domingo, 31 de agosto de 2014

O maior campo de minas do mundo



Mitch Swenson escreveu para a War is Boring sobre o muro marroquino no Sahara Ocidental, a que chama “o maior campo de minas do mundo”.

Fala do impasse no conflito e de como os grupos jihadistas que operam na região tratam de recrutar jovens saharauis.

O assunto foi tema de artigo recente na revista “Foreign Policy” onde David Conrad conta que a Frente Polisario criou uma “força antiterrorista” que patrulha os arredores de Tindouf. Surgiu preocupação entre os líderes saharauis após o sequestro em Tindouf de três cooperantes no ano de 2011 e a infiltração o ano passado de recrutadores da Al Qaeda do Magrebe Islâmico.

Agora a Frente Polisario escolta as colunas de funcionários da MINURSO como medida de segurança. Conrad cita Omar Bashir Manis, o sudanês que está à frente do Escritório de Ligação da MINURSO em Tindouf, que fala do emergente “arco de instabilidade” na região.

Um momento importante terá lugar quando a norte-americana Kosmos Energy começar a explorar jazidas de petróleo “off shore” frente às costas do Sahara Ocidental


Fonte: Diaspora Saharaui.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Forças de ocupação marroquinas expulsam delegação feminina espanhola

 
Rosa Valdeón, Alcadesa de Zamora expulsa de El Aaiún

Prosseguindo na decisão de impedir estrangeiros de visitar os territórios ocupados do Sahara Ocidental, as autoridades marroquinas de ocupação, expulsaram na tarde desta sexta-feira, do aeroporto de El Aaiún, a delegação feminina procedente da comunidade espanhola de Castilla e León sem indicar os motivos.

Os membros da delegação expulsos são: a Presidente da Câmara de Zamora, Rosa Valdeón, a sua conselheira de Comunicação, Marie Emrneza, um membro da junta Executiva nacional do Partido Popular (PP), acompanhados pela presidente da União de Associações de Castilla e León Solidárias com o Povo Saharaui, Inés Prieto, e a secretária-geral Verónica.

Todos iam com a intenção de visitar os territórios ocupados e reunir-se com as organizações da sociedade civil saharaui para constatar a situação dos direitos humanos e o desenvolvimento sobre o terreno, mas as autoridades de ocupação não quiseram que isso ocorresse.

O número de estrangeiros expulsos dos territórios ocupados desde a última resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre a questão do Sahara Ocidental foi de 42 pessoas de ambos os sexos, incluindo observadores, advogados e jornalistas.


Equipa Mediatica Territórios Ocupados - Sahara Ocidental

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

UJSARIO no Festival Mundial da IUSY




A União de Jovens do Saguia el Hamra e Rio de Oro participou no Festival da União Internacional das Juventudes Socialistas, de 20 a 26 de agosto em Malta: A IUSY é uma organização fundada em 1946 com sede em Viena (Áustria), constituída por mais de 100 organizações internacionais, reconhecida e com representação no seio das Nações Unidas.
A delegação saharaui aproveitou a programação do Festival da IUSY 2014 para desenvolver encontros e reuniões com outras organizações para dar a conhecer a situação do Sahara Ocidental e firmar acordo de compromisso e apoio com a causa justa do Povo Saharaui.

Dentro da programação do Festival destaque para a conferencia da organização e intitulada: “Sahara; a última colónia de África” a que assistiu como conferencista Ahmed Bukhari, embaixador do Sahara Ocidental junto das Nações Unidas e outro destacado conferencista como é Erik Hagen, presidente do Comité de Apoio para o Sahara Ocidental (Støttekomiteen for Vest-Sahara).

Fonte, foto: Aby Athman

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Bojador: Jovem saharaui morre em consequência de explosão de mina



  
O jovem pastor saharaui Abdellahi Eljarshi, de 31 anos, faleceu esta segunda-feira vítima da explosão de uma mina antipessoal, na zona conhecida como El Madelshiat, a 50 km a Leste da cidade costeira de Bojador, a noroeste do Sahara Ocidental e a 180 km de El Aaiún, capital ocupada.

Eljarshi, solteiro e com toda a vida à sua frente, foi surpreendido pelo rebentamento de uma mina quando pastorava o seu rebanho longe da cidade. O seu corpo ficou estendido no deserto até ser encontrado já sem vida.

