terça-feira, 31 de julho de 2012

Frente Polisario: discurso do Rei de Marrocos "dececionante" para as esperanças da comunidade internacional


No discurso que marca o 13.º aniversário
da sua chegada ao poder Mohamed VI
com um discurso dececionante e  cheio de... promessas.

A Frente Polisario qualificou esta 2.ª feira o discurso do Rei de Marrocos "dececionante" para as esperanças da comunidade internacional, pela "sua intransigência e falta de vontade política" em resolver o conflito do Sahara Ocidental.

Em comunicado divulgado no final da reunião da Comissão do Secretariado Nacional presidida pelo Presidente Mohamed Abdelaziz, a Frente Polisario condenou "a flagrante intransigência e ausência de vontade política", assim como "a insistência em procurar impor uma situação de facto, repudiada pelo povo saharaui e pela comunidade internacional no seu conjunto".

A F. Polisario denuncia "a recusa de Marrocos em cooperar com Christopher Ross, Enviado Pessoal do Secretário-Geral das Nações Unidas para o Sahara Ocidental", qualificando-a "de obstrução ao processo de negociação e que deixou claro a ilegalidade da ocupação militar".

O comunicado reclama a libertação de todos os presos políticos saharauis detidos nos cárceres marroquinos e o esclarecimento sobre o destino de 651 desaparecidos saharauis, assim como o termo imediato da espoliação dos recursos naturais do Sahara Ocidental e o derrube do muro da vergonha que divide o povo saharaui em duas partes.

Comissão do Secretariado Nacional reiterou a vontade da Frente Polisario em cooperar com os esforços da ONU para a descolonização do Sahara Ocidental, sublinhando que a única solução para o conflito "passa pelo respeito da vontade do povo saharaui à autodeterminação, liberdade e à independência".

Relativamente à repatriação dos cooperantes espanhóis, a Comissão do Secretariado Nacional considerou que "o ministro de Negócios Estrangeiros de Espanha, José Manuel García Margallo, deve expressar a sua solidariedade com o povo saharaui e pedir ao mundo que o ajude para enfrentar o terrorismo e por fim ao sofrimento que vive desde há 37 anos".

"Espanha abandonou o território sem cumprir com as suas obrigações internacionais e a que ainda está obrigada: organizar um referendo de autodeterminação", acrescenta o comunicado.

Por último, a Comissão do Secretariado Nacional lamenta "a decisão do governo espanhol de repatriar os cooperantes dos acampamentos de refugiados saharauis". "É uma decisão precipitada e com repercussões negativas na situação dos refugiados saharauis e na justa causa do povo saharaui".

(SPS)

Em repúdio pela decisão do Governo, 20 cooperantes espanhóis viajarão no início de agosto para os acampamentos saharauis



Um grupo de  duas dezenas de cooperantes viajará  no início de agosto para os acampamentos de refugiados saharauis em repúdio pela decisão do Governo  espanhol de repatriar os cooperantes espanhóis, anunciou esta segunda-feira o presidente da  Coordinadora Estatal de Asociaciones Solidarias con el Sáhara (CEAS-Sáhara), José Taboada.

Em declarações à Europa Press, José Taboada afirmou que os "representantes do movimento de solidariedade com o Sahara viajarão para os acampamentos para demonstrar que não vamos abandonar os saharauis".

Taboada referiu que o objetivo da visita aos acampamentos é "a entrega de assistência humanitária às associações saharauis e reiterou o compromisso das organizações solidárias do Estado espanhol em prosseguir a cooperação e a assistência."

No mesmo sentido, a Agencia Andaluza de Cooperación Internacional para el Desarrollo, dependente da Secretaria de Administração Local e Relações Institucionais, divulgou que vai manter todas as ações de cooperação que tem programado com o povo saharaui, segundo confirmou o seu próprio diretor, Enrique Pablo Centella.

O presidente da CEAS-Sáhara), José Taboada reiterou a “sua absoluta confiança” nas medidas de segurança que a RASD  adotou para “a proteção e segurança de todos os cooperantes".
SPS

segunda-feira, 30 de julho de 2012

“O Governo espanhol advertiu-me: ‘Se te sequestram, não pagamos o resgate”




Pepe Oropesa é o único espanhol que decidiu ficar nos acampamentos de Tindouf.
O Executivo de Rajoy exigiu que assinasse uma declaração na qual Espanha se exime da responsabilidade se algo lhe vier a acontecer.

Pepe Oropesa tem 26 anos e é o único espanhol que decidiu ficar nos acampamentos saharauis de Tindouf (Argelia) despois do Governo espanhol ter evacuado no sábado de surpresa todos os cooperantes espanhóis na região, por “indícios fundados” de que possam ser alvo de um ataque terrorista. Pepe assume o risco, diz, porque é consequente e porque chegou ali por sua conta: “Acredito no que faço, sempre pensei que se alguém está numa situação como esta tem que assumir a sua responsabilidade”. A sua aposta em ficar não foi isenta de pressões: o Governo exigiu que ele assinasse um documento em que exime as autoridades espanholas de “toda a responsabilidade sobre eventuais danos” que possam acontecer-lhe. A explicação que lhe deu o Executivo sobre o que isso significa é todavia mais contundente. “Advertiram-me de que se me sequestrassem, Espanha não pagará o meu resgate”, explica ao EL PAÍS do outro lado do telefone, a partir de Tindouf.

Pepe no es exactamente un cooperante porque no está asociado a ninguna ONG, pero trabaja como voluntario para la Asociación de Familiares de Presos y Desaparecidos Saharauis. Es periodista, de Sevilla, y en el campamento de Auserd, en el que se encuentra, imparte clases de español y recoge testimonios para un documental sobre las desapariciones forzosas en el conflicto saharaui. La primera noticia de la evacuación la recibió el viernes al mediodía, a escasos minutos de que los 15 cooperantes fueran trasladados a la base segura de la Minurso (Misión de las Naciones Unidas para el Referéndum del Sáhara Occidental) en Tinduf, para ser repatriados. A punto estuvo de ni siquiera enterarse. “La AECID [La Agencia Española de Cooperación Internacional para el Desarrollo] no sabía que yo estaba aquí, porque no estoy censado como cooperante, pero no tuvieron en cuenta que en la zona hubiera otros españoles”.

No tengo miedo, más bien intranquilidad. Esto no es una quijotada

En la primera llamada que recibió de la responsable de la AECID en los campamentos, a la una de la tarde del viernes, esta no le mencionó que había en marcha ya una repatriación de españoles. Pero hubo una segunda llamada, apenas veinte minutos después. “Entonces ella, exaltada, me explica que hay riesgo de secuestro y que tengo que ir inmediatamente a Rabuni, donde ellos se encuentran, y que no me mueva sin escolta porque puede haber un ataque”. En aquel momento, reconoce, se asustó. Pensó que algo grave tenía que haber pasado para que el escenario cambiara radicalmente en solo 20 minutos.

