sábado, 30 de março de 2013

Sahara Ocidental: “uma série de acontecimentos dignos de analisar”



Assistimos nestes dias a uma série de factos e acontecimentos dignos de analisar:

1. O ilegal, imoral e sumaríssimo julgamento militar contra os 25 saharauis do acampamento de Gdeim Izik e suas desmesuradas penas.

2. O périplo de Christopher Ross pela região e o desenrolar do mesmo em cada paragem, assim como os temas tratados com seus distintos interlocutores.

3. As importantes declarações do ministro saharaui dos Negócios Estrangeiros.

4. A deslocação de imensos efetivos policiais marroquinos, apoiados por um grande número de “presumíveis colonos” para intimidar e amedrontar a população saharaui e especialmente os ativistas de Direitos Humanos.

5. A inutilização da cinta transportadora de fosfatos, um ato, uma chamada de atenção aos usurpadores e aos compradores do usurpado.

Todos estes fatores, não são mais que claros indicadores da intensidade da luta do povo saharaui, e o nervosismo e a improvisação do governo marroquino ante a determinação e a resistência saharaui, por um lado, e a sua frustração no seu empenho de desestruturar e acabar com a identidade saharaui.

Mas todos estes acontecimentos são também um motivo de preocupação especial para a que é designada por “comunidade internacional”, que está vendo que a luta pacífica dos saharauis nos territórios ocupados e a vontade política da Frente Polisario estão cada vez mais irmanados, enquanto tanto uns como outros não excluem qualquer outra tipo de luta para impor a vontade do povo saharaui sobre todo o território do Sahara Ocidental, ante a timidez e a falta de contundência das resoluções da ONU.

Além disso, os constantes protestos e manifestações nos territórios ocupados, apesar da brutalidade da repressão das mesmas, são a resposta ao fantasma com o qual a França nos quer intimidar, chamar a atenção da opinião internacional e, assim, desviar a atenção mundial, mas a ênfase principalmente regional sobre o perigo ela própria criou na região, e, assim, tentar impor uma solução para o conflito do Sahara que não passe pela opção da independência.

São também estes fatores, a prova da importância do papel desempenhado pelo movimento de solidariedade, farto e indignado com a passividade do governo espanhol na descolonização de sua última colónia e província, onde, perante a comunidade internacional, continua a ser o administrador "de jure" do território.

Por Bachir Lehdad Dadda




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