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quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

A Frente Polisario adverte que Marrocos está a planear um ato terrorista para prejudicar a imagem da luta do povo saharaui.




Segundo uma nota da Agência noticiosa oficial saharaui (SPS), o ministro dos Territórios Ocupados e da Diáspora do governo da RASD, Mustafa Sid Bashir, alertou na segunda-feira sobre a possibilidade de o regime de ocupação marroquino executar um ato terrorista destinado a distorcer a luta do povo saharaui. O líder saharaui advertiu que Marrocos demonstrou a sua política de terror aos mais altos níveis de decadência moral ao tratar os civis saharauis indefesos, "prova disso é a criminosa perseguição contra a família da ativista Sultana Jaya". O ministro saharaui salientou que "o regime está pronto a fazer tudo para alcançar as suas miseráveis ambições no Sahara Ocidental".

O ministro saharaui, que tinha a pasta do Interior até há um mês, sublinhou na sua mensagem que "face à execução pelo regime marroquino de qualquer acto terrorista com o qual tente enlamear a Frente Polisario e com ela a luta do povo saharaui, será respondida com força, e serão lançadas investigações internacionais para a desacreditar".
"Sempre que Marrocos aumenta a sua repressão contra os saharauis devido ao cerco causado pela luta saharaui, recorre sempre a todos os métodos maliciosos, acreditando que será útil e que o libertará da situação difícil em que se encontra", explica Sid Bachir, segundo o SPS.
Neste contexto, o ministro saharaui enumerou uma série de métodos que Marrocos tentou implementar para distorcer a luta do povo saharaui e questionar a sua existência. "Durante a Guerra Fria, Marrocos alegou que aqueles que os combatem são um grupo de nacionalidades estrangeiras, e depois, numa fase posterior, tentou implicar os saharauis como extremistas islâmicos", denunciou o dirigente saharaui.
Finalmente, o ministro saharaui esclareceu que, embora Marrocos baseie as suas acusações em pretextos frágeis relacionados com o terrorismo que não existem na realidade, ignora que é o primeiro país a ser a fonte de todas as formas de terrorismo, porque o número de marroquinos envolvidos em movimentos terroristas ultrapassa os milhares, para não falar da droga, o que coloca Marrocos no trono da produção destas substâncias e da sua narco-gestão.

sexta-feira, 19 de março de 2021

Exército argelino intercepta 1400 quilos de cannabis e prende 31 traficantes de droga com ligações terroristas a Marrocos.

 


 Argel, 17 de março (EFE) - As forças de segurança argelinas interceptaram durante a última semana um total de 31 traficantes de droga que tentavam introduzir cannabis em pó (kif tratado) através da fronteira argelino-marroquina e apreenderam mais de 1.400 quilos desta substância, afirma comunicado do Ministério da Defesa argelino.

O comunicado do ministério revela a captura de dois indivíduos que prestaram apoio a grupos terroristas nas cidades de Tebesa (extremo oriente) e Tisemsilt (220 quilómetros a sul de Argel), para além da destruição de quatro esconderijos de armamento na cidade de Mila (oriente) e três bombas caseiras nas províncias de Medea e Jijel.

O comunicado chega algumas horas antes do prazo dado pelas autoridades argelinas a cinquenta trabalhadores diários marroquinos do oásis de Figuig, uma zona fronteiriça entre os dois países, para deixarem o oásis de Al Arja (região de Bechar, sudoeste), que têm vindo a explorar desde há várias décadas até às datas de colheita.

 



Mais de 1.000 toneladas de resina de cannabis de Marrocos apreendida na Argélia

Embora a presença destes trabalhadores não tenha causado até agora a mínima altercação diplomática, noticia o diário argelino em francês "Al Watan" na quarta-feira, a proliferação do tráfico de droga na região preocupa o governo local, que decidiu fazer um ultimato para que regressem ao seu país no prazo de dez dias, correndo o risco de serem presos. Nem as autoridades marroquinas nem as argelinas fizeram qualquer declaração sobre o assunto.

Segundo um estudo realizado pelo Instituto Nacional de Criminologia da Gendarmerie Nacional, o exército argelino apreendeu mais de 1.000 toneladas de resina de cannabis de Marrocos durante a última década, com uma significativa tendência ascendente entre 2019 e 2020.

Em declarações recentes à rádio nacional "Chaîne 3", o Tenente Coronel Yacine Boumerah assegurou que a Argélia "se tornou um país consumidor, bem como um país de trânsito", uma vez que em 2018 este fenómeno afetou as regiões situadas na fronteira com Marrocos, enquanto que, a partir de 2020, a sua presença se estende praticamente a todo o território nacional.

O Relatório da ONU sobre a Droga Mundial coloca Marrocos na lista dos primeiros países do mundo na produção de resina de cannabis. O cultivo desta planta está concentrado no norte do país, principalmente na cordilheira do Rif e nos vales a sul, e é a principal fonte de rendimento para milhares de famílias. EFE

domingo, 7 de março de 2021

Marrocos, um regime delinquente que “coopera" com a Europa na luta contra o terrorismo, a imigração ilegal e o tráfico de droga

 

Membro da unidade antiterrorista marroquina em 2015. Fonte:/AP/SIPA


Com nenhum outro país no mundo a Europa tem sido tão condescendente. Com nenhum outro país no mundo, a Europa pagou um preço tão elevado, em termos éticos e morais. E, por outro lado, nenhum outro país do mundo recebe tanta ajuda europeia como este país.

