sábado, 10 de outubro de 2015

Marrocos vai perder o Referendo




A afirmação é do MNE saharaui e foi proferida num debate público em Nova Iorque. E Marrocos sabe-o desde que a Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental (MINURSO) deu por concluído o recenseamento dos cidadãos com capacidade de participar na consulta popular. Não obstante os entraves, os subornos e o longo arrastar do processo de recenseamento que Marrocos promoveu, os técnicos da ONU não permitiram que os cadernos eleitorais fossem invadidos por uma multidão de falsos saharauis que o reino marroquino pretendia à viva força introduzir.

O ministro dos Negócios Estrangeiros saharaui diz agora de forma preocupante que há um apelo unânime do seu povo de um regresso à guerra com Marrocos nos territórios ocupados do Sahara Ocidental.

Mohamed Ould Salek Salem falava num fórum público em Nova Iorque, onde a região foi designada como a última colónia em África.


O referendo de autodeterminação no Sahara Ocidental aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU não se concretizou passados que foram 24 anos e a frustração face à ausência de progressos cresce.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

EUA comprometeram-se em 1981 a apoiar uma solução para a independência do Sahara Ocidental


O ex-diplomata argelino Redha Malek

Os Estados Unidos da América tinham prometido em 1981, através da voz do então presidente Jimmy Carter, apoiar uma solução para a livre determinação do povo do Sahara Ocidental ocupado por Marrocos desde 1975, afirmou quinta-feira o antigo primeiro-ministro, antigo Ministro dos Negócios Estrangeiros e ex-diplomata argelino Redha Malek.

O Presidente Carter recebeu Redha Malek, que apresentou as suas cartas credenciais que o acreditavam na qualidade de embaixador da Argélia nos EUA em 1981. O ex-diplomata argelina afirmou que os "Estados Unidos tinham procurado a ajuda da Argélia para a libertação dos reféns norte-americanos em poder do Irão e em contrapartida prometiam o apoio do seu país a uma solução para a autodeterminação do povo saharaui".


Fonte. APS.DZ / Poemario por un Sahara Libre

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Human Rights Watch denuncia a suspensão das suas atividades em Marrocos e no Sahara Ocidental




A organização não-governamental “Human Rights Watch”, que analisa e vigia a situação dos direitos humanos no mundo, denunciou a carta enviada pelas autoridades marroquinas alertando-a sobre a suspensão das suas atividades em Marrocos e nas Zonas Ocupadas do Sahara Ocidental.

Num comunicado tornado público, Human Rights Watch “lamenta a carta enviada pelo porta-voz do governo marroquino a 23 de setembro, acusando esta organização de falta de parcialidade e objetividade”.


“Durante os últimos vinte cinco anos, Human Rights Watch trabalhou para promover o respeito dos direitos humanos em Marrocos e no Sahara Ocidental”, destaca o comunicado, sublinhando que os relatórios da organização “sempre incluíram também os dados oficiais recolhidos através de entrevistas com funcionários do governo”.


A suspensão das atividades desta ONG internacional ocorre depois da la expulsão no passado mês de junho de dois ativistas da Amnistia Internacional.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Espanha: polícia detém em Burgos um saharaui condenado a cadeia perpétua por Rabat




Agentes à paisana detiveram Hassana Aalia num comboio e libertaram-no horas mais tarde com uma ordem de expulsão que terá que ser cumprida até à tarde de quinta-feira.

O saharaui Hassana Aalia foi detido pela Polícia por «permanência ilegal» no país, explicou ao diário ABC o delegado da Frente Polisario em Espanha, Bucharaya Beyun. O próprio detido confirmou os acontecimentos a este diário após ser libertado em Burgos horas depois com uma ordem de expulsão de 48 horas a partir das 19.40 horas de terça-feira.

