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quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Crueldade contra Mohamed Tahlil





Fonte e foto: Contramutis / Por Cristina Martínez Benítez de Lugo - No dia 16 de janeiro cumpriram-se 45 dias de isolamento a que foi punido o preso político saharaui Mohamed Tahlil. Está metido num ‘curro’ na prisão de Bouzakarn, em Marrocos, um espaço de dimensões tão pequenas que nem consegue dormir estendido.

Tahlil foi punido por se recusar a usar roupas de prisioneiros comuns quando é um prisioneiro político.
Mohamed Tahlil, saharaui, ativista dos direitos humanos nos territórios ocupados do Sahara Ocidental, foi preso pela polícia judiciária marroquina a 4 de Dezembro de 2010 e submetido aos dois processos-farsa de Gdeim Izik, que lhe valeram uma condenação a 20 anos de prisão. Já fora preso pelas suas ideias políticas em 2005 e em 2007. Em ambos os casos foi condenado a três anos de prisão, mas foi libertado ao cabo de ano e meio de detenção.
Mohamed Tahlil nasceu em 1981 em Guelta Zemour, Sahara Ocidental. É presidente da seção de Bojador da Associação Saharaui de Vítimas de Graves Violações dos Direitos Humanos Cometidas pelo Estado Marroquino (ASVDH).
Em 2017, durante o segundo pseudo-julgamento de Gdeim Izik, Tahlil, na sua declaração, acusou o Marrocos de ser um Estado ocupante e ditatorial, de organizar um julgamento de farsa. Deixou claro que ele estava na cadeia, não por causa de Gdeim Izik - onde ele nem sequer tinha estado -, mas por defender a independência do Sahara Ocidental como foi deduzido dos interrogatórios da instrução, durante os quais não lhe perguntaram sobre o acampamento de protesto, mas pela sua viagem à Argélia e pelos líderes da Polisario. Afirmou que era um saharaui, não um marroquino ou um tunisino. Essas declarações não são gratuitas e pagam-se caro. Todos os prisioneiros daquele julgamento enfrentaram o tribunal com igual coragem e estão pagando por isso: uma sentença injusta; torturados, sem cuidados médicos, sem direitos, longe da sua terra e de suas famílias, isolados, sem qualquer garantia, sem se saber nada sobre eles.
Não houve muitas explicações sobre a situação de Tahlil. E não há novidades. Ninguém o pode ver. Ninguém sabe nada sobre ele. Entrou em greve de fome quando foi levado para o ‘curro’ de isolamento. As notícias que temos de outras punições semelhantes são assustadoras: o espaço de um banheiro nauseabundo com insetos.
Causa horror só de pensar como estará. Incomunicável durante 45 dias num sítio como esse é uma sentença de morte lenta e angustiante. A falta de comunicação pode também implicar um ainda maior desprezo por parte dos seus carcereiros em dizer como se encontra: teve ataques de ansiedade, sim está doente – mas dizem que do rim e do estômago devido a greves de fome anteriores - sente frio, humidade e dor e coceira. Esqueceram-se dele no inferno e quando abrem o ‘curro’ arrastam um farrapo de pessoa. O mesmo que tantos outros companheiros. Não o perdoam por um dia. Continua no ‘curro’ e sofre de total isolamento.
16 de janeiro, um dia fatídico para a história: o Parlamento Europeu transgride os princípios nos quais se baseia aceitando a inclusão ilegal do Sahara Ocidental ocupado nos acordos da UE com Marrocos. Dessa forma, poderão continuar a saquear os seus recursos naturais. Vale tudo. E pergunta-mo-nos quem poderá defender esses presos.
Se os representantes do povo votam contra a lei e a favor de interesses económicos ilegítimos, eles já não são mais nossos representantes, são impostores. E esses impostores fazem qualquer coisa para ignorar a injustiça e a crueldade do ocupante. Maus momentos.



quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Jornalismo no Sáhara: expulso observador espanhol ao julgamento a Brahim Dihani



fotojornalista Brahim Dihani está acusado de difamação às forças policiais

Periodistas em español - O governo marroquino proibiu ontem 15 de janeiro de 2019, a entrada em El Aaiún do advogado de Saragoza Luis Mangrané, que tinha a intenção de assistir como um especialista internacional ao julgamento de Brahim Dihani (fotógrafo da Associação Saharaui de Vítimas de Violações dos Direitos Humanos) onde é acusado de cobertura de uma manifestação pacífica saharaui a favor do direito à autodeterminação, reprimida pelas forças de segurança marroquinas.
A Asociación Española para el Derecho Internacional de los Derechos Humanos (AEDIDH) considera que a rejeição na fronteira do advogado Luis Mangrané, quando pretendia cobrir o julgamento de um jornalista saharaui, é um acto arbitrário de Marrocos contrário à Declaração das Nações Unidas sobre os direitos dos defensores dos direitos humanos.

A AEDIDH sustenta que a demonstração pacífica em favor do direito do povo saharaui à autodeterminação é perfeitamente legítima ao abrigo do direito internacional e, em caso algum, o governo marroquino poderá considerar tais manifestações como atividades terroristas ou contrárias à ordem pública.

A AEDIDH insta, pois, o Governo espanhol a transmitir ao Governo de Marrocos a sua forte condenação por tal comportamento que, por sua vez, obedece a um padrão de comportamento que é constantemente repetido e que contradiz as obrigações de Marrocos em termos de direitos humanos

sábado, 30 de junho de 2018

Sahara Ocidental: manifestações, repressão e morte durante a visita do Enviado Pessoal do SG da ONU aos Territórios Ocupados


Logo na manhã de quinta-feira as forças de ocupação impuseram um bloqueio policial muito forte em Aaiún. A deslocação de forças policiais para os bairros e principais artérias da cidade ocupada começou horas antes da chegada do enviado pessoal do SG da ONU para Sahara Ocidental, Horst Köhler. Segundo os correspondente no território do coletivo Equipe Media foram cercadas as casas dos ativistas Ali Saadouni, Roukia El Hawasi, Hassana Douihi e a casa da família de Sidi Mohamed Alouat, tendo a mãe e irmã deste último sido agredidas e proibidas de sair de casa.


Logo de manhã, as forças de ocupação deram ordem de encerramento aos cafés e proibiram a deslocação de autocarros na capital a fim de impedir o acesso de saharauis desde os bairros periféricos ao centro da cidade.

Às 19 horas tiveram início as manifestações na Avenida de Smara. Os manifestantes empunhavam bandeiras da RASD e reivindicavam o direito à autodeterminação e exigiam a proteção das Nações Unidas. As manifestações propaganram-se aos bairro e às ruas adjacentes e foram reprimidas pelas forças policiais.

Também os desempregados do grupo Al Kassem organizaram uma concentração a qual foi reprimida brutalmente, resultando 7 pessoas feridas.

Numa manifestação no bairro de Nadi Lahma, um carro da polícia marroquina atropelou um manifestante saharaui - Ayoub El Ghan – o qual acabaria por falecer já no hospital. O jovem de 16 anos é a 146.ª vítima da lista de mortes e feridos graves das ondas de protesto que sacodem os Territórios Ocupados.

As manifestações prosseguiram um pouco por toda a cidade noite adentro e tiveram também lugar na cidade de Smara, no norte do território, igualmente visitada por Horst Köhler e a sua equipa.

Duas jornalistas saharauis, Zahara Essin e Khadi Essin, foram detidas no bairro de El Auda, juntamente com um jovem saharaui que procurou impedir a sua detenção. As jornalistas estavam recolhendop imagens das manifestações dentro de uma viatura.