Embora ainda não se saiba em pormenor as circunstâncias do acidente, é do conhecimento geral que a zona onde se produziu a explosão se encontra a escassos metros do primeiro dos seis troços do Muro Marroquino no Sahara Ocidental, que fecha a sul do Cabo Bojador parte do que hoje constitui o segundo muro mais extenso do mundo, após a Muralha da China, com 2 720 km comprimento.  

Trata-se de uma zona onde os acidentes são frequentes, pois para além da pesca, a criação de gado é a principal fonte de rendimentos da sociedade saharaui em Bojador. Os pastores nómadas, que saem sozinhos com o seu rebanho, pisam estas minas assassinas e têm muito poucas opções de sobreviver no deserto, onde normalmente morrem em consequência de hemorragias tremendas causadas por amputações ocasionadas pelas minas nas extremidades inferiores.

"Torna-se muito complicado obter informação sobre estes acontecimentos, porque no território ocupado oculta-se tudo quanto se refere à denúncia da existência deste muro, rodeado por milhões de minas terrestres, munições de fragmentação e outros explosivos de guerra abandonados depois da guerra, que terminou em 1991", informa a organização Dales Voz a las Víctimas.


 (SPS)

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Marrocos apelida-o de «milícias» para ocultar ao povo marroquino a realidade do exército saharaui

Mísseis terra-ar SAM-6 utilizados pela primeira vez na batalha de Guelta Zemour, a 13 de outubro de 1981

No início, o que era o exército de libertação saharaui mais fazia recordar o exército de Pancho Villa, só que este estava melhor armado. O armamento  sequestrado pelos soldados espanhóis de origem saharaui iriam ser as primeiras armas a sério com que lutaram os combatentes saharauis.

Quando Espanha se retirou e os exércitos marroquino e mauritano começaram a penetrar no território, milhares de homens saharauis fugiram para os territórios libertados pedindo armas para lutar contra os invasores.

A rapidez dos acontecimentos e o chegada maciça da população que fugia às hordas invasoras obrigou a Frente Polisario a proceder a unidades militares “express” para responder às exigências imediatas: ajudar e proteger a população civil e conter o avanço dos exércitos invasores.

O quartel espanhol das Tropas Nómadas de Mahbes [povoação saharaui situada junto à fronteira argelina e próxima dos campos de refugiados de Tindouf] estava saturado em novembro e dezembro de 1975. Daí partiram os primeiros contingentes saharauis em direção à aldeia argelina de Jnien Bou Rzeg, não longe de Bechar e Figuig. Num antigo quartel do exército colonial francês receberam instrução militar básica as primeiras unidades que iam combater os novos ocupantes, Marrocos e Mauritânia.



Daí partiram, em novembro e dezembro de 1975, as primeiras unidades, em grupos de 500 homens, que se denominavam “batalhãos”, armados com espingardas automáticas AK-40, pequenos morteiros de 60, 81 e 120 mm, e lança-granadas anti-carro do tipo RPG-2 e RPG-7.

A vitória registada a 14 de fevereiro de 1976 na batalha de Amgala levantou a moral dos combatentes saharauis e foi o prelúdio de uma grande epopeia militar.

As vitórias sucessivas dos valorosos guerrilheiros saharauis levaram o líder líbio Moamar Gadhafi a dar armas cada vez mais sofisticadas. Foi assim que chegaram as metralhadoras de 14,5 e 23 mm montadas, primeiro, em camiões, e depois em veículos ligeiros Toyota Land Cruiser. Os canhões sem recuo de 75 mm, a bateria de mísseis que os nazis apelidaram de Órgãos de Staline e que os russos chamam de Katiusha e que podem chegar a disparar 40 salvas de cada vez; os veículos blindados de transporte de infantaria BMP, os tanques T-55, T-60 e, inclusive, os hiper sofisticados tanques T-62 guiados por laser.

Gadhafi foi sempre o primeiro a entregar as novas armas e suas munições. Depois de se assegurarem do bom uso destas armas por parte dos saharauis, os dirigentes argelinos acabavam também por fornecê-las.

Durante 16 anos, o Sahara Ocidental foi cenário de batalhas históricas como Guelta Zemmur, Mahbes, Smara, Tan-Tan, Echedería, Hausa, Zak, Leboirate, Bojador e dezenas de outras epopeias militares do exército de Libertação Popular Saharaui (ELPS).

O vídeo em anexo dará uma ideia do armamento com que lutava o exército saharaui, que se converteu, com o passar do tempo, num verdadeiro exército regular, disciplinado e bem formado. Os marroquinos apelidam-no de “milícias” para ocultar a realidade ao povo marroquino aquilo que é um verdadeiro país edificado em pleno exílio e em pleno campo de batalha.