 La explicación que les ofreció la responsable de la AECID a todos los cooperantes, ya en la base de la Minurso, tampoco fue mucho más detallada. “Nos anunciaron que la decisión era del Gobierno, que existía un riesgo de secuestro de ciudadanos europeos pero especialmente españoles, y que en cuestión de horas saldríamos para Madrid”. Y ahí comenzó su odisea para quedarse, porque los responsables de la agencia trataron de ser muy disuasorios. “Me lo pusieron muy mal. Me advirtieron de que si me quedaba, en caso de secuestro o ataque estaría solo. Que España no haría nada por mí. Me preocupé, sobre todo por mi familia”. Le llegaron a pedir el teléfono de sus familiares para, según cuenta, “decirles cuatro cosas”.

"Descargo al Gobierno de España de toda responsabilidad sobre los eventuales daños que puedan acontecer a mi persona y/o bienes", dice el documento que ha firmado

Pepe acabó accediendo a firmar un documento en el que renuncia a la protección de España. El texto consta de dos párrafos y no tiene membrete ni señal alguna que indique que es un documento oficial. Se trata de una declaración, encabezada por sus datos personales, en la que expresa que ha sido informado sobre “la existencia de un riesgo alto contra la seguridad de los cooperantes españoles estacionados en los campamentos de refugiados saharauis en Tinduf” y añade: “Asumo personalmente todo riesgo implícito causado por mi permanencia en la zona y descargo, por tanto, a las autoridades del Gobierno de España de toda responsabilidad sobre los eventuales daños que puedan acontecer a mi persona y/o bienes mientras la recomendación de evacuación no sea revocada por el Ministerio de Asuntos Exteriores y Cooperación de España”.

“Esto no es una quijotada”, insiste. Lleva viajando a los campamentos desde 2006. Al final se arranca en una declaración con tintes heroicos: “Yo me quedo aquí, pero no soy importante. Quien se queda aquí desde hace 37 años es el pueblo saharaui”.

El Pais – Elsa García de Blas - 29 julho 2012 

Frente Polisario pede a Espanha que esclareça quais as novas ameaças



O delegado da Frente Polisario em Espanha, Bucharaya Beyun, pediu ao Governo de Mariano Rajoy que concretize qual "essa ameaça eminente que pesa sobre os acampamentos" em razão da qual decidiu repatriar os cooperantes espanhóis, atitude que — considera — irá prejudicar política e humanitariamente o povo saharaui.

Em declarações à agência EFE, o representante da Frente Polisario afirmou que a repatriação dos cooperantes e "a forma como foi feita, com muitas declarações e com o envio de um avião" prejudica a imagem dos saharauis.

"É vender a imagem de que nos acampamentos vai a ocorrer algo gravíssimo nos próximos dias; ninguém nos informou qual seja essa ameaça eminente que pesa sobre os acampamentos, que vai atingir os saharauis humanitária e politicamente", lamenta.

Segundo Beyun, o Governo da República Saharaui reforçou as medidas de segurança e mostra-se disposto a aumentá-las se o risco for maior, ainda que assegure ignorar "qual seja a nova ameaça aos acampamentos".

Medidas de segurança
"Necessitamos saber o que poderá ocorrer para poder afrontar essa ameaça e salvar as pessoas que estão nos nossos acampamentos", afirmou o delegado da Polisario, que acrescentou que "se o terrorismo não fustigou os acampamentos não é porque não tenha querido, mas porque não pôde, devido às medidas de segurança".
Para Beyun, "esta decisão precipitada" prejudica a imagem dos saharauis, ao colocar dúvidas sobre a sua capacidade de garantir a segurança, e apresenta-os como "um santuário terrorista".
O delegado da Polisario valorizou o trabalho dos cooperantes espanhóis, em aspetos como a saúde, a educação ou a alimentação dos saharauis, e advertiu de que se eles não regressarem em setembro, após as férias, isso "afetará seriamente a situação dos acampamentos".

"Querem abrir uma nova frente, que é a de subtermo-nos à fome através da pressão do terrorismo, não vamos claudicar, não nos vamos render; por muito que cortem a cooperação, já passámos por situações muito mais difíceis e continuaremos resistindo", declarou.

Furgão da polícia marroquina abalroa táxi saharaui e deixa mulher saharaui em coma



Na noite de quinta-feira, 26 de julho, por volta das 23.00h, um furgão patrulha da polícia marroquina que ia em perseguição de jovens manifestantes saharauis, abalroou violentamente em plana rua um  táxi de um saharaui que circulava corretamente na via, ferindo gravemente uma saharaui de idade que viajava no táxi.
A cidadã saharaui Lal-la Bakai também conhecida por Lala Mint Ljaser, de 68 anos, encontrava-se sentado no banco dianteiro da viatura junto ao condutor, e com a brutalidade do impacto foi levada inconsciente para o hospital Mehdi Hassan Benel de El Aaiún - Sahara Ocidental, onde ainda se encontra na UCI.
O furgão marroquino da polícia, com matrícula 164031 – ش  ía com excesso de velocidade sem respeitar os sinais de trânsito. Apesar desta grave negligência e da evidente responsabilidade da polícia marroquina, apresentaram-se no local do acidente numerosas patrulhas e segundo testemunhas no local, os agentes marroquinos procuraram culpar como causador do acidente o taxista saharaui.

Fonte: EQUIPA MEDIÁTICA

domingo, 29 de julho de 2012

Governo saharaui "lamenta" repatriação dos cooperantes espanhóis


José Manuel García-Margallo, MNE de Espanha
responsável pela decisão

 O Governo saharaui expressou pesar pela repatriação dos cooperantes espanhóis de ajuda humanitária que se encontravam nos acampamentos de refugiados saharauis, decidida unilateralmente pelo Executivo espanhol, esta sexta-feira 27 de julho de 2012 e já pediu o seu regresso para continuarem a sua nobre missão de ajuda humanitária, de acordo com uma declaração escrita pelo ministro saharaui dos Negócios Estrangeiros.

A decisão unilateral foi conhecida esta sexta-feira por parte do executivo espanhol em que manifestou a sua disposição de repatriar os cooperantes espanhóis dos Acampamentos de Refugiados Saharauis, ante o que considerou possíveis ações de grupos terroristas do norte do Mali, segundo declarações do ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros, José Manuel García Margallo, em conferência de imprensa em Madrid.


A declaração do MNE saharaui refere que ”o governo da República Saharaui lamenta esta decisão que, sem qualquer quer dúvida, terá efeitos negativos sobre a situação dos refugiados saharauis, que esperam a realização do referendo de autodeterminação, a solução democrática para o conflito saharaui-marroquino”.

“A parte saharaui condena o terrorismo, refere a declaração do MNE da RASD, recordando que se trata de um fenómeno mundial que se deve combater, mantendo a coordenação e a cooperação internacional”.