Lista de feridos:
Mahfood Dahou, Sidi Mohamed Dadash, AbdelkrimMbierkat, Mariam Bourhimi, Roukia El Hawasi, Mina Baali, Fala Chtouki, Hayat Khatari, Nazha El Khalidi, Hmad Hammad, Ali Sadouni, Nordin El Argoubi, El Khatat Kamba, Hamza Saadi, Bachir Bobit, Brahim Imrikli, Mohamed Moussawi, Zaynaha Bairok, Mbatrek Lkarcha, Lhaouaij Argaibano, Laila Lili, Gajmoula Ismaaili, Saadi Soukaina, Lehcen Dalil, Ali Salem Tamek, Mahfouda Lafkir, Said Haddad, Mahjoub Bad, Inatou Haddi, Sidi Mohamed Aalouat, Hatra Aram, Laarousi Taglbout, Laila Aaich, Hadi Amina, Fatma Haimoda, Am Saad Bourial, Bachir Dkhil, Aaziza Aali, Dagja Lechger, Hadhoum Fraik, Magboula Ahmad, Abiha Haddi, Karkoub Argia, Maougaf Iaaich, Hadhoum Lamjaid, Amlkhout Hassni, Akhyarhom Aalia, Kauria Saaidi, Zoulaikha Souayh, Slaiman Brih, Rguia Zriguinat, Abdalahi Biga, Ahmed Ahimad, Mohamed Hamia, Mahmoud Lahaisan, Abdalahi Bourgaa, Moulod Andour, Hallab Hassana, Mohamed Marzoug, Mohamed Najem Souyah, Khalifa Rguibi, Minatou Mohamed Cheikh, Aida hamdan, Zainabou Lili, Jamila Moujahid, Mohamed Lamin Bakari, Zahra Soudani, Daha Errahmouni, Maalouma Abdalhi, Farasa Bakay, Lhairach Fatimatou.

Foram levados para o hospital: DehbaSidmou, Zahara Laghrid, Laamish El Hafed, Mohamed Meyara, Aalia El Ghalia, FatouIaaza, Bachri Ben Talib. (lista provisória)


Horst Köhler e Colin Stewart com dirigentes da Associação Saharaui de Vítimas de Violações Graves dos Direitos Humanos (ASVDH)


Horst Köhler reúne com as associações saharauis dos Direitos Humanos

No âmbito da sua deslocação aos territórios ocupados do Sahara Ocidental o Enviado Pessoal de António Guerres reuniu sexta feira com a Associação Saharaui de Vítimas de Violações Graves dos Direitos Humanos (ASVDH) e com o Coletivo de Defensores Saharauis dos Direitos Humanos (CODESA) em reuniões separadas.
As reuniões tiveram lugar na sede da MINURSO. Horst Köhler era acompanhado por Colin Stewart, representante especial para o Sahara Ocidental e chefe da MINURSO.

Horst Köhler e Colin Stewart reunem com dirigentes do CODESA Coletivo de Defensores Saharauis dos Direitos Humanos 


Nas referisas reuniões os membros das duas associações tiveram a oportunidade de expor aos responsáveis da ONU a situação de permanente violação dos direitos humanos nos territórios ocupados, caracterizadas por sistemáticas repressões, torturas, e violações dos direitos civis, políticos, económicos e sociais dos saharauis.

O Enviado Pessoal do SG da ONU para o Sahara Ocidental visita hoje, sábado, a cidade saharaui de Dakhla, no extremo sul do território, com a qual terminará o seu périplo pela região

Ver vídeos:



segunda-feira, 2 de março de 2015

As mulheres saharauis em defesa dos direitos humanos na Vigésima Oitava Sessão do Conselho de DDHH das Nações Unidas — Suíça



 Uma delegação da sociedade civil do Sahara Ocidental participa na Vigésima Oitava Sessão do Conselho de DDHH da ONU, na Suíça. A delegação é composta, por um lado, pela delegada saharaui em Genebra, Maima Mahmud, e por ativistas lideradas por El Galia Djimi, vice-presidente da Associação Saharaui de Vítimas de Violações Graves de Direitos Humanos cometidas pelo Estado marroquino (ASVDH).  


A 28.ª sessão do Conselho dos Direitos Humanos em Genebra será marcada pelos testemunhos de mulheres procedentes dos territórios do Sahara Ocupado que relatarão as suas vivências numa situação semelhante ao estado de sítio. Diariamente reclamam os seus direitos básicos nas ruas das cidades ocupadas enquanto o governo alauita reprime toda e qualquer ação reivindicativa e comete violações dos Direitos Humanos. 

