quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

Guerra no Sahara Ocidental: Comunicado militar nº. 427

 



O Ministério de Defesa da RASD emitiu o hoje o comunicado referente ao 427º dia de reatamento da guerra de libertação contra o ocupante marroquino.

 

Comunicado n.º 427

Quinta-feira, 13 janeiro 2022

01 - Duas vagas de bombardeamentos sobre posições entrincheiradas das forças de ocupação marroquinas na área de Ross Udey Safá, no setor de Hauza (norte do SO), tendo-se observado densas colunas de fumo elevando-se dos alvos atingidos.

02 - Bombardeio das trincheiras das forças marroquinas na área de Fadrat Al-ish, setor de Hauza.

03 - Bombardeio sobre as posições defensivas marroquinas na área de Güerat Ould Balal, setor de Mahbes (nordeste do SO).

04 - Bombardeamento sobre concentrações de tropas de ocupação na zona de Sabjat Tinushad, também no setor de Mahbes.

Fonte: SPS

Marrocos defende a sua proposta de autonomia para o Sahara perante o enviado pessoal do SG da ONU para o Sahara Ocidental

 

O MNE marroquino, Naser Bourita, face a face com Staffan de Mistura


Segundo relata hoje a agência espanhola EFE, o ministro marroquino dos Negócios Estrangeiros, Naser Burita, insistiu na proposta marroquina de autonomia como solução para o conflito do Sahara Ocidental durante o seu encontro de hoje em Rabat com o novo enviado da ONU para o território, Staffan de Mistura, que visita a região pela primeira vez.

Mistura reuniu-se esta quinta-feira com o ministro e o embaixador marroquino na ONU, Omar Hilale, no Palácio dos Convidados, localizado dentro do Palácio Real e onde a delegação da ONU está hospedada. O Enviado Pessoal do SG da ONU para o Sahara Ocidental irá visitar seguidamente os campos de refugiados saharauis, onde reunirá com os dirigentes da Frente Polisario, e reunirá igualmente com os dirigentes dos países observadores no conflito, Argélia e Mauritânia.

Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros, a delegação marroquina reiterou a De Mistura a posição definida pelo rei Mohamed VI nos seus discursos, que consiste em apoiar um processo de negociação sob o comando exclusivo da ONU "para chegar a uma solução política com base na iniciativa de autonomia marroquina" e com mesas redondas entre Marrocos, a Frente Polisario, a Argélia e a Mauritânia.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

Guerra no Sahara Ocidental: Comunicados militares nº. 424, 425 e 426

 


O Ministério de Defesa da RASD emitiu os comunicados referentes ao 424º, 425º. e 426º. dias de reatamento da guerra de libertação contra o ocupante marroquino.

 

Comunicado n.º 426

Quarta-feira, 12 janeiro 2022

01 - Tropas das forças de ocupação marroquinas na área de Al Shizmiya, no setor de Mahbes (nordeste do SO), foram surpreeendidas com violentos bombardeamentos levados a cabo pelo ELPS que destruiram material e equipamentos militares, incluindo o veículo de artilharia das forças de ocupação.

02 - Bombardeamento das posições entrincheiradas das forças de ocupação na zona de Fadrat Al-Mars no setor de Hauza (norte do SO).

03 - Bombardeio sobre posições das forças ocupantes na zona de Umm Legta no setor de Mahbes (nordeste do SO).

 

Comunicado n.º 425

Terça-feira, 11 janeiro 2022

01 - Bombardeamento sobre zonas entrincheiradas das forças inimigas na área de Jangat Al Hurria, no setor de Smara (norte do SO).

02 - Bombardeio contra as trincheiras das forças ocupantes na zona de Rus Uday Al-Safa, pela segunda vez no setor de Smara.

03 – Fogo de artilharia sobre as concentrações das forças marroquinas na área de Graret Hadid, no setor de Farsia (nordeste do SO).

 

Comunicado n.º 424

Segunda-feira, 10 janeiro 2022

01 - Bombardeamento concentrado sobre as trincheiras das forças de ocupação estacionadas em Fadrete Leghrab, no setor de Hauza (norte do SO).

02 - Bombardeios sobre concentrações das forças de ocupação nas áreas de Fedret Leghrab no setor de Hauza 

Fonte: SPS

Esquerda Europeia apela aos governos europeus a pressionar Marrocos para que respeite os direitos humanos nos territórios ocupados

 

Sultana Jaya

ECS. | 11-01-2022 - A Esquerda Europeia emitiu um comunicado apelando à necessidade urgente de os governos europeus intervirem imediatamente para pressionar o governo marroquino e o regime existente em Marrocos a nível bilateral e internacional, a fim de cumprir as suas obrigações de proteger a ativista saharaui Sultana Jaya e de assegurar o respeito pelos direitos humanos nos territórios saharauis ocupados.

