar de perto os progresso no terreno" numa mensagem mal velada para
Marrocos.
Para Washington, os bloqueios
colocados à Minurso levaram o Conselho de Segurança a concentrar o seu debate
em "detalhes operacionais muito específicos" em vez de se concentrar na
sua verdadeira missão de realizar um referendo sobre a autodeterminação.
Fonte: SPSRASD – Agência de
informação
quinta-feira, 4 de janeiro de 2018
Dois académicos japoneses expulsos por Marrocos de El Aaiún
Fonte:
Periodistas en español
Dois
prestigiados académicos de investigação japoneses foram expulsos por Marrocos da
cidade saharaui ocupada El Aaiún.
Uma delegação
japonesa formada por Akihisa Matsuno, professor de Ciências Políticas na Universidade
de Osaka, e por M. Furusawa, professora de Economia, chegou a El Aaiún a 26 de
dezembro de 2017, onde tiveram um encontro com a MINURSO, informa Hassana Abba,
membro da ASVDH, que os conduziu pela cidade.
Quando se
dirigiam para a sede da ASVDH, foram interpelados por polícias que lhes
disseram que não tinham fireito a encontrar-se com os ativistas saharauis. Não
obstante, os dois professores prosseguiram o seu caminho e na ASVDH teve início
uma reunião. Pouco depois, as autoridades de ocupação obrigaram-nos a abandonar
o local. Foram levados para o aeroporto de El Aaiún e expulsos para Casablanca.
Desde 2014, são
já 163 pessoas de 15 nacionalidades obrigadas a sair do Sahara Ocidental porque
vinham tomar conhecimento da situação no território, e que puderam constatar as
vulnerabilidades dos direitos humanos nesse território não autónomo, sobre o qual
Marrocos não tem nenhum mandato internacional.
Segundo a associação
saharaui ASVDH “As autoridades de ocupação detiveram os investigadores japoneses na manhã dde
sexta-feira 29 de dezembro quando percorriam a rua de Meca e interregaram-nos
durante um quarto de hora.
ASVDH diz
que “a polícia marroquina e o seu aparelho de segurança estiveram sempre a
vigiar os dois professores. Aconteceu o que se esperava, a polícia irrompeu na sede
da ASVDH onde os dois académicos estavam reunidos com os membros da associação para
os obrigar a abandonar a cidade.
Foram levados
para o aeroporto da cidade num veículo
Hyundai para logo serem deportados
para a cidade marroquina de Casablanca.
Operação militar saharaui em Guerguerat
Segundo a
publicação El Confidencial Saharaui Frente Polisario “ameaçou esta terça-feira
reatar as suas atividades militares contra Marrocos, país que ocupa ilegalmente
o território da ex-colónia espanhola, se a ONU não cumprir a última resolução
do Conselho de Segurança que obriga as forças marroquinas a abandonar a faixa de
Guerguerat”.
O comunicado
do presidente da República Saharaui dirigido à Minurso é muito claro – adianta a
publicação - "a Polisario reatará as suas atividades militares em legítima
defesa se Marrocos persistir com a sua presença em El Guerguerat e não cumprir com
a resolução 2351 que a obriga a retirar da zona".
Ontem, 03 de
janeiro de 2018, membros das unidades militares saharauis de reconhecimento detiveram
um Rally que atravessa a fronteira mauritana-saharaui". El Frente
Polisario, prossegue o texto, já deu a conhecer ao Secretário-Geral da ONU, que
"se sente livre de todo o compromisso com a trégua em vigor". Os
saharauis consideram a decisão dos organizadores do Rally como "um insulto
à vontade dos saharauis e um apoio ao colonialismo marroquino. O Rally Emirados
- Sahara não o atravessará a fronteira saharaui para a Mauritânia – afirma a
Polisario.
O El
Confidencial Saharaui lembra que a missão da ONU para o Referendo no Sahara Ocidental
“retirou-se no passado dia 4 de junho de El Guerguerat sem aviso prévio e o exército
marroquino apoderou-se do posto. A F.POLISARIO denunciou estes factos ante a
ONU e também enviou tropas para a zona, alem de pôr em alerta máximo todas as
unidades militares próximas do muro marroquino”.
A última
resolução da ONU assegurou que a MINURSO manteria no posto, para evitar qualquer
acontecimento que possa provocar uma guerra na zona. Além disso chamou as duas
partes a negociar com boa-fé e seriedade.
Posteriormente
as duas partes retiraram-se por ordem da ONU. Agora Marrocos aproveita a
retirada das forças da MINURSO para voltar a provocar a mesma situação – constata
a publicação.
Que adianta:
Estes "mini-conflitos" não levam senão a desviar os esforços da ONU e
da comunidade internacional em procurar uma solução para o conflito real do Sahara
Ocidental. Uma estratégia que, claramente, beneficia apenas a Marrocos.
Fonte: El Confidencial Saharaui
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