Por Lehbib Abdelhay/ECS - 07-03-2021

 

Madrid (ECS). No meio da epidemia do Coronavírus que varre o mundo, o regime marroquino não se conseguiu controlar e voltou à arte da falsificação e falácias que domina com distinção. O regime encenou uma manobra mal orientada, segundo a qual, a Direcção Geral de Segurança em Marrocos teria impedido "uma tentativa de contrabando de 7 toneladas de drogas" no alto mar com destino à Europa. “A Marinha Real Marroquina apreendeu ontem ao largo da costa atlântica da cidade de Kenitra, 40 quilómetros a norte de Rabat, sete toneladas de haxixe num barco de pesca com destino à Europa, e prendeu os seus sete tripulantes” - assim foi noticiado.

Pode um país como Marrocos, o maior produtor e exportador de drogas do mundo e da região, segundo relatórios das Nações Unidas e do seu gabinete antidroga, afirmar estar a lutar contra o contrabando desta substância tóxica? Pode um país que ameaça a paz e a segurança na região ao apoiar organizações terroristas na região, especialmente no Sahel e na África Ocidental, ser um modelo de paz para a Europa?

Claro que não, ao longo dos anos Marrocos tem vindo a praticar a política de falsificações e manobras sujas que já preocupam os especialistas e os grupos de reflexão e mesmo a população da região mas, apesar de tudo isto, este regime continua a reinventar a sua política antiga, pensando que pode conseguir o que não conseguia há anos atrás. Marrocos produz cerca de 40.000 toneladas de cannabis por ano numa área de cultivo de 52.000 hectares, números que mantêm o país como principal produtor e fornecedor desta planta alucinógena, de acordo com o último relatório UNDOC.

 "Mentir, fabricar acontecimentos ou visualizar cenários falsos e falsificar factos" é uma manobra do regime marroquino e da sua imprensa. Estarão os serviços secretos marroquinos prontos para aprovar um projecto infernal na região, tal como o fizeram no passado?

 


As drogas de Marrocos atingem duramente a Andaluzia (Espanha)

 

Cerca de 60 pessoas presas numa operação contra o tráfico de haxixe em Sevilha, Huelva e Cádis. As forças de segurança de Espanha estão a realizar desde quarta-feira uma grande operação contra o tráfico de haxixe proveniente de Marrocos nas províncias andaluzas de Huelva, Cádis e Sevilha, que já conta com pelo menos 60 detidos. Mais de dez toneladas de haxixe marroquino foram apreendidas. Do mesmo modo, a Guarda Civil espanhola conseguiu apreender numerosas armas, camiões com traficantes de droga carregados, veículos de luxo, barcos, bem como abundante documentação e dinheiro. Tal como relatado por fontes da Guarda Civil à agência Europa Press, estão a ser desenvolvidos 25 processos na província de Huelva capital, em Sanlucar de Barrameda em Cádis, ou em Mairena e Villamanrique de la Condesa, em Sevilha.

 

O Makhzen (o Palácio Real), o maior patricinador de resina de cannabis

 

O Makhzen [ termo que significa o poder ligado ao Palácio Real] possui uma miríade de empresas criadas exclusivamente para lavar dinheiro e manter o controlo sobre o povo marroquino. Os seus principais investimentos são em bens imobiliários tanto em Marrocos como fora do Reino, daí as suas propriedades em Paris, sul de Espanha e outros países europeus. Este clã excede de longe os cartéis latino-americanos e europeus em lucros líquidos do tráfico internacional de narcóticos, acumulando centenas de milhões de dólares por ano. O Makhzen continua a ser a agência estatal mais poderosa em termos de capacidade militar, influência política, e controlo sobre os principais corredores de droga.

 

Unidades do Exército de Libertação Popular Saharaui apreendem
recorrentemente droga introduzida através do muro militar marroquino...


Se as rotas e o modus operandi variam, o início da história permanece o mesmo. O tráfico tem as suas raízes em Marrocos

 

Uma organização local é responsável pelo transporte de haxixe das montanhas do Rif para o Mediterrâneo, muitas vezes em burros. A resina de cannabis, até 5 toneladas por passagem, é carregada em barcos de pesca, que se juntam a uma ou duas lanchas em alto mar. Um piloto, um co-piloto, o mecânico e o "porteiro", o homem de confiança do proprietário marroquino das drogas, recebem as embalagens. Depois a tripulação vai para a foz de um rio. Quando tudo corre bem, os barcos perdem-se no mar sem serem detectados.

De facto, em terra é a fase mais perigosa. Tudo deve ser marcado com quatro horas de antecedência. A operação começa com incidentes para dissimular; observadores distribuídos na zona: adolescentes que, com indiferença, fumam um cigarro, uma mulher que passeia o seu cão ... No total, 30 a 70 pessoas encarregadas de indicar, por telefone, a presença da polícia. Depois vêm os colectores de pacotes pesados, 20 pessoas que cobram 1.500 euros cada uma enchem os 4 x 4 estacionados perto de uma estrada de acesso rápido.

Sete minutos de adrenalina. O motorista e o seu parceiro recebem pelo menos 15.000 euros para transportar as mercadorias para Espanha. Posteriormente, compradores holandeses, franceses, belgas, suecos ou outros vêm recolher as suas encomendas. O "mercado" europeu está cheio de clientes.