União de Estudantes Saharauis elege novo Secretário-Geral



A União de Estudantes do Saguia El Hamra e Rio de Ouro (UESARIO) elegeu esta terça-feira Mulay Mhamed Brahim como novo secretário-geral da organização em eleições realizadas no final do II Congresso da organização, realizada 23 a 25 de agosto na wilaya de Auserd [acampamentos de refugiados].

A presidência do congresso prolongou por 24 horas a realização da segunda ronda das eleições dado que nenhum dos candidatos tinha obtido a quantidade necessária de votos.

A segunda ronda teve como protagonistas Mulay Mhamed Brahim, agora eleito e Wadadi Salek.

(SPS)

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Conhecer e compreender o conflito do Sahara Ocidental




Um vídeo didático que explica a complexa situação que se vive no disputado território do Sahara Ocidental, a última colónia de África…

"Saharauis, un pueblo al límite"



Amarrados há mais de 35 anos ao mais inóspito dos desertos e separados dos seus familiares pelo “Muro da Vergonha” erigido por Marrocos para perpetuar a sua ilegal invasão do Sahara Ocidental, os saharauis confrontam-se com um momento crucial da sua historia no desterro, já que a pressão de uma juventude desencantada e desesperada clama por uma nova guerra contra o vizinho invasor. 

Este documentário mostra, através do testemunho dos seus protagonistas - membros do Governo da RASD, juristas, mulheres e jovens - a situação limite em que vive o povo saharaui. O documentário foi realizado em 2011, mas as questões que levanta são mais do que atuais…  

domingo, 24 de agosto de 2014

O jornalista Omar Brouksy põe a ridículo Mohammed VI no seu novo livro



Segundo uma informação publicada no semanário francês L’Express, que claramente teve acesso à obra de Omar Brouksy sobre o rei Mohamed VI, o jornalista da delegação da AFP em Rabat não será meigo no seu livro com o autocrata alauita.

Num texto publicado na rubrica «Les Exclusifs» e com o título «Mohammed 6 au pilori», L’Express explica aos seus leitores que o livro de Brouksy tem por título «M6, le fils de notre ami», e que é prefaciado por Gilles Perrault, o autor de «Notre ami le roi», o best-seller editado em 1990 e consagrado a Hassan II.

É preciso lembrar que «Notre ami le roi» abalou as fundações da monarquia Hassaniana revelando o lado sangrento e cruel do tirano falecido. O livro esteve na origem da libertação de centenas de prisioneiros políticos que definhavam, alguns sem julgamento, em prisões do "Sidna" Senior [Hassan II].
 
Omar Brouksy


Em «M6, le fils de notre ami», Brouksy diz tudo sem peias. O jornalista diz alto e bom som aquilo que muitos jornalistas e escritores apenas sussurram. Que «Sidna» junior é um «falso democrata», um verdadeiro «potentado», que é mal aconselhado, e que ele «não se esquece de se servir» da grande caixa-forte que o seu país lhe proporciona.
E o L’Express conclui : «o rei não sai engrandecido».

O livro será posto à venda nas livrarias no próximo dia 18 de setembro. É editado pelas Nouveau Monde Editions e tem 240 páginas. (…)

Fonte: Demainonline



Leia o Perfácio de Gilles Perrault em

sábado, 23 de agosto de 2014

Laila Traby, uma campeã francesa que é saharaui




Laila Traby, medalha de bronze nos 10 000 metros no recente Campeonato da Europa de Atletismo, que decorreu em Zurique, nasceu a 26 de março de 1979 em El Aaiún, a capital do Sahara Ocidental ocupada por Marrocos. Residente na cidade de Avignon, representa atualmente a seleção francesa e é atualmente uma das grandes especialistas de corridas de fundo e corta-mato.

Laila Traby começou a sua carreira no Instituto dos Desportos de Rabat. Em 2005 emigra para França. Em 2009, interrompeu a atividade do atletismo para se dedicar à maternidade. Regressa às pistas em 2012.




Como refere em entrevista ao periódico La Marseillaise, o seu próximo objetivo é bater o recorde de França de 10 km de estrada, em Lille no próximo dia 6 de setembro. Depois, «o Campeonato da Europa de Cross no final do ano (Laila Traby é já Campeã de França) e os Campeonatos do Mundo de Atletismo em agosto de 2015. E, depois, o grande desafio: os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro no Brasil em 2016...”