Nesse sentido, afirma a declaração, “desde o ato criminoso terrorista do passado 22 de outubro contra cooperantes europeus nos acampamentos de refugiados saharauis, por parte de um grupo terrorista procedente do norte do Mali, as autoridades saharauis tomaram, progressivamente, as medidas necessárias para a proteção dos hóspedes do povo saharaui”.

O Governo saharaui expressa o seu desejo de regresso, quanto antes, dos cooperantes espanhóis para prosseguirem a sua nobre missão de assistir e ajudar as dezenas de milhares de refugiados saharauis, vítimas da ocupação militar do seu território por parte do Reino de Marrocos, desde 31 de outubro de 1975, afirma a nota do MNE da RASD.

São doze os  cooperantes espanhóis repatriados  este sábado para a capital espanhola  Madrid, tendo também abandonado os acampamentos de refugiados saharauis  dois franceses e um italiano de regresso aos seus países de origem, informa o jornal El Mundo este sábado.

SPS

José Manuel García-Margallo.

sábado, 28 de julho de 2012

Associações pros-saharauis recusam "ceder à chantagem" de retirarem os cooperantes


Acampamento de refugiados saharauis na zona de Tindouf (Argélia)

 As principais associações espanholas presentes nos acampamentos de refugiados saharauis de Tindouf (Argélia) recusaram retirar os seus cooperantes, o que faria supor "ceder à chantagem" dos grupos violentos.
Os grupos prossaharauis respondem assim à decisão do Governo espanhol de enviar um avião militar à Argélia para repatriar doze cooperantes espanhóis, dois franceses e um italiano ante os "indícios" de possíveis ações terroristas contra cidadãos estrangeiros.

"A insegurança que possa existir nestas regiões do mundo, por muito real que seja, não pode ser a justificativa para ceder à chantagem e deixar abandonadas à sua sorte dezenas de milhares de refugiados cujas vidas dependem totalmente da presença e do sacrificado trabalho dos cooperantes e das pessoas com eles solidários ", afirmam as associações signatárias de um comunicado.

Entre os grupos que subscrevem a declaração está a Coordenadora Estatal de Associações Solidárias com o Sahara (CEAS-Sáhara), Mundubat, Médicos del Mundo ou a Federación de Instituciones Solidarias con el Sahara (FEDISA). O presidente da CEAS-Sáhara, José Taboada, explicou que outras organizações se juntarão a esta tomada de posição nas próximas horas. "Nós vamos em frente. Essa é a mensagem. Continuamos nos acampamentos", afirmou Taboada, em declarações à Europa Press.

José Taboada, presidente da CEAS-Sáhara
A evacuação foi voluntária, já que Espanha não tem jurisdição na Argélia nem nas zonas administradas pela Frente Polisario, mas Taboada recordou que a maioria dos cooperantes presentes nos acampamentos de refugiados saharauis trabalham em projetos financiados pela Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID), dependente do Ministério dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, pelo que "a recomendação de abandonar a zona é praticamente um imperativo".

Na declaração, os grupos prossaharauis sublinham que após o sequestro de Ainhoa Fernández, Enric Gonyalons e Rosella Urru, recentemente libertados, "foram fortalecidas as condições de segurança (...) minimizando os possíveis riscos". "Reiteramos a nossa confiança absoluta nas medidas e meios que as autoridades da República Árabe Saharaui Democrática adotaram para a proteção e segurança dos cooperantes", afirmam.

As associações advertem que "qualquer retirada não justificada dos cooperantes teria repercussões muito negativas sobre a situação dos refugiados saharauis".

As organizações signatárias defendem que "o que ocorreu não faz mais do que reiterar a necessidade de uma ação política e diplomática mais decidida para pôr fim à situação de injustiça de que sofre o povo saharaui desde há mais de 35 anos". "Esta solução passa inexoravelmente pelo termo da ocupação do seu país por parte de Marrocos e pelo livre exercício do direito de autodeterminação", referem no comunicado.

EUROPA PRESS 

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Violentos ataques contra lares saharauis. 10 Saharauis gravemente feridos no primeiro dia do Ramadão



Domingo 22 de julho de 2012, dez saharauis são gravemente feridos durante um ataque perpetrado pelas forças de ocupação marroquinas contra uma manifestação pacífica que teve lugar no bairro de Mataalah.

Um grupo de saharauis reuniu-se antes do termo do jejum do Ramadão e içou a bandeira da RASD num edifício. A reação brutal e indiscriminada das forças de ocupação marroquinas provocou ferimentos em dois anciãos e em quatro mulheres saharauis.

De acordo com informação de testemunhas, duas patrulhas da polícia marroquina começaram a lutar entre si, sendo uma das viaturas dos serviços secretos, e logo que terminaram a disputa as forças de ocupação arrasaram as casas de várias famílias saharauis:
- casa de Mohamed Fadel Husseini, onde a sua esposa Degna e os seus dois filhos foram atacados;
- casa de El Qaddi Ailal, que foi atacado, assim como os seus dois filhos, Nuriddin e Mulay Ahmed;
- casa de Ahmed Taleb, onde a sua mãe, Hailo, foi atacada, assim como a sua filha Bushra;
- casa de Hamma Baida;
- casa de El Bakai.

Pachá de El Aaiún (vice-governador) ataca a mãe do herói saharaui Said Dambar

Também no domingo, 22 de julho de 2012, realizou-se em El Aaiun uma marcha pacífica em memória do herói saharaui, Said Dambar, que morreu baleado por um polícia marroquino. A polícia de ocupação rodeou a casa da família de Said Dambar e impediu todos os saharauis de se acercarem da casa, enquanto o Pachá (vice-governador) atacou em pessoa a mãe de Said Dambar antes que esta desmaiasse e tombasse ao solo.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

“O Sahara Ocidental é um assunto de política interna espanhola”



Bucharaya Beyun, representante da Frente Polisario em Espanha e primeiro-ministro da República Saharaui nos anos oitenta, deu uma entrevista ao jornal “Heraldo” de Aragão, Saragoça. 

Qual a relação com o atual Governo de Espanha?

A relação é boa, mas necessita-se de um passo mais para materializar a solução. A Espanha cabe-lhe atuar porque juridicamente é a potência colonizadora e administrante do território. Deve defender ante a Europa e as Nações Unidas que este conflito está pendente de uma solução e que o povo saharaui tem direito a expressar-se livremente quanto ao seu futuro. Não devem limitar-se a fazer declarações quando questionados, com isso não se avança.

Recentemente grupos solidários com a causa saharaui de Espanha denunciaram a venda de armas espanholas a Marrocos…

Apesar da União Europeia proibir a venda de armas a países que violam os direitos humanos, Espanha sempre o fez durante todos estes anos. Essas armas são usadas pelas forças de repressão marroquinas para reprimir o povo saharaui. Desde os capacetes aos uniformes que envergam, até às balas que utilizam, tudo é espanhol. Espanha deve converter-se na referência europeia neste conflito mas, lamentavelmente, nos últimos anos tem estado a reboque da posição francesa, que é quem está a marcar o caminho. O direito internacional deixa claro que Espanha continua a ser a responsável enquanto o processo de descolonização não for concluído. Não pedimos que se ponha a favor da Frente Polisario ou contra Marrocos; pedimos que se ponha do lado do respeito pelo direito internacional.