Marrocos encabeça a lista no Relatório Anual do Departamento de Estado dos EUA sobre o Tráfico de Pessoas 2020

Marrocos encabeça a lista no relatório anual sobre tráfico de seres humanos divulgado em Julho de 2020 pelo Departamento de Estado norte-americano. Entre as razões citadas nesse relatório está o facto de o Governo não ter alcançado os padrões mínimos para a eliminação do tráfico, mas estar a fazer esforços significativos para o fazer.

O Departamento de Estado salienta também que, em 2020, Marrocos continuou a abordar o tráfico e contrabando de seres humanos. "O Governo de Marrocos não cumpre totalmente as normas mínimas para a eliminação do tráfico, mas está a fazer esforços significativos para o fazer", diz o relatório.

"Estes esforços incluíram a elaboração de uma lei de tráfico revista para eliminar a exigência de força, fraude ou coacção das vítimas de tráfico sexual menores de 18 anos, o aumento das investigações e processos judiciais, e a formação de mais pessoal de aplicação da lei sobre o tráfico de crianças", afirma o relatório.



 Tráfico de imigrantes ilegais

As crianças e adolescentes traficados da África subsahariana fazem parte dos fluxos migratórios que passam pelo Norte de África, na esperança de alcançar o continente europeu. As redes de tráfico partilham os caminhos com os fluxos migratórios que viajam da África Subsahariana para Marrocos. São também os mesmos circuitos que partilham o tráfico de droga e de armas, que produzem situações de perigo máximo e conseguem misturar estes três negócios perigosos. Neste sentido, as rotas mercantilizam mais uma vez as vítimas, visualizando-as no seu papel de mercadoria.

"O governo de Marrocos continuou a deslocar à força alguns migrantes da África Subsahariana de zonas perto de Ceuta e Melilla, uma população altamente vulnerável ao tráfico proveniente de Marrocos, sem instituir medidas para detectar os traficantes. O governo também não forneceu serviços de protecção especificamente para as vítimas de tráfico", acusa o relatório.

"Como foi noticiado nos últimos cinco anos, os traficantes de seres humanos exploram vítimas nacionais e estrangeiras em Marrocos. Os migrantes estrangeiros documentados e indocumentados, especialmente mulheres e crianças, são altamente vulneráveis ao trabalho forçado e ao tráfico sexual em Marrocos enquanto transitam por Marrocos para chegar à Europa. Os traficantes exploram muitos migrantes que utilizam voluntariamente os contrabandistas para entrar em Marrocos", afirma o relatório.

Segundo o relatório do Departamento de Estado norte-americano, em 2019, o número de migrantes subsaharianos que conseguiram entrar clandestinamente em Marrocos, a maioria dos quais transitando por Marrocos a caminho da Europa, diminuiu em 50-60 por cento em comparação com 2018; no entanto, o número de migrantes marroquinos que partiram para a Europa terá aumentado em 200 por cento. O governo espanhol e as organizações internacionais estimam que 25.000 pessoas, incluindo cidadãos marroquinos, atravessaram clandestinamente de Marrocos para território espanhol em 2019, quer por mar ou por terra.



Barcos cheio de marroquinos chegam ilegalmente a Espanha


"Tanto os migrantes subsaharianos como marroquinos que fazem esta viagem para Espanha e mais longe para a Europa estão em risco de serem traficados em Marrocos e na Europa. Por exemplo, os traficantes exploram algumas mulheres migrantes quando procuram assistência em 'casas seguras' em Marrocos, que são geralmente dirigidas por pessoas da sua própria nacionalidade", sublinha o relatório.

O Departamento de Estado dos EUA relata que imigrantes indocumentados, principalmente da África Subsahariana e um pequeno mas crescente número da Ásia do Sul, são explorados no tráfico sexual e no trabalho forçado em Marrocos. "Redes criminosas que operam em Oujda na fronteira argelina e em cidades costeiras do norte, como Nador, exploram mulheres imigrantes indocumentadas no tráfico sexual e mendicidade forçada; as redes em Oujda também alegadamente exploram os filhos de imigrantes na mendicidade forçada", acrescenta.

 

Jihadistas no Mali: droga marroquina financia 


Com as drogas marroquinas, grupos terroristas no Sahel são financiados

É agora óbvio para todos que os combatentes da Al Qaedado Magrebe Islâmico (AQIM) - actualmente JNIM-MACINA e outras facções - beneficiam do tráfico de droga em grande escala de Marrocos, e que estão cada vez mais a incorporar criminosos de todos os tipos nas suas células e grupos, ao mesmo tempo que tiram partido das suas redes clandestinas. Isto é bastante preocupante, especialmente quando se pensou que as acções dos capacetes azuis da ONU e a intervenção militar europeia no Sahel, liderada pela França, tinham posto um fim a esta colaboração.

A crescente penetração da cannabis marroquina na região da África Ocidental em geral e do Magrebe em particular, de onde salta para a Europa Oriental e África subsahariana, está também a fazer com que as forças de segurança de vários países receiem que este tráfico, até há pouco tempo estranho à região, penetre nas redes que já traficavam outras drogas ou seres humanos (imigrantes), bem como células terroristas.

 

A "droga e a jihad": a ONU aponta a droga de Marrocos como fonte de financiamento para os terroristas no Sahel, de acordo com o último relatório do UNODC

 

De acordo com o relatório do Gabinete das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) referido no World Drug Report 2020 e o grupo de peritos do Mali, “os traficantes de droga pagam a grupos terroristas ligados à Al Qaeda (AQIM) e ao Estado Islâmico (ISGS) para proteger os carregamentos que atravessam o Sahel e depois para a África Subsahariana e Egipto”.

