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sábado, 19 de agosto de 2023

Jovens saharauis denunciam em El Guerguerat a pilhagem das riquezas do povo saharaui

 

Ver vídeo AQUI

El Guerguerat, 19 de agosto de 2023 (SPS). Um grupo de jovens saharauis das cidades ocupadas do Sahara Ocidental organizou uma concentração na brecha ilegal de El Guerguerat, para protestar e denunciar a pilhagem sistemática dos recursos naturais do povo saharaui e a inundação da zona com drogas.

Apesar das fortificações militares do exército de ocupação marroquino e do seu aparelho policial, a juventude saharaui conseguiu organizar a concentração e paralisar o movimento, enquanto entoava palavras de ordem a favor da plena soberania do povo saharaui sobre as suas riquezas naturais e exigia o fim da ocupação marroquina e a independência total do Sahara Ocidental.

Durante mais de quatro décadas, Marrocos tem usurpado, pilhado e explorado irracionalmente os recursos de um povo, em clara e flagrante violação do direito internacional e em violação da ética política e da decência e moralidade internacionais.

Neste contexto, a Associação para o Controlo da Riqueza e a Proteção do Meio Ambiente no Sahara Ocidental considerou que a iniciativa dos jovens em El Guerguerat é um grito de alerta para denunciar a pilhagem contínua das riquezas saharauis e para denunciar a repressão desencadeada nas cidades ocupadas contra qualquer voz que exija o fim da ocupação.

É também uma mensagem clara para Marrocos, para os seus lacaios que, em conluio com outras partes, continuam a pilhar os recursos naturais através de acordos que violam as próprias leis e os fundamentos das organizações e organismos internacionais.

A associação saharaui alertou também para a persistência das vagas de colonatos, a privação dos direitos da juventude saharaui, a repressão, os julgamentos injustos e a grave depauperação da estrutura demográfica da sociedade saharaui.

A associação saharaui afirma que a pilhagem persistente dos recursos saharauis tem um impacto grave na vida do povo saharaui, apelando às Nações Unidas, ao Conselho de Segurança da ONU e à sua missão para o referendo no Sahara Ocidental, a MINURSO, que assumam as suas responsabilidades legais para com o povo saharaui.

El Guerguerat foi o gatilho para o desencadear do estado de guerra no Sahara Ocidental desde 13 de novembro de 2020, quando as forças armadas marroquinas violaram deliberadamente o acordo de cessar-fogo assinado entre as duas partes do conflito no Sahara Ocidental (Frente Polisario e Marrocos), enviando forças militares através de três rotas a leste da brecha ilegal de Guerguerat em direção aos civis saharauis que se manifestavam pacificamente nas áreas desde 21 de outubro.

domingo, 24 de janeiro de 2021

Exército de Libertação Popular Saharaui ataca as forças de ocupação marroquinas em El Guerguerat, no extremo sul do Sahara Ocidental


Veja a reportagem da TV France24

Fontes do Ministério da Defesa Nacional saharaui confirmaram que forças do Exército de Libertação Popular Saharaui (ELPS) levaram a cabo ontem, ao final do dia, um ataque militar na região de Guerguerat, no extremo sul do Sahara Ocidental, a escassos quilómetros da fronteira com a Mauritânia.

Segundo o comunicado do Governo da RASD, “o exército saharaui lançou quatro mísseis contra a brecha ilegal de Guerguerat e seus arredores. Dois atingiram a zona de “Lawenia” e os outros dois flagelaram a parte norte da brecha ilegal.

Recorde-se que o reatamento da guerra de libertação no Sahara Ocidental, no passado dia 13 de novembro, teve como origem este preciso ponto, quando o exército marroquino atacou civis saharauis que impediam o trânsito na artéria que faz escoar as riquezas naturais do território ocupado para a África e Europa, através desta passagem para a Mauritânia. Desde que o acordo de cessar-fogo foi subscrito pelas duas partes - Marrocos e a Frente Polisario - em 1991 , a zona era considerada “tampão”, e por isso desmilitarizada e inviolável, ao logo de 5 km para cada lado do muro de defesa construído pelas forças marroquinas. O flaqueamento do muro e a abertura da brecha ilegal para escoamento de mercadorias foi considerado pela parte saharaui uma violação ao acordo de 1991 e denunciado junto da ONU ao longo de anos .


Foto da agência noticiosa marroquina MAP de El Guerguerat: ela mostra
o que tem sido o esbulho dos recursos saharauis ao longo dos anos
 


Mais de 7 milhões de minas

A ofensiva do exército saharaui, na fronteira sul do Sahara Ocidental com a Mauritânia, surge um dia depois das ofensivas e operações de perseguição levadas a cabo por combatentes saharauis no interior do sul do território de Marrocos, a mais de 2500 km de distância entre as duas operações militares.

Depois de ter invadido a zona desmilitarizada de El Guerguerat e ocupar os cerca de cinco kms que distam até à fronteira mauritana, o exército de ocupação marroquino plantou um novo campo de 12.000 minas antipessoal, de aproximadamente 4 quilómetros de comprimento, no sul do Sahara, desde El Guerguerat até ao posto 55 da Mauritânia. Um número importante a juntar às cerca de 7 milhões de minas já existentes e que têm sido trágicas para militares e, sobretudo, civis saharauis que pastoreiam o seu gado, na tradição nómada dos seus antepassados. Ver relatório AQUI

Segundo os saharauis, a “plantação” de 12 mil minas anti-pessoal é mais uma "flagrante" violação do cessar-fogo a juntar à ação de 13 de novembro, assegurando essas fontes que a ação marroquina "deita por terra" o trabalho realizado durante os últimos catorze anos para desminar cerca de 150 milhões de metros quadrados nos territórios libertados e desativar 41.000 minas, bombas de fragmentação explosivos graças ao esforco da Frente Polisario, das suas mulheres, das Nações Unidas e algumas ONGs internacionais.

O ataque saharaui à zona de El Guerguerat, embora simbólico, já que foi aqui que tudo recomeçou, é apenas mais um dos 527 bombardeamentos e ataques militares levados a cabo pelo ELPS contra três dezenas de objetivos marroquinos ao longo dos dois últimos meses. Embora as autoridades marroquinas tenham tentado abafar até agora os efeitos dos confrontos militares com os saharauis, o que é certo é que os seus militares sentem na carne os seus efeitos.