A consciencialização da sociedade espanhola é a adequada?

Sim. Contamos com cerca de 400 associações de apoio à causa saharaui em Espanha. Existe uma Federação Espanhola de Associações que engloba autarquias e instituições, uma Conferência de Intergrupos, a Associação de Juristas, os atores, os cineastas…
(…)
Há um movimento solidário muito amplo; e é assim porque muita gente se sente defraudada e responsável pelo mal levado a cabo pela política de descolonização. A questão do Sahara Ocidental em Espanha não é uma questão de política internacional, é uma questão de política interna enquanto o processo de descolonização não for concluído. É distinto do Iraque ou da Palestina.

Foi primeiro-ministro da República Saharaui nos anos oitenta, quais as principais diferenças entre a situação atual e a de então?

Nesse tempo estávamos em guerra e a situação prioritária era a frente militar, sem esquecer o enorme trabalho social. Estávamos apostados em criar a base governamental do país. Mas a guerra armada terminou quando se aceitou o plano de paz e, agora, o tempo é de procura de uma solução pacífica e democrática para a qual fizemos muitas concessões... Lamentavelmente, a resposta internacional recebida não corresponde aos nossos esforços. Depois de 20 anos de presença das Nações Unidas no território para levar a cabo esse plano de paz, o balanço é o fracasso. Nem fez o referendo que decretou para 1992 nem nada faz para que se respeitem os direitos humanos que constantemente Marrocos viola, ou para pôr fim à brutal espoliação dos recursos naturais. Somos levados a interpretar que a sua presença no território não passa de um instrumento para legitimar a ocupação... Perdemos a esperança e a confiança na comunidade internacional.

"Na juventude e no exército
a paciência vai-se esgotando..."

A paciência vai-se esgotando apenas entre os dirigentes ou é um sentimento generalizado entre a população?

Sobretudo nos setores mais jovens e no exército. Os dirigentes sempre procuram impor mais paciência, mais esperança e arrastar todo o processo para uma solução pacífica. Os jovens saharauis já não confiam na ONU. Os dirigentes procuram convencê-los de que há que dar mais tempo a uma solução pacífica, mas não conseguiremos manter essa situação por muito mais tempo. Neste momento o processo de negociação está quebrado por parte de Marrocos, que não quer negociar sob os auspícios do atual mediador internacional, o americano Cristopher Ross, no qual a ONU continua a renovar a sua confiança. Já foram bloqueados três processos de solução: Marrocos não quer aceitar fazer um referendo porque o corpo eleitoral não lhe era favorável; boicotou também o plano Baker (que previa cinco anos de autonomia antes se fazer o referendo); e, em terceiro lugar, rompeu este último plano de negociações há um mês porque não o beneficiava: Até quando vamos estar pendentes desta negativa marroquina e da passividade da comunidade internacional?

Então, qual será a possível solução para pôr termo ao conflito saharaui?

A solução definitiva deve ser a democrática, aquela em que os saharauis decidam. Se não há referendo, o cessar-fogo perde o seu sentido. A comunidade internacional interveio militarmente no Kosovo, na Bósnia, mas justificam não o fazer no nosso conflito porque no Sahara não corre sangue. Estão a incitar-nos a regressar à guerra para conseguir essa intervenção. Espanha tem a responsabilidade de liderar essa luta pela via democrática. Não tem que ser hoje, pois entendemos que a situação interna é muito complicada, mas terá que o fazer em dois ou três anos.

A ajuda humanitária está a ser afetada devido à crise económica?

A ajuda internacional foi sempre deficiente. A crise está a atingir duramente Espanha e por esse lado está também a afetar fortemente os saharauis. Este ano vimos reduzido em 48 % o apoio que recebemos de Espanha. Além do aspeto económico, em 2012 só 5.600 crianças saharauis puderam vir a Espanha passar férias com famílias de Espanha, em vez das 8.000 ou 9.000 que eram acolhidas em anos anteriores. Outro claro exemplo: habitualmente saíam de Espanha 12 voos charter em direção aos acampamentos saharauis na Semana Santa; este ano foram apenas três.

Viu o documentário “Filhos das Núvens” de Bardem?

Claro. Creio que reflete bastante bem a realidade do povo saharaui e a má descolonização que fez a Espanha; mostra também o injusto apoio incondicional que França presta a Marrocos e deixa clara a posição americana a favor de que se respeitem as liberdades e os direitos humanos. O próprio Jorge Moragas (atual chefe do gabinete do Presidente de Governo Mariano Rajoy) defende a responsabilidade política de Espanha, responsável pelo conflito até que este não termine.

HERALDO DE ARAGON,  22 julho 2012
Entrevista de Isabel Fredes

MINURSO despede marroquinos suspeitos de espionagem



Segundo informa a página web em língua árabe “Sahara Agora” (www.saharanow.com) e de acordo com as suas fontes, o Representante Especial das Nações Unidas para o Sahara Ocidental e máximo responsável da Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental (MINURSO), o alemão Wolfgang Weisbrod-Weber, acaba de anunciar que põe fim ao serviço que vinham prestando vários trabalhadores de nacionalidade marroquina empregados na sede da MINURSO, em El Aaiún, alguns dos quais estão há mais de duas décadas contratados pela Missão.
Wolfgang Weisbrod-Weber

Isto ocorre depois de se saber que as relações entre Marrocos e as Nações Unidas conheceram forte tensão, que desembocou na retirada de confiança por parte de Marrocos ao Enviado Pessoal do Secretário-Geral da ONU para o Sahara Ocidental, Christopher Ross. As fontes consultadas do “Sahara Agora” acrescentam que o Representante Especial da ONU, Weisbrod-Weber, que anteriormente trabalhou em Timor-Leste, decidiu despedir os trabalhadores da sede central da MINURSO em El Aaiún e noutras cidades saharauis, tendo por base relatórios internos que asseguram que algumas pessoas efetuam trabalhos de espionagem sobre todos os movimentos dos membros da MINURSO e que o fazem há mais de duas décadas.


Esta situação já fora denunciada anteriormente pelo próprio Christopher Ross que imputou às autoridades marroquinas a “escuta de comunicações” entre a sede da Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental em El Aaiún e a sede da ONU, em Nova Iorque. A espionagem à MINURSO adensou o nível da crise convertendo-a numa crise entre Marrocos e as Nações Unidas e transformou-se numa condenação direta da parte marroquina.

Fonte: WSHRW 

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Abdelaziz pede a Ban Ki-Moon que intervenha para a proteção da população saharaui nos territórios ocupados


Ban Ki-Moon, SG da ONU


Mohamed Abdelaziz, presidente da RASD e SG da F. Polisario, pediu esta quinta-feira ao secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, que intervenha com "urgência" de forma a garantir a proteção da população saharaui nos territórios ocupados ante a "repressão" marroquina.