A importantíssima produção de droga em Marrocos, juntamente com a crescente evidência da relação entre o mundo dos traficantes de droga e o terrorismo, torna necessário uma análise mais atenta do estudo em grande parte prospectivo de uma relação frutuosa entre os criminosos e de uma convergência progressiva entre os dois. Em relação a esta questão, os jihadistas e a sua ligação com o tráfico de droga proveniente de Marrocos, vale a pena recordar as operações dos últimos meses de ligações entre terroristas e traficantes de cannabis que atravessam o Sahara e o Sahel.

A partir de uma tal variedade de actores e cenários, debruçar-nos-emos precisamente sobre o último deles, o exército saharaui anunciou a apreensão nos territórios libertados do Sahara Ocidental de 7 toneladas em dois veículos com matrícula marroquina com destino a um país africano não especificado.

Em Marrocos, a produção de cannabis está a aumentar e o Gabinete das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) afirma que a produção aumentou em comparação com anos anteriores, permitindo-lhe agora atingir 60% da produção global em comparação com os 30% produzidos em 2017.

Marrocos produz cerca de 40.000 toneladas de cannabis por ano numa área de cultivo de 52.000 hectares, números que mantêm o país como principal produtor e fornecedor desta planta alucinógena, de acordo com o Relatório UNDOC.

domingo, 14 de abril de 2019

Afirmações do Comissário Villarejo imputam a Marrocos a autoria dos atentados 11-M




Madrid, 13/04/2019. - (El Confidencial Saharaui) – Agências – Uma gravação do comissário espanhol José Villarejo de 2009 revela como a cúpula policial admite que os serviços secretos de Marrocos e de França propiciaram os atentados.

A cúpula policial que investigou os ataques do 11-M tinha a suspeita, nunca investigada, de que os serviços secretos de França e de Marrocos haviam participado nos atentados terroristas que ceifaram a vida de 191 pessoas em faz agora 15 anos.

De acordo com Moncloa.com, esta tese foi apoiada por vários dos responsáveis policiais do Ministério do Interior de Alfredo Pérez Rubalcaba, protagonistas de uma gravação obtida pelo jornal. "Meu critério é que foram os marroquinos com o apoio dos franceses, sem dúvida", explica o ex-comissário José Villarejo, segundo o gravação captada em dezembro de 2009.

"Eles estavam por trás", diz Juan Antonio Gonzalez, então máximo responsável de todos os operacionais da polícia judiciária em Espanha.

A gravação foi feita durante uma refeição em que participaram quatro chefes de polícia: o Comissário Villarejo - em detenção preventiva há mais de um ano por ordem da Audiência Nacional - o já mencionado Juan Antonio González, o comissário José Luis Olivera - que depois dirigiu a Unidade de Crimes Económicos (UDEF) e tornou-se diretor do Centro de Inteligência contra o Terrorismo e o Crime Organizado (CITCO) - e Eloy Quirós - responsável pela UDYCO e atual comissário geral da Polícia Judiciária.

Num momento da gravação da conversa, o comissário Villarejo dirige-se diretamente a Juan Antonio González, então número dois da Polícia.

- "Eu estive na Síria, no Líbano, recolhendo chamadas que foram feitas durante o 11-M, que mais tarde as tiveram aqui e que antes, precisamente antes, os serviços secretos franceses cortaram parte dessas chamadas Na minha opinião, depois de tudo isso, não tenho dúvida de que foram os marroquinos com o apoio dos franceses".
"Isso", reforça o comissário Olivera. A que González responde: "Estavam por detrás".

Não tenho nenhuma dúvida de que os serviços secretos marroquinos estavam metidos até ao pescoço e que os franceses lhes deram apoio logístico", continua Villarejo.

O maior atentado terrorista em Espanha
Vinte e um minutos antes das oito da manhã, três bombas explodiram num combóio que chegou a Atocha. Sete outras explodiram mais tarde noutros comboios nesse 11 de março de 2004, o dia da maior ação terrorista na Espanha, que inundou o país de solidariedade e também o abalou três dias antes de umas eleições. A política espanhola mudaria para sempre após o 11-M.
192 pessoas foram assassinadas nos atentados perpetrados por uma célula de terroristas dos serviços secretos marroquinos: 34 faleceram no combóio que explodiu na estação de Atocha; 63 tiveram o mesmo destino frente a calle Téllez; 65 na estação de El Pozo; 14 morreram devido à bomba que rebentou na estação de Santa Eugenia e 16 em diferentes hospitais, a última em 2014 após ter permanecido em coma dez anos. Mais de 1.800 passageiros ficaram feridos.


sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Frente Polisario condena o atentado terrorista em Barcelona

A Frente Polisario e as autoridades da RASD expressam a “sua mais enérgica condenação e repulsa pelo execrável e brutal ataque terrorista perpetrado ontem em Barcelona”.

Nestes momentos de dor, em nome do povo e do seu governo, quero transmitir a sua solidariedade e as suas mais sentidas condolências pelos mortos, assim como os desejos de pronto restabelecimento para os feridos” – afirma Jira Bulahi, Delegada da Frente Polisario em Espanha, em mensagem dirigida às autoridades deste país.