Desta vez, porém, nada mais restava às autoridades militares e políticas marrroquinas do que confirmarem o ataque dos saharauis a El Guerguerat, embora tentem, a todo o custo, mitigar e desvalorizar os seus reais efeitos.

Foram muitos os orgãos de comunicação internacionais que difundiram a notícia do ataque do Exército Saharaui contra a brecha ilegal de El Guerguerat, entre os quais a Agência EFE, el canal oficial de la Radio Television Española RTVE, Aps.dz, el rotativo El Mundo, El Español, La Vanguardia, France24, El Periódico entre muitos outros.


quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

KIFAH - ¿QUÉ ESTÁ PASANDO EN EL SAHARA OCCIDENTAL? / O QUE SE PASSA NO SAHARA ?

 


Documentário realizado pela Doce Media Producciones sobre a situação atual no Sahara Ocidental,depois da quebra do cessar-fogo por parte de Marrocos com a invasão da zona desmilitarizada-tampão no sul do território de Guerguerat e a posterior decisão da Frente Polisario de retomar a guerra de libertação, após 29 anos à espera que a ONU realizasse o Referendo de Autodeterminação.

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Sara Ocidental. O reacender de um conflito aqui ao lado

Desmotivados, desmoralizados, os soldados marroquinos defendem o muro militar que se alonga por 2.700 km. Um calor infernal durante o dia, um frio de morrer durante a noite. Agora são de novo alvo das investidas e da artilharia dos combatentes saharauis.  Foto:© Fadel SENNA / AFP  [legenda da AAPSO]

Depois do Nagorno-Karabakh e da Etiópia, estala um terceiro conflito dos anos 1990. Os sarauís sonham com uma resolução do século XXI, semelhante à de Timor-Leste. 

Autor: César Avó, jornalista do Global Media Group, artigo publico no DN online a 30-11-2020.

 

Menos de duas semanas depois de o exército marroquino ter lançado uma operação militar em Guerguerat, uma localidade no extremo sudoeste do Sara Ocidental, na sexta-feira o primeiro-ministro marroquino, Saad-Eddine El Othmani, visitou a povoação pela primeira vez.

Para Othmani, a operação militar levada a cabo na zona tampão patrulhada pela ONU ao longo da fronteira foi executada "no interesse de África, de Marrocos e da Europa".

 

Peixe, soberania e regresso à guerra aqui tão perto

A Frente Polisário, que luta pela independência do Sara Ocidental, bloqueou a passagem rodoviária durante cerca de três semanas, ao que diz com "uma centena de mulheres e crianças". Para os sarauís a estrada fronteiriça foi construída em violação de um acordo de cessar-fogo promovido pela ONU em 1991. "Esta brecha foi aberta em 2001 e a Frente Polisário queixou-se junto das Nações Unidas", recorda Mohamed Fadel, delegado do movimento em Portugal, ao DN.

"Marrocos saca do território recursos naturais explorados ilegalmente e, além disso, está demonstrado, aproveita para fazer circular enormes quantidades de haxixe para África e o Médio Oriente através desta brecha ilegal", acusa.

Após a intervenção do exército marroquino na terra de ninguém, o secretário-geral da Frente Polisário e presidente da República Árabe Sarauí Democrática, Brahim Ghali, declarou a trégua nula.

Mohamed Fadel diz que, em consequência, o exército sarauí ripostou com "uma guerra de intimidação e desgaste", ou seja, incursões ao longo do muro de areia e pedra de 2700 quilómetros. "Até agora Marrocos está a ocultar a situação bélica no terreno e inclusivamente nega ter registado vítimas. Marrocos mantém a opinião pública confundida e não quer que se saiba que na linha da frente há mortos e feridos", acusa.

Este regresso às armas é um sinal de desespero dos sarauís? "Guerguerat deu-nos a ocasião para reiniciamos as hostilidades até que Marrocos se submeta à legalidade internacional e que o mundo preste atenção ao drama que vive um povo pacífico durante quase 50 anos", diz o delegado da Frente Polisário, para quem a única exigência do seu povo é que se dê uma oportunidade para se pronunciarem nas urnas sobre o direito reconhecido nas Nações Unidas à autodeterminação.

O Sara Ocidental, uma vasta faixa de deserto na costa atlântica de África, é uma antiga colónia espanhola em disputa entre os sarauís e os marroquinos. A Polisário, apoiada pela Argélia, travou uma guerra pela independência de 1975 a 1991 e exige um referendo sobre a autodeterminação do Sara Ocidental, como estava previsto no acordo de cessar-fogo.

 

"Solução política" no lugar de referendo

A missão para a manutenção da paz da ONU explicita-o no seu nome, Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sara Ocidental (Minurso, sigla em inglês), mas esse objetivo deixou de ser referido nas resoluções de renovação da missão do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

"A resolução não contém qualquer referência ao referendo, embora aluda seis vezes à solução política", regozija-se o ministro dos Negócios Estrangeiros marroquino, Nasser Bourita, sobre a mais recente resolução, aprovada em 31 de outubro, como dá conta a revista “Jeune Afrique”.

A mensagem da "solução política" foi repetida pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros de Marrocos, no seguimento da ação militar na zona patrulhada pela Minurso. "Marrocos continuará a apoiar os seus esforços no contexto do processo político. Isto deve ser retomado com base em critérios claros, envolver as partes reais neste conflito regional e permitir uma solução realista e exequível no âmbito da soberania do reino", lê-se no comunicado.

Em 2007, Rabat apresentou um plano que oferecia autonomia à região, a qual controla em cerca de 80%, incluindo os seus depósitos de fosfatos e as suas zonas de pesca, plano esse inaceitável para os sarauís, que consideram os marroquinos colonizadores e a marcha verde impulsionada por Hassan II nada menos que uma "farsa".

 

Sem enviado especial

As negociações entre Marrocos, a Frente Polisário, a Argélia e a Mauritânia, iniciadas em 2018, em Genebra, sob a supervisão de Horst Köhler, enviado especial do secretário-geral da ONU, António Guterres, foram suspensas e o ex-presidente alemão acabou por renunciar, em maio do ano passado, não tendo sido substituído até agora.