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Marrocos põe em dúvida a credibilidade da ONU e insinua terminar com a missão da MINURSO



O presidente da República Saharaui e Secretário-Geral da Frente Polisario, Mohamed Abdelaziz, assegurou esta quinta-feira em carta ao Secretário- Geral da ONU, Ban Ki-Moon, que "Marrocos põe em dúvida a credibilidade das Nações Unidas e alude  terminar  com a missão da MINURSO no Sahara Ocidental”.

Mohamed Abdelaziz expressa a sua "profunda preocupação" porque Marrocos tem extremado o estado de alerta do seu exército nas áreas ocupadas e advertiu que "este ato é uma violação ‘flagrante e perigosa’ ao direito do povo saharaui".

O presidente Mohamed Abdelaziz sublinha que se Marrocos levar a cabo um ataque aos territórios libertados onde  se  concentram as forças do exército, departamentos da administração, civis  saharauis e os centros da ONU” seria um grande erro e “uma flagrante violação do cessar-fogo firmado entre as partes a 06 de setembro de 1991”.


(SPS)

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Entrevista a El Yamani Eddoghmi Ela Hacham, presidente da Associação Marroquina de Direitos Humanos



 “Marrocos é um país que viola os Direitos Humanos de forma sistemática”


A desinformação sobre os países árabes em Espanha, e em particular sobre Marrocos, é uma questão de fundo e parte de um pensamento colonial, de modo que qualquer aproximação à realidade política requer começar do zero e mostrar aqueles aspetos que os media fazem o possível por ignorar. Lidar com um projeto político que alimenta a visão política crítica da substância e da forma, que dá prioridade aos valores humanos, à ética e à justiça sociais, que porta em si a idiossincrasia do povo marroquino, cultura e crenças, que nasceu nas entranhas do povo marroquino, dá-nos a capacidade de saber o quê e o porquê do que se está passando em Marrocos nos nossos dias.

Falamos com o Presidente da Associação Marroquina dos Direitos Humanos. A sua presença em Espanha e a sua disposição a responder a qualquer tipo de pergunta, facilita colocar as questões e recolher as respostas que permitem a compreensão da realidade marroquina.






Senhor Eddoghmi, qual é a situação geral dos Direitos Humanos em Marrocos?

Apesar de todo o discurso da exceção marroquina generalizada na Europa em geral, e Espanha, em particular, devo dizer que é um discurso tendencioso e interessado, Marrocos é um país que viola os direitos humanos de forma sistemática, basta olhar para o relatórios de organizações nacionais e internacionais sobre o tema.

Atualmente, o Estado marroquino leva a cabo uma campanha feroz de repressão contra aqueles que se atrevem a denunciar esta situação, um exemplo ilustrativo é o que tem acontecido nos últimos dias: a 12 de agosto Ouafaa Charaf, membro do movimento 20 Março (20F), da AMDH e militante da Via Democrática (VD) foi condenada a um ano de prisão e uma multa de 5.100 € por uma alegada denuncia falsa; um dia depois apenas fomos abalados por outra trágica notícia, a morte do jovem Mustafa Meziani, após 70 dias de greve de fome.

Não devemos esquecer que Marrocos tinha tentado anteriormente já julgar jornalistas, como Ali Anouzla, etc. Hoje, há uma longa lista de presos políticos e de opinião nas prisões marroquinas. A tudo isto devemos adicionar um feroz ataque sobre as organizações de defesa dos Direitos Humanos, sindicalistas, etc. Como podemos ver, a situação é, no mínimo, trágica.


Fonte: Ramón Pedregal Casanova / Rebelión



quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Marrocos : O rei e o mistério do desaparecimento das riquezas nacionais




Mohamed VI, aliás «o rei dos pobres», faz agora parte do círculo dos monarcas mais ricos do mundo. Ele deve este estatuto a um casamento contranatura entre poder e negócios.

No 15.º aniversário da sua entronização, Mohamed VI pronunciou um discurso no qual se interrogava : «para onde foram as riquezas de Marrocos? E quem delas aproveitou?! »

Assim que a questão foi colocada ela inflamou as redes sociais, com um fluxo interminável de respostas onde a ironia disputava ao sarcasmo e à hilaridade. Para a maioria dos comentadores, uma resposta é clara: "O rei dos pobres roubou-as!", um trocadilho com o cognome dado ao soberano  pela imprensa francesa, um dia depois que ter chegado ao poder em 1999.