E acrescenta: “expressamos a nossa mais rotunda condenação a este atroz e cobarde ataque, e o apoio absoluto das autoridades saharauis aos familiares das vítimas. O povo catalão e os povos do Estado espanhol ter-nos-ão sempre a seu lado para combater a todos aqueles que, valendo-se da violência, queiram atacar e desestabilizar as nossas sociedades”.


Frente a estes vis atos, o governo e o povo saharaui, reiteram o seu pleno compromisso na luta contra qualquer tipo de terrorismo, e todas as formas de violência contra inocentes”.

domingo, 8 de maio de 2016

Marrocos utiliza o terrorismo como arma para dissuadir a MINURSO




Muitas surpresas marcaram a primeira semana depois da resolução norte-americana aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU e que exige o restabelecimento total da Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental, MINURSO. O Estado Islâmico ameaça atacar a missão.
Infelizmente, a censura imposta aos grandes meios de difusão não permitiu que o público ocidental fosse informado sobre esses acontecimentos.
 Cinco dias depois da adoção da resolução 2285, o Estado Islâmico lançou uma gravação sonora, difundida pela agência de Al Jazeera e a agência espanhola EFE, ameaçando atacar a missão das Nações Unidas no Sahara Ocidental, MINURSO.

Na propaganda difundida na terça-feira passada pela Al Jazeera, os militantes (Tawhid Walyihad) ameaçaram atentar contra todas as delegações da missão da ONU e expulsar os infiéis.

Tal como foi revelado num documento difundido por El CONFIDENCIAL SAHARAUI há alguns meses, o lugar em que teve lugar tal reunião entre funcionários marroquinos e líderes da AQMI, foi o Hotel Prestige, situado na ''Rue Maritime'' na cidade mauritana de Nouadhibou, onde também se encontra situado o consulado marroquino.


Historicamente, esta milícia jihadista manteve uma aliança com a Al Qaeda do Magreb Islâmico. No entanto, nos últimos meses, levantaram-se dúvidas sobre a sua validade. E também sobre a permanência do grupo enquanto tal.

O documento revela que as duas partes acordaram reativar a atividade terrorista em território argelino através do financiamento e fornecimento de armas para pôr em prática os planos que acertaram e que são:

  • Levar a cabo atos terroristas no Sahara Ocidental.
  •  Proporcionar informação sobre qualquer marroquino que se junte ao grupo terrorista.
  •  Ataques terroristas na fronteira entre a Tunísia e a Argélia.
  •  Realizar ataques em solo líbio.
  •  Facilitar o acesso de terroristas que desejem juntar-se ao grupo armado através da fronteira de Marrocos.
  •  Proporcionar apoio em armamento e logístico.
  •  Proporcionar informação aos líderes terroristas do movimento.


Estas revelações demonstram que o governo marroquino tem Relações com os líderes destes movimentos com os quais chegaram a um acordo para semear o terror e reativar a atividade terrorista na região, assim como nos países do Magrebe, como a Tunísia e a Líbia.

Mas até agora era ações secretas, cuja existência Rabat não conhecia enquanto estavam ocorrendo.

No caso do Sahara Ocidental foi dado um passo decisivo: o rei de Marrocos concedeu financiamento e armamento a duas organizações que representam a al-Qaeda do Magrebe islâmico.
O que até agora era um segredo, tornou-se política oficial do país de repressão: o terrorismo.

Fonte: El Confidencial Saharaui

domingo, 31 de agosto de 2014

O maior campo de minas do mundo



Mitch Swenson escreveu para a War is Boring sobre o muro marroquino no Sahara Ocidental, a que chama “o maior campo de minas do mundo”.

Fala do impasse no conflito e de como os grupos jihadistas que operam na região tratam de recrutar jovens saharauis.

O assunto foi tema de artigo recente na revista “Foreign Policy” onde David Conrad conta que a Frente Polisario criou uma “força antiterrorista” que patrulha os arredores de Tindouf. Surgiu preocupação entre os líderes saharauis após o sequestro em Tindouf de três cooperantes no ano de 2011 e a infiltração o ano passado de recrutadores da Al Qaeda do Magrebe Islâmico.

Agora a Frente Polisario escolta as colunas de funcionários da MINURSO como medida de segurança. Conrad cita Omar Bashir Manis, o sudanês que está à frente do Escritório de Ligação da MINURSO em Tindouf, que fala do emergente “arco de instabilidade” na região.

Um momento importante terá lugar quando a norte-americana Kosmos Energy começar a explorar jazidas de petróleo “off shore” frente às costas do Sahara Ocidental


Fonte: Diaspora Saharaui.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

EL MUNDO: Marrocos deixa que os seus islamitas radicais partam para fazer a guerra

  
Mustafa Hamduch, 'Kokito'. EL MUNDO


“Como é que os serviços secretos marroquinos, que nos dizem que conhecem ao detalhe os movimentos destes elementos, não puderam impedir essa saída maciça para zonas em conflito?", Interroga-se o jornalista Rida Benotman, que esteve preso por alegadamente ser islamita, mas que agora já não professa essa ideologia”…

Um interessante artigo sobre as pantanosas relações entre os serviços de inteligência marroquinos e os grupos radicais islâmicos, assinado por Ignacio Cembrero, indiscutivelmente, um dos jornalistas mais conceituados sobre a região do magrebe.



segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Marrocos: O Makhzen prepara um atentado terrorista de grande envergadura [?]