O DN perguntou ao gabinete do porta-voz do secretário-geral da ONU para quando está prevista a nomeação de um novo enviado especial. "Ainda não temos uma nomeação a anunciar", foi a resposta.

Segundo o Sahara Press Service, o ministro alemão dos Assuntos Europeus, Michael Roth, expressou no Parlamento a importância da nomeação o quanto antes de um novo diplomata, sob pena de todos os esforços diplomáticos caírem por terra.

Depois da incursão militar ordenada pelo rei Mohamed VI, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou-se resoluto para "levantar todos os obstáculos para o reatamento do processo político", uma linguagem em linha com a de Rabat.

"Tenho de dizer-lhe que é uma deceção o secretário-geral António Guterres, homem com reconhecida experiência diplomática, e que ajudou com muita determinação e clarividência na devolução da independência aos timorenses", aponta o delegado da Frente Polisário em Portugal.

"A esperança tem sido desvanecida", prossegue, "graças à sua nefasta gestão do conflito, quando conseguiu o que nenhum dos antecessores fez, que uma organização dependente das Nações Unidas esteja submetida de forma total às autoridades marroquinas. Basta dizer que as instalações da Minurso estão sob bandeiras marroquinas", exemplifica Mohamed Fadel.

 

Consulados ou aldeias Potemkin

Indiferentes aos apelos sarauís, desde finais de 2019, 17 países abriram representações diplomáticas na antiga capital colonial Laiune (El Aaiún) e no porto de pesca de Dakhla, mais a sul, como parte do impulso diplomático de Marrocos no espaço que considera as suas "províncias meridionais".

Depois de os Emirados Árabes Unidos, se terem tornado o primeiro país árabe a abrir uma missão diplomática na parte do território controlada por Marrocos, no dia 4 de novembro, a Jordânia anunciou na semana passada que tenciona abrir em breve um consulado, ao que foi secundada pelo Bahrein.

As missões diplomáticas no Sara Ocidental "não têm qualquer alcance do ponto de vista do direito internacional."

A Frente Polisário considera a abertura das missões uma "violação do direito internacional e um ataque ao estatuto legal do Sara Ocidental". Mohamed Fadel menoriza estas movimentações: "Não tem nenhum alcance do ponto de vista do direito internacional. É simbólico, é como as aldeias que Potemkin, o conselheiro da czarina russa, mandava pintar", compara.

 

Porta de Marrocos para África

El Fekir Khattat, um funcionário da administração local de Guerguerat, definiu à AFP a zona como "a porta de entrada de Marrocos para África".

"O posto fronteiriço tem um peso económico importante e gera receitas consideráveis", disse. A intervenção do exército "irá reforçar a sua atratividade económica", afirmou. Khattat disse estar a contar com a construção de duas zonas industriais "para desenvolver a atividade comercial" ao longo da estrada e criar empregos na zona escassamente povoada.

Rabat já levou a cabo outros projetos de infraestruturas no Sara Ocidental.Em 2017, ano em que Marrocos aderiu à União Africana, o rei Mohammed VI libertou cerca de 6,6 mil milhões de euros para investimentos destinados a transformar a região num "centro económico".

Um dos projetos, no valor de cerca de 835 milhões de euros, foi o desenvolvimento da Estrada Nacional 1, que atravessa o território. Percorrem-na diariamente cerca de 200 camiões.

Outro projeto consiste em transformar o porto de Dakhla num "centro marítimo regional" para servir Marrocos e a África Ocidental, juntamente com as espanholas ilhas Canárias.

 

 

terça-feira, 24 de novembro de 2020

Os sarauís esgotaram a paciência e regressaram às armas. “Marrocos quer uma guerra de desgaste moral do nosso povo”

 


 Um conflito que estava em ponto morto há quase 30 anos acaba de se reacender. Em entrevista ao Expresso, o delegado da Frente Polisário em Portugal justifica o que levou os sarauís a romperem o cessar-fogo com Marrocos e a voltarem a pegar em armas. Mohamed Fadel explica também porque se sente traído por António Guterres.


 

Um artigo de MARGARIDA MOTA - in jornal “Expresso” - Ilustração de Jaime Figueiredo

20-11-2020

 

A avalancha de notícias sobre a pandemia de covid-19 e ainda sobre as eleições nos Estados Unidos quase deixou passar despercebido o reacendimento de um velho conflito que cumpria uma trégua há quase 30 anos — a disputa do território do Sara Ocidental entre Marrocos e a Frente Polisário, o movimento de independência reconhecido pela comunidade internacional como legítimo representante do povo sarauí.

 

“Marrocos tem o seu exército destacado ao longo de todo o muro de 2700 quilómetros” que separa o Sara administrado por Marrocos e o território controlado pela Frente Polisário. “Onde quer que haja concentração de tropas marroquinas, essas áreas estão a ser atacadas dia e noite”, garante ao Expresso Mohamed Fadel, delegado da Frente Polisário em Portugal.

A gota que fez transbordar a paciência sarauí pingou faz esta sexta-feira uma semana. Militares marroquinos entraram na zona desmilitarizada de Guerguerat — junto à fronteira com a Mauritânia, na ponta sudoeste do Sara Ocidental — para expulsar dezenas de civis sarauís que bloqueavam uma estrada importante desde 21 de outubro, impedindo que o trânsito que saía de Marrocos seguisse para sul.

 

Para Marrocos, a rota por Guerguerat representa a principal ligação por terra com o resto do continente africano. Para a Frente Polisário, trata-se de uma passagem ilegal. “Quando foi assinado o acordo de paz, e se instaurou no território a Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sara Ocidental (MINURSO), só havia quatro brechas abertas ao longo do muro, para que o pessoal da ONU pudesse deslocar-se no interior do território, para os dois lados”, explica Mohamed Fadel. “A brecha de Guerguerat foi aberta arbitrariamente por Marrocos.”

 

A Frente Polisário considerou a incursão militar marroquina na zona tampão uma violação unilateral do acordo de paz e, faz amanhã uma semana, decretou o fim da trégua. “A paciência dos sarauís tem os seus limites. A abertura da brecha e a expulsão dos civis deu-nos a oportunidade de reiniciarmos as hostilidades. Os nossos estão dispostos a continuar com elas indefinidamente até que Marrocos respeite a legalidade internacional no conflito do Sara Ocidental.”

