segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Chefe da secção do Médio Oriente e Norte de África da “Human Rights Watch” relata o que viu em El Aaiún




Eric Goldstein, chefe da secção do Médio Oriente e Norte de África da “Human Rights Watch” esteve em El Aaiun no dia 15 de fevereiro de 2014. Aqui está o seu testemunho :

Na semana passada, as organizações de direitos humanos saharauis avisaram as autoridades que queriam organizar uma manifestação no dia 15 de fevereiro às 17:30 H. Muito antes da hora marcada, mais de 100 polícias uniformizados e à paisana colocaram-se em todas as direções a partir da interseção do ponto designado, bloqueando o caminho a qualquer pessoa que suspeitassem que pretendesse participar. Por duas vezes tentei chegar perto, mas agentes à paisana impediram-me "para minha própria proteção". Um deputado britânico e a sua delegação conseguiram aproximar-se de um grupo de manifestantes antes que a polícia os impedisse e lhes roubasse a máquina fotográfica do seu carro, devolvendo-a só depois de terem apagado algumas fotos que eles tinham captado, de acordo com John Hilary, membro de uma ONG que integrava a delegação. Mais tarde, o governador acusou-os de tentarem incitar os manifestantes à revolta.



Nesse mesmo dia, um estudante que mantém uma página no Facebook documentando violações dos direitos humanos contou-me como, no dia 2 de fevereiro, policias à paisana o detiveram na rua, interrogaram-no sobre o seu ativismo na web, forçando-o a revelar as sua “passwords”, tendo, de seguida, aberto a sua página web e lido o seu e-mail num computador da delegacia de polícia e na sua presença. Disse-me que foi libertado à meia-noite, tendo advertido o seu pai que, da próxima vez, ele iria enfrentar acusações criminais.

O estudante disse-nos que, quando filmava a ação da polícia contra os manifestantes saharauis, ele e seus colegas, agachavam-se nas varandas e telhados para evitar o confisco dos seus equipamentos. Isso explica a razão das imagens que publicam serem, muitas vezes, desfocadas e aos saltos.

Marrocos não pode utilizar meios técnicos para censurar a web mas, no terreno, no Sahara Ocidental, a sua polícia censura pela intimidação e pelas cacetadas.


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