A ameaça terrorista é um dos meios mais utilizados pelo governo marroquino para atrair o apoio dos seus antigos aliados. Com esse objetivo, Marrocos tudo tem feito para incriminar os saharauis e manchar o seu nome. Agora que a ONU se mostra decidida a passar à velocidade superior para resolver a questão saharaui, é muito provável que o Makhzen recorra a uma ação de grande escala. O anúncio constante de desmantelamento de células terroristas é disso uma prova irrefutável...

Os ataques do 11 de setembro de 2001 constituem uma viragem nas relações entre os EUA e a Argélia, país até então diabolizado pelo Ocidente em virtude da sua luta contra a escalada islamita no país.

As respostas da Argélia às observações do Comité contra e o terrorismo consagradas na resolução 1373 (2001) do Conselho de Segurança servirão para justificar uma parceria privilegiada com os EUA.

«A Argélia é um dos raros países a ter implantado, desde a aparição do fenómeno terrorista, um forte dispositivo jurídico com vista a o prevenir e combater. O quadro legislativo e regulamentar foi progressivamente melhorado e adaptado para melhor atender à evolução das atividades terroristas e à sua natureza transnacional. O arsenal jurídico existente cobre o conjunto das atividades ligadas ao terrorismo e responde às necessidades da cooperação internacional», de acordo com o relatório da Argélia.
 

Janet Sanderson, embaixadora dos EUA
Em entrevista concedida ao diário La Tribune, de 18/6/2003, Janet Sanderson, embaixadora dos EUA em Argel, declarou: «Vocês, infelizmente, têm muito mais experiência no que diz respeito ao terrorismo. É difícil encontrar um argelino que não tenha sido atingido pelo terrorismo. Nos EUA, os acontecimentos do 11 de setembro foram um choque e não quero subestimar o impacto desses acontecimentos entre nós e entre vós. Vocês perderam uma quantidade enorme de gente num decénio. É pena que nós, e outros países, tenhamos entrado nesta luta, neste conflito, mais tardiamente».

A comunidade internacional reconhecia por fim os méritos do combate da Argélia contra o flagelo do terrorismo.

Esta aproximação entre os EUA e a Argélia e o estatuto acordado a este último enquanto país pioneiro na luta antiterrorista foi mal visto em Rabat que, até então, se apresentava como aliado incontornável e bastião contra o terrorismo.

Foi nesse momento que os EUA designaram o antigo Secretário de Estado James Baker como Enviado Pessoal do SG da ONU para o Sahara Ocidental. Uma designação que não era do agrado das autoridades marroquinas.

O apoio da Espanha ao plano Baker e ao recenseamento realizado pela MINURSO para a realização do referendo de autodeterminação no Sahara Ocidental provocaram a cólera do governo marroquino. A isto veio acrescentar-se a anulação do acordo de pesca. Marrocos reclamava a mesma remuneração económica (90 milhões de euros) além de reduzir 80% das embarcações, e mudando a forma de contratos destes barcos. A 11 de julho de 2002, Rabat decide ocupar a Ilha de Persil (Salsa). A reação do presidente do Governo espanhol, José Maria Aznar, apoiado por Washington, foi firme. Fuzileiros espanhóis foram mandados para a ilha para desalojar os marroquinos.



Espanha pagará um ano mais tarde a humilhação feita ao governo marroquino. Na noite de 16 de maio de 2003, vários atentados farão 45 mortos e meia centena de feridos, o atentado mais sangrento tem lugar no restaurante Casa de Espanha, onde os clientes jantavam ou jogavam ao bingo. Fez 20 mortos. A estória oficial contada na altura é que, graças ao bem-abençoado Mohamed VI, dois dos kamikazes renunciaram a fazer-se explodiir, o que permitiu  à polícia seguir a pista e desativar os atentados previstos para eclodir nas cidades de Marraquexe, Tânger, Fez e Agadir.

Casa de Espanha - atentado de 16 maio 2003

O tiro de partida estava dado. Não são só os serviços de segurança argelinos que são eficazes na luta contra as redes terroristas. O perigo obscurantista também pode vir de Marrocos, especialmente se lhe quiserem tirar as terras do Sahara Ocidental. Esta é a mensagem que Marrocos pretendeu transmitir ao Conselho de Segurança que irá se pronunciar dois meses depois sobre o Plano Baker II, que a Frente Polisario irá aceitar, mas que Marrocos rejeitará.

Um dado comum que caracteriza todos os atentados cometidos em Marrocos é o facto deles coincidirem sempre com as reuniões do Conselho de Segurança que se revelem decisivos para a resolução do conflito do Sahara Ocidental. E sabe-se que o povo marroquino é um dos povos mais tolerantes e mais abertos no mundo árabe-muçulmano. Mesmo Driss Basri, [braço direito do rei Hassan II] antigo ministro e patrão dos serviços de segurança de Marrocos exprimiu as suas reservas sobre os presumíveis autores destes atentados cometidos no país.

Segundo Basri, Hassan II queria que o seu povo fosse visto como um exemplo de tolerância e uma ponte entre as civilizações europeias e muçulmana. Que estas histórias de atentados tenham surgido depois da sua morte, «isso surpreende-me», declarou o antigo patrão dos serviços de segurança.

«Marrocos nunca viveu sob um sistema de partido único e sempre conheceu um sistema político plural e liberal. Eu pergunto-me, tal como pensam os especialistas do islamismo em Marrocos, se este anúncio dramatizado não passará de uma manipulação para uso internacional", concluía Driss Basri.