A soberania marroquina sobre o Sara Ocupado não é reconhecida pelas Nações Unidas, nem por Estados Unidos e União Europeia, apesar de, no caso desta última, isso não ser obstáculo ao aprofundamento de uma parceria económica com Marrocos, por vezes com contornos embaraçosos para os europeus.

 

O mesmo acontece com a União Africana, onde se dá a insólita situação de ocupante e ocupado — Marrocos e República Árabe Sarauí Democrática (RASD), o Estado que os sarauís decretaram em 1975 e que reivindica a soberania sobre o antigo Sara Espanhol — serem membros da organização ao mesmo nível.

 

Hoje, dezenas de países reconhecem a RASD, mas nenhum deles é europeu. “Apesar da alardeada unidade, a União Europeia tem uma política externa absolutamente díspar. Infelizmente, é notória a influência da França em toda a agenda europeia.”

 

A CENTRALIDADE DO REFERENDO

Segundo o representante da Polisário, uma única condição pode levar os sarauís a depor novamente as armas: a realização do prometido referendo à sua autodeterminação. “Não haverá cessar-fogo até a comunidade internacional se comprometer com a realização do referendo, numa data definida”, diz Mohamed Fadel.

 

Sem recenseamento feito, estima-se que o número de sarauís ande à volta de meio milhão de pessoas, repartidas entre o Sara administrado por Marrocos, os campos de refugiados de Tindouf (na Argélia) e a diáspora.

Instituída pela Resolução 690 do Conselho de Segurança, de 29 de abril de 1991, a MINURSO foi criada para supervisionar o cessar-fogo e, como o seu próprio nome indica, realizar um referendo de autodeterminação, que chegou a estar planeado para fevereiro de 1992.

 

Quase 30 anos depois, e 15 representantes especiais nomeados pelo secretário-geral da ONU desde 1988, “as Nações Unidas não estão a fazer o seu trabalho”, avalia o responsável sarauí. “Existem claras intenções de desvio em relação ao acordo de paz inicial. Gradualmente, estão a procurar uma maneira de subtrair dos seus textos a referência ao referendo. Isso é percetível em especial nas últimas resoluções do Conselho de Segurança”, acusa Mohamed Fadel.

 

MINURSO FINGE QUE NÃO VÊ

“E temos provas suficientes de que a MINURSO tem servido de instrumento de Marrocos para ocultar as violações dos direitos humanos que ocorrem todos os dias diante do nariz dos funcionários da ONU. Assistem diariamente à violação sistemática dos direitos de mulheres, que são espancadas nas ruas, e a ataques a casas de pessoas suspeitas de simpatizarem com a causa sarauí.”

Mas até hoje, “a MINURSO nunca deu informações sobre estas situações”, nem sobre “a exploração dos recursos do território que saem em camiões que passam pela brecha ilegal de Guerguerat para toda a África. Está confirmado com provas evidentes que a maioria desses camiões, para além de vegetais, vão carregados de droga.”

Por ser o principal rosto da organização, mas também pelo seu currículo em defesa dos direitos humanos, António Guterres é especialmente visado pelas críticas de Mohamed Fadel. “Sinto-me totalmente traído. Ele foi Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, conhece este dossiê muito bem.” Em 2009, nessa qualidade, Guterres visitou os campos de refugiados sarauís, em Tindouf (Argélia), onde vivem cerca de 190 mil pessoas.

 

“Mantivemos a esperança um pouco ingénua de que António Guterres, como tinha defendido o referendo em Timor-Leste [em 1999, era ele primeiro-ministro de Portugal], seguisse a mesma linha em relação ao conflito do Sara Ocidental.”

 

AUTONOMIA EM VEZ DE AUTODETERMINAÇÃO

Da perspetiva sarauí, o português não correspondeu. “Prestou-se a servir a política que Marrocos quer para o território, de imposição dos factos consumados. As últimas resoluções do Conselho de Segurança da ONU fazem uma referência muito discreta à autodeterminação e dão prioridade à proposta marroquina de autonomia, como uma proposta real, pragmática e viável.”

 

O último relatório do secretário-geral da ONU classifica a situação no Sara ocupado como “calma”, expressão que se repetiu no texto da resolução do Conselho de Segurança de 30 de outubro passado, com a qual foi renovado por um ano o mandato da MINURSO. Os sarauís criticam também que a ONU continue a não estar mandatada para proteger os direitos humanos e que não haja qualquer referência à brecha ilegal de Guerguerat.

Após a escalada dos acontecimentos junto à brecha de Guerguerat, o secretário-geral da ONU falou ao telefone com o rei de Marrocos, Mohamed VI. Segundo um comunicado divulgado pela casa real, “durante a conversa, Sua Majestade o Rei sublinhou que depois do fracasso de todas as louváveis tentativas por parte do secretário-geral, o Reino de Marrocos assumiu as suas responsabilidades no âmbito do seu mais legítimo direito, tanto mais que esta não é a primeira vez que as milícias ‘polisário’ se envolvem em ações inaceitáveis”.

 

Segundo o comunicado, Marrocos resolveu a situação, restabeleceu o tráfego automóvel e enfatiza “o firme compromisso com o cessar-fogo. Da mesma forma, o Reino continua firmemente determinado a reagir, com a maior severidade e no âmbito da legítima defesa, a qualquer ameaça à sua segurança e à paz dos seus cidadãos”.

 

GUERRA EM TEMPO DE PANDEMIA

Com o mundo tomado pela pandemia, o regresso dos sarauís às hostilidades corre o risco de não colher a compreensão e apoio por parte de quem pouco ou nada conhece do assunto. “É uma realidade que o mundo inteiro está imerso na luta contra a pandemia. Mas também é uma realidade que Marrocos e as Nações Unidas se têm servido de múltiplos pretextos para atrasar indefinidamente a resolução do conflito”, conclui Mohamed Fadel.

 

“Nós respeitamos estritamente o cessar-fogo até 13 de novembro, e a principal causa [para o seu fim] foi Marrocos violar mais uma vez o cessar-fogo sem que a ONU se pronuncie. A estratégia de Marrocos, lamentavelmente com a cumplicidade das Nações Unidas, é fazer com que o tempo passe e que haja uma guerra de desgaste moral dos sarauís.”