«Polícias à paisana pediram-me os papéis e disseram-me que tinha que sair na próxima paragem», depois « levaram-me para a esquadra» apesar de lhes «ter apresentado os documentos do recurso junto da Audiência Nacional [máxima instância judiciária no Estado espanhol]», referiu através do telefone logo depois de abandonar as dependências policiais em Burgos.

Pesadas penas para os presos políticos saharauis de Gdeim Izik condenados pelo Tribunal Militar de Rabat

As autoridades espanholas tinham-lhe recusado o asilo e a Comissão Espanhola de Ajuda ao Refugiado (CEAR) interpôs um recurso que estava pendente de resposta, acrescentou Beyun.

Um tribunal militar de Rabat julgou à revelia Hassana Aalia (El Aaiun, 1988) e condenou-o em fevereiro de 2011 a cadeia perpétua pelos mesmos acontecimentos por que havia sido julgado e condenado anteriormente a quatro meses de prisão. Por não ter antecedentes não teve que recolher à prisão. A falha do megaprocesso, o maior celebrado no reino alauita contra saharauis, recebeu duras críticas da Human Rights Watch (HRW).

Novembro de 2010: invasão sangrenta do acampamento de protesto de Gdeim Izik pelas forças policiais e militares marroquinas

A Aalia acusaram-no de ter participado em agressões a agentes marroquinos durante os protestos que levaram milhares de saharauis a instalar-se num acampamento de protesto nos arredores de El Aaiún, capital do Sahara Ocidental, em 2010.

Porém, não ficou provado que Aalia tivesse participado em agressões às Forças de Segurança marroquinas, segundo um relatório da Associação Internacional da Observação dos Direitos Humanos (AIODH).

Após a sentença de quatro meses «viajei para assistir ao Fórum Social Mundial em Dakar, aos acampamentos de refugiados (saharauis em Tindouf, Argélia), a Espanha…», explicou Aalia ao ABC em entrevista realizada em 2013. A surpresa chegou no meio daquelas suas deslocações quando regressava com normalidade à sua casa de El Aaiún, no momento em que «um Tribunal Militar anuncia uma ordem de busca e detenção contra mim».

A notícia apanhou-o de surpresa em Espanha e foi então que tomou a decisão de não regressar. Foi assim que foi julgado à revelia, juntamente com outros 23 ativistas saharauis, esses sim presentes no julgamento, por um Tribunal Militar em Rabat. O tribunal proferiu uma sentença de nove prisões perpétuas (entre elas a de Aalia), quatro condenações a trinta anos de prisão; seis de vinte cinco anos; três de vinte anos e duas de dois anos e três meses.



segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Cocaína colombiana em Espanha via Marrocos




No ano de 2003 o CNI (Centro Nacional de Inteligência de Espanha) foi alertado pela primeira vez de que narcotraficantes colombianos tinham chegado a um acordo com os seus homólogos marroquinos para aproveitar as consolidadas redes de tráfico de haxixe para introduzir cocaína em Espanha. Essas fontes alertaram, inclusive, da proximidade de membros do Makhzen (o poder que rodeia a Casa Real marroquina) a esta operação. Surpreendentemente, o CNI explicou que entre as suas funções não se encontrava a luta contra o narcotráfico, apesar de uma das táticas da guerra de baixa intensidade ser precisamente debilitar a sociedade do inimigo fomentando o consumo de drogas.

Com o rolar do tempo, aquelas primeiras informações recebidas pelo CNI foram-se confirmando: em 2010, a Interpol informou os corpos de segurança marroquinos da iminente chegada a águas do Sahara Ocidental de grandes quantidades de cocaína colombiana em barcos pesqueiros cujos proprietários são generais marroquinos e suas famílias. Face à pressão internacional, as autoridades marroquinas viram-se obrigadas a apreender consideráveis quantidades de cocaína que estavam guardadas num barco de que era dono um general marroquino de alta patente, mas apenas uma mínima parte da que ia chegando a este país magrebino.

