quarta-feira, 23 de março de 2016

ONU fecha posto militar no Sahara por exigência de Marrocos



A ONU anunciou hoje que a pedido de Marrocos encerrou o posto de ligação militar que a sua missão no Sahara Ocidental (MINURSO) tinha em Dakhla, no sul da ex-colónia espanhola.
Segundo as Nações Unidas, durante o fim-de-semana Rabat pediu à MINURSO o encerramento desse posto num prazo de 72 horas, depois de ter exigido dias antes a saída de grande parte do pessoal civil da missão, tudo no meio de uma confrontação com o secretário-geral, Ban Ki-moon.
Um porta-voz de Ban anunciou hoje que o encerramento do posto em Dakhla foi realizado durante a segunda-feira e afirmou que os três observadores militares que estavam ali deslocados foram enviados para outro ponto da missão.

“A petição de Marrocos de encerrar o posto de ligação em Dakhla é a primeira que se dirige diretamente à componente militar” da MINURSO, recordou o porta-voz, Farhan Haq, durante uma conferência de imprensa.

Haq explicou que o posto era “o interlocutor direto com o Exército marroquino na zona”, pelo que a medida tornará esse contato “mais difícil”.

Além disso, o porta-voz referiu que a cidade, conhecida antes como Villa Cisneros, é para a MINURSO um ponto de evacuação militar e que a missão utiliza um hospital militar nessa localidade em caso de necessidade.

Haq disse que, a exemplo da expulsão do pessoal civil internacional, estas novas ações de Marrocos representam um incumprimento do acordo que firmou com a ONU para o estabelecimento da missão no Sahara Ocidental.

Nesse sentido, disse que a organização pensa enviar uma nota oficial a Rabat recordando-lhe as suas “obrigações jurídicas”, como já o fez quando exigiu a saída de dezenas de funcionários, que foi concretizada durante o passado fim-de-semana.

Ban continua esperando uma resposta ante Marrocos por parte do Conselho de Segurança, que por agora evitou dar um respaldo claro ao secretário-geral no meio desta crise.

“Estamos esperando há algum tempo para ver a resposta unida do Conselho ", disse hoje Haq, que advertiu que, passado um período," a ausência de uma declaração pode ser interpretada como uma declaração em si mesmo".

"Esperamos que os membros do Conselho entendam que isso possa ser percebido dessa forma", insistiu o porta-voz, mostrando novamente a deceção do diplomata sul-coreano pela falta de apoio do mais alto órgão da Organização das Nações Unidas, onde Marrocos conta com aliados importantes entre os países ocidentais.

Ban abordou na segunda-feira à porta fechada a questão com os quinze membros do Conselho e hoje, através do seu porta-voz, voltou a insistir que as medidas marroquinas impedem a MINURSO de desenvolver todas as suas atividades e colocam riscos sobre o terreno.


Fonte: Terra / EFE

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