Uma parte da população vive nos acampamentos de refugiados e separados da outra por um muro minado de mais de 2700 km. As ativistas saharauis darão a conhecer como é o dia a dia nos territórios ocupados do Sahara Ocidental ocupado. El Ghalia Djimi é uma ex-presa política que sofreu o desaparecimento forçado durante vários anos.



Fonte: União Nacional de Mulheres Saharauis

sábado, 24 de janeiro de 2015

«Temo que a guerra venha a recomeçar» - afirma o ativista dos DDHH Brahim Dahane




Brahim Dahane quer construir uma sociedade civil no Sahara Ocidental livre e respeitadora do direito. Mas o bloqueio à ONU pressagia o pior.

Oito anos passados nas prisões marroquinas não arrefeceram o ardor de Brahim Dahane, 50anos de idade. Bem pelo contrário, apesar dos riscos de represálias, o presidente da Associação Saharaui das Vítimas de Violações Graves dos Direitos Humanos (ASVDH) viajou para Genebra para denunciar a situação do seu povo e os conluios entre as autoridades marroquinas e certos responsáveis das Nações Unidas. Este antigo «desaparecido» entre 1987 e 1991 sabe que o respeito pelos direitos humanos nos territórios ocupados e o direito à autodeterminação não se tornarão realidade sem uma mobilização internacional que responda à organização e mobilização da sociedade civil do Sahara Ocidental.

Como é que criou esta associação de defesa dos direitos humanos?

Brahim Dahane: Depois da minha "reaparição" em 1991, tateámos muito, buscando a melhor maneira de lutar por nossos direitos — individuais, mas também coletivos, enquanto povo — apesar do risco de voltar a ser preso novamente. Houve um tempo em que, voluntariamente, nos exilámos em Marrocos, na cidade de Rabat. Paradoxalmente, pudemo-nos melhor organizar no território do nosso invasor que na nossa própria casa. Podíamos beneficiar de contactos em embaixadas e também da solidariedade de alguns marroquinos! Aprendemos muito e voltámos mais fortes em 2001-2002, com a ideia de fundar uma associação nos territórios ocupados. Queríamos participar, assim, na constituição de uma sociedade civil autónoma, tanto para resistir à ocupação como para preparar a independência. Pois só uma sociedade auto-organizada pode assumir os valores da convivência e dos direitos humanos.

Concretamente, qual é a vossa margem de manobra?

Como não somos autorizados, a nossa atividade está focada na documentação e na denúncia das violações dos direitos humanos cometidas pelas autoridades marroquinas. Pressionamos em especial os organismos das Nações Unidas, algumas das quais nos reconhecem e nos citam. Pedimos à ONU que expanda a sua missão para o Sahara Ocidental à supervisão do respeito pelos direitos humanos.

Muito embora tenhamos tomado todas as medidas de acordo com a ordem jurídica marroquina e apesar das decisões de alguns tribunais, nunca conseguimos obter o nosso reconhecimento por parte das autoridades políticas. Muitos dos nossos ativistas estão atualmente na prisão pelos mais diversos pretextos, que vão desde distúrbios da via pública a pertencer a uma associação não autorizada. Eu, pessoalmente, fui preso cinco meses após o nosso congresso fundador em maio de 2005 e arbitrariamente detido até abril de 2006, por tentar fazer luz sobre a morte de um jovem manifestante saharaui. Fui novamente preso em outubro de 2009 por ter visitado um campo de refugiados. Nessa altura passei um ano e meio na prisão antes de ser libertado condicionalmente.

Como qualificaria a fase atual do Sahara Ocidental?

A nível de repressão, houve já momentos mais cruéis, quando atiravam ativistas de helicópteros, ou eram enterrados vivos ou os faziam desaparecer de forma maciça. Também houve execuções extrajudiciais. Mesmo assim, hoje em dia, há mais de quinhentos desaparecidos, dos quais quinze jovens sequestrados há dez anos. Atualmente estamos judicialmente e policialmente cercados. Cada uma das nossas ações é proibida. O ano passado, fui impedido pela força de participar em quatro das nossas manifestações mensais reclamando um inquérito da ONU. Estima-se em oitenta o número de presos políticos saharauis.