Em carta ao SG da ONU, Mohamed Abdelaziz condena "a intervenção brutal" das autoridades marroquinas contra manifestações pacíficas ocorridas nos dias 13 e 16 deste mês e pede a sua "proteção", assim como a intervenção do SG da ONU para "garantir o direito à reunião, expressão pacífica e o contacto com os observadores internacionais".

"Os acontecimentos denunciados pelos relatórios de organizações internacionais competentes, o relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas param os Direitos Humanos, assim como os relatórios apresentados por Vexa. Ao Conselho de Segurança, confirmam sem lugar a dúvidas que o Governo marroquino exerce graves violações aos direitos humanos", acrescenta a carta.

O Presidente saharaui pede a libertação de todos os presos políticos saharauis em prisões marroquinas e o esclarecimento do paradeiro de 651 desaparecidos saharauis, assim como o termo imediato da espoliação dos recursos naturais do Sahara Ocidental e o derrube do muro da vergonha que divide o povo saharaui em duas partes. (SPS)

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Presidente da RASD: "A chave para a solução da questão saharaui está em Paris"



O Presidente dla República Árabe Saharaui Democrática (RASD) e SG da Frente Polisario, Mohamed Abdelaziz, afirmou esta terça-feira em Bumerdes, Argélia, que "a chave para a solução da questão saharaui está em Paris" sobretudo porque França é uma potência mundial e tem direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas".

Numa conferência de imprensa realizado no encerramento da Universidade de Verão para os Quadros da RASD, o Presidente Abdelaziz pediu ao novo governo francês que "dê passos positivos em relação à questão saharaui exercendo pressão sobre o Governo marroquino para que este reconheça o direito do povo saharaui à autodeterminação".

Abdelaziz referiu que o conflito do Sahara Ocidental durou já demasiado tempo, e acrescentou que "o facto de ele obstaculizar os esforços para a solução pacífica é bem claro", numa clara alusão à França.

O Presidente saharaui afirmou que está otimista a chegada do novo governo francês, formulando a esperança de que ele venha a "adotar as medidas necessárias como parte dos esforços para resolver este conflito, em conformidade com as normas estabelecidas pela legalidade internacional".

Mohamed Abdelaziz, num discurso pronunciado no encerramento da Universidade de Verão para os Quadros da RASD e a que assistiram vários embaixadores acreditados em Argel, um representante do Ministério dos Negócios Estrangeiros da África do Sul e o Presidente da Coordenadora Europeia de apoio ao Povo Saharaui (EUCOCO), sublinhou que "a intransigência do governo marroquino num solução pacífica do conflito põe em perigo a paz e a segurança e impede o processo de integração e a construção da União do Magreb Árabe (UMA)".

(SPS)

Governo Saharaui expressa satisfação pela libertação dos três cooperantes sequestrados no Mali



O Governo da República Saharaui e a Frente Polisario, expressaram hoje, quinta-feira, a sua "satisfação" pela libertação dos três cooperantes europeus sequestrados no dia 22 de outubro e trasladados para o norte do Mali.

"o Governo da RASD e a Direção da Frente Polisario, assim como o conjunto do povo saharaui receberam a notícia da libertação dos reféns espanhóis Ainhoa Fernández de Rincón, Enric Gonyalons e da italiana Rossella Urru, com grande júbilo, alegria e satisfação", sublinha um comunicado do Ministério da Informação.

"As autoridades saharauis levaram a cabo várias iniciativas e empreenderam grandes esforços para que esta feliz notícia tenha sido possível, guiados sempre por um só objetivo: o regresso dos nossos amigos cooperantes humanitários sãos e salvos ao seio das suas famílias e no mais curto prazo possível ", acrescenta o comunicado.

O Governo da RASD e a Frente Polisario, que se felicitaram pela libertação destes três cooperantes, estenderam a sua felicitação, em primeiro lugar, às suas famílias, aos seus povos e respetivas organizações, saudando a "sua coragem, o seu humanismo e a sua perseverança". (SPS)

quarta-feira, 18 de julho de 2012

EUA continuarão a apoiar o Enviado Pessoal do SG da ONU para o Sahara Ocidental – afirma embaixador norte-americano em Rabat


Samuel Kaplan, embaixador dos EUA em Marrocos

O embaixador dos EUA em Marrocos, Samuel Kaplan, afirmou que o seu país continuará a apoiar o enviado pessoal do Secretário-Geral das Nações Unidas para o Sahara Ocidental, Christopher Ross, até ao final da sua missão de encontrar uma solução para o conflito do Sahara Ocidental.

"Os Estados Unidos continuarão a apoiar o Sr. Christopher Ross, até ao final da sua missão de encontrar uma solução para o Sahara Ocidental", afirmou Kaplan num entrevista ao diário marroquino em língua árabe "Al Massae", acrescentando que o seu país apoia "o processo conduzido pela ONU, e de que Christopher Ross é parte".

Kaplan, recordou que Ross tinha sido nomeado pelo Secretário-Geral da ONU, sublinhando que "os esforços da ONU só poderão ter êxito se existir apoio ao enviado pessoal".

Marrocos decidiu no passado mês de maio retirar a confiança a Christopher Ross, alegando que as suas decisões foram "parciais e desequilibradas" e que os "seus comportamentos saem das normas estabelecidas pelas negociações no Conselho de Segurança”.

Após a decisão marroquina, o porta-voz do SG da ONU, Martin Nesirky, afirmou que Ban Ki-moon, tinha "plena confiança" em Christopher Ross.

Um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA afirmou também que o seu país "apoia o processo empreendido pelo Secretário-Geral da ONU sobre o Sahara Ocidental e os esforços do seu enviado pessoal, Christopher Ross".

Também na semana passada, o porta-voz adjunto do SG da ONU, Farhan Haq, reafirmou que Ban Ki-moon mantem "plena confiança" no seu Enviado Pessoal para o Sahara Ocidental.

Questionado sobre a informação veiculada recentemente por um diário árabe publicado em Londres de que o Secretário-Geral da ONU teria recebido a negativa de vários diplomatas internacionais para substituir o seu Enviado Pessoal para o Sahara Ocidental, Haq reiterou, sem mais comentários, que "o Secretário-Geral tem plena confiança em Christopher Ross". (SPS)

Laurent Fabius: a posição da França "é a que defende a ONU" – afirma o novo MNE francês


Laurent Fabius, MNE da França, em Argel


A posição da França sobre a questão do Sahara Ocidental é "a que defende as Nações Unidas", afirmou 2.ª feira em Argel, o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Laurent Fabius.

"A nossa posição com respeito à questão do Sahara Ocidental é a que defende a ONU", sublinhou Fabius numa conferência de imprensa realizada na residência do embaixador da França na capital argelina.

