sábado, 11 de maio de 2013

Partido Istiqlal marroquino diz que quer “recuperar” Tindouf e “romper as relações diplomáticas” com a Argélia


Hamid Chabat, secretario-geral
do Partido Istiqlal marroquino


O partido Istiqlal, parceiro do atual governo marroquino liderado pelo Partido Justiça e Desenvolvimento (PJD), volta a desenterrar uma velha aspiração de cariz puramente expansionista como é a ilusória ideia do ‘Grande Marrocos’. “Queremos recuperar as cidades de Tindouf, Colom-Bechar, Hassi Baida, Elknadssa”, afirmou no passado dia Primeiro de maio, nada mais nada menos que o secretário-geral da segunda força política mais importante em Marrocos, Hamid Chabat, o qual qualifica esses territórios como “marroquinos usurpados pela Argélia”(1). Palavras que podiam incendiar a já sensível região do Magrebe Árabe.



Não satisfeito ainda, nove dias depois, aquele que é também secretário-geral da União Geral do Trabalho em Marrocos (UGTM), solicitou ao atual executivo de Abdelilah Benkirán “romper as relações diplomáticas e de segurança” com o Estado vizinho da Argélia e “fechar a sua embaixada em Rabat”, segundo publica o diário argelino echoroukonline.com. Chabat justifica essa medida como ‘castigo’ à Argélia por continuar “ocupando os territórios orientais do Reino”.

Argélia, geralmente pouco dada a responder a este tipo de manifestações, desta vez, no entanto, fez referências ao assunto pela boca do seu ministro de Assuntos Exteriores, Mourad Medelci, que qualificou as afirmações de Chabat de “inaceitáveis”. Medelci fez estas declarações na passada terça-feira durante uma conferência de imprensa conjunta dos ministros de Exteriores da União do Magreb Árabe em Rabat. E pouco tempo depois o seu gabinete, através de uma nota de imprensa, insiste em que se trata de um “desvio perigoso e irresponsável. A Argélia condena e denuncia energicamente”, conclui o comunicado.
 
Mourad Medelci, ministro 
de Negócios Estrangeiros da Argélia

Chabat, ao ser questionado se com esta proposta não contradizia a Convenção sobre a Demarcação da Fronteira entre Marrocos e a Argélia firmada em 1972 entre o rei Hassan II e o  presidente argelino, Houari Boumédiène, recordou que “o Parlamento de Marrocos não ratificou constitucionalmente o acordado entre Hassan II e Houari Boumédiène”.

Hamid Chabat, de 60 anos, tomou as rédeas deste partido político, de caráter nacionalista e o mais antigo de Marrocos - fundado em 1937 – nas passadas eleições de setembro. Era presidente da cámara de Fez desde 2003.

O partido Istiqlal conta atualmente com 60 deputados (num parlamento de 325) e tem seis ministros no governo de coligação de 30 pastas encabeçado pelo Partido islamita da Justiça e Desenvolvimento (PJD).~

(1) O diferendo fronteiriço deu origem à denominada « guerra das Areias» entre Marrocos e a Argélia, em outubro de 1963, pouco tempo depois da independência argelina. Após vários meses de incidentes fronteiriços, a guerra aberta desencadeia-se na região argelina de Tindouf e Hassi-Beïda, e estende-se depois a Figuig em Marrocos. Os combates cessam a 5 de novembro, e a Organização de Unidade Africana obtém um cessar-fogo definitivo a 20de fevereiro de 1964, ficando a fronteira inalterada.

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