Pela primeira vez, Mohamed VI reconheceu publicamente a amplitude das disparidades sociais resultantes de uma distribuição desigual da riqueza e admitiu a existência de "sinais de pobreza, vulnerabilidade social e de graves desigualdades entre marroquinos”.


terça-feira, 19 de agosto de 2014

A história da AFAPREDESA




A 20 de agosto de 1989, sob a direção do Doutor Mohamed Salem Buchraya, e a colaboração de vários familiares de desaparecidos  e presos políticos saharauis, era criada nos acampamentos de refugiados saharauis de Tindouf (sudoeste da Argélia) a Associação de Familiares de Presos e Desaparecidos Saharauis (AFAPREDESA) com o principal objetivo de dar resposta à grave situação de violação de direitos humanos, desamparo e marginalização que o Reino de Marrocos exercia sobre a população saharaui no território do Sahara Ocidental ocupado após a retirada definitiva de Espanha em fevereiro de 1976.

Con el apoyo de la Asociación Pro Derechos Humanos de España (APDHE) y Amnistía Internacional (AI) desde un primer momento, en 1989, su primer año de actividad, se inició una campaña mundial con el objetivo de dar respuesta al paradero y estado de cientos de desaparecidos saharauis en mitad de un conflicto bélico que se prolongaba desde la invasión marroquí del territorio del Sáhara Occidental, y que finalizaría, dos años más tarde, con el alto al fuego pactado entre Marruecos y el Frente Polisario en 1991.

Gracias al trabajo llevado a lo largo de los dos primeros años de vida de AFAPREDESA, en un solo día, el 22 de junio de 1991, fueron liberados 322 desaparecidos que habían estado secuestrados, hasta 16 años, en centros clandestinos de Galaat Magouna, Agdez, Skoura (este de Marruecos) y PC CMI en El Aaiún (Sáhara Occidental). Se pudo así visibilizar un crimen que había estado negado y ocultado durante décadas por el Reino de Marruecos y que la creación de AFAPREDESA había posibilitado su conocimiento a gran parte de la comunidad internacional.

En la actualidad, bajo la dirección de Abdeslam Omar Lahsen, presidente de Afapredesa  desde el año 1998, la asociación busca dar continuidad al trabajo realizado en los últimos 25 años centrándose principalmente en dos aspectos: conocer el paradero de los más de 400 desaparecidos saharauis, inclusive los 351 fallecidos reconocidos en 2010 por Marruecos sin aportar prueba alguna[1]; y la liberación inmediata e incondicional de todos los presos políticos saharauis[2]., que actualmente ascienden hasta un total de 62.




Ha sido en 2013, con el descubrimiento de dos fosas comunes, y correspondientes exhumaciones e identificaciones, con ocho cuerpos de saharauis de nacionalidad española asesinados por Marruecos, dos de ellos menores de edad, hallados en la zona de Fadret Leguiaa[3]  (cerca de Amgla-región de Smara) cuando se ha podido demostrar que el reino de Marruecos mentía sobre el paradero de los desaparecidos saharauis. Hay que indicar que algunos de los hallados habían sido por las autoridades marroquíes en otros lugares[4]. Dicho trabajo, realizado por Carlos Martín Beristain y Francisco Etxeberria Gabilondo junto con su equipo de trabajo del Instituto Hegoa de la Universidad del País Vasco y en colaboración con AFAPREDESA, se trata de un gran impulso para nuestros intereses y futuros trabajos.

Desde su creación, AFAPREDESA ha vivido varios momentos que quedan para el recuerdo, uno de ellos fue el 26 de septiembre de 1989, cuando  una avioneta sobrevoló el cielo de Madrid con un cartel en el que se podía leer “Desaparecidos saharauis ¿dónde están?”[5], en el momento que se desarrollaba una recepción oficial de las autoridades españolas a Hassan II, de visita en España esos días. Este heroico acto fue protagonizado por Eugenio Sánchez, piloto y miembro de la Asociación Pro Derechos Humanos de España (APDHE).

En 1999, Marruecos reconoció 43 casos de desaparecidos que habrían muerto en centros clandestinos. Sin embargo, mentía sobre el resto de los desaparecidos cuando afirmaba que se encontraban instalados en los campamentos de refugiados saharauis, en Mauritania o en España. Esta fue la respuesta que dio Marruecos al Enviado Personal del Secretario General de la ONU, el Sr. James Baker.

En diciembre de 2010, bajo la presión internacional, el Consejo Consultativo de Derechos Humanos de Marruecos reconocía la muerte de 351 personas desaparecidas, entre ellas 14 menores y 22 mujeres, pero sólo facilitaba el nombre de 207 de ellas[6] (ver la traducción realizada por AFAPREDESA de su parte relaciona con los casos saharauis[7]).