As violências retornam periodicamente. Durante a última visita de Christopher Ross [o enviado pessoal do Secretário-Geral da ONU para o Sahara Ocidental] , em 2013, mulheres manifestantes foram atacadas e despidas à força pela polícia. Há três semanas, um jovem foi sequestrado e violado.

Nossos direitos económicos e sociais também são violados. Nossos recursos naturais são espoliados e a mais pequena das nossas atividades sujeita a controlos burocráticos delirantes. Muitos ativistas perderam seus empregos.

Mas o mais grave é o bloqueio político. Desde outubro de 2013, Christopher Ross não pôde mais voltar, exigindo Marrocos saber com antecedência e permitir as suas atividades. Se a ONU continua paralisada, temo que a guerra recomece entre a Frente Polisario e Marrocos. Os membros mais influentes da Organização das Nações Unidas têm que reagir, a organização é o garante da paz e da mediação.

Como é isso vivido pela população?

Alguns, nomeadamente os jovens, dizem-se prontos a morrer. A aspiração à independência é forte, e face ao fracasso das Nações Unidas, muitos apelam o retorno à guerra. Não é o nosso caso: temos ainda a esperança de uma solução pacífica.

A repressão da potência ocupante é uma constante, os esbirros estão por todo o lado...

«A Polisario é o instrumento de todo o povo saharaui»

Qual o lugar que ocupam os marroquinos que vivem no Sahara Ocidental na construção e estruturação de uma sociedade civil conjunta?

Brahim Dahane: A resposta não é fácil de dar quando sabemos que os saharauis não dispõem de espaços próprios. E que mesmo as leis marroquinas não são respeitadas, nomeadamente quando se trata de abusos cometidos por marroquinos contra saharauis.

Após quarenta anos de ocupação e de separação dos exilados, os saharauis permanecem um povo unido, uma nação?

Mais do que nunca. As relações entre os acampamentos e os territórios ocupados reforçaram-se graças aos meios de comunicação modernos. Os laços são em primeiro lugar, é claro, familiares, interpessoais, mas também há uma identificação nacional comum e o reconhecimento comum da Frente Polisario como instrumento, defensor e representante do povo saharaui. Isso sem qualquer dúvida.


Fonte: http: www.lecourrier.ch

domingo, 20 de outubro de 2013

Grito a partir do Sahara Ocidental: "Espancam-nos e humilham-nos diante da ONU"

O ativista saharaui dos DDHH, Brahim Dahane

Em menos de 24 horas as organizações saharauis realizaram duas manifestações e tiveram duas reuniões com Cristopher Ross. Na sequência da primeira mobilização, batalla campal com a polícia marroquina e mais de 100 feridos. Brahim Dahane, ativista saharaui que também foi ferido nos confrontos, denuncia: " humilham-nos, maltratam-nos e fazem-no diante do enviado das Nações Unidas".

Sábado pela tarde centenas de saharauis desceram às ruas de El Aaiún para solicitar um referendo de autodeterminação no Sahara Ocidental. A mobilização acabou numa batalha campal entre saharauis e forças de segurança marroquinas que policiam os territórios ocupados. As agressões tiveram início quando os saharauis reclamaram a independência do Sahara Ocidental assim como a realização do mencionado referendo. Brahim Dahane, que participou na manifestação e que ficou ferido, juntamente com uma centena de pessoas, declarou que "depois de uns minutos de manifestação a polícia começou a espancar os manifestantes e teve lugar uma batalha campal". A reação dos jovens saharauis não se fez esperar e até altas horas da madrugada deram-se confrontos em vários bairros da capital do Sahara Ocidental.

Durante a manhã, antes da manifestação, uma delegação saharaui tinha tido uma reunião com Cristopher Ross durante a qual foram-lhe transmitidas as necessidades que tem a população oriunda do Sahara Ocidental, que sobretudo reclamam direitos fundamentais, como a livre expressão. Explicaram igualmente as torturas a que são submetidos por parte das autoridades policiais, militares e "auxiliares" marroquinas, segundo nos disseram várias pessoas que estiveram presentes na reunião.

