segunda-feira, 4 de novembro de 2013

NÃO ao Protocolo de Pesca UE-Marrocos: ATUA!



Envia um email ao Embaixador da Alemanha em Lisboa. 
Protesta contra um acordo que envergonha a cidadania europeia!

Reúne amanhã, terça-feira, 05/11/13, o COREPER (Conselho de Representantes dos Estados Membros da UE) para debater o Protocolo de Pesca UE – Marrocos.

O objetivo de alguns representantes permanentes, como Espanha, é recolher o número suficiente de opiniões favoráveis de outros representantes para que seja aprovado sem problemas o protocolo no próximo Conselho, que previsivelmente terá lugar na segunda metade do mês de novembro.

A posição da Alemanha é chave neste debate, pelo peso que tem para conseguir uma maioria nas votações e porque alguns países seguem deliberadamente as diretrizes da Alemanha.

Há que atuar!

Escreve ao Embaixador de Alemanha em Portugal e pede que a Alemanha diga NÃO ao protocolo de pesca UE – Marrocos.

1. Clica no link em anexo para ir à página de contato da Embaixada da Alemanha em Lisboa:

  
2. Escolhe a opção “Contato com o Embaixador”

3. Preenche os teus dados (obrigatório nome, apelidos, direção, cidade, país e email).

4. Junta o seguinte texto:

Excelentíssimo Sr. Embaixador:

O COREPER vai reunir em Bruxelas para debater o protocolo de pesca UE-Marrocos. Como cidadão europeu, peço-lhe que, através do Representante Permanente da Alemanha na Europa, o Excelentíssimo Sr. Peter Tempel, a Alemanha se oponha à ratificação deste protocolo pelos seguintes motivos:

1) Viola a Legalidade Internacional ao incluir as águas do Sahara Ocidental, um território ocupado ilegalmente por Marrocos.

2) Não inclui uma cláusula de salvaguarda de Direitos Humanos, requisito imprescindível para a assinatura de tratados da UE com países terceiros.


3) Põe em perigo a sustentabilidade dos bancos de pesca da região.

Bachir Mustapha Sayed: “Os governos espanhóis não nos venderam uma vez, fazem-no todos os anos”



Bachir Mustapha Sayed é ministro de Estado, conselheiro do Presidente e responsável pelo Aparelho Político da Frente Polisario. É, de facto, o número dois da organização. Nasceu há 58 anos em Smara sob a colonização espanhola; foi ministro de Negócios Estrangeiros da República Árabe Saharaui Democrática (RASD) e dirigiu várias delegações que negociaram com Marrocos. Conversámos com ele por ocasião da sua presença na X edição do Festival Internacional de Cinema do Sahara (FiSahara), que teve lugar no acampamento de refugiados de Dakhla, em território argelino.

O que tem a dizer a Frente Polisario dos governos de França, Espanha e da ONU como atores importantes neste conflito e o que se lhes pede?

Os governos de Espanha têm tido uma posição indecente e vergonhosa. Não só nos venderam uma vez, como nos estão vendendo todos os anos, cada governo espanhol que vai a Marrocos acaba se ajoelhando ante o rei marroquino. E fazem-no porque, ao contrário, o nosso povo não se ajoelha nem renuncia ao seu direito à livre autodeterminação. Mas o governo atual transgrediu o padrão dos anteriores. Fê-lo no debate no Conselho de Segurança, em que os Estados Unidos apresentaram um projeto de resolução segundo o qual a MINURSO (Missão das Nações Unidas para o referendo do Sahara Ocidental) deveria ampliar as suas competências de vigilância do cessar-fogo para exercer também a supervisão dos direitos humanos no Sahara Ocidental. Espanha foi um dos países que se opôs, razão pela qual a MINURSO continua a ser a única missão da ONU que, atualmente, não tem competência na vigilância dos direitos humanos. O governo espanhol foi mais francófilo que o próprio governo francês. Foi também o primeiro a retirar os cooperantes e o primeiro a abraçar o rei de Marrocos quando este estava a reprimir os saharauis. Espanha é um governo hostil. É o governo que, como responsabilidade, deve saldar uma dívida ética e moral com os saharauis mas, ao contrário, continua a apoiar o criminoso.