Neste atentado, os espanhóis foram os mais punidos. Vingança em relação ao assunto da ilha de Persil? Em todo o caso, alguns meses mais tarde - e justamente antes do Enviado Pessoal do SG da ONU James Baker se demitir -, a gare de Atocha de Madrid foi vitima de um atentado que foi qualificado como o «11 de setembro espanhol» e a grande maioria dos seus autores eram marroquinos. Foi um acaso? Nada é menos certo, o atentado foi executado três dias antes das eleições gerais que farão cair o governo de José María Aznar, considerado por Marrocos como inimigo jurado.



A 12 de março de 2007, ainda uma história incoerente: um kamikaze marroquino morre ao acionar uma bomba que escondia sob as suas vestimentas num cybercafé de Casablanca, enquanto um outro kamikaze empreendeu a fuga e foi detido pela polícia.

A Direção Geral da Segurança Nacional (DGSN), citada pela agência marroquina MAP, explicava que, a 12 de março de 2007, pelas 22H00 locais (GMT), dois marroquinos introduziram-se no cybercafé de Sidi Moumen para «tentarem consultar sites na internet que fazem a apologia do terrorismo». O filho do proprietário do cybercafé impediu-os de consultar os sites e «um dos dois indivíduos fez explodir uma carga explosiva dissimulada nas suas vestes e morreu», segundo a DGSN, citada pela MAP.

14 de abril de 2007 em Casablanca : dois irmãos fizeram-se explodir perto do consulado geral dos EUA e de uma escola de línguas americana. Quinze dias mais tarde, o Conselho de Segurança pronuncia-se pela negociação entre as partes «com vista a alcançar uma solução política justa, duradoura e mutuamente aceite que permita a autodeterminação do povo do Sahara Ocidental».


28 de abril de 2011: Café Argana, um kamikaze faz-se explodir num café situado na turística praça Jemaa el Fna, fazendo pelo menos quatorze mortos, oito dos quais franceses. Uma grande parte da opinião pública marroquina pensa que este atentado foi cometido por meios oficiais com o objetivo da parar a evolução da Primavera Marroquina. Este atentado servirá de alibi para amordaçar o movimento do «20 de Fevereiro» ao ressuscitar o fantasma «da guerra de prevenção contra o terrorismo» com o seu corolário de detenções arbitrárias e de regressão ao nível das liberdades públicas.

Neste momento, o Conselho de Segurança dispõe-se a passar ao Capítulo VII, com o objetivo de adotar uma resolução vinculativa a fim de pôr fim ao conflito do Sahara Ocidental. Marrocos agita de novo, a ameaça terrorista. É de temer que o Makhzen repita os cenários que os marroquinos já conhecem.


Domingo, 03 de agosto de 2014
Fonte: diáspora saharaui


quarta-feira, 16 de julho de 2014

As novas batalhas da POLISARIO

  
O ministro saharaui de segurança, Suleyman Amed, mostra parte do haxixe apreendido 
  
O comandante da Frente Polisario Ahmed Salem afirma que o tráfico de haxixe através do Sahara e os jihadistas «são o mesmo» porque «um não poderia viver sem o outro, o jihadismo não poderia viver sem a sua fonte de receitas principal» e «o narcotráfico não poderia manter-se tão forte se não dispusesse da logística que lhe dão os grupos jihadistas». Dois fatores que levam Salem a concluír que a «nossa guerra mudou».

Ahmed Salem é um homem forte que conduz uma viatura Toyota pelo deserto do Sahara controlado pelos saharauis. É comandante da Frente Polisario e chefe do batalhão Mohammed Laroussi, que varre o deserto em busca de qualquer viatura não identificada que possa transportar haxixe ou servir de rampa de lançamento aos jihadistas para atacar os acampamentos de refugiados. «A nossa guerra mudou – diz –, já não é só contra o inimigo marroquino, mas também contra o jihadismo e contra o tráfico de drogas. Ainda que para mim sejam iguais e não distingo se tenho que deter um ou outro». Peço-lhe que me explique isso com maior detalhe, enquanto o carro avança a grande velocidade na noite em direção a um ponto que não me quiseram dizer na base de Bir Lehlu da Polisario, na quinta região dos territórios libertados do Sahara Ocidental.

 «Digo que, para mim, são o mesmo porque hoje em dia um não poderia viver sem o outro. O jihadismo não poderia viver sem a sua fonte de receitas principal, ou pelo menos não teria a mesma força. No mesmo sentido, o narcotráfico não poderia manter-se tão forte se não dispusesse da logística que lhe dão os grupos jihadistas. Um alimenta-se porque o outro existe. Se atacamos um atacamos o outro», explica Ahmed Salem entrecortadamente enquanto se esquiva de pedras, montes de areia e de um ou outro leito de rio seco com a ajuda da luz que só a lua proporciona. Antes de partir, o soldado raso Sidahmed diz-me que os traficantes preferem este tipo de dias de lua cheia. «Assim não têm acender as luzes dos carros e utilizam a luz que lhes proporciona a luz cheia ao dirigirem-se para a Mauritânia». Por isso Ahmed Salem avisa-me: «A patrulha noturna que veremos estará um pouco afastada das rotas de máxima vigilância. Por segurança, não podemos levar ali ninguém que não seja da Polisario».