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Guerguerat: Marrocos quer prolongar o muro militar até à fronteira com a Mauritânia, asfaltar 3km de estrada e semear um novo campo de minas antipessoal

 


Segundo várias fontes, Marrocos está a colocar minas anti-pessoal na fronteira de El Guerguerat, junto ao muro militar que estão a prolongar e à estrada que estão asfaltar e que liga ao ponto 55 da fronteira mauritana.

Os observadores da ONU têm presenciado todas estas movimentações mas nada fazem para impedir esta acção bélica de Marrocos que, assim ocupa na região a zona tampão definida acordo de 91..

O correspondente do canal Al-Arabi TV da Mauritânia, Mohamed Abdullah Mamin, confirmou em reportagem realizada tudo isso, afirmando que os capacetes azuis sobrevoavam várias vezes em helicóptero o local..

O secretário-geral do Ministério da Documentação e Segurança do governo da RASD, Sidi Ould Okal, reafirmou que El Guerguerat “se havia convertido desde 13 de novembro num objetivo do exército saharaui, tal como todos os territorios ocupados do Sahara Ocidental, e que a guerra que trava o povo saharaui será de longo prazo”.

terça-feira, 17 de novembro de 2020

Sahara Ocidental: a quebra do cessar-fogo e o reatamento da guerra - reportagem do programa de TV americano Democracy Now!

 


O Programa de TV norte-americano Democracy Now! emitiu um programa de 1/2 hora sobre o conflito no Sahara Ocidental na sequência do ataque de Marrocos à zona tampão e desmilitarizada de El Guerguerat, o que foi o rastilho e a causa do fim docessar-fogo entre Polisario e o Reino de Marrocos que perdurava desde 1991.
A NÃO PERDER. Veja e divulgue.

sábado, 14 de novembro de 2020

Frente Polisario declara o fim do cessar-fogo e prepara a guerra com Marrocos


Dezenas de voluntarios começaram a alistar-se nos quartéis dos campos de refugiados levantados há 45 años na região argelina de Tindouf

 

Por EFE - 14/11/2020 - A Frente Polisario anunciou este sábado que considera quebrado o acordo de cessar-fogo assinado com Rabat em 1991 e declarou o estado de guerra em todo o território em resposta ao ataque perpetrado sexta-feira pelas forças marroquinas na passagem de fronteira de Guerguerat, que une a Mauritânia ao território ocupado por Marrocos no Sahara Ocidental. Ao mesmo tempo que era divulgado o decreto assinado pelo secretário-geral da Frente Polisario e presidente da República Árabe Saharaui Democrática (RASD), Brahim Ghali, dezenas de voluntários começaram a alistar-se nos quartéis dos campos de refugiados construídos há 45 anos no região argelina de Tindouf como nas chamadas "zonas libertadas". “A partir de agora, todas as regiões militares estão mobilizadas. Abriram-se escolas militares, que estão a encher-se de gente e onde é oferecido treino intensivo para que possam entrar no campo de batalha o mais rapidamente possível”, disse à EFE um oficial militar que preferiu não ser identificado por razões de segurança.

Na sexta-feira, pouco depois de se espalhar a ofensiva marroquina em Guerguerat e do próprio Ghali alertar a ONU que considerava a ação "uma flagrante violação da trégua", centenas de pessoas saíram às ruas dos campos de refugiados para exigir armas ao já tradicional grito do mundo árabe "com nosso sangue e nossa alma" defenderemos a nossa terra. Também houve manifestações na noite passada nas cidades ocupadas por Marrocos, em particular em El Aioun, que foram reprimidas pelas forças de segurança e pela Gendarmaria marroquina, que ativistas disseram à EFE ter feito várias prisões. “Os cidadãos das áreas ocupadas também estão ansiosos para se juntar à batalha e preparar as suas próprias ações”, explicou um ativista em El Aioun ocupada.

 


A penúltima bala contra a paralisia

A tensão entre Rabat e a Polisário disparou desde que, em 21 de outubro, um grupo de ativistas saharauis bloqueou a passagem de fronteira de Guerguerat, que liga a Mauritânia aos territórios ocupados por Marrocos na ex-colónia espanhola do Sahara Ocidental. Na sexta-feira, unidades militares marroquinas cruzaram a linha divisória para quebrar o bloqueio e levantar um corredor de segurança, uma ação que desencadeou uma troca de tiros entre o exército marroquino e as forças da Polisario estacionadas na área. Horas depois, unidades saharauis bombardearam quatro bases militares e dois postos de controlo marroquinos localizados ao longo do muro de segurança construído no deserto, o mais longo do mundo com mais de 2.500 quilómetros de comprimento. Unidades saharauis bombardearam quatro bases militares e dois postos de controlo marroquinos.Embora a Polisario assegure que houve "vítimas inimigas", esta informação ainda não foi confirmada ou desmentida por Marrocos, nem foi corroborada por fontes independentes. “Marrocos não vai admitir as vítimas. Nem que esteja em guerra, mas também se prepara. Durante anos negou a existência de soldados marroquinos presos pela Polisario. É a sua política mas a realidade é outra. O povo saharaui está cansado de esperar e não vai aceitar mais manobras ", declarou um alto comando saharaui em Rabouni (nos campos de refugiados). Académicos, analistas e especialistas em segurança internacional concordam que além de sua importância como rota comercial, Guerguerat aparece na argumentação da Polisario como a penúltima ferramenta para tentar reverter a tendência que o conflito tomou, paralisado pela incapacidade de a ONU para lançar o referendo de autodeterminação que ambas as partes aceitaram na assinatura da trégua de 1991. E os atrasos de Marrocos, que em 2019 anunciou que já não contemplava nem autodeterminação nem independência, e que estava apenas disposta a aceitar ampla autonomia, na sua própria interpretação das resoluções internacionais.




 Fim do cessar-fogo

Neste contexto bélico, (Brahim) Ghali responsabilizou Marrocos por todas as consequências decorrentes do seu ataque a Guerguerat, decretou o estado de guerra em todo o território, impôs um toque de recolher e sublinhou que a partir deste momento as Forças Armadas saharauis assumem o pleno controle da segurança nacional. Também ordenou à Autoridade de Segurança Nacional, chefiada pelo Primeiro-Ministro saharaui, Hamoudi Bouchraya Beyun, "que tome medidas relacionadas com a implementação dos requisitos do estado de guerra no que diz respeito à gestão e administração das instituições e agências nacionais, e garanta a regularidade do atendimento à população ”. Além disso, impôs toque de recolher em todas as áreas sob seu controle para preparar uma guerra cujo curso dependerá, em grande medida, da posição da Argélia, rival de Marrocos e principal apoio económico, político e militar da Polisário.

