quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Têm início os 12.º Encontros Internacionais de Arte e Direitos Humanos do Sahara Occidental nos Territórios Libertados





Fonte: Sahara Sevilla - O primeiro-ministro saharaui, Mohamed El Wali Akei, inaugura hoje, dia 31 de outubro - na Escola Saharaui de Artes – o ARTifariti 2018 que, após cinco edições baseadas nos acampamentos saharauis, regressa aos territórios libertados. Foi lá, na cidade de Tifariti, que nasceram, em 2007, os Encontros Internacionais de Arte e Direitos Humanos do Sahara Ocidental para tornar visível através da arte os muros de opressão que escravizam o mundo, entre eles o chamado Muro da Vergonha que segrega o território Saharaui em dois trerritório e que foi construído nos anos 80 por Marrocos.
Esta noite nos acampamentos saharauis são muitos os que se encontram com artistas locais, colegas de diferentes partes do mundo, especificamente da Argélia, Colômbia, EUA, Espanha, Itália, México, Moçambique e Tanzânia. Durante dez dias esse coletivo de artistas contemporâneos desenvolverá diversos projetos, com propostas de realidade artística, arte de ação, videoarte, rap e intercâmbio musical, de fotografia, instalações, pintura mural, produção de cometas, alquimia espiritual ... um laboratório colaborativo que combina práticas artísticas e direitos humanos com o objetivo de influenciar a transformação social em direção a um modo de vida inclusivo, sustentável e à escala humana.
Estaquinta-feira, uma caravana de 100 pessoas viajará a Tifariti, onde poderão conhecer em profundidade a cultura saharaui, através da sua convivência com famílias nómadas. Irão morar num acampamento que tem sido chamado de "Frig de la Resistencia" de onde irão espalhar essa sua experiência online através de ações, performances, desenhos, vídeos ... Essas peças artísticas vão construir um documento visual #resistenciaculturalsaharaui que será entregue à Relatora Especial de Nações Unidos dos Direitos Culturais, denunciando o processo de aculturação sofrido pelo povo saharaui nas áreas ocupadas pelo regime de ocupação marroquino que modifica os seus nomes para apagar a sua identidade ou os proíbe de montar as suas tendas tradicionais (jaimas).
Mais informação sobre participantes e programa em: artifariti2018.saharasevilla.org



Invasão militar do Sahara Ocidental por Marrocos foi há 43 anos


A 31 de outubro de 1975 regimentos de tanques e blindados do exército marroquino invadem o Sahara Ocidental ocupando as regiões de Hauza e Djederia, a ocidente da cidade saharaui de Smara.
O regime marroquino camufla a invasão militar com a qual começa a destruir, matar e sequestrar a população saharaui, desviando a atenção da comunidade internacional para a denominada Marcha Verde que pôs em em execução, alegadamente civil e ‘pacífica’, que chega ao posto fronteiriço de Tah, entre Daoura e Tarfaya (Sahara Ocidental), a 6 de novembro de 1975.

A Marcha Verde constituiu uma manobra de diversão para a invasão militar
A Espanha como potência colonial do território tem obrigações claras e, de acordo com o direito internacional, não as cumpriu. A atitude da Espanha e a sua falta de dignidade constituiu uma traição ao povo saharaui que ainda hoje sofre com a ocupação e o exílio.
Fonta: Por un Sahara Libre



Espanha: Intergrupo do Sahara acusa de “censura” PP e PSOE por impedirem um encontro internacional no Congresso




Fonte: EIC Poemario por un Sahara Libre / Europa Press - Representantes do Intergrupo do Congresso de solidariedade com o Sahara Ocidental expressaram o seu descontentamento na terça-feira pela decisão da Mesa do Congresso, adotada com os votos do PP e do PSOE, de vetar a celebração na câmara baixa de um encontro internacional em apoio ao referendo de autodeterminação.

Trata-se de uma reunião entre membros do Parlamento Europeu, das Cortes Gerais (Parlamento de Espanha) e das assembleias autonómicas promovida pela Conferência Europeia de apoio à realização de um referendo sobre a autodeterminação do Sahara Ocidental (EUCOCO).

O Unidos Podemos pediu permissão há uma semana para organizar o evento no Congresso, mas como não houve unanimidade, o presidente do Congresso pediu um relatório. Nesta terça-feira a questão foi novamente debatida e o PP e o PSOE rejeitaram a autorização alegando que os relatórios do ministérios dos Negócios Estrangeiros sugerem que a sua participação poderia afetar as relações com Marrocos. Ambos os partidos formaram uma maioria face aos apoiantes da proposta o Unidos Podemos e o partido Ciudadanos.

Temas em que se unem “como uma lapa”
“É uma interferência ilegítima na ação dos deputados", sublinhou Gloria Elizo, do Podemos, que é a quarta vice-presidente da Mesa e que se opôs à decisão. Fernando Maura, do Ciudadanos (centro-direita), chamou a atenção para o facto de que o PP e o PSOE, tão diatantes em outras ocasiões, "se unem como uma lapa" em certos assuntos.

Para o valenciano Enric Bataller, do Compromis, este veto é um "acto de censura que não se justifica", enquanto o basco Iñigo Barandiaran, do PNV, denunciou que não há precedente em negar espaço para uma reunião entre parlamentares.