Cristopher Ross disse, de acordo com as testemunhas, que tinha tomado nota do acima exposto e que as acusações que foram feitas têm sido repetidas ao longo do tempo. Da parte da tarde, após a manifestação, uma delegação saharaui voltou a dirigir-se à sede da MINURSO, com a intenção de manter um segundo encontro com o enviado pessoal do Secretário-Geral da ONU para contar-lhe o que tinha acontecido durante a manifestação. Ross comunicou que estava consciente do que havia acontecido.

Domingo pela manhã os saharauis voltaram a descer às ruas, depois de durante a noite terem sido assaltadas e saqueadas 20 domicílios, denuncia Dahane. Fontes policiais marroquinas reconhecem que houve disputas entre manifestantes e saharauis, mas negam a repressão denunciada. Quanto aos feridos remetem para o facto de não ter sido divulgado qualquer comunicado oficial da polícia, mas que se tivesse havido o que seria destacado seriam os muitos agentes que resultaram feridos.

Há uns días, o Rei de Marrocos, Mohamed VI, aperou aos seus súbditos a recuperarem o espírito da marcha verde. Fê-lo na Parlamento marroquino e antes da visita de Ross. Disse aos parlamentares e aos cidadãos que "o Sahara não é uma questão sua, mas de todos".

A organização saharaui pela liberdade dos presos políticos divulgou entretanto uma lista dos feridos que não dá por definitiva e que inclui os seguintes nomes:

1. BACHRI BEN TALEB
2. AFAF ELHOUSAINI
3. SOUKAINA YAYA
4. MAHFOUDA LEFKIR
5. BRAHIM DAHAN
6. EMBARKA ALINA BAALI
7. DJIMI EL GHALIA
8. HASANNA DOUIHI
9. LAILA LILI
10. LAROSI MONNINA
11. NOUMRIA SALAM
12. MACHDOUFI TAKI
13. HAMOUD LILI
14. FAHWAR FATIMETU
15. MOUNINA BAALI
16. YAHDIHA ELBALAL
17. BOURHIMI MARIAM
18. DJOUMANI GHALIA
19. HIJJI EMBAREK
20. AWTHAR HIJI
21. BOUTENGUISA SALHA
22. MOHAMDI DAIDDA
23. LEMJAYED HADHOUM
24. DALIL LAHSEN
25. KHNEIBILA NAJAT
26. RADI NGUIA
27. SBAI SANA
28. RGUIBANOU LAHOUIJ
29. ZRAIGUINAT AHDAIDHOUM
30. ALI DOUIHI
31. SLAIMAN BRAIH
32. HAYAT FRIK
33. BADR HABABA
34. BIZA MOHAMED
35. ZAIAAR FATMA
36. KHADIJOU DOUEH
37. LAMINA AHL TALEB ALI
38. ELAIYACHI MOHAMED FADEL
39. AHMED LEHOUIJ
40.FALA CHTOUKI
41.ZOUGMAN MOHAMED
42.SAADOUNI ALI
43.ABDELHADI YASSIN
44.SALEK ELYAFARI
45. ELARGOUBI NOURDIN
46. ELAALEM LIMAM
47.SLAIMA LIMAM
48.BOMBA CHIKHI
49.AZIZA MOHAMED
50.LAKHLIFI SOUEILAM
51. MOHAMED KHALI
52.ABATI HAMDATI FDILI
53.BRAHIM DAIHANI
54.SALEM LEKHLIFI
55.BABOUZAID LABOIHI
56.WANNA BAIDA
57.AHMED SALEM HMAIDAT
58.MAHJOUBA SAIKA
59.ELHAISAN MOHAMED
60.MOIMA LEHBIB
61.MOHAMED SBAI
62.ALI SALEM NDOUR
63 FATMA CHOUIAR

Fonte : GuinGuinBali 

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Ativistas saharauis dos DDHH impedidos de assistir a julgamento no sul de Marrocos


As autoridades de ocupação marroquinas impediram a delegação de defensores saharauis de direitos humanos e ativistas da Catalunha de assistir ao julgamento dos presos políticos saharauis que foram detidos nos últimos protestos na cidade de Guelmim, no sul de Marrocos.

