sábado, 13 de abril de 2013

Ex-ministra francesa confirma que Marrocos corrompe políticos e jornalistas





É conhecido o apoio que o Rei de Marrocos recebe (ou recebia) dos políticos e da imprensa francesa, particularmente em relação ao Sahara Ocidental. Pode haver várias explicações para o apoio da elite francesa em relação ao majzen, mas não há nenhuma dúvida que uma das mais importantes, senão mesmo a principal, é a corrupção. Agora, uma ex-ministra francesa, conhecida amiga do majzen, acaba de o confirmar num programa da televisão francesa: que o majzen corrompe políticos e jornalistas. Informação importante e que há que tomar nota em relação a Espanha.

I. MICHÈLE ALLIOT-MARIE, EX-MINISTRA DA DEFESA FRANCESA, RECONHECE QUE O REI DE MARROCOS CORROMPE POLÍTICOS E JORNALISTAS FRANCESES
Na emissão de 5 de abril do programa "Zemmour & Naulleau", na cadeia "Paris Première" o jornalista Eric Zemmour fazia uma entrevista (das que nenhum jornalista faz em Espanha a um político) a Michèle Alliot-Marie que, entre muitos cargos, foi ex-ministra de Defesa.
No decurso da entrevista (minuto 14:00; houve o seguinte diálogo:

Zemmour: " Há uma grande intimidade entre a classe política francesa, tanto de direita como  de esquerda, e as elites e dirigentes dos 3 países magrebinos, em particular com a Tunísia e Marrocos. Há a impressão que o rei de Marrocos, sem necessidade de o nomear, «compra» toda a classe política francesa"

Alliot-Marie: "E mediática!"

Zemmour: " Tem toda a razão. E mediática. Recebendo-os e acolhendo-os no famoso hotel Mammounia..."




II. CONFIRMA-SE A TESE AVANÇADA NO “PERIODISTA DIGITAL” EM NOVEMBRO DE 2010.
Numa entrevista que me fez o "Periodista Digital" e que foi publicada a 10 de novembro de 2010, afirmei precisamente isso:

Seja como for, o 'sultão' alauita continua a cometer todo o tipo de crimes sem que Espanha levante a voz. Porquê? Difícil dizer, mas Carlos Ruiz Miguel apontou uma hipótese interessante:

" Porque razão a França continua a ter uma posição favorável a Marrocos? Porque Marrocos tem subornado uma parte importante da classe política francesa e financiou campanhas eleitorais, o que é reconhecido como um financiamento ilegal em grande escala. Isso significa que esses políticos corruptos apoiam Marrocos e não é algo que eu tenha inventado, é o que confessou o ex-ministro marroquino do Interior referindo que alguns políticos de esquerda e de direita franceses eram subornados"

""Isso acontece em Espanha? Em minha opinião há indícios de que alguns partidos recebem este tipo de financiamento por parte de Marrocos, mas não há provas, pelo menos por agora. Eu só disse que essa é uma possibilidade"


III. ALGO COMEÇA A MUDAR EM FRANÇA
Em janeiro de 2012, um jornalista marroquino perseguido pelo majzen, Ali Amar, juntamente com o jornalista francês que melhor conhece Marrocos, Jean-Pierre Tuquoi, publicaram um livro muito importante que foi ABSOLUTAMENTE SILENCIADO em Espanha, apesar de haver tantos e tantos articulistas e organismos que falam da questão marroquina. Trata-se do livro "Paris-Marrakech. Luxe, pouvoir et reseaux" (editora Calman-Lévy, Paris, 2012).
Nesse livro são analisados em detalhe casos de relações "inadequadas" de importantes membros da elite francesa com Marrocos.
Neste momento, em minha opinião, para a opinião pública francesa, a "amizade" de um personagem público francês com majzen é, desde logo suspeita, e tem a ver com corrupção.
As palavras de Alliot-Marie vêm a confirmar a gravíssima dimensão que obteve a política do majzen ao corromper a elite francesa.
Precisamente por isso, coloquei neste meu blog, em relação à posição francesa sobre o Sahara Ocidental, a pergunta de se o atual presidente francês e o seu governo se estão “distanciando” do majzen...

IV. E ENQUANTO FRANÇA MUDA... EM ESPANHA APOSTA-SE NUM CAVALO PERDEDOR
O mais surpreendente é ver como, enquanto França começa a modificar a sua relação com o majzen, em Espanha, ao contrário, políticos e órgãos de informação continuam-se a "majzenizar". O silêncio atroz de políticos e meios de Comunicação face ao julgamento dos defensores saharauis dos direitos humanos que teve lugar em fevereiro de 2013 e a condenação a várias penas de prisão perpétua a pessoas contra as quais não há nenhuma prove demonstra isso mesmo.
Talvez a questão pudesse mudar se em Espanha se publicasse algum livro com o título "Madrid-Marraquexe", ou "Barcelona-Marraquexe", ou "Sevilha-Marraquexe" (para citar os três principais focos do lobby pro-marroquino em Espanha). Mas não parece que os jornalistas espanhóis queiram, ou possam, estar à altura dos seus colegas franceses.

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