Quanto à França, pode-se vaticinar que há perspetivas de melhoria por uma série de razões. Em primeiro lugar, porque o que podia sacar de Marrocos já o sacou. Por outro lado, Argélia está nos seus melhores momentos geoestratégicos. Os franceses têm os principais interesses na África Ocidental, onde se encontra um Sahara rodeado por instabilidade, terrorismo e delinquência. Todos os países se encontram sob a anarquia e instabilidade, exceto a Argélia. Isto deve gerar um certo dividendo político para o povo saharaui.
 
"Espanha é um governo hostil..."

Em relação às Nações Unidas, temos a sensação de que os Estados Unidos estão equilibrando a sua postura no conflito do Sahara Ocidental, o que fortaleceria o papel das Nações Unidas. Detetam-se indícios de que na postura norte-americana há esperanças de um equilíbrio. A prova é a visita a Argel da subsecretária de Estado dos Assuntos Exteriores, que afirmou eles estão à mesma distância da Frente Polisario e de Marrocos. E isso é muito forte para Marrocos.

Tudo isto indica um certo debate em que os Estados Unidos se interrogam sobre o que ganham em apoiar Marrocos se o pescado e os fosfatos, juntamente com o resto das riquezas do Sahara, vão para os russos, os franceses ou os espanhóis. Temos observado que os Estados Unidos estão muito atentos às violações de direitos humanos de Marrocos no Sahara e no próprio Marrocos. Daí a não realização de manobras conjuntas Marrocos-USA e a anulação da visita do rei Mohamed VI aos EUA.

Inúmeras vozes entre os saharauis defendem o retorno às armas ante a situação de paralisia que vive o conflito, o que pensa a este respeito?

Isso deve-se à conjugação de vários fatores. Por um lado, estamos há demasiado tempo em tréguas que não prosperam e não oferecem nenhuma contrapartida. Por outro lado, a MINURSO converteu-se numa sentinela do exército marroquino. A selvática repressão contra a população civil saharaui, contra uma resistência popular pacífica leva a que muitos saharauis reajam dizendo : o que faz a Frente Polisario aqui?, por que é que o exército não luta?. Pela nossa parte, enquanto estimarmos que há perspetivas de possibilidade para as Nações Unidas recuperarem a sua força, as suas capacidades para avançar com o seu plano de paz, vamos a animar e aconselhar o respeito pela trégua. Como já assinalei, temos também a esperança na melhoria da posição dos Estados Unidos. Vamos dar uma oportunidade a essa perspetiva.
 
EUA estão muito atentos às violações de DDHH
no Sahara e no próprio Marrocos


Como valoriza a visita de Christopher Ross, enviado do Secretário-Geral da ONU para o Sahara, aos acampamentos e aos territórios ocupados do Sahara Ocidental?

Ross quis visitar-nos meses antes mas os marroquinos não colaboraram, foi a pressão de outros países que permitiu a sua viagem. E Ross nunca adotou uma posição hostil a Marrocos nem se alinhou com os saharauis. Coincidimos que é hora de voltar à mesa de negociações para por à prova as vontades das partes. Marrocos, pelo contrário, está contra o avanço da saída da paralisia do processo, querendo-o manter estancado e apresentar os saharauis como responsáveis.

Que opinião lhe merece as recentes exumações de vítimas civis saharauis do exército marroquino na sequência da ocupação, em 1976?

É todo um monumento de sentidos humanitários. Graças a ele ampliou-se a comunidade humanitária e constitui, certamente, um tremendo e transcendental golpe a todas as políticas de crime e violação dos direitos humanos. É um ato de persuasão contra os criminosos. Só falta que possamos chegar a outros cemitérios coletivos que se localizam por detrás do muro, que sabemos onde estão graças a várias testemunhas.

