terça-feira, 2 de abril de 2013

François Hollande não é Nicolas Sarkozy



O lobby pro-maroquino da França repete, para quem o quer ouvir, que a posição da França em relação ao conflito do Sahara Ocidental não mudou, incluindo o seu apoio ao plano de autonomia de Marrocos. Contudo, a realidade dos factos dizem o contrário. A atitude das autoridades marroquinas trai a sua aparente segurança.

O salto inesperado do rei Mohamed VI a Paris no dia seguinte à eleição de François Holland foi o primeiro sinal revelador da angústia suscitada pelo acesso dos socialistas ao Eliseu.
No seu encontro com o presidente francês, o rei de Marrocos não recebeu o apoio que desejava. Decide então ganhar tempo fazendo com que o processo iniciado pelo enviado pessoal do Secretário-Geral da ONU para o Sahara Ocidental voltasse à estaca zero. Christopher Ross é declarado «persona non grata» em Rabat. É um primeiro gesto destinado a testar o novo locatário do Eliseu. Falhado. Num comunicado publicado pelo ministério dos Negócios Estrangeiros, a posição de Paris limita-se a «tomar nota» da decisão marroquina. É uma mensagem clara. A França apoia a ONU e não pretende perturbar o trabalho do Secretário-Geral e do seu Enviado Pessoal.

A deceção marroquina atinge o auge quando o novo Presidente francês, contrariamente aos seus antecessores, decide consagrar à Argélia a sua primeira viagem ao Magrebe. A tensão cresce em Rabat. A imprensa marroquina faz disso eco. Para acalmar a situação, Hollande é obrigado a enviar o seu Primeiro-Ministro, Jean-Marc Ayrault, a Rabat. Este encontra as palavras de apaziguamento para Marrocos: «o partenariado entre a França e Marrocos é único e nada tem a recear de um diálogo mais estreito entre Paris e Argel».

Mas as autoridades marroquinas não tardam a dar mostras da sua insegurança. No mês de fevereiro, lançam um novo ataque contra  Ross sob o pretexto de ter assistido à projeção na sede da ONU de um filme sobre o Sahara Ocidental. O chamamento à ordem vem desta vez dos membros do denominado Grupo de Amigos do Sahara Ocidental (EUA, França, Reino-Unido, Rússia, Espanha). Num aviso claramente dirigido a Marrocos, exprimem o seu apoio ao Secretário-geral da ONU e ao seu Enviado Pessoal e encorajam as partes a mostrar subtileza nas negociações com o Enviado Pessoal.

Quando da sua visita à Argélia, o Presidente François Hollande não deixou de sublinhar a posição da França. « a ONU e só a ONU », enfatizou. Entretanto, a sua equipa repete que Paris «considera a proposta de autonomia credível para uma solução negociada» sem esquecer de sublinhar o apoio da França ao Enviado Ross. E é esse apoio que mete medo a Rabat. Daí os ataques contra a Argélia e o discurso sobre a corrida aos armamentos.

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