Na sua declaração, o partido expressou a sua rejeição categórica das acções agressivas contra Sultana Jaya e a sua família que já suportaram mais de um ano de prisão domiciliária imposta na cidade ocupada de Bojador sem qualquer base legal.

A Esquerda Europeia afirma a sua amizade e laços com os povos saharaui e marroquino, apelando no mesmo contexto às várias autoridades a tomar medidas, propostas e ações em solidariedade com Sultana Jaya e a sua luta pelo direito do seu povo à autodeterminação.

A declaração acrescenta: "A questão da autodeterminação do povo saharaui e do respeito dos direitos humanos dos seus cidadãos voltou às manchetes nestes dias devido ao reinício da guerra no Sahara Ocidental entre o Reino de Marrocos e a Frente Polisario".

A este respeito, argumenta que é importante recordar o estatuto do Sahara Ocidental do ponto de vista do direito internacional; um território não autónomo à espera de um referendo sobre a autodeterminação. Clarifica também que a violência sistemática exercida pelas forças de segurança marroquinas contra ativistas e militantes saharauis é um reflexo dos padrões violentos e autoritários do aparelho repressivo do Estado e do governo marroquinos.

Finalmente, a Esquerda Europeia conclui que as graves violações no Sahara Ocidental são inaceitáveis e devem ser condenadas e sancionadas, tal como expresso pelo Relator Especial das Nações Unidas para os Defensores dos Direitos Humanos.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

Sahara Ocidental: De Mistura deveria ter um mandato semelhante ao de Baker - afirma Christopher Ross

Staffan De Mistura

 

WASHINGTON (APS) - O antigo enviado da ONU para o Sahara Ocidental, Christopher Ross, apelou aos Estados Unidos a trabalhar para dar ao novo enviado pessoal, Staffan de Mistura, um mandato "mais amplo", semelhante ao que teve James Baker de 1997 a 2004.

"Se o atual processo de negociação continuar bloqueado, os Estados Unidos deveriam trabalhar com outros membros do Conselho de Segurança para dar ao novo enviado um mandato mais amplo, semelhante ao que teve James Baker de 1997 a 2004. Durante esses anos, a procura de um acordo esteve nas mãos do enviado pessoal, não das partes", explicou o Christopher Ross durante um recente webinar organizado pela ONG norte-americana Defense Forum Foundation sob o tema: "Western Sahara: The Ongoing Human Rights Tragedy in North Africa".

Ross disse que os EUA deveriam "apoiar plenamente" o novo enviado pessoal do Secretário-Geral da ONU nos seus esforços e tentar "convencer Marrocos a negociar sem condições prévias".

Em 2007, após a demissão de James Baker, recordou Ross, o Conselho de Segurança apelou a negociações sem condições prévias entre Marrocos e a Frente Polisario. E o objetivo destas negociações era alcançar "uma solução política mutuamente aceitável que permita a autodeterminação do povo do Sahara Ocidental". Estes são os termos utilizados em sucessivas resoluções do Conselho de Segurança".

"De 2007 a 2019, o meu antecessor, o meu sucessor e eu próprio patrocinámos 15 sessões entre as duas partes (Frente Polisario/Marrocos). Infelizmente, nada que se pudesse chamar negociações teve lugar durante estas reuniões. Pode perguntar porquê…? Bem, é bastante simples. A Polisario veio a cada sessão pronta para discutir ambas as propostas (a sua e a de Marrocos), mas o Reino veio com uma importante condição prévia: que o debate se centrasse apenas na sua própria proposta.



Para quebrar este impasse, Ross, então enviado da ONU, insistiu em discussões sobre várias questões, tais como medidas de criação de confiança, recursos naturais e direitos humanos. O antigo enviado da ONU observou a este respeito que o Secretário-Geral, em cada um dos seus relatórios ao Conselho de Segurança, apelou à "vigilância independente dos direitos humanos no Sahara Ocidental, mas em vão". Marrocos recusou-se a permiti-lo nos territórios saharauis que ocupa, alegando que tal "violaria a sua autoproclamada soberania".

De acordo com Ross, durante os 12 anos de impasse, "o Conselho de Segurança não exerceu qualquer pressão real". Isto deveu-se em grande parte, disse ele, a "divisões entre os seus membros".

