segunda-feira, 13 de maio de 2013

Serviços Secretos espanhóis expulsam espião marroquino

Noureddin Ziani, alegado espião marroquino, na
Fundació Nous Catalans en Santa Coloma de Gramenet


O diretor do CNI, o general Félix Sanz-Roldán, colocou uma denuncia a Noureddin Ziani, segundo consta na ordem de expulsão, por, entre outras coisas, “ameaçar a segurança nacional (…) e comprometer as relações de Espanha com outros países”. É, além disso, “um colaborador muito importante de um serviço de inteligencia estrangeiro desde o ano 2000”, afirma Sanz-Roldan, numa clara alusão à Direção Geral de Estudos e Documentação (DGED) de Marrocos.

A ordem de expulsão, emanada na sequência da denúncia, foi notificada a Ziani – sem antecedentes criminais -, no passado dia 3 por um agente da Brigada Provincial de Estrangeiros e Documentação do Cuerpo Nacional de Policía. Foi convocado para a comissaria da Rambla Guipúzcoa de Barcelona, onde passou a noite detido, segundo fontes próximas. A expulsão pode ser executada a qualquer momento a partir de terça-feira, 14 de maio, segundo a sua advogada, Fátima Zohra. (...)


Espião de Rabat e amigo de radicais

A DGED, o serviço secreto marroquino que mais atua no estrangeiro, tenta com frequência recrutar alguns responsáveis das comunidades de emigrantes ou, pelo menos, manter com eles boas relações para que o mantenham informado. O seu objetivo é, antes de tudo, evitar que o radicalismo tome os lugares de culto.

O CNI refere na sua denuncia que Nureddin Ziani é um espião — evita dar o nome do serviço marroquino para quem trabalhava — que “põe em risco a segurança do Estado, compromete a política exterior espanhola e constitui uma ameaça à estabilidade das instituições” espanholas.
 
Mohamed Mansouri, amigo do rei 
Mohamed VI, chefe da DGED, os 
serviços secretos para o estrangeiro


O agente marroquino, pago pela DGED, “favoreceu os interesses dessa nação estrangeira em prejuízo da segurança nacional”, assegura o serviço secreto espanhol.

Nureddin Ziani também contatou “com os principais líderes salafistas” e apoiou “o financiamento dos seus projetos”, como a “construção de mesquitas”. São “atividades que, em última instância, favorecem a expansão das teses radicais no nosso país”, adverte o CNI.

A espionagem marroquina é um acérrimo inimigo dos extremistas muçulmanos. Como pode um dos seus agentes ajudar os salafistas? A denúncia do CNI não aclara esta contradição no seu trabalho.

Outra das tarefas supostamente encarregadas pelo DGED a Ziani parece própria de um agente marroquino. Consistia, segundo o CNI, convocar manifestações “de apoio ao regime” de Marrocos e contra os seus inimigos, Argélia e a Polisario.

Por vigiarem de muito perto a imigração marroquina e os saharauis independentistas na Alemanha, quatro espiões da DGED foram detidos e julgados nesse país desde 2010.

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