El 17 de junio de 2012, se creó, dentro de la propia Afapredesa, el Grupo de No Violencia Activa (NOVA), por parte de jóvenes saharauis que desean luchar por los métodos no violentos en conseguir los derechos del pueblo y la continua vulneración de los derechos humanos por parte de las autoridades de ocupación marroquí. El grupo NOVA aspira  convertirse en puente entre todos los jóvenes del Sahara Occidental y los jóvenes de otras áreas, muy particularmente del Magreb a través del fomento del dialogo y la tolerancia, contribuyendo así a la construcción de la Paz y la Justicia, tan necesarias para el bienestar de todos los pueblos.

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[1] ANEXO 1: LOS CASOS DE LAS DESAPARICIONES FORZADAS (DISPONIBLE EN ÁRABE). HTTP://WWW.ARSO.ORG/INFORMECONSEJOCONSULTIVOCMARROQUIDERECHOSHUMANOS.PDF

[2] EN LA ACTUALIDAD SON 62 PRESOS POLÍTICOS DE LOS CUALES 21 CIVILES CONDENADOS POR UN TRIBUNAL MILITAR EN VIOLACIÓN FLAGRANTE DE LA PROPIA LEGISLACIÓN MARROQUÍ, SECUESTRADOS ANTES, DURANTE O DESPUÉS DEL DESMANTELAMIENTO VIOLENTO DEL CAMPAMENTO DE PROTESTA POPULAR DE GDEIM IZIK EN EL AAIÚN OCUPADO POR MARRUECOS EN EL AÑO 2010.

[3] VER INFORME “LA ESPERANZA POSIBLE: FOSAS COMUNES Y PRIMEROS DESAPARECIDOS SAHARAUIS IDENTIFICADOS” REALIZADO BAJO LA DIRECCIÓN DEL PR. CARLOS MARTIN BERISTAIN Y EL PR. FRANCISCO ETXEBERRIA GABILONDO. HTTP://PUBLICACIONES.HEGOA.EHU.ES/PUBLICATIONS/298

[4] EN SU INFORME EL CONSEJO CONSULTATIVO DE DERECHOS HUMANOS MARROQUÍ PRETENDE QUE CUATRO DE ESTAS PERSONAS HABRÍAN FALLECIDO EN UN CUARTEL MILITAR EN SMARA.

[5] AVIONETAS Y RETRASOS, EL PAÍS 27/09/1989 HTTP://ELPAIS.COM/DIARIO/1989/09/27/ESPANA/622854002_850215.HTML

ANEXO 1: LOS CASOS DE LAS DESAPARICIONES FORZADAS (DISPONIBLE EN ÁRABE).



Associação de Familiares de Presos e Desaparecidos Saharauis (AFAPRESA): 25 anos de luta




Por ocasião do seu 25.º aniversario, a direção da Associação de Familiares de Presos e Desaparecidos Saharauis (AFAPRESA) - que se comemora amanhã, dia 20 de agosto – divulgou um comunicado assinado pelo seu presidente, Abdeslam Omar Lahsen, em que se exige “o conhecimento do paradeiro de mais de 400 desaparecidos saharauis, incluídos os 351 reconhecidos por Marrocos como mortos mas sem que tenha apresentado qualquer prova desse facto”.


O extenso comunicado refere que “o paradeiro de todos os desaparecidos saharauis não será totalmente esclarecido enquanto não for realizada uma investigação judicial exaustiva, rápida e imparcial sobre os acontecimentos relacionados com as desaparições forçadas e outros graves violações cometidas contra os cidadãos saharauis”. “A impunidade de que gozam os responsáveis é a principal causa da perpetuação das graves violações de direitos humanos nos territórios ocupados do Sahara Ocidental”  - conclui o comunicado.

Polisario condena campanha de expulsão de observadores internacionais do Sahara Ocidental



A Frente POLISARIO manifesta a sua mais profunda preocupação pela campanha desencadeada pelas autoridades marroquinas  contra observadores internacionais que continuamente expulsa do Sahara Ocidental.

Mohamed Abdelaziz, Presidente da República Saharaui e secretário-geral da Frente POLISARIO, em carta enviada  ontem ao SG da ONU, Ban Ki Moon, chama a atenção do organismo internacional sobre a intensa  campanha de assédios, acusações, tratamentos  degradantes e expulsões forçadas contra ativistas de direitos humanos, advogados, parlamentares e jornalistas, pedindo à ONU uma intervenção urgente para pôr fim a estas injustas práticas exercidas por Marrocos.