O general Hassni Bensleiman, Director da Gendarmería marroquina desde... 1974!!

O jornalista espanhol Pedro Canales, afirmou que este assunto está relacionado com importantes generais do exército marroquino como o General Abdelaziz Banani (falecido em Maio passado), na altura Inspector Geral das Forças Armadas da monarquia marroquina, o general Hassni Bensleiman, Director da Gendarmería marroquina e o general Abdel-Hag Gadiri, ex-director da Segurança Marroquina e um dos conselheiros mais consultados pelo rei Mohamed VI.

Cartoon de Dilem


A questão é saber se este narcotráfico se realiza apenas com fins de lucro pessoal ou se tem um objetivo estratégico muito mais importante. A presença de altos oficiais do círculo de Mohamed VI aponta na segunda direcção. Esta estratégia consiste em debilitar as sociedades do Norte do Mediterrâneo para que aceitem submissamente a exportação de emigração marroquina. Marrocos exporta apenas emigrantes, droga e terrorismo… e logo chantageia os países recetores para que lhe concedam fundos para combater e emigração ilegal, o narcotráfico e o terrorismo islamita. Uma hábil estratégia que seria inútil se na Europa governassem verdadeiros estadistas em vez de políticos de baixo perfil com os olhos postos na sua própria imagem mais do que nos interesses das suas nações.

A atividade agressiva dos serviços marroquinos na Europa é a grande prova de que esse país, amparado na sua relação preferencial com os EUA [ e a França] , pratica uma política de hostilização em relação à Europa e, particularmente, em relação a Espanha a que a União Europeia responde estendendo cada vez mais a mão a Marrocos e permitindo-lhe as suas exportações hortofrutícolas para o velho continente, debilitando assim ainda mais a agricultura europeia. E tudo isto, ante o olhar de umas autoridades que se negam a considerar a evidência: Marrocos é o “inimigo do Sul” e assim deverá ser considerado.


El Confidencial Saharaui

sábado, 3 de outubro de 2015

Líder trabalhista Jeremy Corbyn participará em eventos para apoiar o povo saharaui



 O novo líder do partido trabalhista britânico, Jeremy Corbyn, já está dando a conhecer a política externa do seu partido, nomeadamente no que concerne à luta do povo saharaui. O líder da segunda força política britânica participará, em finais do mês de abril, numa conferência de apoio ao povo saharaui pela sua autodeterminação e independência.

Segundo os organizadores do evento, Londres acolherá, de 15 de Outubro a 6 de Novembro, várias iniciativas para sensibilizar a opinião pública britânica, nomeadamente através de conferências e manifestações, as quais têm também a como intenção recordar o 40.º aniversário da ilegal invasão do Sahara Ocidental por parte de Marrocos.

Jeremy Corbyn pronunciará um discurso para abordar a causa saharaui e exporá o programa do seu partido em relação ao processo de descolonização no Sahara Ocidental. À conferência assistirão também membros do grupo parlamentar britânico de apoio ao povo saharaui e representantes de várias organizações não-governamentais britânicas.

Ao longo da sua ampla trajetória política, Jeremy Corbyn manifestou em varias ocasiões o seu claro apoio à autodeterminação do povo saharaui e denunciou em reiteradas ocasiões as violações dos direitos humanos nas zonas ocupadas do Sahara Ocidental e a ilegal exploração dos recursos naturais por parte de Marrocos. Corbyn também criticou os ilegais tratados comerciais firmados pela União Europeia e Marrocos, por os mesmos incluírem o território não-autónomo do Sahara Ocidental.

Desde a sua contundente vitória à liderança do partido trabalhista, Marrocos tomou consciência que, a partir de agora, contará com um novo adversário às suas manobras e iniciativas para legitimar a sua ilegal ocupação do Sahara Ocidental, sobretudo no Reino Unido, membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas.


Fonte mundiario.com