sábado, 27 de abril de 2013

Argélia critica a resposta de Marrocos à nova resolução sobre o Sahara





EFE - O governo argelino criticou hoje a reação de Marrocos à última resolução da ONU sobre o Sahara Ocidental, e considerou que certas leituras são "falaciosas, interessadas e tendenciosas".

Um alto responsável argelino que pediu para não ser identificado explicou à Efe que a afirmação de Marrocos de que a proposta de autonomia é preeminente na resolução da ONU "não se ajusta à verdade".

"Na realidade, o Conselho de Segurança põe ao mesmo nível, de forma sistemática e em todas as resoluções, a proposta marroquina e a proposta da Frente Polisario", explicou o citado responsável.

A mesma fonte denunciou, igualmente, que Marrocos insiste em falar de uma "discrepância regional" embora se trate de uma questão que implica duas partes: o reino de Marrocos e a Frente Polisario.

Christopher Ross em Argel a 2 de Abril de 2013, 
durante o seu périplo pela região


"As duas partes em conflito são claramente identificadas em todas as resoluções do Conselho de Segurança e da Assembleia Geral, a saber o reino de Marrocos e a Frente Polisario, como representante legítimo do povo saharaui", insistiu o responsável antes de recordar que em nenhum caso se alude à Argélia.

"Os intentos de implicar a Argélia através de semelhante leitura, que correspondem visões erróneas e unilaterais de alguma pessoa, são, como no passado, vãs e não têm futuro", sublinhou.

Neste sentido, o responsável argelino insistiu igualmente que o seu país repudia qualquer intento de vincular a questão do Sahara Ocidental e o contexto de segurança regional, numa alusão à violência e ao terrorismo no Sahel.

O Conselho de Segurança aprovou quinta-feira por unanimidade uma resolução para ampliar por um ano o mandato da Minurso mas fracassou na hora de incluir a proposta dos EUA para que esta missão pudesse supervisionar o respeito pelos direitos humanos no Sahara Ocidental.

Washington também não conseguiu incluir - como desejava - que as agências da ONU pudessem fazer o mesmo nos campos de refugiados de Tindouf (Argélia), desfecho a que também se opôs Marrocos.

A Minurso, criadas em 1991, é praticamente a única missão da ONU aprovada nos últimos dois ou três decénios que não tem entre as suas competências funções de supervisionamento da situação dos direitos humanos no território em que opera, uma "anomalia" que as organizações de direitos humanos esperavam ver agora corrigida.

Daí que o fracasso da proposta dos Estados Unidos tenha caído como um jarro de água fria nas organizações que haviam pressionado para que a ONU pudesse supervisionar a situação dos direitos humanos na antiga colónia espanhola e nos acampamentos de refugiados nos países vizinhos.

Desde 2007 e sob os auspícios das Nações Unidas, o movimento independentista Frente Polisario e Marrocos mantiveram nove reuniões informais e quatro rondas de negociações diretas para tentar encontrar uma saída pata o conflito que remonta a 1975, após a descolonização espanhola do Sahara Ocidental.

Rabat propõe uma ampla autonomia para o território, a troco de que se mantenha sob o guarda-chuva do Estado marroquino, enquanto a Frente Polisario exige a realização de um referendo de autodeterminação em que o povo saharaui possa eleger livremente opção da independência.

EFE

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