Artigo da Agência espanhola EFE

 

El Guerguerat e o rompimento do cessar-fogo no Sahara Ocidental - o que disse a Euronews

 


sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Mauritânia exorta à moderação, fecha fronteira e não permitirá o trânsito de mercadorias por El Guerguerat


Com eclodir dos confrontos junto à sua fronteira, a Mauritânia tomou posição apelando à moderação entre as partes em conflito, a Frente POLISARIO e o Reino de Marrocos. Eis o teor do comunicado divulgado ao príncipio da tarde.


“A República Islâmica da Mauritânia tem seguido, durante semanas, com grande preocupação, as manifestações de aumento de tensão nas fronteiras setentrionais da região de Guerguerat. Nessa contexto, realizou numerosos contactos num esforço por acalmar a crise.

A República Islâmica da Mauritânia apela hoje a todas as partes para mostrarem moderação num ambiente em que a lógica da sabedoria prevaleça, e pede aos atores envolvidos que tentem manter o cessar-fogo e busquem uma solução consensual e urgente para o conflito com os mecanismos das Nações Unidas que preservem os interesses das partes e eviteam que a região sofra novas tensões ''.



Segundo alguns orgãos de de comunicação mauritanos citados pelo diário online ECSaharaui, a Mauritânia terá decidido fechar aquela fronteira no posto 55, não permitindo que o transporte de mercadoria volte e fazer-se por El Guerguerat.

Para Aminatou Haidar a agressão militar marroquina castiga a "inação " do Conselho de Segurança

 


Laayoune (territórios saharauis ocupados), 13 de novembro de 2020 (SPS) A inação do Conselho de Segurança da ONU encorajou Marrocos a violar o acordo de cessar-fogo, tweetou a activista saharaui dos direitos humanos Aminatou Haidar esta sexta-feira após agressão militar marroquina contra manifestantes saharauis em El Guerguarat, no sudoeste do Sahara Ocidental.

"A inação do Conselho da ONU encorajou o ocupante marroquino a violar o acordo de cessar-fogo. A ONU deve agir antes que seja tarde", disse ela.

"Nós, os civis saharauis nos territórios ocupados, seremos as primeiras vítimas", alertou a vencedora do Prémio Nobel da Paz alternativo de 2019 no mesmo tweet.

Nas primeiras horas da madrugada, Marrocos realizou uma agressão militar na zona tampão de El Guerguerat, abrindo três novas brechas ilegais no muro militar de ocuapação em violação do acordo de cessar-fogo assinado em 1991 pelas duas partes (Marrocos e Frente Polisário), sob a égide da ONU.

Imediatamente após esta flagrante violação dos termos do acordo de cessar-fogo, o Presidente da República Brahim Ghali, escreveu ao Secretário-Geral das Nações Unidas e ao Conselho de Segurança, instando aquelas instâncias a “intervir com urgência para pôr fim a esta agressão ao povo saharaui e ao seu território ”.

O Presidente Ghali dirigiu uma carta urgente a Antonio Guterres e a Representante Permanente de São Vicente e Granadinas junto às Nações Unidas, Rhonda King, que detém a presidência rotativa do Conselho de Segurança, na qual os informou sobre as repercussões do ataque agressivo lançado sexta-feira pelas forças militares marroquinas contra civis saharauis desarmados ”.

«Consideramos o Estado ocupante marroquino totalmente responsável pelas consequências do seu acto militar e apelamos à ONU para que intervenha urgentemente para pôr fim a esta agressão ao nosso povo e ao nosso território», advertiu Brahim Ghali, também SG da Frente Polisário.

O facto de a ação militar decorrer justamente na altura em que estão agendadas para hoje as discussões entre o chefe da ONU e a Frente Polisario “,demonstra claramente que a operação é um acto premeditado de agressão por parte do Estado ocupante para torpedear os esforços da ONU visando aliviar as tensões e acalmar a situação em El Guerguerat ", observou Ghali na mesma carta. (SPS)

 

Exército Popular de Libertação Saharaui responde com firmeza firmeza à agressão militar marroquina

 

Foto: ECSAHARAUI

SPS - Bir Lahlou, 13 de novembro de 2020 - Hoje, sexta-feira, 13 de novembro, as Forças Armadas marroquinas violaram deliberadamente o acordo de cessar-fogo assinado entre as duas partes no conflito no Sahara Ocidental (Frente Polisário e Marrocos), enviando forças militares por três rotas a leste da da brecha ilegal de Guerguerat (na Zona Tampão) contra civis sahrauis que se manifestavam pacificamente nas áreas desde 21 de outubro.

A operação, considerada uma violação flagrante do acordo, constitui um ataque direto ao povo saharaui, e coloca-o e ao seu movimento de libertação nacional, a Frente Polisário, em posição de legítima defesa da soberania e integridade territorial do RASD.

O Exército de Libertação do Povo Saharaui começou a responder com a firmeza necessária a esta violação e à ofensiva hostil marroquina que representa um revés grave ao Acordo de cessar-fogo desde as suas raízes (1991).

A Frente Polisário e o Governo saharaui responsabilizam inteiramente o Reino de Marrocos por todas as perigosas consequências deste atentado à segurança e estabilidade da região e pelo futuro do Acordo de Paz que está paralisado há anos devido ao não cumprimento do referendo sobre a autodeterminação, que é o único pacto e acordo assinado entre as partes sob a dupla supervisão das Nações Unidas e da União Africana.

20 ANOS DEPOIS DO CESSAR-FOGO A GUERRA ESTALA DE NOVO NO SAHARA OCIDENTAL

 


Marrocos viola o cessar-fogo e o Exército de Libertação do Povo Saharaui responde à nova violação

SPS 13/11/2020 - 10:17

Guerguerat, 13 de novembro de 2020 (SPS) -. Numa violação flagrante do cessar-fogo, as forças de ocupação marroquinas abriram na sexta-feira três novas brechas no muro marroquino da vergonha militar para atacar os pacíficos manifestantes saharauis que protestam pacificamente em Guerguerat.

