quinta-feira, 11 de abril de 2013

Frente Polisario qualifica o relatório da ONU como “equilibrado”, apesar de “tímido”

Ahmed Bukhari, representante da F. Polisario na ONU

O representante da Frente Polisario nas Nações Unidas, Ahmed Bukhari, congratulou-se terça-fuera com o novo relatório do Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, sobre o Sahara Ocidental e qualificou-o de ”equilibrado” apesar de ser “tímido” devido aos efeitos “das ameaças que exerce Marrocos”.

”O relatório é equilibrado mas tímido e reflete o impacte das táticas de distração e intimidação praticadas por Marrocos para sabotar os esforços da ONU de resolver o conflito do Sahara Ocidental ocupado”, afirmou Bukhari.

O Representante da Frente Polisario considerou que o relatório do SG da ONU ”contém elementos fortes para convencer o Conselho de Segurança a adotar as medidas necessárias para o estabelecimento de um mecanismo permanente de vigilância da situação dos direitos humanos no Sahara Ocidental, que foi severamente agravada como se descreve no documento”.

A Frente Polisario, e tal como assinalaram um grande número de organizações internacionais de direitos humanos”, continua a pensar que a MINURSO é o melhor e mais apropriado estrutura de trabalho para garantir a vigilância dos direitos humanos e expressámos a nossa vontade de trabalhar nessa direção com a ONU”, afirmou.

“No caso do Conselho de Segurança decidir dar este passo, então dotará a MINURSO das mesmas ferramentas que estão incluídas em todas as missões de manutenção da paz da  ONU estabelecidas desde 1978”, disse.

Neste sentido, enfatizou que os relatores especiais, como refere também o Secretário-Geral da ONU, ”não são uma alternativa válida a um mecanismo permanente de vigilância dos direitos humanos”.

Ao abordar a questão fundamental do direito à autodeterminação, Bukhari sublinhou que ”este direito é a única base reconhecida pela comunidade internacional para resolver o conflito no Sahara Ocidental”. “Não pode e não deve estar condicionada pelos desejos de uma força de ocupação”, afirmou o Representante saharaui, que recordou que ”os dois princípios de autodeterminação e os direitos humanos estão consagrados na Carta da ONU”.

Referindo-se à convocatória feita pela ONU a ambas partes para o compromisso a fim de resolver a questão do Sahara Ocidental, Bukhari referiu que” seria um grande erro e uma negação da justiça tratar de convencer Marrocos mediante o uso de argumentos de natureza mercantil que vão contra estes direitos inalienáveis e fundamentais como a autodeterminação e os direitos humanos”.

A única solução, insistiu, é ”uma solução pacífica e democrática para um conflito de descolonização, através da realização de um referendo de autodeterminação, que é, além disso, a única razão da presença da MINURSO no Sahara Ocidental”.
Sobre a situação no Mali e no Sahel abordada pelo relatório onde se adverte que “o aumento da instabilidade e da insegurança nos arredores da região do Sahel requer uma solução urgente do conflito do Sahara Ocidental”, Bukhari insistiu que esta advertência “poderá ser mal interpretada”.

A questão do Sahara Ocidental ”é um assunto de descolonização que deve ser resolvido com ou sem os acontecimentos que sucedam no Sahel”, argumentou.

”Nós, como todos os países africanos, estamos preocupados com a estabilidade e a segurança no Mali ou em qualquer outro lugar em África, mas não pode haver confusão entre um problema interno de um país, por um lado, e o direito à autodeterminação do povo da última colónia em África”, acrescentou.

SPS

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