segunda-feira, 15 de abril de 2013

Marrocos : destino do Sahara confiado à agência noticiosa MAP


 


As autoridades de Marrocos, convencidas que a batalha do Sahara Ocidental se trava no campo mediático, mobilizaram todos os meios com esse objetivo. Para chegar aos seus fins, em sua opinião, a arma de ponta parece ser a agência noticiosa MAP. Todos os seus despachos ostentam a marca dos serviços secretos marroquinos.

Agora que o Wikileaks acaba de revelar que o rei Hassan II decidiu invadir o Sahara Ocidental para impedir um novo Estado próximo da Argélia, a MAP defende com unhas e dentes que se trata para Marrocos de uma questão de integridade territorial. Para manter o território sob controlo marroquino, a MAP e a imprensa ligada ao makhzén, não descobriram outro argumento que não fosse a questão da segurança na região. Assim, Rabat tenta vincular a Frente Polisario ao terrorismo que assola a região do Sahel.

As convulsões febris das autoridades marroquinas levam-nas ao ponto de permitir que a MAP atribua declarações a personalidades que nunca as proferiram. Uma de suas últimas vítimas é o ministro dos Negócios Estrangeiros do Mali, Thieman Coulibaly. Durante a sua visita a Argel a 10 de abril de 2013, ele expressou a sua insatisfação face à manipulação da MAP. De acordo com a MAP, ele teria confirmado em Washington a presença de saharauis entre os grupos terroristas perseguidos pelas tropas francesas no norte do Mali."

Poucos dias antes, a 05 de abril de 2013, o ministro panamiano dos Negócios Estrangeiros foi a nova presa da MAP. Segundo esta, ele terá declarado ao jornal "La Estrella de Panamá", que "o problema do Sahara não é um conflito entre Marrocos e a" Frente Polisario", mas antes “entre o Reino de Marrocos e a Argélia." Procuramos em vão no jornal para encontrar um traço que seja dessa declaração...


À força de repetir as suas mentiras, os marroquinos acabam por acreditar. Assim, desde que as forças francesas iniciaram a sua ofensiva contra a Al Qaeda no Mali, a MAP e um número de órgãos conhecidos de estarem ao serviço da intoxicação começaram a divulgar que os terroristas se refugiaram entre os saharauis. Disseram mesmo que "é isso, o exército francês vai atacar os campos de refugiados saharauis e este é o final desta história que já dura há quase 40 anos. Não resta a Marrocos que a empenhar as suas tropas para anexar os restantes 20% do território ainda administrados pela Polisario”. Os sonhadores de Rabat começaram a ver o exército francês a deslocar-se do Maciço de Ifoghas em direção ao Sahara Ocidental.

Devido aos despachos da MAP e seus congéneres, os dirigentes marroquinos vão lambendo os lábios vendo os fosfatos e os outros recursos do Sahara Ocidental explorados por empresas francesas afetadas pela crise financeira que abala o velho continente.

A agitação mediática frenética e a retórica ruidosa e estéril refletem uma profunda confusão dos marroquinos face ao fracasso da sua política no Sahara Ocidental. Façam o que fizerem para disfarçar e «travestir» a questão do Sahara Ocidental, ela permanecerá aos olhos da comunidade internacional uma questão de descolonização inacabada que só poderá encontrar resolução no seio da ONU e através de uma solução que consagre a autodeterminação do povo saharaui.

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