Em resposta a este ataque flagrante, as forças do Exército de Libertação do Povo Saharaui responderam de forma adequada a este ataque.

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Podemos reclama uma implicação firme de Espanha na descolonização do Sahara Ocidental ante a tensão em Guerguerat


MADRID, 12 Nov. (EUROPA PRESS) - O Grupo Confederal de Unidas Podemos-En Comú Podem-Galicia en Común no Congresso de Diputados reclamou esta quinta-feira uma "implicação firme" das instituições espanholas na "descolonização do Sahara Ocidental e o respeito dos direitos humanos da população saharaui". Em comunicado, o grupo chama a atenção para a "tensão" crescente na passagem fronteiriça de Guerguerat, que separa o território da Mauritânia, onde centenas de saharauis se manifestam desde há três semanas com a intenção de bloquear o transporte de produtos e recursos "extraídos do território ocupado" em direção ao Sahel.


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quarta-feira, 11 de novembro de 2020

A Situação (explosiva) em El Guerguerat, sudoeste do Sahara Occidental

 

Documento informativo do Governo Saharaui

 11 de Novembro , 2020 - Birlehlu (Sahara Ocidental), - O cessar-fogo supervisionado pela ONU no Sahara Ocidental continua a ser parte integrante do Plano de Acordo da ONU-OUA que foi aceite por ambas as partes, a Frente POLISARIO e Marrocos, em 30 de agosto de 1988, e que previa “O cessar-fogo e a realização de um referendo para que o povo do Sahara Ocidental, no exercício do seu direito à autodeterminação, pudesse escolher, sem restrições militares ou administrativas, entre a independência e a integração em Marrocos” (S / 21360; Par. 1) Para o efeito, na sua resolução 690 (1991), o Conselho de Segurança das Nações Unidas criou, sob a sua autoridade, a Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental (MINURSO) em 29 de abril de 1991 para supervisionar o cessar-fogo e realizar o referendo de autodeterminação no Sahara Ocidental.

Como um acordo complementar ao cessar-fogo, foi assinado entre a MINURSO e a Frente POLISARIO em dezembro de 1997, e entre a MINURSO e Marrocos em janeiro de 1998 um Acordo Militar nº 1. O Acordo estabeleceu duas Áreas Restritas (AR) de 25 km a Sul e Este e 30 km a Norte e Oeste do muro militar marroquino de 2700 km. Nas Áreas Restritas não é permitido o uso de armas de fogo, retirada ou movimentação de tropas, entrada de armas e munições e melhoria das infraestruturas de defesa.

O Acordo Militar no. 1 também estabelece uma Faixa de Amortecimento (FA) de 5 km de largura ao sul e leste do muro militar marroquino, onde a entrada de tropas ou equipamentos de ambas as partes, por terra ou ar, e o disparo de armas de fogo dentro desta área é sempre proibida e constitui uma violação. O acordo define ainda todas as infrações que não apenas constituam violações do próprio Acordo, mas também sejam contrárias ao espírito do plano de paz.

No momento da entrada em vigor do cessar-fogo em 6 de setembro de 1991, não existia a brecha ilegal que o exército marroquino abriu no seu muro militar através da Faixa de Amortecimento em Guerguerat, no sudoeste do Sahara Ocidental. Nem existia quando o Acordo Militar n. 1 foi assinado entre a MINURSO e a Frente POLISARIO em 1997 e entre a MINURSO e Marrocos em 1998. Nenhum dos acordos previa a abertura de brechas para atividades “civis”, “comerciais” ou outras ao longo do muro militar marroquino.

É por isso que quando, em março de 2001, o exército marroquino tentou construir uma estrada asfaltada através da Faixa de Amortecimento em Guerguerat em direção à fronteira entre o Sahara Ocidental e a Mauritânia, as Nações Unidas se opuseram fortemente a tal atividade e advertiram Marrocos de que a dita estrada "envolvia atividades que poderiam constituir violações do acordo de cessar-fogo" (S / 2001/398; para. 5). As Nações Unidas não levantaram qualquer questão sobre qualquer "tráfico comercial ou civil" na área, uma frase que apenas começou a aparecer nos relatórios do Secretário-Geral a partir de abril de 2017.

A causa fundamental da crescente tensão em Guerguerat é, portanto, a existência da brecha ilegal (no muro militar) resultante de uma mudança contínua e unilateral do status quo por parte das autoridades marroquinas na área, que o Secretariado das Nações Unidas e o Conselho de Segurança da ONU deveriam ter impedido com força e decisão. Enquanto a causa que está na raíz do problema não for resolvida, a instabilidade e a tensão persistirão na zona.

Quase três décadas após a sua instalação no Sahara Ocidental, a MINURSO não só não cumpriu plenamente o mandato para o qual foi criada em 1991, ou seja, a realização de um referendo sobre a autodeterminação do povo do Sahara Ocidental; como se tornou um espectador passivo das ações anexacionistas de Marrocos destinadas a garantir pela força e "normalizar" a ocupação ilegal de partes do Sahara Ocidental, incluindo a abertura e uso da brecha em Guerguerat para as suas operações ilegais em toda a região. Em resposta a esta situação inaceitável, no dia 20 de outubro de 2020, dezenas de civis saharauis iniciaram um protesto pacífico e não violento contra a persistência da brecha ilegal construída por Marrocos em Guerguerat, no sudoeste do Sahara Ocidental.

Os civis saharauis manifestam-se também contra as violações sistemáticas dos direitos humanos perpetradas impunemente pelas autoridades marroquinas no Sahara Ocidental ocupado e a pilhagem massiva dos seus recursos naturais sob os olhos da Missão das Nações Unidas no Território.

O protesto pacífico de civis saharauis é uma ação civil, não violenta e conforme com as normas internacionais. Além disso, a presença de civis saharauis na faixa tampão de Guerguerat não constitui uma violação de nenhum acordo militar, porque os acordos se aplicam apenas ao pessoal militar.

As Nações Unidas também deixaram claro que não têm problemas com as pessoas que se manifestam pacificamente naquela área ou em qualquer outro lugar.


