segunda-feira, 1 de abril de 2013

A alarmante corrida armamentista de Marrocos, o vizinho do sul


 
Entre 2008 e 2011, Marrocos recebeu 24 F-16C...

Rabat importou 15 vezes mais armas nos últimos cinco anos que no mesmo período anterior - refere o artigo do periódico espanhol LA GACETA.

Espanha não quer deixar de fora das suas mais estreitas relações bilaterais o seu vizinho do sul. O governo de Mariano Rajoy não só não reduziu em intensidade os laços estabelecidos pelos governos anteriores, como projetou uma dinâmica de contatos – incluindo a tradicional primeira visita como primeiro-ministro a um país estrangeiro - , que poderá até qualificar-se de exagerada e que tem intensificado consideravelmente nos últimos meses.

No decorrer de pouco mais de 20 dias no final de 2012, o ministro da Defesa, Pedro Morenés, visitou Rabat em duas ocasiões, e o ministro dos Negócios Estrangeiros fez o mesmo em junho, além de não poupar elogios ao governo de Mohamed VI.

Tudo para consolidar e reforçar um quadro de relações já suficientemente explicado na nova Diretiva de Política de Defesa, aprovada em outubro do ano passado e na qual, entre outras, surgiu como diretriz básica o fortalecimento das relações bilaterais defesa com Marrocos, além dos EUA, Alemanha, França, Grã-Bretanha, Itália, Portugal e Argélia, países que aparecem significativamente descritos nos documentos que estabelecem as metas e prioridades da nossa segurança.

...27 MF 2000...

A intenção do governo não esconde, para além das usuais boas intenções diplomáticos, a preocupação da Espanha pelo alarmante rearmamento que Marrocos está a executar nos últimos tempos. Uma política às claras que esfria os balbuciantes movimentos de reação por parte da oposição dentro das suas fronteiras e que delimita o panorama geoestratégico no Magrebe.

A ameaça da Argélia

Uma posição que influencia Rabat e que é resultante de querer manter influência na região e, simultaneamente, dar um aviso ao seu rival geográfico, a Argélia. Agora, novos dados colocam o país magrebino entre as nações que longe de limitar os seus investimentos armamentistas - como ocorre com os seus vizinhos do norte – amplia declaradamente a sua estratégia de defesa. O último relatório do Instituto de Estudos para a Paz de Estocolmo (SIPRI) sobre as tendências internacionais nas transações de armas revela que, nos últimos cinco anos, Marrocos se colocou na décima segunda posição entre os maiores compradores devido às aquisições de aviões de combate, fragatas e tanques.


...três fragatas Tipo SIGMA...

O dado é ainda mais alarmante se considerarmos que, entre 2003 e 2007, Marrocos ocupava o 69º lugar entre os maiores importadores de armas pesadas convencionais.

Crescimento vertiginoso

Durante os últimos cinco anos Marrocos só foi superado em termos de aquisição de armamento (de maior para o menor) pela Índia, China, Paquistão, Coreia do Sul, Singapura, Argélia, Austrália, EUA, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Turquia, apesar de nenhum desses país ter conhecido um crescimento tão vertiginoso como o marroquino, que, limitando os dados a períodos anuais, adquiriu em 2012 vinte vezes armas mais do que em 2009 e quase trinta vezes mais do que em 2007.

De acordo com o relatório do SIPRI, entre as importações recebidas de 2008 a 2011, estão 24 caças F-16C aviões americanos, outros 27 aviões de combate MF-2000 fabricados em França, três fragatas Tipo SIGMA compradas à Holanda e 54 tanques Tipo-90-2 produzidos na China. Na verdade, os EUA, o maior exportador de armas para o país norte Africano, e França - seu principal cliente – constituem o par donde provem a maioria das armas compradas nos últimos cinco anos. Conclusão: Marrocos e África do Sul são, de longe, os maiores importadores de armas em África.

...e 54 tanques Tipo-90-2

A verdade é que estes dados apenas confirmam documentos anteriores que já enfatizavam o interesse de Rabat em se tornar na potência militar do Norte de África. Nesse sentido, as referências dos serviços de informação dos EUA foram confirmados por vários estudos realizados pelo Instituto Nacional de Estudos de Segurança de Israel que, em julho de 2012, já alertava para a escalada militar do “inimigo do sul”, como é denominado Marrocos em alguns meios militares espanhóis.

Para além das referências estrangeiras, o Instituto Espanhol de Estudos Estratégicos apresentou há um par de semanas o seu Panorama Estratégico 2013, no qual, mais uma vez, destacava as relações com Marrocos e sublinhava riscos exponenciais em que Rabat tem muito a dizer. Fundamentalmente, o Sahel.

Fonte: La Gaceta

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