“Já é hora da ONU pôr termo ao bloqueio imposto ao Sahara Ocidental ocupado, uma estratégia que visa não só afastar testemunhas de crimes cometidos pelas autoridades de ocupação, mas também desacreditar e congelar os deveres e responsabilidades da MINURSO, convertendo-a numa ferramenta para legitimar a sua ocupação militar ilegal ", afirma Abdelaziz na sua carta ao Ban Ki Moon.


O dirigente saharaui sublinha que a comunidade internacional não pode continuar de braços cruzados ante semelhantes condutas e afirma que a expulsão de observadores internacionais de um território que está sob a responsabilidade da ONU não só representa uma flagrante violação do direito internacional mas também um desprezo à comunidade internacional, prejudicando a credibilidade das Nações Unidas.


SPS

Marrocos: duas queixas em relação a Espanha e um discreto pedido de ajuda

Filipe VI de Espanha e Mohamed VI de Marrocos

  • Rabat deseja apoio espanhol no contencioso do Sahara
  • Está descontente pelas prospeções petrolíferas nas Canarias

Artigo de Ignacio Cembrero – El Mundo – 18-08-2014

A relação hispano-marroquina é, em teoria, esplêndida, mas o sucedido no início da semana passada - a chegada na terça-feira 12 de um número recorde de imigrantes às costas andaluzas- demonstra que algo não vai bem.

Além da breve explicação dada pelo ministro do Interior marroquino, Mohamed Hasad, sobre as "disfunções" no dispositivo de vigilância costeira, especialistas e analistas das forças de segurança ou centros académicos não acreditam que a saída de tantos barcos, durante tantas horas e de vários pontos da costa seja uma casualidade.

David R. Vidal, que durante longos anos trabalhou para o Centro Nacional de Inteligência (espionagem espanhola) no norte de África e continua a manter contactos com alguns dos seus informadores, afirma que o relaxamento na vigilância de vários corpos "indica que a ordem teve que vir de um determinado nível." "Além disso, foram também feitas várias chamadas avisando os traficantes e a alguns chefes de grupos subsaharianos para esta janela de oportunidade."

Com um atrevimento que contrasta com a atual prudência dos políticos e do Governo espanhol, Haizam Amirah Fernández, investigador do Real Instituto Elcano, declarou ao diário “The New York Times” que a "flexibilização dos controlos costeiros "foi utilizada por Marrocos para demonstrar o seu descontentamento com Espanha ou porque não consegue algo que quer obter”.

Ainda que não o tenha expressado publicamente, Rabat tem dois motivos de desgosto relativamente a Espanha, mas também necessita do seu apoio diplomático para os desafios com que se vai confrontar nos próximos meses em relação ao assunto que mais o preocupa: o Sahara Ocidental, segundo referem fontes marroquinas conhecedoras da política exterior do seu país.






Quando era ministro dos Negócios Estrangeiros - agora é conselheiro real - Taieb Fassi-Fihri repetiu que " 90% da relação" entre Espanha e Marrocos "passava pelo Sahara", o mesmo é dizer, depende de até que ponto o Governo espanhol seja receptivo às posições marroquinas de um conflito que dura desde há já 39 anos.

Apesar de nenhuma potência ocidental, começando por Espanha, ponha em causa o controlo de Marrocos sobre o Sahara, o nervosismo de Rabat foi revelado numa entrevista que o seu embaixador na ONU, Omar Hilal, concedeu nesta quarta-feira à agência de imprensa oficial MAP.

Nela, Hilal exige "neutralidade da secretaria-geral da ONU", como se agora não o fosse, pede que a MINURSO (contingente de capacetes azuis no Sahara) seja "imparcial" e que o processo de negociação seja "previsível". Denuncia, além disso, manobras tendentes a ampliar o mandato da MINURSO, para que tenha competências em matéria de direitos humanos, e adverte: põem "em perigo a presença da MINURSO ". Para sair airosamente destes desafios, Marrocos necessita da Espanha, a antiga potência colonial.

Há doze anos, quando o BOE (Boletim Oficial do Estado) publicou um real decreto (23 de janeiro de 2002), abrindo a via às prospeções petrolíferas junto às ilhas mais orientais das Canárias, o Ministério dos Negócios Estrangeiros marroquino publicou um comunicado tachando essa iniciativa de "unilateral" e "inamistosa" porque vulnera "os direitos inerentes à soberania marroquina" sobre as suas águas. Agora que o Governo espanhol acaba de conceder as licenças à Repsol, Rabat "mantem o silêncio, mas isso não significa que não esteja chateada", refere um funcionário marroquino.