Patrulha noturna da POLISARIO, de regresso à base de Bir Lehlu


Depois de dois sustos de atasco no leito de um rio seco (Ouad Hambra, rio vermelho, em hassania, idioma local), chegamos a uma enorme rocha. Em cima dela um soldado vigia se vislumbra uma qualquer luz para além daquelas da missão da MINURSO [Missão da ONU para o Referendo nos Sahara Ocidental] que há perto dali. «Vivem assustados dentro do seu búnker. Sabem que para os jihadistas são também um inimigo», explica Dah, chefe do pelotão, grande e largo mas de voz quase infantil. «Os que se supõe que têm que proteger os civis saharauis da barbárie de Marrocos pedem ajuda a uma parte deste conflito, é de rir», acrescenta, e ri apoiando a sua AK-47 no solo. Ahmed Salem ordena que venha. «Taylah!», grita. Um soldado vestido com o uma jaqueta militar dá-nos a mão e apanha uns ramos do solo. «Vamos fazer uma fogueira e tomarmos um chá, aqui não há perigo. O perigo está mais a norte e mais a sul, perto de Aint Ben Tilli mas já na Mauritânia», explica Ahmed Salem. Pergunto-lhe se fazer uma fogueira não implica ser visto pelo inimigo. «Não, porque…» e o rádio que leva à cintura começa a fazer-se ouvir interrompendo a conversa e, portanto, a resposta à minha pergunta. «Estamos rodeados por um rio seco, onde os carros não podem entrar a grande velocidade», prossegue o robusto Dah, «além disso estamos num dos pontos mais vigiados de todo o deserto do Sahara. Temos quase mil homem em pelotões autónomos rondando por aí. O inimigo sabe que estamos sempre aqui porque este é o nosso ponto de encontro. Evita esta zona, os nosso soldados estão dispersos por aí», diz assinalando para a imensidão do deserto. «Perdoa!», diz Ahmed Salem, «é que me preguntaram se o carro que acaba de chegar ao ponto de encontro era o nosso. Um dos nossos soldados viu-nos de longe e tem de assegurar-se quem é».

Soldado saharaui preparando o chá para a patrulha noturna 


Não passarão

«Atravessam o muro minado sempre com a ajuda de altos cargos militares marroquinos que estão a seu soldo. Sabemo-lo porque quando a Polisario deteve traficantes de haxixe todos eles referem coronéis de secção. Estes são quem lhes abrem as portas para poderem cruzar o nosso território. Muitos desses detidos têm processos pendentes na Mauritânia e Argélia por jihadismo. Ainda que desgraçadamente também haja saharauis que traficam. Aqui perto, nas prisões da Polisario em Rabouni, temos os detidos. A situação em que se encontram levaram-nos a percorrer o mau caminho», explica Ahmed Salem. De seguida, começa a desenhar com o dedo indicador no solo arenoso. A luz alaranjada que emana da fogueira que o soldado acendeu junto da enorme rocha dá um tom cálido a esta noite fria. O mapa que desenha parece que ganha vida própria com a entrecortada luz do fogo. «Estamos ao norte dos territórios libertados e mais a sul está a Mauritânia. Os traficantes atravessam por esta zona para infiltrarem-se quanto antes em território mauritano. Daí, e aproveitando o controlo dos jihadistas nesta zona e no norte do Mali, podem ir diretamente para o porto de Nouadibou ou o de Nouakchott, ambos na Mauritânia. Ou então atravessar o norte do Mali em direção à Líbia e daí chegam ao porto de Misrata», explica Ahmed Salem enquanto traça inúmeras flechas no mapa arenoso. «"Se observar, eles só pisam terreno controlado por jihadistas como a Al Qaedda do Magrebe Islâmico, mas recentemente, na Argélia, prenderam também um traficante ligado ao grupo Boko Haram [do norte da Nigéria]», explica-me. O chá está pronto. Muito açucarado, como de costume, e há que sorvê-lo sonoramente para poder salvar os lábios de uma queimadura. «Em breve chegará uma patrulha que nos vem informar das últimas novidades ou se viram algum movimento estranha», refere Dah.

Dois membros de uma patrulha «especial» da POLISARIO treinando-se no campo de refugiados Rabouni

«Tem havido vezes em que tivemos que disparar contra viaturas. O meu batalhão deteve cinco traficantes em 2013 e apreendeu quase 1 700 quilos de haxixe. Marroquinos e mauritanos todos eles. Asseguram que apanham o carregamento na zona de Ketama e atravessam Marrocos de norte a sul aproveitando-se da rede que têm montada na zona. Houve inclusive um detido que referiu que, na zona de Guelmin, um chefe de município estava envolvido na trama», diz Ahmed Salem sublinhando a palavra ‘alcalde’.

Vigilância diurna nos arredores Bir Lhelu

Afastamo-nos da zona à mesma velocidade com que entrámos. Sem luzes e mirando até onde os nossos olhos chegam. «Fazer da minha terra um lugar seguro para a minha gente é a minha prioridade», acrescenta Ahmed Salem enquanto vai esquivando a viatura de montes de areia que surgem aqui e acolá. «Há uma frase de que eu gosto muito e que utilizavam os espanhóis na Guerra Civil – sempre gostei muito de história. A frase é ‘¡No pasarán!’. E eu digo o mesmo aos traficantes e aos jihadistas: ‘Pela minha terra ¡Não passsarão!’».


Fonte e fotos: naiz.eus / Por Andoni Lubaki