" Acreditamos no quadro do direito internacional defendido pela ONU ", disse o ministro francês. De sublinhar que a visita de Laurent Fabius é a primeira visita oficial que o MNE francês faz a um país árabe.

Aprovada por unanimidade pelo Conselho de Segurança da ONU, a 24 de abril de 2012, a resolução 2204 "insta as partes (Frente Polisario e Marrocos) a prosseguir as negociações sob os auspícios do Secretário-Geral da ONU, sem condições prévias e de boa fé para se atingir uma paz justa, duradoura e mutuamente aceitável que permita a autodeterminação do povo co Sahara Ocidental no âmbito dos propósitos e princípios da Carta da ONU" .

A resolução pela qual foi prorrogado por um ano o mandato da Missão das Nações Unidas para o Referendo do Sahara Ocidental (MINURSO), insta também as autoridades marroquinas a "melhorar a situação dos direitos humanos "nos territórios saharauis ocupados.
 (SPS)

Mohamed Abdelaziz apela à União Africana a desempenhar um papel mais ativo face à intransigência de Marrocos


Mohamed Abdelaziz com Jakaya Mrisho Kikwete, Presidente da Tanzânia  

O presidente da República Saharaui e Secretário-Geral da Frente Polisario, Mohamed Abdelaziz, apelou aos líderes da União Africana a que "não fiquem de braços cruzados face à intransigência de Marrocos e às graves violações dos direitos humanos" no Sahara Ocidental.

M. Abdelaziz afirmou esta segunda-feira no seu discurso perante a XIX Cimeira da União Africana, que decorre em Addis Abeba, que "a União Africana é um parceiro oficial da ONU e está obrigada a assumir as suas responsabilidades no seguimento da plena aplicação do plano de resolução das Nações Unidas no Sahara Ocidental que conduza, sem demora, àquele que é o seu propósito essencial, a descolonização da última colónia em África, permitindo ao povo saharaui exercer o seu legítimo direito à livre determinação e à independência ", afirmou o presidente da RASD.

Abdelaziz condenou também o sequestro terrorista dos três cooperantes europeus nos acampamentos de refugiados saharauis em outubro de 2011 e afirmou que os esforços não pararão até que se venha a dar a libertação dos reféns.

 "Apoiamos todos os esforços para libertar os reféns tão breve quanto possível, e pôr fim a este fenómeno aberrante. Também confirmamos - acrescentou o dirigente saharaui – o nosso apoio aos incansáveis esforços no âmbito africano e a nível da Comunidade Económica dos  Estados da África Ocidental  para pôr fim a esta grave  situação que ensombra a segurança e a estabilidade de toda a região.“ acrescentou o presidente saharaui.

De Adis Abeba, M. Abdelaziz apelou à Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental, MINURSO, para que assuma o papel para que foi encarregada na execução dos seus mandatos, como missão internacional numa região sob a responsabilidade das Nações Unidas.
"Insistimos na necessidade de permitir à MINURSO levar a cabo a execução das suas competências com independência e liberdade de movimento na observância, proteção e controlo dos direitos humanos."
 (SPS)

terça-feira, 17 de julho de 2012

8 meses de prisão por festejar o aniversário da Frente Polisario



O tribunal da relação marroquino de El Aaiún - Sahara Ocidental - condenou, no dia 11 de julho de 2012, os saharauis Mustapha Boudani e Mohamed N'dour (alias Bizi) a oito meses de prisão efectiva.

Mustapha Boudani, de 21 anos, e Mohamed N'dour, de 25, foram detidos a 10 de maio de 2012 por participação numa manifestação organizada no bairro de Lhchicha, em comemoração da criação da Frente Polisario. Desde então permaneceram detidos na Prisão Negra de El Aiun.
As famílias de ambos os presos denunciam as torturas a que foram submetidos os jovens durante a sua detenção e no interrogatório levado a cabo na comissaria central de El Aaiún, antes de serem transferidos para a Prisão Negra.
No dia do julgamento, 6 furgões policiais marroquinos, com mais de 60 agentes, foram mobilizados para vigiar e proteger o tribunal da relação.

*Fonte: A S V D H- Associação Saharaui de Vítimas de violações graves dos Direitos Humanos cometidas pelo Estado marroquino

MEMÓRIAS DA GUERRA DO SAHARA OCIDENTAL CONTRA O EXÉRCITO DE OCUPAÇÃO MARROQUINO.

Marrocos perdeu um batalhão e quatrocentas toneladas de armamento na batalha de Mahbes


Crónicas de imprensa sobre os 16 anos de guerra no Sahara Ocidental contra a ocupação militar marroquina. Alguns meios, nas suas salas de redação ou nas suas elaborações teóricas, afirmam que se tratou de “uma guerra de baixa intensidade”. Demos a palavra aos que a viveram no palco de operações, repórteres de guerra em muitos conflitos armados, analistas e estrategas militares. Arquivos do diário espanhol com maior circulação em Espanha, El País, distribuído nos últimos anos em Marrocos.

Marrocos perdeu um batalhão e quatrocentas toneladas de armamento na batalha de Mahbes - Uma das mais importantes vitórias da Polisario

Às seis da manhã de domingo, 14 de outubro, os 1.200 homens que integravam o XIV batalhão RIM de Infantaria das Forças Armadas marroquinas, estacionadas em Mahbes desde há quatro anos, são sacudidos no seu sono, ou no interior das trincheiras, por uma poderosa salva de disparos de diversos calibres. Com o seu proverbial conhecimento do terreno, a Polisario, conseguira fazer aproximar os seus Land Rover à distância de um tiro espingarda. Os defensores da primeira linha foram ceifados em poucos minutos.
Os seus corpos, crivados de balas, alguns em avançado estado de decomposição, encontravam-se ainda no mesmo lugar onde tombaram nove dias depois do confronto.