A terceira reprovação marroquina, também não expressa publicamente, é mais direcionada ao Partido Popular (PP), que ao governo central. O seu ramo de Melilla subscreveu no final de julho um "pacto social" para a convivência com o principal partido da oposição, Coaligação por Melilla (CpM, muçulmano), o que deixa claro que o Islão praticado na cidade deve estar afastado da tutela de Marrocos. Apesar das advertências marroquinas, no final da década passada sucedeu algo semelhante em Ceuta e Rabat ainda não o digeriu.

Provavelmente seja uma combinação destes três fatores que levaram a relaxar a vigilância na costa marroquina para deixar claro às autoridades espanholas até que ponto precisam de Marrocos para que Espanha não tenha o mesmo problema que a Itália. Mais de cem mil imigrantes oriundos da Líbia – o que constitui um recorde – desembarcaram nas suas costas até agora este ano.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Conferência dos presidentes dos Parlamentos africanos reitera importância de cooperar com a ONU



A conferência dos parlamentos da União Africana (UA) insiste na importância de cooperar com as Nações Unidas para encontrar uma resolução do conflito do Sahara Ocidental, reiterando o apoio ao emissário africano para o Sahara Ocidental, Joaquim Chissano.

Os presidentes dos parlamentos africanos exprimiram em comunicado no final da 6.º conferência realizadas quarta e quinta feira passadas na sede do Parlamento panafricano na cidade de Mirland (África do Sul), o seu apoio aos esforços das Nações Unidas e à resolução política e justa do conflito do Sahara Ocidental de maneira a "permitir ao povo saharaui exercer o seu direito à autodeterminação".

O comunicado reitera o apoio dos parlamentares africanos ao emissário da União Africana para o Sahara Ocidental, o antigo presidente moçambicano, Joaquim Chissano.


(SPS)

Repressão no Sahara Ocidental: ONU acusa Marrocos


Segundo o Grupo de Trabalho sobre a Detenção Arbitrária, dependente do Conselho de Direitos Humanos da ONU, "Marrocos terá servido de ponto de partida, de trânsito e de destino de transferências secretas operadas no âmbito da luta internacional contra o terrorismo".

Num suplemento ao seu relatório sobre a sua missão de dezembro passado a Marrocos e ao Sahara Ocidental, o grupo de trabalho da ONU, composto por peritos independentes, presta especial atenção à situação dos ativistas saharauis que caem nas mãos da polícia marroquina. Constata um "uso excessivo sistemático da força para reprimir as manifestações e deter os manifestantes favoráveis à autodeterminação da população saharaui".

Evoca os casos de detenções arbitrárias operadas em El Aaiún, no Sahara Ocidental, acompanhadas de tortura praticada por polícias marroquinos, assim como por agentes da Direção Geral de Vigilância do Território (DST), e de maus tratos infligidos a militantes saharauis para lhes arrancar confissões.



Assim, "muitas pessoas têm sido forçados a fazer confissões e condenadas a penas prisão com base nestas confissões", assinala o grupo de trabalho da ONU que refere constituírem estas práticas uma violação do artigo 23 da Constituição do Reino, que prevê especificamente que "detenção arbitrária ou secreta e o desaparecimento forçado são crimes da maior gravidade".

O relatório enfatiza que "segundo a lei internacional, o artigo 293 do Código de Processo Penal prevê que qualquer confissão ou declaração feita sob coação são inadmissíveis." O grupo de trabalho salienta que "a tortura é usada por agentes do Estado para obter provas ou confissões durante a fase inicial dos interrogatórios, especialmente nos casos relacionados com o terrorismo ou a segurança nacional."

Cita, por último, com base em fontes fidedignas, ​​"casos do passado e do presente de detenção secreta que justificariam uma investigação mais aprofundada." O Grupo de Trabalho deixa claro que visitou El Aaiún a 15 e 16 de dezembro, "como titular de um mandato independente, e a sua visita não deve ser interpretada como a expressão de uma opinião política sobre o estatuto atual ou futuro do território não autónomo do Sahara Ocidental", recordando que "o direito à autodeterminação se aplica ao território em virtude dos princípios enunciados nas resoluções 1514 e 1541 da Assembleia Geral das Nações Unidas. "

Houari Achour

Fonte: Algerie Patriotique - 18/08/2014