segunda-feira, 15 de abril de 2013

Cabecilhas terroristas do MUJAO e do ANSAR EDDINE estão em Marrocos



Cabecilhas terroristas do MUJAO e do ANSAR EDDINE estão em Marrocos, afirma um alto responsável saharaui. A Frente Polisario possui informações que dão conta da presença em Marrocos de «vários chefes de organizações terroristas» fugidos das zonas de combate no norte do Mali. Segundo um alto responsável saharaui, esses terroristas gozam da proteção do Makhzen.

Vários responsáveis terroristas do Movimento para a Unidade e a Jihad na África Ocidental (MUJAO) e do movimento Ansar Eddine estão refugiados em Marrocos. A revelação é feita por um alto responsável saharaui encarregado dos assuntos políticos e de segurança. «Temos informações que dão conta da partida de vários altos responsáveis terroristas para Marrocos. Entre eles, estão Hamad el Khairy, um dos chefes do Mujao, assim como o principal negociador pela libertação de reféns no Sahel, Mustapha Limam Chafii que vive atualmente em Marraquexe. Eles entraram em Marrocos em voos da companhia aérea RAM que tem escalas nas cidades de Bamako e Ouagadougou», precisa este alto responsável que preferiu manter o anonimato.

Segundo a nossa fonte, estes chefes terroristas começaram a abandonar o Mali logo que as tropas francesas avançaram para o norte do país. O nosso interlocutor admite não entender a "passividade" dos países ocidentais face "às relações evidentes que Marrocos mantém com grupos terroristas". "Os decisores deste mundo conhecem toda a realidade. Eles têm informações muito precisas sobre pessoas, ações e lugares. Essa passividade é uma atitude muito perigosa».
 

Mustapha Limam Chafii
vive em Marraquexe
O Mujao, que está fichado pelos EUA desde dezembro de 2012 como sendo uma organização terrorista, foi criado a partir do zero por Marrocos. Os serviços marroquinos conseguiram obter a divisão no seio da Al-Qaeda do Magreb Islâmico para criar este grupo terrorista. O Mujao é uma organização narcoterrorista que não tem nada a ver com o “jihadismo”. A sua missão é comercializar e transportar a droga produzida pelo narco-Estado que é Marrocos, para a África e o Médio Oriente. A sua outra missão consiste em atingir a Frente Polisário e a Argélia. Todo a gente sabe que o ato de nascimento de Mujao foi o sequestro de três cooperantes europeus do acampamento saharaui de Rabouni. Em seguida, houve os ataques de Tamanrasset e Ouargla, depois o sequestro de diplomatas argelinos do Consulado de Gao", explica a nossa fonte. "Em breve tornaremos públicas informações muito específicas sobre a relação entre este grupo e o Makhzen", acrescenta.

Propaganda

O nosso interlocutor relembra duas grandes campanhas de desinformação orquestradas pelos serviços do Rei de Marrocos para desacreditar a Frente Polisário. "Desde o início da guerra civil na Líbia, os serviços marroquinos acusaram os saharauis ​​de se terem deslocado em massa para o país para apoiar Muammar Gaddafi. Mas a verdade é bem diferente, pois agora sabemos que existem muitos mercenários marroquinos nas prisões líbias. Eles são acusados ​​de terem lutado contra os rebeldes. Mas até agora, não há um único saharaui nesta situação. O mesmo tipo de propaganda foi lançada no início da intervenção francesa no Mali. Os marroquinos afirmaram que muitos veículos haviam deixado os campos de Tindouf para combater ao lado do grupos terroristas. Nós negámos esses rumores. O tempo deu-nos razão, porque não há um único saharaui da Frente Polisario no Mali."

Vitória dos makhzeniens

Noutro nível, o nosso interlocutor afirma não ter ficado realmente surpreso com o conteúdo do discurso do presidente Hollande no Parlamento marroquino. Segundo ele, a atitude da França pode bloquear os esforços do Enviado Pessoal do Secretário-Geral da ONU.

Para este alto responsável saharaui, existem membros do governo francês próximos do Makhzen que conseguem gerir o dossier das relações franco-marroquinas. «Entre esses membros do governo socialista, alguns estão alinhados abertamente com a mesma política seguida por Nicolas Sarkozy. São esses que bloqueiam todas as iniciativas e participam no statu quo. Podemos citar a porta-voz do governo francês que é uma súbdita de Sua Majestade. Najat Vallaud-Belkacem era membro do Conselho Real Consultivo da Diaspora Marroquina. É uma makhzenienne declarada. Também o ministro Manuel Valls que é um dos principais « Ouissamistas » do governo francês (a Ordem de Ouissam el Alaouite, a mais alta distinção de Marrocos, outorgada a personalidades que prestaram eminentes serviços ao reino). Mas há também ministros que sempre militaram por uma solução justa e equitativa. Podemos citar Laurent Fabius, Vincent Peillon ou ainda Stéphane le Foll. Mas esses parecem ser minoritários.»

Tarek Hafid
Le Soir d'Algérie
06-04-2013

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