Em redor do tribunal, desde as primeiras horas da manhã, foi colocado um cerco policial, com elementos uniformizados e outros à paisana, com a intenção de impedir a entrada aos cidadãos e ativistas saharauis.

A delegação saharaui pediu explicações às autoridades marroquinas sobre as razões do impedimento de entrada a este julgamento e a falta de condições para um julgamento justo aos presos, mas as autoridades marroquinas negaram-se a responder à delegação. A verdadeira intenção é julgar os presos saharauis como delinquentes e desordeiros e não como presos políticos. As forças de ocupação, a polícia e os serviços secretos marroquinos gravaram em vídeo todos os movimentos dos saharauis e o seu protesto contra o impedimento de assistirem ao julgamento.

Os presos políticos saharauis foram detidos após uma manifestação pacífica organizada pelos militantes saharauis na Cidade de Guelmim, no sul de Marrocos, durante este mês de agosto quando entraram com confrontos com os «jagunços» marroquinos que atuavam sob as ordens das autoridades.
Os presos são os seguintes:
  • 1. Daoudi Omar
  • 2. Daoudi Taha
  • 3. Babiya Dahdach
  • 4. Omar Laauisi
  • 5. Mustafa Bouhcine
  • 6. Hamza Bazi (menor de 17 anos de idade)
Os assistentes ao julgamento são os seguintes:
Dois ativistas Catalães
Ativistas saharauis de direitos humanos :
Brahim Dahan: Presidente da ASVDH
Dah Mustafa(Dafa): Membro da ASVDH
Mohammed Saleh Dailal : Membro do CODAPSO
Galia Jomani : Membro da ASVDH
Salek Bazid : Ativista saharaui
Mbairkat Lahbib : Membro da Coordenadora Agdaim Lzik
Said Amaidan : Membro da Equipa Mediática


Fonte: Equipa Mediático - Territórios Ocupados Sahara Ocidental

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Vitória de Marrocos sobre controlo dos DDHH no Sahara é apenas momentânea



Rabat, 26 abr.- Marrocos conseguiu uma vitória ao conseguir "descafeinar" um projeto de resolução norte-americano apresentado ao Conselho de Segurança e que pretendia dar à missão da ONU (MINURSO) o controlo dos direitos humanos no Sahara Ocidental, mas várias vozes em Rabat advertem de que essa conquista é momentânea.

A proposta inicial dos EUA incluía que a MINURSO, cujo mandato expira em finais de abril e que necessita de uma nova resolução para a sua prorrogação, tivesse, a partir de agora, prerrogativas para vigiar os direitos humanos – em linha com outras missões internacionais da ONU -, o que foi entendido em Rabat como um atentado à sua soberania. Após uma intensa semana de mobilização nacional, encabeçada pelo próprio rei Mohamed VI, e que levou inclusive ao cancelamento unilateral de umas manobras militares com os EUA, as negociações diplomáticas marroquinas deram os seus frutos. Deste modo, a resolução aprovada faz um vago apelo a profundar o respeito pelos direitos humanos no território saharaui e na cidade meridional argelina de Tindouf, onde se concentra o maior número de acampamentos de refugiados saharauis.

A imprensa marroquina celebra há dias "a vitória diplomática" e "a derrota das manobras da Frente Polisario", mas algumas vozes já se levantam para atenuar o triunfalismo reinante. Desde El Aaiún, capital do Sahara Ocidental, Brahim Dahan, presidente da Associação saharaui de vítimas de violações de direitos humanos (ASVDH, semi-tolerada mas ilegal), considerou que todo o "ruído" gerado durante uma semana "foi muito bom porque conseguiu alertar para a situação dos direitos humanos no território"."Estamos satisfeitos porque todo o mundo, incluindo a ONU, o Parlamento Europeu, organizações como a Amnistia Internacional ou a Human Right Watch, estão a falar a mesma linguagem, o do respeito irrestrito dos direitos humanos no Sahara, e Marrocos não pode negar que o assunto constituiu um terremoto nas suas relações com os Estados Unidos", referiu.