Nos últimos dois dias, conforme confirmado pelo MINRSO, tropas marroquinas deslocaram-se em direção à Área Restrita (AR) ao longo do muro militar marroquino, numa clara violação do Acordo Militar nº 1. As autoridades marroquinas também deslocaram veículos pesados, incluindo 16 motoniveladoras para a área.

Todos os indicadores sugerem que as tropas marroquinas estão atualmente preparadas para abrir caminho na Faixa de Amortecimento para dispersar violentamente os manifestantes saharauis.

A Frente POLISARIO permanece comprometida com as suas obrigações nos termos do acordo de cessar-fogo e acordos militares relacionados como parte integrante do Plano de Acordo da ONU-OUA. No entanto, a Frente POLISARIO alerta que, se a segurança dos civis saharauis que protestam pacificamente em Guerguerat estiver em perigo, a Frente POLISARIO não terá outra escolha senão tomar as medidas necessárias para os proteger.

A Frente POLISARIO alerta as Nações Unidas, o Conselho de Segurança em particular e a comunidade internacional sobre as consequências muito graves que qualquer possível ação militar ou outra ação das tropas marroquinas na Faixa de Amortecimento possam ter, não apenas sobre o cessar-fogo em curso e o acordo militar relacionado, mas também sobre a paz e estabilidade de toda a região. Portanto, são necessárias medidas urgentes para evitar outra guerra no Sahara Ocidental.

 

terça-feira, 10 de novembro de 2020

Ministro saharaui da Segurança e dos Serviços de Inteligência adverte Marrocos que a Frente Polisario responderá com "força esmagadora" face a qualquer ataque.

 


O ministro da Segurança e Documentação (serviços de inteligencia) voltou a erguer o tom bélico contra o regime de Mohamed VI e lembra-lhe que os objectivos dos manifestantes saharauis em El Guerguerat são intocáveis.

Chahid Alhafed, 10 novembro de 2020. - Lehbib Abdelhay /ECS - Abdalahe Lehbib Balal, ministro da Segurança e Documentação da República Saharaui (Serviços de Inteligência) advertiu hoje Marrocos que a Frente Polisario responderá com "uma grande e esmagadora força" a qualquer ataque contra os manifestantes saharauis em El Guerguerat.

Em declarações à APS, o dirigente saharaui voltou a levantar o tom em relação ao Makhzen (poder do Palácio de Marrocos). "A decisão ignorante de Marrocos de planear um ataque à brecha ilegal em El Guerguerat só mostra que não entende a realidade", disse Lehbib, acrescentando "Qualquer ataque feito por Marrocos contra qualquer cidadão saharaui na brecha ilegal será respondido com uma força grande e avassaladora.

Abdalahe Lehbib Balal lembrou que a Frente Polisario e a RASD não permitirão a abertura dessa brecha (através da qual Marrocos exporta para a Mauritânia e para África os recursos naturais expoliados no território que ocupa do Sahara Ocidental) e que a sua persistência representa uma violação do cessar-fogo em vigor desde 1991.
A Frente Polisario colocou este domingo as suas tropas em alerta devido à tensão na passagem da fronteira de Guerguerat e confirmou ontem que responderá "com firmeza" a qualquer agressão marroquina na zona.
A mobilização surgiu após alerta para a presença de viaturas militares marroquinas "a apenas três quilómetros" das dezenas de saharauis que mantêm um acampamento na zona desde 21 de outubro, bloqueando a passagem de viaturas que entram ou saem da Mauritânia.
Além das viaturas militares marroquinas, o governo saharaui detetou e denunciou também a incursão de soldados camuflados.

O governo saharaui lamenta os "anos de silêncio" da comunidade internacional face à "ocupação e pilhagem" de Marrocos.
O governo saharaui lamenta os "anos de silêncio" da comunidade internacional ante a "ocupação e a expoliação" por parte de Marrocos - afirmou o ministro.
 


Risco de um "massacre"

Após concentração de forças militares ao longo do Muro da Vergonha, na área adjacente à brecha ilegal em El Gueguerat, em clara violação das cláusulas do Acordo Militar nº 1 (entre as partes, Marrocos e a Frente Polisario), as forças de ocupação marroquinas empreenderam, desde a noite de domingo, o destacamento em larga escala do Exército, da Gendarmaria e de outras equipas de segurança para a zona ”, afirma um comunicado do governo saharaui.

O comunicado afirma, citando "informações fiáveis ​​de fontes presentes no local", que os militares marroquinos se disfarçaram com roupas civis, "aos olhos da MINURSO [Missão da ONU para o referendo no Sahara Ocidental]", para atacar civis saharauis, que bloqueiam a área desde 21 de outubro.

Qualquer incursão marroquina nesta zona libertada da RASD, conhecida como zona de separação, será considerada uma "agressão flagrante a que o lado saharaui responderá com firmeza, em legítima defesa da sua soberania nacional", afirma. “Também significará o fim do cessar-fogo e abrirá as portas para a eclosão de uma nova guerra total na região”, acrescenta.

O governo saharaui em comunicado defende o direito de se manifestar pelos "direitos inalienáveis ​​do seu povo à autodeterminação e independência" e responsabiliza a ONU, e especialmente o Conselho de Segurança, por "salvaguardar a integridade física dos civis saharauis presentes", em risco de "agressão militar iminente perpetrada por soldados marroquinos disfarçados de civis", que pode levar a um "massacre hediondo".
 
 
Mohamed VI reivindica a soberania "plena e integral" de Marrocos sobre o Sahara e nega o referendo
 
No sábado passado, coincidindo com o 45º aniversário da Marcha Verde - quando soldados e civis marroquinos marcharam sobre o Sahara, então ocupado pelo Estado espanhol -, o rei de Marrocos, Mohamed VI, fez um discurso marcado pela situação atual da Covid-19. Abordou também a questão do Sahara Ocidental ocupado. O monarca reivindicou a sua antiga proposta, o plano autonomista, garantindo que o Marrocos permaneceria para sempre "no seu Sahara".

O rei defendeu, de facto, pela primeira vez, uma solução aceitável por ambas as partes, a Frente Polisario e Marrocos. No entanto, sublinhou que não há solução possível fora da soberania "plena e total" de Marrocos, ou da iniciativa de autonomia apresentada em 2007, rejeitando totalmente o referendo de autodeterminação prometido e proposto pela ONU em 1991 (e para o qual foi constituída a Missão MINURSO).