Fonte:

domingo, 3 de novembro de 2013

A ONU e o Sahara Ocidental



A TVE e um importante setor da imprensa internacional ensura nos seus espaços e serviços informativos as visitas do enviado da ONU para o Sahara Ocidental…
A opinião pública merece saber por que razão existe este tipo de “apartheid informativo” sobre um conflito no norte de África que há muito tempo está por resolver e que envolve direta ou indiretamente a nação saharaui, Marrocos, Argélia e Mauritânia.

Há nações que merecem a atenção e a solidariedade, pois o destino e a arbitrariedade colocaram-nas em situações dramáticas que impedem a sua livre autodeterminação e o pleno desenvolvimento das suas potencialidades, para converterem-se num Estado pleno e funcional. Este é o caso do Sahara Ocidental.

Por isso é questionável que um grande setor da imprensa internacional censure informações que dão conta da violação dos direitos mais elementares do povo saharaui. Desse modo, porta-vozes de organizações preocupadas com a difícil vida de homens, mulheres e crianças saharauis denunciaram há alguns dias que a Rádio Televisão Espanhola (RTVE) tenha censurado, através do seu correspondente em Rabat, a visita de Christopher Ross, enviado pessoal do Secretário-Geral da ONU para o Sahara Ocidental, na sua recente viagem pela região. A opinião pública merece saber por que razão existe este tipo de “apartheid informativo” sobre um conflito no norte de África que há muito tempo está por resolver e que envolve direta ou indiretamente a nação saharaui, Marrocos, Argélia e Mauritânia.

As Nações Unidas procuram uma solução desde a retirada de Espanha do território saharaui, em 1976; o que determinou que Marrocos, de imediato, o reclamasse como seu, dando origem a muitos abusos, perseguições, assassinatos e uma evidente violação dos direitos humanos dos saharauis. A comunidade internacional não deveria ignorar o que acontece nesse fim do mundo, pois a humanidade não pode ser indiferente ao sofrimento real e descarnado que aí se vive.

A 20 de abril de 1991, o Conselho de Segurança da ONU decidiu criar, através da sua Resolução N.º 690, a Missão das Nações Unidas para o Referendo do Sahara Ocidental (MINURSO), que faz esforços por encontrar uma saída pacífica e viabilizar a livre autodeterminação do povo saharaui, princípio do direito internacional que até este momento do século XXI vem sendo boicotado.

Tampouco podemos esquecer que nesta zona há um muro da vergonha, cuja construção se iniciou em 1983, e que separa os territórios ocupados por Marrocos dos territórios sob o controlo da República Árabe Saharaui Democrática.  Não obstante isso, e a pesar da censura mediática, cada vez são em maior número as pessoas que no mundo começam a encarar este real e palpitante problema humanitário que persiste no noroeste de África e frente às Ilhas Canárias.

Dom, 03/11/2013
Fonte: http://www.expreso.com.pe/blog/mas-alla-de-la-noticia-145

Rafael Romero

sábado, 2 de novembro de 2013

Ministro marroquino dos Negócios Estrangeiros apresenta desculpas oficiais à Argélia

Salaheddine Mezouar
O ministro marroquino dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Salaheddine Mezouar, e o secretário-geral do mesmo ministério apresentaram desculpas oficiais ao embaixador argelino em Rabat, afirmando que o indivíduo responsável pela retirada da bandeira da Argélia do edifício do Consulado argelino em Casablanca terá sido preso e será apresentado com urgência perante o procurador do rei, afirmaram fontes diplomáticas.

O incidente teve origem quando uma horda de indivíduos se concentrou diante do Consulado argelino em Casablanca, gritando slogans contra a Argélia, no momento em que um dos manifestantes violou a as instalações diplomáticas e arrancou a bandeira nacional sob o olhar benevolente a cúmplice de polícias marroquinos.


Fonte: Algerie1

O Sahara no tempo do colonialismo espanhol: Arquivo Geral Militar de Ávila revela os seus segredo

 

A Divisão Azul, a administração espanhola no Sahara ou o arquivo privado do general Moscardó são alguns dos milhares de fundos guardados no Arquivo Geral Militar, em Ávila, que, desde agora, abre as suas portas para que se conheça o trabalho de conservação e custódia que desenvolve.