Desde Rabat, a deputada saharaui Gajmoula bent Abi, dissidente da Polisario e respeitada pela sua independência de critério, crê também que depois do sucedido, vai a haver um antes e um depois: "Isto não termina aqui; foi como que um sinal de que há que gerir o tema dos direitos humanos ouvindo as pessoas" do Sahara. Para Gajmoula, a questão do Sahara "não está a ser bem gerida " pelas autoridades marroquinas, que devem "prestar ouvidos à população quando colocam problemas de desemprego, habitação, falta de trabalho ou saúde" no território.

Mas também outras vozes, incluídas as de jornalistas inequivocamente alinhados com a tese sagrada da chamada "marroquinidade do Sahara", também se desmarcaram do triunfalismo reinante. Um dos mais lidos no país, o diretor do diário "Ajbar al Yaum", Tawfiq Bouachrine, escreveu hoje que "só ganhámos uma batalha, falta-nos agora toda uma grande guerra, complicada e longa", e crê que a atitude dos Estados Unidos "infunde inquietação e deve-nos levar a rever muitas cartas quanto às nossas relações com os EUA". O diário "Al Massae", o mais lido do país, aponta na mesma linha no seu editorial de hoje: "Temos que abandonar a ilusão de que existem os 'amigos de Marrocos' e aplicar um programa decisivo para desenvolver a ação diplomática". A resolução - recorda Al Massae - significa que o governo "se vê obrigado a respeitar a resolução e a desenvolver a ação das organizações pro-direitos humanos em Marrocos", o que significa que " ganhámos uma batalha mas isso não significa ganhar a guerra".


Segundo referem em Rabat numerosos observadores, o independentismo saharaui - de dentro ou de fora do território - conseguiu pôr na agenda de forma permanente dois temas que Marrocos tinha até agora conseguido abafar: o respeito pelos direitos humanos e a exploração dos recursos naturais do Sahara Ocidental. Não é casual que, enquanto nos corredores da ONU se discutiam os parágrafos da resolução, o acordo de pesca euro-marroquino se encontra bloqueado no seio da Comissão Europeia devido uma vez mais à tomada em consideração dos benefícios da população saharaui, em cujas costas se captura a maioria do pescado. Na passada segunda-feira, o ministro espanhol da Agricultura e Pesca, Miguel Arias Cañete, reconheceu que o acordo já não reveste dificuldades técnicas nem financeiras, mas sim políticas, que concretamente têm a ver com "os benefícios das populações e os temas ligados aos direitos humanos que algumas delegações, sobretudo nórdicas, puseram em cima da mesa".

(Agência EFE)

terça-feira, 16 de abril de 2013

Delegação diplomática nórdica reúne com a ASVDH em El Aaiún, Sahara Ocidental




Membros da Associação Saharaui das Vítimas de Violações Graves de Direitos do Homem cometidas pelo Estado de Marrocos (ASVDH) mantiveram na manhã de terça-feira, dia 16 de abril, um encontro na cidade ocupada de El Aaiún com representantes das Embaixadas em  Rabat da Finlândia, Suécia, Noruega e Dinamarca. No encontro foram abordados diferentes temas de interesse e, em especial, a situação dos DDHH no Sahara Ocidental.

O encontro contou com a participação de:

- Senhora Kjersti Tromsdal, conselheira da embaixada da Noruega em Rabat.
- Senhora Binita Lindstorm, primeira-secretária da embaixada da Finlândia em Rabat.
- Senhora Margareta Kristianson, conselheira e adjunta da missão sueca em Rabat.
- Senhor Michael Jensen, membro da embaixada dinamarquesa em Rabat.

A vice-presidente da ASVDH,  Galia Djimi, fez uma exposição detalhada da situação dos Direitos Humanos. Também foram projetados vídeos que atestam a implicação das forças de segurança marroquinas na cadeia de violações de Direitos Humanos em que as vítimas eram  cidadãos saharauis e na sua maioria mulheres.

A visita desta delegação de países escandinavos a El Aaiún surge no âmbito do crescente interesse pela causa Saharaui em vários países do mundo e a necessidade de ver in situ a situação dos Direitos Humanos, o tema dos recursos naturais e a recusa das autoridades de ocupação a que o povo saharaui exerça o seu direito à livre autodeterminação.

Fonte: poemário por un Sahara Libre