Um pequeno grupo de jornalistas, integrado pelos correspondentes da imprensa ocidental acreditados na capital argelina, puderam vaguear por esse espaço durante várias horas na localidade devastada, onde unicamente emerge, quase intacto, o antigo forte do Tercio (tropas coloniais espanholas). Foi nesse lugar que procuraram refugiar-se os efetivos do batalhão marroquino quando viram impedida a sua fuga. Os combatentes saharauis limparam por completo todas as linhas de defesa em seis horas; quatro horas mais bastaram para terminar com toda a resistência no perímetro de Mahbes. A jornada do dia 15 seria dedicada a inspecionar as imediações à procura de quem poderá ter fugido. Alguns militares marroquinos chegaram a caminhar pelo deserto cerca de setenta quilómetros antes de serem capturados, e é de supor que vários tenham conseguido pôr-se a salvo junto da guarnição de Zag (sul de Marrocos).
Mahbes é uma localidade de morte e desolação quando a visitámos. A reduzida escolta que nos acompanha – meia dúzia de saharauis, armados unicamente de armas automáticas Kalasnikov – revela o inusitado desdém que manifesta a Polisario ante a eventualidade de um intento marroquino em recuperar a praça-forte. Essa hipótese parece ser descartada pela Frente que, no entanto, controla ferreamente todas as Imediações e se é certo que optou por não se instalar na própria localidade, isso obedece à constatação de que, se o fizesse, constituiria um alvo demasiado fácil para os aviões F-5 e Mirage F-1 marroquinos, que vieram bombardear o local.
Contamos 132 cadáveres marroquinos; mais de metades jazem amontoados no fundo das trincheiras; outros estão dispersos por toda a localidade. Entre a última linha de defesa e o centro de Mahbes tropeçamos com uma dúzia de homens mortos, cujos rostos, podem ainda ser reconhecidos, denotando a juventude que possuíam e que lhes foi arrebatada em minutos.
O espetáculo é aterrador, e o fedor que emana dos corpos, terrível. Um dos jornalistas não resiste a tudo aquilo e vomita.
 Os homens do XIV batalhão da Infantaria Real Marroquina estavam desmoralizados. Esta é a impressão retirada do conteúdo de muitas notas pessoais que escreveram e que foram recuperadas pela Polisario. Os jornalistas puderam ler também cerca de uma centena de documentos, todos eles com a chancela de “secreto” ou “muito secreto”, enviados pelo chefe da posição militar, o coronel Mohamed Chamsseddin, para a chefia do Estado Maior, o Estado Maior General das FAR, o Estado Maior Avançado de El Aaiún e outras departamentos oficiais.

Drogas, homosexualidade e deserções
Num desses documentos, datado de Rabat e enviado pelo Estado Mayor, adverte-se a guarnição do recrudescimento do tráfico e consumo de drogas entre as forças marroquinas instaladas no Sahara Ocidental. À margem do mesmo há uma anotação onde se lê: «um dos mais graves, o do Cabo Mohamed Bukhari, que foi descoberto quando fotografa um grupo de soldados que fazem comércio de kif com alguns membros da 2. RIM º ... ". Várias notas de serviços referem-se a deserções. Uma delas, assinado em Mahbes, a 27 de março de 1979, pelo sargento Ali Hadir, refere-se ao "desaparecimento" do soldado de segunda classe El Jonssi ", que abandonou o seu posto de vigilância ao depósito de munições."

Soldado marroquino nas trincheiras:
a espera, o calor, a desmotivação...
Um dos documentos capturados pela Polisario é a cópia de uma mensagem, recebida em Mahbes a 17 de julho de 1979, enviado pelo Estado-maior, particularmente significativa do estado de ânimo em que se encontrava a alta oficialidade em vésperas da cimeira africana de Monróvia. Diz o texto: «Sabemos que, aproveitando-se da presença de Sua Majestade o Rei na cimeira da OUA, os rebeldes decidiram intensificar os seus ataques a localidades que, por serem conhecidas, podem suscitar um interesse internacional. Os objetivos especialmente assinalados são Tan-Tan, Tarfaya, Laayun e todas as localidades a norte de Uarkziz. »
Pelas descrição das circunstâncias do ataque, relatadas por meia centena de prisioneiros marroquinos  que connosco falaram antes da visita a Mahbes, é possível deduzir que a Polisario dispunha de uma importante concentração de forças, possivelmente da ordem de 2.000 a 3.000 homens.

Um potente armamento
No que diz respeito ao armamento, os próprios prisioneiros reconhecem que a guarnição tinha-o de sobra e era superior ao utilizado pelos atacantes. A guarnição contava com um esquadrão de carros blindados, integrado por oito AMX (apenas quatro deles estavam na localidade no momento do ataque), um esquadrão de artilharia pesada e um grupo especial de apoio composto por baterias de mísseis terra-terra, dos tipos TOW, fabricados pela firma norte americana Hughes, e SAM-9, de fabrico soviético.
Ao atacar e ocupar Mahbes, a Polisario queria demonstrar a ineficácia da aviação marroquina, já que o terreno sobre o qual se encontrava a guarnição - totalmente plano - facilita a eventual intervenção da força aérea. Mas nem os Mirage nem os F-5 puderam alterar o curso dos acontecimentos. Mahbes caiu no espaço de um só dia, embora combates esporádicos tivessem continuado, em alguns setores, durante mais de 36 horas. O coronel Chamsseddin não se encontrava no local; o seu adjunto, o capitão Mohamed Sakka, depois de se ter convencido de que não obteria os reforços que havia pedido a Zag, fugiria, junto com outros oficiais, num dos carros blindados.
Mais de quatrocentas toneladas de armamentos diversos, entre os quais, completamente intacto, um míssil norte-americano TOW e o seu sistema completo de tiro, foram recuperados pela Polisario. Mahbes tinha para os saharauis um valor simbólico. Nesta localidade não só se radicara em tempos passados um grande destacamento das forças nómadas, mas também foi ali que se instalou o embrião da primeira administração saharaui e se constituiu o Conselho Nacional Saharaui, integrado por uma maioria de membros da antiga Yemaa (parlamento indígena no tempo colonial espanhol). As forças marroquinas tinham concluído em Mahbes a ocupação de todo o Seguiet el Hamra (região norte do Sahara Ocidental).
A localidade constitui uma importante peça do eixo Tinduf-Smara e a sua perda converte toda a zona sul do próprio território marroquino num lugar ainda mais inseguro que no passado. Muito poucos pontos de resistência restam a Marrocos na parte norte do Sahara Ocidental. Com exceção do triângulo Aaiún-Bu-Craa-Smara, existem apenas guarnições localizadas em Bojador, Guelta-Zemur e Bir-Enzaram. Todo o noreste da zona é controlado pela Polisario.
Os saharauis dão provas de grande desprezo àquilo que consideramos normas elementares de segurança, mas que, no seu caso, não têm nenhum significado. A guerra do Sahara passou já, de forma clara, a uma fase muito diferente da tradicional guerra de guerrilhas. Os seus objetivos são o ataque e conquista de grandes guarnições, e o número das que vão restando a Marrocos vai-se reduzindo rapidamente.

MANUEL OSTOS Argel 28 outubro de 1979

sábado, 14 de julho de 2012

Catherine Ashton apoia esforços da ONU na busca de solução que consagre o direito do povo saharaui à autodeterminação



A Alta Representante para as Relações Exteriores e Política de Segurança da União Europeia, Catherine Ashton, ratificou o seu apoio aos esforços realizados pelo Secretário-Geral da ONU na procura de uma solução política que consagre o direito do povo saharaui à autodeterminação, em carta dirigida ao ministro-delegado saharaui para Europa, Mohamed Sidati, em resposta a uma carta que este lhe enviara na passado dia 13 de junho.

A chefe da diplomacia europeia apoia os esforços do Secretário-Geral das Nações Unidas na procura de uma solução política “justa, duradoura e mutuamente aceitável” que garanta o direito do povo saharaui à autodeterminação de acordo com os princípios, objetivos da Carta das Nações Unidas”, refere na carta.