Durante a sua intervenção, Ross voltou à decisão tomada em dezembro de 2020 pelo antigo presidente dos EUA, Donald Trump, de reconhecer a alegada "soberania" marroquina sobre o Sahara Ocidental, "uma soberania, disse ele, que não existe e que não lhe cabe a ele conferir".

Este movimento, que nenhum outro país, nem mesmo a França, seguiu, é "insensato" porque, disse, "complica o processo de negociação" e "destrói qualquer perspetiva de integração e cooperação regional, incluindo em matéria de luta contra o terrorismo e outras questões de segurança".

A administração Biden, por seu lado, tratou a proclamação de Trump essencialmente como uma "letra morta". Evitou, por exemplo, referir-se a ela nas suas declarações públicas e absteve-se de abrir um projeto consular no Sahara Ocidental ocupado, recordou o antigo diplomata norte-americano.

Finalmente, Christopher Ross disse que "se o mandato do enviado pessoal, o diplomata italiano Staffan de Mistura, se limitar à organização de reuniões das partes, como foi o caso dos seus três antecessores, ele enfrentará as mesmas dificuldades que eles".

De Mistura é o quinto enviado da ONU para o território não-autónomo. A ONU já nomeou quatro mediadores para tentar resolver o conflito de 47 anos, mas em vão. Foram eles os dois norte-americanos James Baker e Christopher Ross, o ex-presidente alemão Horst Kohler e o holandês Peter Van Walssun.

Frente Polisario não acalenta esperanças sobre a visita do Enviado Pessoal do SG da ONU

 

Sidi Mohamed Omar, representante da F. Polisario na ONU, e Staffan de Mistura  


"Não há muita esperança; sem o apoio do Conselho de Segurança, com a negação de Marrocos, e em estado de guerra. Mas como parte do conflito e com a ideia de encontrar uma solução, estamos prontos a ouvir as propostas que tiver”.

(ECS). - O Enviado Pessoal do Secretário-Geral da ONU para o Sahara Ocidental, Staffan de Mistura, iniciará a sua primeira visita à região na quinta-feira 13 de janeiro, com Marrocos e a Frente Polisario em guerra desde o final de 2020.

O enviado da ONU chega à região num contexto difícil e diferente dos seus cinco predecessores, uma vez que as duas partes em conflito, Marrocos e a Frente Polisario, estão em guerra desde o fim do cessar-fogo a 13 de novembro de 2020, na sequência da invasão pelas forças de ocupação marroquinas de novos territórios no sul da antiga colónia espanhola (a faixa de El Guerguerat, junto à fronteira sul com a Mauritânia).

Segundo os media espanhóis, a imprensa marroquina assegurou que De Mistura não viajará para os campos de refugiados saharauis, fontes da Frente Polisario garantiram no entanto ao diário EL ESPAÑOL, que "ele está em contacto com as duas partes e com os países vizinhos para organizar a agenda". Espera-se que o emissário da ONU chegue aos acampamentos no dia 15 para se encontrar com as autoridades saharauis. "A digressão terá lugar entre 13 e 19 de janeiro, e ele irá encontrar-se com as duas partes envolvidas - Marrocos e a Frente Polisario - assim como com os países vizinhos, Argélia e Mauritânia", explicou o representante da Frente Polisario na ONU, Sidi Mohamed Omar, ao EL ESPAÑOL.

A 6 de outubro de 2021, o Secretário-Geral da ONU António Guterres anunciou a nomeação do antigo funcionário do governo italiano Staffan de Mistura como seu enviado pessoal para o Sahara Ocidental, e a 1 de novembro este iniciou oficialmente a sua missão como mediador num dos conflitos mais prolongados do mundo.

Recorde-se que De Mistura realizou uma reunião a 5 de novembro de 2021 com os representantes da Frente Polisario e de Marrocos na ONU para estabelecer contacto com as autoridades das duas partes. "Ele veio para ouvir, para fazer contacto. Pela minha parte, expliquei a posição da Frente Polisario ao longo de todo o processo. Falámos sobre a digressão, aí ele anunciou que iria fazer o mesmo que os outros enviados especiais", revelou Sidi Mohamed ao El ESPAÑOL.

Na primeira visita de Di Mistura, Sidi Mohamed Omar referiu: "Não há muita esperança, para ser honesto; sem o apoio do Conselho de Segurança, com a negação de Marrocos, e o estado de guerra. Mas como parte no conflito e com a ideia de encontrar uma solução, estamos prontos a ouvir as propostas que ele tem".