As entranhas do Palácio renascentista de Polentinos têm guardado com zelo, até ao momento, milhares de fundos históricos que vão desde a Guerra Civil espanhola até 1976.



Uma enorme quantidade de mapas, fotografias, planos, relatórios e outros documentos, cujos segredos se começam a revelar com a abertura ao público do arquivo. (…)
  
Há fundos sobre as campanhas de Ifni-Sahara, a presença militar espanhola em África, documentos e arquivos privados e coleções de fotografias, imprensa e um enorme etcétera que totaliza umas 48.000 caixas, 35.000 fotografias, 240.000 mapas e milhares de livros.



O Arquivo Geral Militar tem como objetivo facilitar informação aos investigadores, tendo em conta que são recebidos pedidos “de todo o mundo”, relacionados, sobretudo, com a Guerra Civil e as campanhas africanas.

Aos investigadores, facilita-lhes a documentação por correio eletrónico, tendo em conta que só “uma mínima parte” está digitalizada. O arquivo possui já “quase dois milhões de imagens” digitalizadas.


Fonte: EFE

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Argel convoca o Encarregado de Negócios marroquino após invasão do seu Consulado em Casablanca

Fronteira (fechada) entre Marrocos e a Argélia

O ministério de Negócios Estrangeiros argelino convocou hoje o Encarregado de Negócios da embaixada marroquina em Argel após o protesto de uma centena de marroquinos frente ao consulado argelino em Casablanca, em que um manifestante arrancou a bandeira hasteada na missão diplomática.

Em comunicado, o ministério “condena” a “violação dos locais do Consulado Geral da Argélia em Casablanca” e sublinha que espera “que este grave incidente não se volte a repetir”.

Na passada 4.ª feira, o Governo marroquino chamou para consultas o seu embaixador em Argel para protestar o que o ministério marroquino dos Negócios Estrangeiros qualificou de “multiplicação de atos de provocação e hostilidade da Argélia em relação ao Reino de Marrocos”.

De acordo com o comunicado divulgado hoje por Argel, "esse indivíduo teve o tempo e possibilidade de arrancar o símbolo nacional do seu mastro, não tendo sido preso até ter alcançado o seu objetivo, na presença de um dispositivo policial que não parecia ter como missão imperiosa a proteção dos locais e do pessoal consular argelinos".

O comunicado do MNE argelino, subscrito pelo seu porta-voz, Amar Belani, sublinha ainda que "este ato grave não poderia ter acontecido não fosse o ódio e a difamação contra a Argélia que parte da classe política e da imprensa marroquina tem-se esforçado em semear entre a população marroquina”.

Na 3.ª feira passada, o ministro dos Negócios Estrangeiros argelino, Ramtan Lamamra, criticou a agência oficial marroquina, MAP, assim como o líder do partido nacionalista Istiqlal, Hamid Chabat, que pedira ao Estado a recuperação do território do chamado “Sahara Oriental”, que se encontra dentro das fronteiras argelinas (regiões de Tindouf e de Colombe-Bechar).

O porta-voz do MNE argelino mostrou hoje a sua “consternação” pelo facto da “bandeira nacional” ter sido “profanada”, coincidindo com a festa nacional argelina do 1 de novembro, aniversário do início da guerra da independência contra a França.

A recente escalada de tensão estalou após uma mensagem do presidente argelino, Abdelaziz Bouteflika, lida em seu nome 2.ª feira na Nigéria pelo ministro da Justiça argelino, em que na mesma se solicitava o estabelecimento de um mecanismo para a supervisão dos direitos humanos no Sahara Ocidental, sob ocupação marroquina.

Em resposta às declarações de Bouteflika, muito criticadas peça agencia noticiosa oficial marroquina, Rabat chamou na 4.ª feira o seu embaixador, ao que Argel contestou com dura crítica mas apelando à contenção.


Fonte: EFE