"A União Europeia está preocupada com o prolongamento deste conflito e confia que a retirada de confiança ao Enviado Pessoal do Secretário-Geral da ONU para o Sahara Ocidental, Christopher Ross por parte de Marrocos, não será motivo de adiamento das negociações", sublinha Catherine Ashton.

A chefe da diplomacia comunitária apoia a resolução 2044, de 24 de abril de 2012, que prorroga o mandato da MINURSO até 30 de abril de 2013, acrescenta.

Catherine Ashton refere que a resolução confirma a necessidade de "melhorar a situação dos direitos humanos no Sahara Ocidental" e encoraja as partes a "trabalhar com a comunidade internacional para encontrar e aplicar medidas independentes e credíveis para garantir o pleno respeito dos direitos humanos”.

(SPS)

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Ban Ki-moon mantém a sua "plena confiança" em Christopher Ross



O secretario-geral da ONU, Ban Ki-moon, tem sempre "plena confiança" no seu Enviado Pessoal para o Sahara Ocidental, Christopher Ross, afirmou ontem (4ª feira) o chefe Adjunto Porta-voz da ONU, Farhan Haq à APS, Agência de Notícias Argelina.

Questionado sobre a informação reportada recentemente por um jornal árabe, publicado em Londres, de que o Secretário-Geral das Nações Unidas se havia com vários diplomatas internacionais que se recusaram substituir o seu enviado pessoal para o Sahara Ocidental, Haq afirmou, sem comentários, "O Secretário-Geral tem plena confiança em Christopher Ross."

Contactado a este respeito, o representante da Polisario na ONU, Ahmed Bukhari, afirmou que essas alegações dos media são "falsas" e que Ban Ki-moon, continua a afirmar a sua inteira confiança em Christopher Ross.

O representante saharaui observou que "a experiência mostra que há uma tradição no comportamento de Marrocos, que utiliza de forma regular uma política sistemática de obstrução aos esforços das Nações Unidas, sendo todos os seus pretextos injustificáveis​​".
 representante da Polisario na ONU disse que, além de retirada de confiança em Christopher Ross, Marrocos se opôs à nomeação do alemão Wolfgang Weisbrod-Weber, Representante Especial do Secretário-Geral das Nações Unidas e chefe da MINURSO, que não pôde assumir o seu posto em El Aiun até ao final de junho.

Weisbrod-Weber foi nemoeado pelo SG da ONU para substituir o egípcio Hany Aziz, cujo mandato terminou a 30 de abril.

SPS

Instituição da ONU também considera apoiar indústria pesqueira no Sahara Ocupado


Descarregamento de peixe no porto de El Aiun


Nas últimas semanas o WSRW (Western Sahara Resource Watch) denunciou como o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) das Nações Unidas prevê apoiar a energia eólica no Sahara Ocidental ocupado. No entanto, parece agora que não se trata do único projeto que poderá ser financiado por essa mencionada agência da ONU.

A indústria pesqueira é uma pedra angular da política de colonização de Marrocos no Sahara Ocidental. Dezenas de milhares de marroquinos têm emprego nesse sector no Sahara Ocidental. A afluência de colonos marroquinos contribui diretamente para complicar a solução do conflito. Trata-se também de uma violação do Direito Internacional, já que o povo saharaui instou expressamente Marrocos a pôr termo à sua indústria pesqueira no território.

No entanto, um projeto de energia solar denominado “Emissõesde Gases de Efeito de Estufa na indústria de farinha de peixe em Marrocos – plantacentral de produção de vapor” encontra-se atualmente em processo de avaliação por parte da iniciativa da ONU sobre o clima do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), dando-se o caso de que a situação é em tudo semelhante à da empresa Nareva relativamente ao projeto de energia eólica em Foum el Oued, nas redondezas de El Aauin, capital do Sahara Ocupado, segundo informou o WSRW na semana passada (ver notícia neste blog).

Um dos argumentos invocados no Documento de Apresentação do Projeto ilustra até que ponto a atitude do CDN é diferente da do resto da ONU.

"É quase impossível encontrar um investidor estrangeiro para este tipo de projeto, especialmente nesta zona de Marrocos (palavra chave: o conflito do Sahara Ocidental)", assinala o documento, que sublinha ter o projeto "recebido a aprovação" do rei de Marrocos - que é o responsável pela ocupação do território em 1975.

O Western Sahara Resource Watch reclama ao MDL que detenha o financiamento, dado que está a infringir as mesmas regras e princípios que levam a que outros investidores se recusem a estabelecer-se no território.

Segundo declarações de Sara Eyckmans, do Western Sahara Resource Watch, “numerosos investidores privados negam-se a investir no Sahara Ocidental precisamente para evitar obstaculizar os esforços da ONU em resolver o conflito, e em obediência à opinião jurídica da  ONU. Seria irónico, pois, que o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo alvitrasse apoiar os referidos projetos por que os investidores privados se negam a fazê-lo, justamente por respeitarem a opinião jurídica da ONU e o Direito Internacional!"

Se o projeto vier a ser aprovado , receberá financiamento de forma indireta através da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática, MDL / CMNUCC.

A ONU declarou que a exploração dos recursos naturais no Sahara Ocidental constitui uma violação do Direito Internacional. O ex-assessor jurídico da ONU, Hans Corell, responsável pelo parecer legal sobre o tema, criticou em inúmeras ocasiões a indústria internacional da pesca no território. Na carta enviada ao Conselho de Segurança, lembrou como o caso semelhante do território não autónomo da Namíbia, então sob ocupação sul-africana, tinha sido sujeito a sanções por parte da ONU.

Em nenhum ponto do documento se faz referência de alguma forma a que o projeto responde aos "desejos e interesses do povo do Sahara Ocidental", tal e como o departamento jurídico  da ONU o requer. Não se fazem referências a grupos de saharauis, nem à Frente Polisario, representante do povoo saharaui, que nas conversações que mantem com Marrocos sob a intermediação da ONU, trata precisamente deste tema da gestão dos recursos naturais.

"Como é possível que as Nações Unidas promovam conversações de paz sobre o Sahara Ocidental - e em particular sobre a gestão dos recursos naturais – e, ao mesmo tempo, uma instituição da ONU apoie o saque ilegal marroquino, com a bendição do rei de Marrocos? (…)

O projeto  pretende beneficiar oito fábricas de farinha de peixe no Sahara Ocidental:  Copelit, Delta Ocean, KB Fish, Laayoune Elevage, Laayoune  Proteine, Sepomer, Somatraps, Sotragel. A pessoa de contato, o Sr. Sentissi Al Idrissi, é o presidente da  ANAFAP, a indústria da farinha de peixe e de óleo de peixe de Marrocos.

A empresa encarregada de realizar as certificções e a validação do projeto é a empresa alemã TÜV SÜD Industrie Service GmbH.

Do documento distribuído pela WSRW