Anna Surra, da Esquerra Republicana, não entende esta decisão do Congresso porque a a ação planeada não compromete a política externa da Espanha porque é "uma conversa entre parlamentares".

sábado, 27 de outubro de 2018

Delegação saharaui critica Espanha por negligenciar os problemas do território [do Sahara Ocidental – sua antiga colónia]





Publicado a 27 outubro , 2018 - Fonte e foto: El Día - A Delegação Saharaui em Espanha criticou hoje o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Josep Borrell, por referir que a Espanha não tem responsabilidades no Sahara Ocidental e ignore os problemas causados ​​pela exploração dos recursos naturais.

Segundo um comunicado da Delegação Saharaui, "a Espanha continua a ser 'de jure', segundo as Nações Unidas, o potência administrante do Sahara Ocidental", pelo que "não há lógica" que diga que apoia a posição da ONU e "defenda na UE acordos que violam os acórdãos do Tribunal de Justiça da UE "sobre a exploração ilegal dos recursos naturais do Sahara.

A Delegação critica que, na sua comparência perante a Comissão de Relações Exteriores do Senado, o ministro tenha sublinhado que "estamos alinhados com as Nações Unidas e apoiamos a posição das Nações Unidas, do seu alto representante, e negociador" e que o seu trabalho se limite a tentar "que se possam realizar negociações entre as partes".

Borrell lembrou que "a Espanha não é considerada potência administrante" no processo de descolonização do Sahara Ocidental, e por isso se limita a apoiar os esforços do Secretário-Geral da ONU ", que é a melhor, senão a única, coisa que podemos fazer", disse.


quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Deputados do Bloco de Esquerda solidários com o Sahara Ocidental


Os 19 deputados do Bloco de Esquerda, a terceira maior bancada parlamentar dos 230 deputados que têm assento na Assembleia da República Portuguesa, tiveram hoje uma iniciativa inesperada de solidariedade com o Povo Saharaui. Saíram do Parlamento e manifestaram da forma que as fotos documentam esse fraternal gesto de solidariedade.
As fotos vão correr mundo, e serão vistas com especial carinho nos territórios do Sahara Ocidental sob ocupação marroquina, entre os mais de 170 mil refugiados saharauis que sobrevivem nos acampamentos do deserto de Tindouf (no extremo sudoeste da Argélia) e entre a diáspora saharaui espalhada pelo mundo, em especial em Espanha.
O gesto de solidariedade surge num momento em que as autoridades da Comunidade Europeia tentam desesperadamente encontrar uma ‘formula mágica’ para firmar o Acordo de Pesca com Marrocos em desrespeito das sentenças do Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE). Aqueles acórdãos, recorde-se, declaram expressamente e de forma clara que Marrocos e o Sahara são dois territórios distintos e separados e que Marrocos não tem soberania sobre o território do Sahara Ocidental, pelo que a presença marroquina no Sahara Ocidental é uma ocupação militar, não podendo nenhum Estado firmar acordos de caráter comercial ou outros que envolvam aquele território.

Os 19 Deputados do Bloco de Esquerda (BE) frente à Assembleia da República

O gesto dos deputados bloquistas é também uma mensagem de determinação para a Organização das Nações Unidas que no principio de Dezembro irá promover em Genebra o encontro directo entre as duas partes do conflito – Marrocos e a Frente Polisario – com vistas a uma saída para um processo de descolonização que continua por cumprir.
Lisboa 25 de Outubro 2018

Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto firma protocolo com a Universidade Saharaui de Tifariti



O Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto (CEAUP) e a Universidade de Tifariti, nos territórios libertados do Sahara Ocidental, subscreveram ontem um protocolo que tem como objetivo a colaboração académica e o desenvolvimento de projetos entre as duas instituições.

O reitor da Universidade de Tifariti, Prof. Jatari Anda-la Ahmed Salem, havia participado anteontem na 1ª Conferencia CEAUP “Sistemas Educativos na África Ocidental” onde expôs a situação vivida pelo povo saharaui nos territórios ocupados e nos campos de refugiados.

A Universidade de Tifariti é um projeto único no mundo, já que se encontra nos campos de refugiados saharauis em pleno deserto.

A conferência e o estabelecimento do protocolo deram a oportunidade de docentes e estudantes da Universidade do Porto conhecerem a realidade vivida pela população saharaui e o empenho do governo saharaui no apoio e desenvolvimento de um ensino de qualidade.

Os campos de refugiados saharauis existem desde 1975 logo que ocorreu a invasão militar de Marrocos do território saharaui e são a zona de África com a mais alta taxa de alfabetização -superando os 90% - com uma escolaridade obrigatória desde os 3 anos de idade.
Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto junta-se assim a várias universidades de Espanha, EUA, Cuba, Venezuela, Polónia, Alemanha, Áustria, Argentina e Argélia com quem a Universidade saharaui de Tifariti já tem programas de colaboração.

O Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto (CEAUP), atualmente presidido pela Professora La Salete Coelho, é uma organização de investigação e cooperação multidisciplinar formada em 10 de Novembro de 1997. Reúne investigadores, docentes e estudantes de instituições nacionais e internacionais.

Segundo o Prof. Miguel Silva, da direção do CEAUP, este protocolo não é simplemente um ato simbólico, mas o início de uma cooperação efetiva.
Uma delegação do CEAUP, encabeçada pelo Prof. Maciel visitou os campos de refugiados no início deste ano.

Fonte: Por un Sahara Libre